Capítulo 5

Oiii genteee, tudo bem ??

Hoje coloquei uma música que eu amo demais e que é muito especial pra mim 😍

Ela é muito importante para a história, então se quiserem dar play no vídeo e escutar enquanto vocês lêem... Imaginem ela em uma parte específica do capítulo de hoje, está bem ??

Ahh e guardem ela com o coração de vocês...🥰

Beijooos. 

Boa leitura ❤️

***************

Azriel 

— Eu realmente gostaria de entender o porquê eu tenho que vestir estas roupas. – Cassian esbravejou.

— Porque você vai a um teatro Cassian... É educado que se vista a altura. – Retrucou Mor. 

— Como se ele soubesse o que é ser educado – Amren debochou enquanto limpava as unhas.

— Não sabia que era permitido a entrada de ratos no local.- Cassian e Amren começaram uma série de rosnados um para o outro. 

Eu observava a bagunça em silêncio.

— Será que dá para vocês agirem de forma civilizada somente por algumas horas? – Rhysand pediu enquanto entrava na sala. 

Mor riu com escárnio.

— Por favor, Rhysand, você quer juntar Amren e Cassian no mesmo ambiente, civilidade é a última coisa que conseguirá hoje.

— Rhysand...qual a necessidade de irmos nesse concerto? – Cass perguntou enquanto tentava se ajustava ao traje fino. 

Não era surpresa que o general se incomodasse com o traje já que suas vestes eram armaduras, couro illyriano ou qualquer coisa peça que fosse possível lutar e treinar sem que o atrapalhasse. 

— Feyre quer levar as irmãs para conhecer o teatro. Além disso, Cassian, acho que um pouco de música clássica fará bem a você de alguma forma.

Cassian bufou como se fosse uma criança birrenta. 

— Cassian, você realmente precisa arrumar os seus cabelos – Murmurou Mor enquanto aproximava as mãos dos cabelos bagunçados do general.

Cassian a afastou com um gesto.

— Não toque em meu cabelo! Já estou vestido como um velho, é o bastante por hoje. Isso é coisa para Azriel e não para mim.

Eu o encarei. 

— Você não consegue passar uma hora sem pronunciar o meu nome, não é ? 

Cass mostrou o dedo e eu respondi mandando ele enfiar aquele dedo em outro lugar.

— Você não é mesmo como Azriel, ele não reclama a cada um minuto de vestir roupas finas e ao menos penteou os cabelos. – Mor debochou.

— Essa discussão é tão irrelevante e desnecessária – disse Amren. 

Rhysand se aproximou de mim.

— Você ainda tem aquele antídoto que Elain te deu no solstício? Provavelmente eu vá precisar! – ele cochichou.

— Com certeza você vai precisar. Boa sorte para manter esses três comportados durante três horas. 

— O que as madames estão cochichando? – Cass grunhiu do outro lado da sala. 

— Estava falando com Azriel, que caso você esteja incomodado com o fato de irmos ao concerto, você poderia questionar Feyre sobre o assunto. Já lhe adianto que ela não está com um humor muito agradável...

— O que aconteceu? – perguntei.

Rhys soltou um suspiro desapontado.

— O de sempre.

Nestha. 

O olhar de Rhysand ficou sombrio. 

Cassian jogou o corpo no sofá e então ficou em silêncio. 

A sala ficou em silêncio.

Feyre chegou logo em seguida com Elain ao seu lado.

— Conseguia ouvir os gritos de vocês do quarto. O que aconteceu?

— Nada que já não tenha sido resolvido. Podemos ir ? – Perguntou Rhys.

Não pude deixar de notar que todas as sombras em seu olhar se dissiparam ao olhar a parceira. Seus olhos agora brilhavam e pareciam refleti-la de volta.

— Não conseguiu convencê-la ? – perguntou Cass com a voz fria e distante.

— Não, tentei de tudo ! 

— Posso buscá-la, se quiser. 

Feyre ia responder, mas Amren falou primeiro.

— Não! Deixem a menina em paz, se ela não quer estar presente...- ela deu um estalo de língua -  apenas deixem-na em paz. 

Rhys caminhou até Feyre e conversaram qualquer que fosse o assunto, sem que o restante de nós pudéssemos ouvir. 

— Oi! – Elain cumprimentou baixinho.

— Oi, como você está? 

Ela sorriu. 

— Muito bem e você ? 

— Estou ótimo. – respondi com um sorriso. – Está muito bonita.

— Obrigada! – ela hesitou – Está animado para o concerto?

Eu dei um leve sorriso. Mal me lembrava qual foi a última vez que frequentara um.

—  Faz algum tempo que não assisto a um concerto...Creio que não consiga responder exatamente como me sinto agora. 

E eu não sabia mesmo. Alguma coisa apertava meu peito aquela noite.

Uma dor que não sabia da onde saíra. 

Ou o que a causara. 

Ela apenas estava ali...gritando dentro de meu peito. Como se quisesse contar-me algo.

