Capítulo 26

OIEEEEEEE, TUDO BEEEEM??????

Capítulo novo pra vocês!!!

Aí gente, eu estou tão ansiosa pra esse capítulo!!!

Tem até musiquinha pra vocês 🤭

Vou pedir um favor pra vocês!

Vai ter um momento específico que essa música aparece... Se vocês puderem, subam até aqui e coloquem a música pra tocar. Imaginem a cena...

Eu pensei nela com muito carinho...

Boa leitura ❤️❤️

***

Lyra

O lugar era lindo.

As paredes eram grandes vitrines de vidro. Por fora se via tudo o que acontecia do lado de dentro. Famílias grandes e pequenas, amigos, casais e até pessoas sozinhas comiam e bebiam e se divertiam.

Os móveis eram todos de madeira fina e rústica. Ele era iluminado por lâmpadas presas em fios e se conectam a algumas árvores e pinheiro dentro do salão. Mesas e cadeiras de diversos tamanhos e formas.

No centro de cada mesa um arranjo lindo com folhas verdes e rosas brancas. Os talheres dourados combinavam com os desenhos sofisticados do prato de porcelana branco. As taças eram de um cristal fino, algo que exigia delicadeza ao ser tocado.

Mais ao lado tinham feéricos se divertindo em um bar, a parede atrás dos funcionários era repleta dos mais diversos vinhos.

Quando entramos alguns desses feéricos nos encararam. Eu olhei em direção ao bar e sorri. Um cumprimento silencioso, mas acolhedor. Como vinha recebendo daqueles que moravam ali.

Eles sorriram de volta e levantaram as taças.

Azriel tocou minhas costas com delicadeza e me guiou até um dos funcionários. Eles conversaram por alguns instantes, mas eu estava tão envolvida e dedicada a guardar aquele lugar, aquelas imagens, que mal me dei o trabalho de prestar a atenção no que falavam.

- Ele vai nos levar até nossa mesa...- Azriel cochichou próximo ao meu ouvido.

O arrepio que senti me trouxe de volta a realidade.

- Ah...- respondi ainda um pouco confusa - tudo bem!

Ele gesticulou com uma mão para que seguisse em sua frente. Eu segui o garçom até uma mesa com cadeiras para duas pessoas. Sobre ela, descendo do teto, um lindo lustre iluminava nossos lugares.

Próximo a mesa um feérico tocava o piano com habilidade. Eu sorri ao reconhecer a música. Falava sobre amor! Sobre como ela amaria o parceiro. Ela o amaria enquanto as estrelas o cobrissem.

Assim que chegamos, Azriel fez questão de puxar a cadeira para que me sentasse e esperou que eu o fizesse, assim que eu já estava devidamente confortável em meu lugar ele seguiu para o dele, que ficava diante de mim.

- Pedi essa mesa porque como sei que gosta de música, achei que um lugar próximo aos músicos lhe faria bem. E também daqui você consegue ver o céu...- Azriel contou baixinho.

Eu então subi o meu olhar...

Estávamos sob um teto de vidro, eu conseguia ver todo o céu noturno. Conseguia ver as estrelas e a lua. Eu senti meu sorriso se abrindo enquanto admirava a vista.

- Assim você consegue ver as estrelas, como sei que gosta de ver todas as noites.

Ele estava certo. Ver as estrelas era a minha única certeza de todos os dias. Eu me levantava pela manhã já pensando no anoitecer.

- Você anda me espionando, Encantador de Sombras? - finjo estar desconfiada.

Ele riu e deu de ombros.

- Talvez...

Eu joguei meus cabelos para trás dos ombros.

- Fico lisonjeada em saber que atrai sua atenção a esse ponto...

Ele deu uma gargalhada baixa.

- Você falou como o...

- Cassian? - interrompi.

- Exatamente!

- Acho que estou passando tempo demais com ele e isso está me afetando.

Brinco.

- Precisamos resolver isso, então!

- Concordo - me ajeito na cadeira e pego minha bebida-. O que sugere?

Azriel suspirou.

- Podemos voltar com as nossas conversas na biblioteca, ou, os passeios por Velaris, o que você preferir.

