Capítulo 36
Oieeee, tudo bem estrelinhas?
Mais um capítulo pra você 💕💕
Boa leitura 🥰
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Lyra.
— CORRA MAIS RÁPIDO! – Cass grita de longe.
Eu tinha um pouco de dificuldade em ouvi-lo com clareza. Por dois motivos, primeiro: eu estava muito, muito, muito longe. Segundo: meus ouvidos estavam abafados. Provavelmente por conta de toda pressão e o sangue correndo na minha cabeça. Aquilo deixava meus ouvidos abafados, mas a sensação de adrenalina correndo nas veias era boa. Era energizante.
— Mais rápido! — Ele grita mais uma vez. Eu já não conseguia identificar se era Cassian que tinha cordas vocais tão boas assim ou se seus gritos já estavam impregnados na minha cabeça.
Apertei os pés na neve. E puxava os joelhos com mais força. Eu ignorei a pontada de dor que senti quando enchi meus pulmões com ar. Finalmente cheguei no ponto onde Cassian indicou que acabava a corrida. A cada volta a distância aumentava mais. E depois de um olhar que implorava por um descanso e um pouco de água, Cassian disse que aquela seria minha última volta antes de um intervalo.
Isso mesmo.
Um intervalo.
Eu ri ao ouvi-lo dizer isso. Um pouco de desespero misturado com um pouco de alegria. Era divertido ver o brilho nos olhos de Cassian quando me treinava. Ele gostava daquilo. Do treino, da energia da luta e do barulho das lâminas quando elas se encontram. Ele adorava aquilo. Lutar era muito mais do que sobrevivência para Cassian. E ele fazia questão de me fazer sentir o mesmo.
Puxei o ar o máximo que consegui. Toquei a rocha fria. Aquela era a linha de chegada. E então dei meia volta e voltei. Correndo. Um pé e depois o outro. Meus joelhos tremiam e minhas panturrilhas ardiam, mas estava tudo bem para mim.
O corpo pequeno de Cassian ficava dobrava de tamanho à medida que me aproximava. Mais perto. Mais perto. E mais perto.
Afundo os calcanhares no chão, mas não a tempo de chocar com a montanha de músculos à minha frente. O choque me jogou no chão. A neve estava tão macia e gelada que pareceu resfriar o meu corpo quente.
Resolvi continuar deitada no chão por um tempo.
Cassian se aproximou e ficou em pé de braços cruzados onde um conseguia ver o seu rosto. Ele sorria.
— Eu sabia que você ia se jogar em cima de mim algum dia… – Ele usa um tom divertido e ao mesmo tempo convencido.
Usei um pouco de força e ergui o braço. E depois ergui o dedo. O que fez Cassian sorrir ainda mais.
— Ah, claro! Porque você é irresistível. – Falo revirando os olhos.
— Eu não sou nenhum encantador de sombras, mas também tenho o meu charme...– Disse gesticulando com a mão para seu rosto – Meu doce.
Tentei soltar uma gargalhada alta, mas estava cansada demais.
— Hm… Azriel adoraria saber que você o acha charmoso. – Consigo dizer.
Cass ri baixinho e estende a mão.
— Venha! Vamos voltar!
Consigo levantar a cabeça.
— O que? – Pergunto sem acreditar. – Você disse que aquela era a última volta.
Ele coloca um pouco a cabeça para o lado e me lança um sorriso doce.
E falso.
— E você acreditou?
Droga. Ele está certo.
Eu não ganharia essa…
Respirei fundo e segurei a mão de Cassian. Com um mísero puxão e me pondo de pé novamente. Demorei um tempo para me equilibrar novamente.
— Me deixe apenas respirar por cinco minutinhos?
Os ombros largos se moviam e os braços fortes de cruzaram na frente no peito. Cass estreitou as sobrancelhas largas.
— Você acha que em uma batalha o seu adversário lhe dá tempo para respirar?
Eu pisco algumas vezes…
— Foi o que eu pensei! – Ele fala sorrindo. – Não estamos em uma agora, mas logo você irá entender duas coisas. - Ele se aproxima e levanta um dedo. - Primeiro, nós nunca sabemos quando uma guerra pode acontecer. Você pode ir a uma corte e acidentalmente - a ênfase na palavra me gerou desconfiança - explodir alguma coisa. E isso pode lhe causar muitas dores de cabeça.
