Capítulo 34
Oieeeee, tudo bem???
Capítulo novo pra vocês. Talvez vocês se identifiquem um pouquinho...
Boa leitura 💕
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Lyra.
— Não quero parecer uma boba… mas ainda não consegui me acostumar com a beleza desse lugar - Falo enquanto ando pelas pedras de paralelepípedos de Velaris.
— Eu sei! - Feyre me acompanha com o braço entrelaçado ao meu. - Eu amei Velaris assim que coloquei os meus pés aqui. E todos os dias quando acordo e olho a cidade através da janela… - um suspiro apaixonado lhe escapa - É como se eu me apaixonasse por tudo isso de novo.
Apenas sorri para ela e então voltei a minha atenção à cidade. Feyre não pareceu se importar com o silêncio. Ela fazia o mesmo. Admirava a cidade assim como eu, muitas das vezes ela dava uma pausa na tarefa para cumprimentar os moradores admirados que vinham desejar uma boa tarde a Grã-Senhora e suas amigas. Feyre respondia com um sorriso largo e orgulhoso. Enquanto Mor esbanjava simpatia. Os cabelos loiros estavam ondulados e jogados de lado, deixando parte do rosto livre. Os olhos castanhos cintilantes e cílios longos e volumosos sorriam junto com os lábios.
Até eu fui notada.
Pouco tempo depois de começarmos nosso passeio pela cidade. Um feérico já de ideia que vendia flores na rua. Ficou encantado por ver sua Grã-Senhora. Segundo ele, vê-la foi uma grande sorte – é fascinante ver a admiração dos moradores pelo círculo íntimo. Então ele fez questão de presentear Feyre com uma flor roxa. Desejando tranquilidade, paz e realeza. Já a Morrigan, ele lhe entregou uma flor vermelha e disse que lhe deseja um amor verdadeiro e eterno. A feérica o agradeceu com os olhos marejados. E eu…
Bem, quase não acreditei que fui escolhida para ganhar uma delas também. Não consegui contar a felicidade quando o senhor simpático me entregou uma flor azul. Antes que o fizesse, ele me encarou com os olhos escuros e termos e disse que me daria aquela com a cor da minha alma. E então não pude deixar de comentar que era minha cor favorita e ele sorriu. Afirmando que soube logo que me viu. Talvez fosse pelos grampos cravejados de pedras azuis que usava no cabelo, e o bracelete que carregava no braço. Para finalizar ele me desejou sabedoria, lealdade e confiança.
Ainda com a flor em mãos, eu me dedicava a esbanjar sorrisos. Era divertido e prazeroso ouvir as risadas das crianças correndo pelas ruas e as conversas paralelas entre os comerciantes. E o cheiro? Sinto a saliva preencher a minha boca ao sentir o aroma doce vindo de uma pequena confeitaria na cidade. Passamos a tempo de ver a dona da loja colocar uma linda, e provavelmente muito saborosa, torta de chocolate na vitrine. Me obriguei a ignorar a vontade de me jogar em todo aquele chocolate e voltei a dar atenção às minhas amigas.
— Ainda não acredito que conseguiram convencer Cassian a me liberar do treino hoje.
— Somos muito determinadas! - Feyre comenta entre risos.
— Você tinha que ver a cara emburrada dele quando o convencemos. – Mor completou.
— Quando me encontrou no corredor ele disse: "Amanhã a senhorita vai treinar em dobro. Nem pense em me enrolar" - Respondo Mor com uma imitação exagerada de Cassian. Com direito a voz grossa e uma careta mau humorada. Eu não tinha dúvidas que ele me faria treinar o dobro no dia seguinte. Aliás, ele vem tentando me persuadir a treinar no alto de uma montanha, mas eu também sou determinada e teimosa. Ele não me leva para aquela montanha nem arrastada. - E depois saiu bufando e batendo os pés.
As duas riem.
— Um bebezão…- Feyre debocha.
Morrigan parece ter cansado sobre o assunto em questão e segura meu punho.