- Parece ótimo, mas isso não vai tomar muito do seu tempo? Você anda trabalhando muito e eu não quero incomodá-lo.

Ele engole seco e eu consigo senti-lo tenso, talvez, preocupado.

- Peço desculpas por estar ausente por muito tempo, Lyra. Estou com um caso um pouco complicado de se resolver e isso tem ocupado muito do meu tempo.

Os olhos de Azriel ficaram distantes.

- Oh, não precisa se desculpar, Az. Não se preocupe com isso...

Ele deu um meio sorriso.

- Você está triste...- minhas palavras fizeram com que ele me encarasse - triste e preocupado. Posso ajudar de alguma forma?

Ele me olhou orgulhoso, mas ao mesmo tempo triste. Era como se estivesse orgulhoso e agradecido por eu me preocupar e prontificar a ajudar, mas triste por saber que seria apenas um pedido, no que eu ajudaria!?

Nem mesmo sabia controlar os poderes!

Eu ao menos sabia que tinha poderes...

Ainda com um olhar doce, ele me respondeu:

- Por favor, Lyra. Você não precisa se preocupar com isso. É uma velha história do acampamento, que carregamos sobre os ombros há muito tempo. São alguns problemas que esperamos resolver em breve - ele para, como se precisasse reorganizar as ideias -. Vamos resolver, eu garanto.

- Eu sinto muito, Azriel. Gostaria de poder ajudá-lo de alguma forma, mas acho que isso não está ao meu alcance...

E não estava. Eu sabia. Mesmo assim era o que desejava.

Eu queria agradecer a ele de alguma forma. Queria agradecer a Feyre e Rhysand por me abrigarem em sua casa. Queria agradecer a Mor e até mesmo a Amren por passarem algum tempo comigo. E queria ajudar ao illyriano irritante, mas com um coração que não cabia no peito a resolver aquilo que talvez o impedisse de ter noites tranquilas. Cassian merecia isso.

Sei que sempre pensei que era boa em esconder as emoções, mas...

- Não fique triste, por favor.

Ele pediu.

Eu apenas assenti.

- Isso o que está fazendo agora já é de grande ajuda. Você está me fazendo companhia e não estou pensando nos problemas. Sou muito grato a isso, Lyra. Muito obrigado.

- Está certo! - respondi convencida.

Ele ergueu a taça em saudação.

Então decidi que faria o possível para tornar toda aquela noite o mais agradável possível. Ele merecia, ambos mereciam.

Azriel me encarou mais uma vez, um sorriso apareceu lentamente em seu rosto. Eu observava aquela expressão em silêncio.

- Você está muito bonita, Lyra!

Ele já havia me elogiado anteriormente, mas escutar dele... escutar que ele me achava bonita...

Eu senti minhas bochechas começarem a esquentar.

- Obrigada Az! - eu podia sentir um sorriso largo em meu rosto - Você também está muito bonito.

Queria dizer o achava bonito todos os dias...

- Tenho uma proposta para fazer a você! - Falei rápido, uma tentativa de tirar da minha cabeça todos os pensamentos que envolviam meus sentimentos por ele.

Ele ergueu as sobrancelhas, seu rosto era uma mistura de surpresa e desconfiança divertida.

- Pois bem, e o que você quer propôr?

Eu sorri com algumas lembranças.

- Quando eu ou Nymeria estávamos preocupadas ou tristes com algo, nós costumávamos a jogar ou a comer muitos doces... Era algo que nos ajudava de alguma forma. Eu sei que parece bobo, mas podemos tentar... Assim você pode se distrair.

Ele se ajeitou na cadeira e deu um sorrisinho torto.

- Não é bobo, na verdade achei interessante - ele falou com uma voz acolhedora - E se nós fizéssemos os dois?

- Você vai enjoar de mim, Az. Mas eu adoraria...

Ele deu uma risadinha enquanto negava com a cabeça.

- Não acho que isso seja possível. Mas vamos ao ponto, que jogo você propõe?

