Capítulo 7

Oieee, tudo bem ???

Posso dizer para vocês que esse e os próximos capítulos foram os que mais me deixaram ansiosa para escrever.

Vou confessar que algumas partes dele foram sonhos que eu tive 🙈

Boa leitura ❤️

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Lyra 

Eu esperei a madrugada chegar como foi ordenado. 

Vesti um vestido e um manto longo e escuro sobre ele.

Um dia...um dia iria retribuir a sua bondade. Gostaria que fosse libertando-a desse monstro que era seu Grão-Senhor. Gostaria de tirá-la de lá. Eu sentia que ela sabia um lugar onde tinha certeza que seria feliz. Porque havia muito amor dentro dela...eu podia sentir.

Por favor! Aceite minha ajuda. Já vi Beron maltratando muitos de nós. Já o vi torturar meus filhos...aceite a minha ajuda e dê ao meu coração a chance de sentir que fez o correto. 

Foram essas palavras da senhora que terminaram de me convencer. 

Quando o sentinela foi me buscar eu já estava pronta há tempos.

— Está pronta? – Ele perguntou baixinho. 

— Sim. – Minha voz saiu rouca. 

— Então vamos...coloque o capuz do manto e me siga...com cuidado. – Ele alertou.

E então eu o segui e em silêncio. 

Tomando cuidado até ao respirar, não queria fazer nenhum barulho sequer e colocar tudo a perder. Tinha medo até das batidas do meu coração nos denunciarem. 

— Você precisa ser rápida. – Ele disse- Corra o máximo que puder e evite pausas desnecessárias...

Saímos do lugar onde ficava minha cela. Olhei rápido para trás para conhecer o lugar que me manteve presa por todo esse tempo. Era horrível, era velho e destruído. A mesma textura que cobria as paredes da cela também cobria as de fora. E o cheiro...só fora do lugar eu pude ver o quanto ele fedia. 

Ele continuou com as suas instruções. 

- Pare somente para dormir. Se por acaso ouvir barulhos no meio de alguma floresta, mude de caminho discretamente. Procure frutas para comer e beba a água dos riachos. Faça o possível para manter-se viva até encontrar um abrigo.

Minha voz falhava a cada tentativa minha de conversa.

— Tudo...tudo bem...farei como diz. 

Eu quase corri para acompanhar os seus passos. Ele nos levou até um bosque escuro e frio. Eu não sabia ao certo porque não conseguia enxergar muito bem, meus olhos ainda não estavam acostumados a enxergarem tantas informações. Talvez nem o frio era real. Talvez tudo não passe de um corpo que não era acostumado com nenhuma outra sensação que não fosse correntes e açoites. 

Pensei então em quantas coisas eu teria que me acostumar a ter de volta. Quantas sensações eu teria que me acostumar novamente. Chorei em silêncio pensando em tudo que poderia viver e sentir a partir de agora. 

— Por que? Porquê você está arriscando tanto por mim? – eu precisava saber, precisava entender, eu tinha que entender o que dizia a ele que fazer tal coisa valesse a pena. Ele poderia perder tanto por isso...

E era o que mais me preocupava.

Ele não me olhou quando respondeu.

— Comecei a servir Beron não faz muito tempo. E desde então vi muitas atrocidades feitas por ele. 

Eu fiquei em silêncio, escutando-o.

— Logo nos primeiros dias, fui designado a protegê-la – sabia de quem se tratava-. Então ficava de guarda, vigiando seus aposentos...Um dia, ela estava sozinha no quarto, como era de costume, estávamos eu e mais um companheiro à postos. Ele apareceu no corredor pisando duro, os olhos pareciam queimar de raiva e o rosto ríspido. Não sabíamos o que havia acontecido, não havíamos recebido nenhum alerta de inversão ou ameaça a corte. O motivo para ele agir daquela forma...bem, eu desconheço até hoje. 

“ Nós nos colocamos á postos, preparados para qualquer ordem que viesse a seguir quando ele se aproximou do quarto. Ele mal nos olhou antes de abrir a porta e logo em seguida batê-la atrás de si. Ele mal se deu o trabalho de se anunciar, mal quis saber se sua presença era bem vinda ali, ele apenas entrou”.