Explodir alguma coisa?
Era algo específico demais.
— Espera…O que você explodiu, Cassi…
Antes que eu pudesse terminar, Cassian fez um sinal com as mãos.
— Shh! Não me interrompa! – Ele fala em um tom divertido que me faz sorrir. – Isso não é a questão agora. Em segundo lugar,- Ele levanta o segundo dedo - e essa é a mais importante. Quem anda com um de nós sempre tem que estar pronto.
Eu o encaro um pouco confusa.
— O que quer dizer?
— Eu quero dizer que a lista daqueles que nos odeiam é extensa.
— Mas eu pensei que as coisas tinham melhorado depois da guerra.
Cass sorriu.
— E melhoraram… mas ainda temos muitos problemas.
Suspirei decepcionada.
— E a outra parte da corte? A corte…- tento resgatar o nome - dos pesadelos?! isso, e a corte dos pesadelos.
Cassian abre um sorriso quase que diabólico.
— Odeiam a gente.
— Os illyrianos? Todos odeiam vocês?
— A maioria.
— E as outras cortes? – Pergunto esperançosa.
Impossível ter tanto ódio assim.
Cassian troca o peso dos pés e dá de ombros.
— Bem… Algumas não mais, mas tem suas exceções.
Meu coração aperta.
— A Outonal?
— Beron odeia até os filhos, quem dirá nós. – Cass estala a língua.
— E agora que eu estou aqui a coisa toda pode piorar.
Foi impossível ignorar a culpa em minha voz.
— Talvez...– Cassian responde sinceramente. – Mas nós damos conta.
Eu abro um sorriso pequeno
— E nas terras mortais?
— Meu doce, vamos deixar as coisas claras entre nós dois. Muitos não se importariam em acabar com a nossa raça na primeira oportunidade.
Não consigo deixar de rir.
— Uau! Estou andando com um bando de rebeldes. Isso é excitante. – Falo dando um soquinho no ar de empolgação.
Cassian ri baixo e ergue as sobrancelhas para mim.
— Chega de papo, vamos voltar!
— Ah não, eu achei que você tinha esquecido. – Volto a sentir frustração.
— Eu nunca esqueço de nada… – Ele fala todo orgulhoso. Vamos, pode começar...– ele se vira e começa a andar em direção a um dos depósitos.
— Onde você está indo?
— Vou buscar equipamentos...– Ele fala alto enquanto se afasta. – Por que ainda não está correndo?
Nem olhando para mim ele estava. Então faço o que qualquer um faria.
Mostro a língua.
— Mais oito voltas só pela malcriação! – Ele grita antes de sumir para dentro de um depósito.
— O que? – sussurro a mim mesma. – Como ele viu?!
Bato o pé de irritação e então viro meu corpo e faço o que Cassian manda.
Eu estava na minha terceira volta quando vejo um vulto chocar contra meu corpo. Eu imediatamente sou arremessada contra uma rocha.
A dor me fez querer vomitar.
Eu abro os olhos devagar e percebo a minha visão de adaptando novamente. A tempo de ver um illyriano vindo em minha direção.
Ele tinha barba mal feita e o cabelo parecia estar embaraçado. O corpo era menor que dos três guerreiros que conhecia, mas ainda sim era duas vezes maior que o meu. Seus olhos eram da mesma cor, mas não tinham o brilho que Az e Cass tinham.
— Ah...– A voz me fez estremecer. – Como eu desejei fazer isso…
Eu consigo me levantar com certa dificuldade.
— Quem é você?
O illyriano agora estava tão próximo que podia sentir sua respiração. Ele foi rápido o bastante para que eu não tivesse tempo de me defender do golpe que acertou bem em meu rosto.
— Cale a boca!
Sinto o gosto de sangue na garganta e meu nariz encharcado de sangue. Meu corpo ferve e fecho minhas mãos em punhos. Tento acertar um golpe. Mas ele desvia com uma destreza de dar inveja.
— Patética.
Eu franzo a testa e parto para cima dele. Dessa vez eu acerto o seu rosto.
— Patético! - retribuo.
Ele desequilibra dando alguns passos para trás. Sua barba manchada de sangue.
— Maldita, vai se arrepender disso.
— Vá a merda! – rebato.
Mas me arrependo em seguida.
Ele me acerta mais um golpe no rosto. E sinto a pele do meu lábio abrindo. E em seguida mais gosto de sangue.