— Venha, tem um lugar que eu tenho certeza que você vai adorar.- Ela diz enquanto me arrasta pela cidade. Eu só tive tempo de agarrar o braço de Feyre e levá-la comigo. - Conversei com Feyre e ela concordou que aqui seria um ótimo lugar para trazer você. Sabemos que gosta de livros e que ama a biblioteca da casa, mas talvez vir a um lugar diferente possa te fazer bem.- Mor para e abre os braços animada. - Aqui está!
Em minha frente está uma livraria. Talvez uma das mais graciosas que já tive o prazer de ver. Ela não era grande. Era apenas uma pequena lojinha no quarteirão. Com espaço suficiente para um vitrine larga e uma porta ao lado. Mas era tão linda…
As paredes e janelas e a porta, todas pintadas em um único tom de verde sálvia. Deixando em destaque apenas o nome da loja e uma linda cascata de flores brancas e folhas que foram sabiamente colocadas sobre a vitrine. Atrás do vidro era possível ver o interior da loja, ainda mais lindo do que o exterior. As paredes brancas com pequenos detalhes em dourado e abarrotada de livros. Exposto a quem quer que quisesse olhar, brochuras antigas. Livros que provavelmente pertenciam a colecionadores.
— Vamos entrar? - Morrigan pergunta animada. Sorri quando vi a sua reação. Parecia uma criança que ia a um parque de diversões.
— Claro! - Respondo igualmente animada e então ela nos arrasta para dentro da loja.
Era exatamente como eu imaginava.
A loja tinha cheiro de livro novo.
Eu aproveitei e enchi meus pulmões com aquele cheiro.
— Eu já volto. - Morrigan avisou antes de desaparecer entre as prateleiras.
Eu agarrei o braço de Feyre e começamos a andar pela lojinha.
— Será que terá algum lugar na cidade que não vai me fazer suspirar? - Pergunto a ela que me dá um sorriso largo com resposta.
— Eu espero que não. Gosto de como você olha para Velaris.
— É que realmente estou muito agradecida por estar aqui…
Feyre sorri mais uma vez.
— Eu sei! Consigo sentir isso…- ela me olha - Eu também agradeço por ter conhecido você. As coisas estão melhores agora.
— O que quer dizer?
A fêmea me encara com ternura nos olhos.
— Bom, antes de você chegar, Lucien por exemplo, só tinha a mim como amiga. E agora ele tem você e vejo que ele está muito feliz.
— Ah…- Sorrio envergonhada. Torcia para que Feyre não pensasse que minha relação com Lucien fosse algo a mais. Talvez ela realmente não pense tal coisa. Talvez eu só esteja paranóica, já que algumas noites atrás o tema do nosso jantar foi como Feyre gosta de bancar a casamenteira, porém nunca obteve sucesso, segundo seu próprio parceiro. Mas não soube nada além disso. E minha intuição dizia que isso não era coisa para eu me meter, mas já desconfiando das possibilidades.
— Azriel também. - Ela comenta - Ele também fica muito bem quando está perto de você.
Tento manter a mesma feição.
— Os dois são machos incríveis e especiais. - Sinto seu olhar sobre mim, mas mantenho meu olhar distraído com os livros. Chega um hora que fica difícil manter o fingimento. Feyre ainda me encara quando eu, em um ato de desespero, mudo de assunto completamente. - Eles deviam fazer uma essência com esse cheiro. Eu passaria a vida toda só sentindo cheiro de livro novo. - Torço para ela não notar o nervosismo em minha voz.
Feyre me olha e pisca algumas vezes com seus lindos azuis acinzentados. Ela abre um sorriso que vacila minutos depois.
— O que houve? Disse algo errado?
— Oh, não...E que você me lembrou Nestha. Ela ama livros e passava o dia na biblioteca quando morava conosco. - Feyre suspiro e eu sigo em silêncio - As vezes eu penso que vocês duas teriam chances de se tornarem grandes amigas…- uma pausa e eu pude sentir o meu coração pesar - Se não fosse por aquele episódio com a Elain.
— Eu sei… - suspiro decepcionada comigo mesma - Eu sinto muito por aquilo, mas eu não posso dizer que me arrependo.
— Eu sei que sente. E eu também sinto, não gostaria que as coisas tivessem acontecido como aconteceram.
No dia seguinte da minha discussão com Elain e Nestha. Feyre me contou um pouco sobre suas irmãs. Eu não me arrependo de ter defendido meu amigo. Faria isso de novo se precisasse, mas eu sinto que não deveria ter feito como eu fiz.