Era como se minha garganta estivesse fechando. Respirar ficava cada vez mais difícil, ele percebera como eu estava, mas mesmo assim continuo:

— Os momentos após esse foram os mais difíceis que já enfrentei. Nós escutávamos ele berrando, gritando ofensas cruéis e então um estalo...e depois outro e outro e outro. Eu ameacei entrar no quarto, mas a sentinela ao meu lado me impediu. Ouvi mais um estalo e mais gritos, mas nenhum vindos dela. Seu silêncio foi mais assustador do que se tivéssemos a escutado berrar. Precisei controlar meus instintos para não reagir. 

“ Me obriguei a encarar a porta. E fiquei remoendo a raiva até que ele saísse do quarto. Eu abandonei minha família para servi-lo, com crianças e mães. – ele me olhou pelo canto dos olhos, mas pude ver as lágrimas se acumulando e o sofrimento que prendia ali- Eu arrisco minha vida para proteger a aquela família, e como posso fazer isso se ele é porco o bastante para maltratar e humilhar sua consorte?”

— Eu sinto muito.

Ele parou e me encarou.

— Depois de algumas horas que ele saiu e quando tive a certeza que não voltaria. Eu fui pessoalmente buscar uma curandeira para tratá-la. Foi então que jurei a ela que, a partir daquele momento, eu a serviria e que, minha lealdade seria dela... da senhora e não de Beron. Que ele vá para o inferno – ele esbravejou. 

— Então você começou a protegê-la ? 

Ele assentiu. 

— Semanas atrás ela descobriu sobre você.

— Você pode me dizer como ? 

— Não...eu ao menos sei como ela tomou conhecimento disto. Ela pediu para que eu a ajudasse. No dia seguinte me ofereci para ficar de guarda onde ficava presa. Demorou um tempo até que ele concordasse, mas quando o fez eu comecei a vigia-la imediatamente.

Meu estômago pesou, foi então que entendi tudo.

— E foi com você lá que ela conseguiu entrar. – afirmei.

— Sim. Depois começamos a planejar a sua fuga. Ela não queria que você perdesse nem mais um dia de sua vida naquele lugar. Nenhum de nós queríamos. Então salvar você tornou-se nossa prioridade.

Eu o olhei em silêncio, não sabia o que dizer ou o que fazer.

— Tenha cuidado...aqui pode haver muitos animais ou coisas bem piores...procure um esconderijo caso precise.

Ele segurou minha mão. 

— Tome, leve isso– E me entregou uma adaga- Use se estiver em perigo e não tenha como fugir...não tenha medo usá-la. 

Eu concordei em silêncio e rezando para que não precisasse dela. 

Andamos por mais alguns minutos. 

Em silêncio. 

Eu tremia a cada barulho das folhagens aos meus pés, tremia com medo de me acharam e me levarem de volta. 

Mas eu não deixaria que o fizessem...não tão facilmente. 

Eu nunca havia lutado antes, mas eu aprenderia na marra se fosse necessário. 

— A partir daqui você deverá seguir sozinha...não posso acompanhá-la. 

Gelei. 

Não queria ficar sozinha naquele lugar terrível, mas eu entendia...ele já havia se arriscado muito por mim. 

— Muito obrigado. – Agradeci. 

Ele sorriu. 

— Apenas viva menina. 

Foi o que ele respondeu antes de dar as costas a mim.

Antes que ele pudesse sumir na escuridão eu perguntei:

— Posso ao menos saber o seu nome?

Ele sorriu de longe. 

— Sinto muito, mas é melhor não. Quanto menos você souber de nós...você ficará mais segura.

E então ele desapareceu. 

Eu me virei e encarei a escuridão que me esperava. Que esperava eu me aventurar nela em busca de liberdade e vida. 

Fechei meus olhos por um segundo. Tentando sentir qualquer coisa, qualquer sinal que pudesse me ajudar. Olhei de novo para o céu, ele que de certa forma, sempre me dava as respostas que precisava. 

Levei as mãos ao coração e então inspirei lentamente.

— Por favor! - pedi as estrelas - Por favor!

Então eu senti uma brisa quente passar pelo meu corpo. Meu coração deu a resposta. O céu, as estrelas e a lua deram a resposta. 

Eu correria.

Correria em direção a Corte Estival.

E que a Mãe me ajudasse e colocasse em meu caminho alguém com o coração bondoso o suficiente para me ajudar a ser livre.

Ser livre.

Limpei as lágrimas que aqueciam meu rosto e então encarei aquela escuridão. Não pensei mais, apenas segui em frente. 



Escrito por Julia.

Obrigada por ler a história de Lyra junto comigo.

Vocês são especiais demais ❤️

Espero que gostem.

Até o próximo.

Beijos, com carinho ❤️😍 

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