— Vadia!
Ele anda até mim e para à minha frente. Eu estava no chão, o que me deixava quase de joelhos aos seus pés
— Vou perguntar apenas uma vez antes de acabar com você. – Ele avisa. – O que você é?
— Não é da sua conta! – respondo com a mesma intensidade.
Ele chuta meu quadril e eu gemo de dor.
— O que você é?
Eu sentia sua raiva aumentando.
Eu podia ficar calada. Podia obedecer qualquer coisa que ele dissesse. Ou entregar o que ele queria. Ou dizer em voz alta o que evitei até o momento.
Minha história.
Mas a minha história real. Aquilo que eu realmente era.
Não era segredo que as bruxas são como aberrações. Demônios. Elas são temidas e odiadas por muitos. Principalmente em terras illyrianas. Rhysand foi bem claro quando disse que ninguém deveria saber sobre minha origem. Sobre o que eu sou.
Então naquele momento, enquanto eu estava com as botas pesadas chutando o meu estômago. Eu só tinha duas alternativas. Ou eu daria o que ele queria e deixasse ele acabar comigo. Ou eu lutaria.
E eu já estava exausta demais de ser machucada. Exausta demais de sentir medo o tempo todo.
Vai doer.
Cada golpe que eu receber, vai doer. Mas eu não posso desistir de lutar. Não quando tenho tantas pessoas me provando o contrário. E não quando eu sei que sou capaz de sobreviver por mim mesma.
— Descubra sozinho!
Ele sorriu quando me viu levantar e cambalear em sua direção. Eu não existia a opção de desistir.
Nunca.
Os segundos seguintes foram angustiantes. Eu acertava uma série de golpes. Sentia os ossos da mão doerem e minha pele manchada com o sangue dele.
Mas um segundo de distração. Eu cometi o erro de olhar para meus pés…
Sinto uma pancada forte na têmpora esquerda. Sinto minha cabeça inchada e fico tonta. Ele me agarra pela roupa e me arrasta até às rochas da montanha. Minhas mãos desesperadas começam a acertar tapas em qualquer parte que eu conseguisse alcançar.
— CASSIAN!!!!!!
Minha voz é estrangulada pelas mãos ásperas do illyriano agarrando meu pescoço.
— Onde está toda aquela sua marra, bonitinha.
Esfregava os pés no chão. Tentando acerta-lo. Mas quanto mais eu tentava mais o seu corpo pesado pressionava o meu.
— ME RESPONDA! - Ele rugiu - Que merda você é?
As pontas dos dedos afundam na pele do meu pescoço e sinto suas unhas cortarem minha carne.
— O que dizem sobre você é verdade?! - seu hálito é azedo e podre. - É uma bruxa?!
— Me deixe em paz!!!!! - a dor rasga minha garganta. Eu estava sufocando. De novo. Senti o meu corpo estremecer. Eu estava sufocando como naquele dia na caverna. Com o corpo da sentinela pressionando o meu a uma rocha fria.
Com as unhas cravadas na minha pele, ele me afasta da parede e em seguida sinto a pancada forte atrás da cabeça. A dor é aguda e o sangue começa a molhar meu cabelo. E sinto o mundo girar sob meus pés. O gosto da bile forte sobe pela minha garganta ao mesmo tempo que minha visão fica turva.
— Sabe o que faço quando encontro vadias como você? - seus olhos encaram os meus. Suas pupilas dilatadas e veias vermelhas rasgando os olhos - Acabo elas! - solta com um riso satisfatório no final.
Consigo soltar umas das mãos. E alcanço o seu rosto. Minhas unhas cortam sua pele e três linhas ensanguentadas aparecem em seu rosto. Mais um reflexo rápido e consigo fechar a mão em punhos e uso o pouco de força que encontro para acertar o seu rosto. Ele cambaleia, mas não o suficiente para me livrar dele. Quando vira a cabeça novamente em minha direção, só o vejo com o lábio cortado. Urro de dor quando sinto o joelho pesado invadir o meu estômago. Uma vez, depois outra e mais outra. Sinto o ferro subir pela garganta e cuspi o meu sangue no chão.
A satisfação em seu olhar me assusta.