— Feyre.
— Sim?
Meu coração batia nervoso dentro do peito.
— Se eu tiver oportunidade… Eu gostaria de conversar com suas irmãs.
— Minhas irmãs?
Seu tom era de surpresa, provavelmente por eu escolher a irmã que todos achavam ser a mais difícil.
— Sim…- eu a encaro - Eu sinto que é o que eu deveria fazer.
Feyre e eu passamos por um lindo balcão de vidro. Dentro deles estavam expostas canetas tinteiro antigas. A beleza do material chamou minha atenção, talvez fossem os detalhes em dourado, ou as pequenas rosas desenhadas no tinteiro. A realidade é que sempre admirei os detalhes. Gostava de passar horas olhando e admirando as coisas e buscando algo que a tornasse única. Ela podia não ser única para o mundo, mas para mim. Olhando com um pouco mais de atenção, vejo exposto próximo as canetas, um lindo diário de couro branco com cantos prateados. Passei meus dedos sobre os arabescos desenhados no couro e deslizei até o pingente preso ao fecho.
— É lindo! - exclamo enquanto me encosto no balcão para vê-lo de perto.
Sinto Feyre chegar mais perto.
— Gosta de escrever?
— Um pouco…- falo ainda concentrada no diário - Eu costumava escrever quando tocar e ler não eram o bastante para me distrair.
— Por que não levamos este pra você?
— É serio?
— Claro que sim.
Eu suspiro decepcionada. Eu não gostava da ideia de me sentir um peso para alguém. Desde que me abrigaram, venho ganhando vestidos lindos, abrigo e comida. E sentia que não fazia o bastante para retribuir.
— Feyre, o diário deve ser muito caro. Olhe para ele.
Feyre deu um daqueles sorrisos que ela dá sempre que eu falo alguma coisa que acha engraçada ou inocente. Demorei pra perceber a bobeira que havia falado. Feyre era Grã-Senhora, o valor daquele diário não seria responsável pela ruína dos cofres de sua família, mas mesmo assim. Para mim o valor significava muito.
— Você se parece comigo… - cochicha para mim. - Eu também não gostava de sair esbanjando dinheiro. Rhysand sempre ria de mim. Eu sei que temos muito dinheiro e provavelmente o dono desse lugar daria esse diário a nós de graça por agradecimento à corte. Mas eu nunca gostei da ideia de gastar atoa, mesmo tendo muito para isso.
— Eu sempre trabalhei muito duro para conquistar minhas coisas…- desabafo - Então ganhar tudo o tempo todo faz com que eu me sinta…
— Impotente? - ela completa.
Eu suspiro falho me escapa.
— Isso.
Minha amiga me lança um sorriso confiante.
— Eu andei pensando em uma coisa. - Seu sorriso aumenta e meu olhar vai de preocupação à curioso. - Quero que você trabalhe para nós. Não para nós, na verdade é para mim.
Isso significa voltar a tocar. Significa voltar a cantar. Significa recuperar tudo o que eu perdi e que tanto amo.
— O que você acha de dar aulas na galeria?
Céus.
Eu me encontraria de novo...
— Dar aula para as suas crianças?
Ela acena empolgada.
— Feyre, isso seria incrível… - seria, mas…- Mas eu não toco a anos. E ainda não sei se consigo voltar.
Seu sorriso não vacila.
— Tudo bem, você não precisa começar agora. Só me diga que aceita e pode começar quando se sentir pronta. - Uma faísca acendeu em meu peito. - Mas eu gostaria muito levar você até lá. Tenho certeza que quando você conhecer as crianças isso vai te ajudar a pensar melhor.
Sorri para ela. Sorri para a possibilidade. Sorri porque sabia que iria me reconectar com tudo aquilo que sou de verdade.
Minutos depois eu estava indo com Feyre e Morrigan a uma joalheria. Morrigan dizia que era a sua favorita e que precisava comprar algumas coisas novas. A feérica contou que era o seu ritual quando estava com tédio. Não fiquei surpresa quando entrei no lugar e fiquei encantada com a beleza do lugar. Jóias de todos os tipos e tamanhos. As pedras eram únicas, como tudo naquele lugar.