— E você ? – devolvi a pergunta para Elain e mantinha os olhos em mim.

— Bem, eu adorava ir em concertos quando eu...

Ela parou de falar e seu sorriso diminuiu. 

Eu sorri, uma resposta silenciosa, eu a compreendia.

Não demorou muito para que todos estivéssemos caminhando por Velaris em direção ao quarteirão dos artistas. Elain caminhava ao meu lado em silêncio. Mor ainda brigava com Cassian pelo cabelo e Amren seguia limpando as unhas entediada. Rhys e Feyre caminhavam juntos e conversavam...era pelo laço.

Fui o caminho todo pensando e resgatando memórias que deveriam explicar o que poderia significar o aperto em meu peito, mas não conseguia encontrar nada. Nem sinal que pudesse justificar a dor. Fiquei perdido em meus pensamentos e só notei que estávamos no teatro quando as luzes ofuscaram minha visão. 

Havia me esquecido como aquele lugar era bonito. Grandes senhores circulavam e interagiam entre si  por todos os lados. Olhares saudosos eram direcionados ao Grão-Senhor e Grã-Senhora da corte,  acompanhados por cumprimentos amigáveis para o restante de nós. Fazia muito tempo que não íamos juntos a algum lugar para nos entreter. As últimas batalhas não permitiram momentos de paz e tranquilidade. E depois delas...o trabalho para reconstruir tudo o que perdemos ocupava todo o nosso tempo. Aos poucos os momentos onde estávamos todos reunidos se tornaram mais frequentes. 

Rhys havia reservado um camarote privilegiado para nós. Pouco tempo após ocuparmos o nossos lugares, às luzes do lugar se apagaram, restando aquelas que iluminavam somente o palco e uma grande cortina preta ao fundo. 

Três Grã-Feéricas tomaram seus lugares ao centro do palco. Após uma reverência ao público, cada uma delas tomou seu lugar aos instrumentos. Um piano e dois violinos.

O lugar era um silêncio absoluto.

Até mesmo Cassian ficou em silêncio.

🎻

Assim que as primeiras notas surgiram das teclas do piano, o longo tecido preto atrás das damas soltou da plataforma e caiu deslizando no ar, revelando uma grande orquestra atrás, com alguns outros tantos instrumentos. Então os dois violinos assumiram suas posições e acompanharam o piano. Aos poucos os outros instrumentos completavam a melodia. 

Mas nada conseguia cobrir os sons das cordas dos violinos. 

A melodia fez com que toda aquela dor que sentia desaparecesse. Foi como se fosse levado para outro lugar que ficava escondido dentro de mim. Senti vida e esperança e amor. Eu me entreguei a essa sensação e deixei que me envolvesse por completo. Não conseguia me lembrar da última vez em que senti a mesma paz e tranquilidade que sentia nesse momento.

🎻

Quando o concerto encerrou eu ainda conseguia sentir a esperança que ele deixara em mim. Caminhávamos de volta para casa na cidade. E a melodia tocava repetidamente em minha memória.

Foi então que olhei para o céu. 

E senti o meu corpo congelar. Algo nele estava diferente...estava mais bonito, mais...vivo, talvez? 

— Azriel? – Rhys chamou.

Eu o encarei.

Eu havia ficado alguns passos para trás.

— Vamos? 

Eu pisquei algumas vezes.

— Vão primeiro, eu preciso ir a um lugar antes. 

Ele me encarou confuso.

— Está tudo bem ? 

— Sim, está. Eu só...eu só preciso ir a um lugar antes. Encontrarei vocês logo.

E então atravessei para as montanhas próximas a casa de vento. A mais alta delas, onde eu costumo ir para passar um tempo sozinho.

O céu estrelado me convidou novamente. 

Eu o encarei e franzi a testa. 

— Não entendo! O que tem de interessante que eu não consigo tirar os meus olhos de você.

No céu noturno as estrelas reluziram uma e depois duas vezes. 

Como em uma conversa.

Eu fechei os olhos e então suspirei. 

Foi então que a esperança me alcançou de novo, mas dessa vez com maior intensidade. E tinha a sensação que ela crescia a cada vez que respirava. 

Quando abri os olhos, eu estava sorrindo e, por mais que parte de mim acreditava em como era tolo eu estar ali sorrindo e conversando com as estrelas. Uma outra agradecia pela paz que aquilo acabara de me dar. 

— Não faço a mínima ideia do que isso significa..., mas eu gostei. 

Assenti com a cabeça como agradecimento e, então, fui embora. 

Depois de todas as festividades da noite. 

Quando finalmente peguei no sono.

Depois de muito tempo eu sonhei. 

Sonhei com a música e com o céu noturno. 

Novamente agradecido e confuso..., mas principalmente esperançoso. 





Escrito por Julia.

Espero que gostem.

Obrigada pelas 600 leituras. 

Não sei como agradecer vocês !!

Fiquem bem e até a próxima.

Beijos 🥰❤️ 


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