— Mas com você será diferente! Vou quebrar os seus ossos… - sua satisfação em detalhar a tortura era assustadora - E vou jogar você ainda viva em uma fogueira. Consegue imaginar? - sinto o sangue escorrendo por minha nuca. O medo já tinha anestesiado o meu corpo. Eu já tinha me esquecido do corte na minha cabeça. O illyriano que me prendia, agora, usa uma das mãos para segurar minha mandíbula. Obrigando-me a encará-lo mais uma vez. – Consegue imaginar como vai ser prazeroso te ver queimar e escutar você gritar…
Escuridão preenche os meus olhos e por um instante não pude ver o que estava acontecendo. Sinto algo frio e denso percorrer todo meu corpo.
Vibrando em êxtase.
Eu já senti isso outras vezes. Meu poder está se manifestando dentro de mim. Quando minha visão não estava mais turva, tomei a decisão de permitir que ele fizesse seu papel.
Uma força inesperada me fez erguer as mãos e encostá-las no peito do macho. Ele estava seguro demais para achar que eu faria alguma coisa. Provavelmente acreditando que já teria desistido de mim mesma.
Mas não hoje.
Ou melhor.
Nunca.
A força dentro de mim crescia e depois de um soluço fraco, pude senti-la vazando por meus dedos. E então um grito animalesco e desesperado me arrancou do vazio profundo que estava. A confusão acabou. E eu pude entender o que era.
O macho agora estava gritando de dor e ajoelhado aos meus pés. Uma névoa escura saia de seu corpo e cheiro de sangue fresco preenchia minhas narinas. Mas não havia nenhum ferimento em seu corpo. Ele joga seu corpo pesado para trás. E um estalo alto quando atinge o chão. Seu gritos ficam mais altos e a névoa continua a sair. Quando percebo. Estou com minhas mãos estendidas e meu poder se desprendendo de mim e indo diretamente para ele.
Dor.
Eu estava causando dor a ele.
Um desespero aparece. E eu tento acalmar a força dentro de mim, mas ela parece não querer me dar ouvidos.
Se eu continuar eu vou matá-lo.
Mais uma ordem ignorada.
"E vou jogar você ainda viva em uma fogueira."
A dor irrompe com a lembrança.
"Consegue imaginar?"
Sinto as palmas das mãos arderem e logo em seguida as sinto quentes. Quentes como fogo.
"Consegue imaginar como vai ser prazeroso te ver queimar e escutar você gritar…"
Grito de desespero quando vejo as chamas que meu corpo libera. Elas acabam com o espaço vazio entre nós, e só param quando encontram o corpo do illyriano caído.
Sua dor fica insuportável de ouvir.
E eu me vejo presa naquela sensação.
— LYRA! – Cassian grita ao fundo.
Eu encaro as chamas que ainda saem das minhas mãos e me obrigo a olhar para Cassian.
Meu coração se parte ao encontrar Cassian tão aterrorizado quanto eu.
— Por favor! Eu não consigo parar! - Não notei que estava chorando. – EU NÃO CONSIGO PARAR.
Pensei que ele não iria se aproximar. Mas Cassian marchou até meu lado.
— Me escute! - A voz estava rouca. – Ele não controla você! Ordene que isso pare. Agora!
Soluço.
— Eu não consigo! - o desespero faz mais lágrimas escorrerem pelo meu rosto. E sinto minha pele úmida. – EU NÃO CONSIGO.
Cassian toca o meu ombro. Sinto seus dedos me segurarem com firmeza.
— AGORA, Lyra!
Sua ordem causa uma agitação em meu cérebro. E o mesmo ordena que minhas mãos parem com qualquer que seja a porcaria que esteja fazendo. As chamas são interrompidas ao mesmo tempo que os gritos acabam.
Minhas mãos pesam e eu abaixo meus braços. Consigo olhar para Cassian.
— Você está ferido! - falo com dificuldade quando vejo o rosto ferido e ensanguentado de Cassian – Pegaram você também…
Um forte enjôo e uma exaustão fazem meu corpo amolecer.
— Lyra. – Sinto os braços de Cassian me envolverem, mas já era tarde demais. Minhas pálpebras já estavam pesadas demais. – Lyra, eu preciso que fique comigo.
Eu tentei. Juro que tentei ficar acordada, mas era difícil demais.
Continua...
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Escrito por Julia 💕
Espero que tenham gostado. Até a próxima...
Beijinhos e fiquem bem 💕💕💕
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