Deixamos Mor se divertir por um tempo, enquanto Feyre e eu ficamos conversando encostadas em um dos balcões.
— Você tem um bom gosto para jóias.
Escuto uma voz próxima. Me viro para ver se reconheço o dono da voz. Mas me surpreendi ao encontrar um feérico de cabelos longos e escuros, os olhos azuis como o céu.
— Ah, obrigada…- agradeço envergonhada - Mas foi um presente, na verdade.
Ele se aproxima de nós e quando reconhece quem me acompanha faz uma reverência atrapalhada.
— Senhora…
Seu jeito desajeitado arranca um sorriso de Feyre.
— Olá!
O sorriso do feérico para sua Grã-Senhora era sincero, mas logo ele parece perder o interesse e sua atenção retorna a mim.
— Então…- os olhos azuis brilhavam de curiosidade - Se me permite, presumo que quem lhe presenteou com a jóia seja o seu companheiro.
A vergonha transita por meu corpo e ouço uma risada estrangulada vindo de Feyre. Eu a encaro e franzo a testa. Ela ri e então me deixa sozinha ali. Me deixa sozinha com ele. Talvez na cabeça dela, ela está me ajudando. O macho coça a garganta.
— Ah, não…- respondo com as bochechas ardendo - Ele é apenas um bom amigo. - Torci para que ele não notasse a amargura em minha voz. Pois eu notei.
— Um amigo que presenteia com joias únicas assim? - ele parece desconfiado - Você deve ser alguém muito especial.
— Eu espero que sim…
Seus olhos se fixam em mim por um tempo e ele sorri ao notar a timidez nos meus.
— Nunca a vi por aqui.
— É porque sou nova. Cheguei a alguns meses.
— Imaginei…- o brilho agora era de interesse - Fêmeas como você não costumam passar despercebidas.
Céus!!!!!!!!!!!
Eu não tinha ideia de quanto tempo eu não tinha a sensação de ser cortejada por alguém. Ele estava flertando comigo e não tinha ideia do que fazer. Tinha esquecido como era essa sensação…
— Uau! Você é bom…- respondo com simpatia e deixo claro que já entendi sua intenção.
O macho sorri e passa as mãos nos fios longos e escuros.
Típico.
— Minha tentativa deu certo?
Tinha esquecido como era bom se sentir desejada. Sentir que tinha despertado o interesse de alguém. Tinha esquecido de todas as coisas. Isso fazia tão parte de mim quanto tocar, cantar, e qualquer outra coisa que fizesse.
Por um breve momento eu pensei em aceitar.
A verdade era que eu gostava dessa parte. Eu gostava de estar atraída. De estar apaixonada. Porque eu queria isso… eu acreditava no amor. E eu estava apaixonada…
— Fico lisonjeada pelo seu interesse, mas…
— Vou poupá-la de dizer o restante. - Ele me interrompe imediatamente.
— Obrigada. - Estou mais aliviada do que imaginava.
— Mas se quem lhe presenteou com esse bracelete demorar muito, e você ficar entediada… - seu tom era convencido. Ele realmente acreditava que aquilo aconteceria - Sabe onde me encontrar.
Como se estivesse lendo meus pensamentos. Feyre aparece com Morrigan vindo ao encalço. As unhas vermelhas seguravam sacolas de jóias em ambas as mãos. Era uma bela forma de distração, confesso.
— Podemos ir agora. - Mor declara.
E eu honestamente fico aliviada.
— Bom, foi muito bom te conhecer…- ele pisca curioso.
— Lyra.
Agarro o braço de Feyre e começo a puxá-la para a saída.
— Espero vê-la em breve, Lyra - o feérico ele abre mais um dos sorrisos confiantes e pisca para mim.
Mor arregala os olhos e Feyre gargalha quando as puxo para fora da loja. Eu estava tremendo e sentia meu rosto formigar.
— O que aconteceu ali?
Sabia que não conseguiria me livrar da Morrigan curiosa. Então comecei a contar tudo sobre o flerte desavergonhado
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Escrito por Julia
Espero que tenham gostado!! Um capítulo levinho... Por enquanto 🤭
Beijinhos estrelinhas, fiquem bem 💕
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