- É...- eu comecei um pouco confusa - você pode me fazer três perguntas, pergunte qualquer coisa a mim e eu a você. Só que precisamos ser verdadeiros um com o outro. O que acha?

Eu propus sem saber como isso poderia terminar.

- Está certo - ele bebeu um pouco de vinho -. Quem começa?

- Você!

Eu não tinha criatividade nenhuma agora, estava nervosa demais.

- Certo, um momento que preciso pensar em algo...- ele falou e levou seu olhar até a taça - Lyra, qual o seu maior sonho?

Eu conseguia sentir Azriel um pouco apreensivo.

- Meu maior sonho? Acho que no momento era conseguir voltar a tocar e eu sempre sonhei em tocar em um teatro sofisticado, esse é meu sonho desde menina. E também tem outros...

Ele sorriu.

- Tocar em um teatro!? - Ele reafirmou o que acabara de ouvir - É um sonho muito bonito, querida. Eu tenho certeza que você vai conseguir, e não tenho dúvidas de que você toca muito bem, espero um dia poder vê-la tocar.

- É algo que eu, minha mãe e Nymeria sonhávamos, nós três tocando juntas... Mas eu ainda sinto muita falta da música, é uma parte de mim muito importante - eu o encaro e sorrio docemente.- E eu adoraria tocar para você um dia...- ele sorriu - Eu prometo que quando voltar a tocar, você será o primeiro a ouvir.

Falei e levei a mão ao coração, mostrando que era uma promessa sincera.

- Ficarei honrado. Tenho certeza que sua mãe ficaria muito feliz em ver você tocando novamente.

Ele falou de minha mãe com um cuidado que era de partir o coração.

- Bem...- segui o assunto - Agora é minha vez... me dê um minuto, preciso pensar bem... - sorri - Não posso desperdiçar essa oportunidade.

Azriel riu e levou a bebida aos lábios novamente.

- Az... O que te faz sorrir? Ou o que te deixa feliz?

Ele coçou a garganta e seguiu:

- Bom. O círculo íntimo... ter amigos em quem confia e que confiam em você, que te aceitam, eles são muito especiais para mim, são minha família. Fico feliz em tê-los, em conhecê-los, em conhecer você.

Meu coração parecia explodir.

- A mim?

Ele sorriu.

- Sim, você!

Eu esperava que ele não percebesse que meu corpo começou a tremer, ou minha garganta oscilando, ou meus olhos piscando rápido quando fico muito nervosa.

- Bem...é... Obrigada - falei nervosa-. Agora é sua vez!

- Tudo bem! - Ele se ajeitou na cadeira novamente - O que mais te assusta estrelinha?

Gelei.

- Estrelinha? - perguntei surpresa.

Minha respiração ficou irregular, mas eu lutei para manter a postura.

- Lyra é o nome de uma constelação e você gosta de olhar para o céu e conversar com as estrelas. Estrelinha, acho que é algo que combina com você, mas se você não se sentir confortável...

- Não! Eu amei...eu adorei. Pode me chamar como quiser.

Ele fez uma expressão orgulhosa.

- Estrelinha! - ele repetiu docemente - O que mais te assusta?

Eu levei uns instantes para formular a resposta, para entender o que queria dizer e como dizer.

- Acho que agora o que mais me assusta é ficar sozinha. Eu não gostaria de ficar só de novo.

E era real. Eu não sabia se o que eu tinha agora, ou melhor, eu não sabia se todos que eu tinha ao meu lado agora estariam por muito tempo. Eu não sabia o quanto tempo tudo duraria. Eu apenas sabia que vivi muito tempo sozinha. Doeu, doeu muito, e aquela dor eu não queria voltar a sentir.

- Eu espero que você nunca se sinta assim novamente. Eu estarei sempre do seu lado, sempre que você se sentir sozinha lembre-se disso.

Eu dei um sorriso lento e assenti.

- E você? O que mais te assusta?

Perguntei em seguida.

- Não conseguir proteger minha família, pensar em perder um de vocês. Não consigo sequer imaginar um de vocês machucados, ou... Isso me assusta. Espero sempre ser capaz de proteger vocês.

- Não se preocupe com isso, Az - eu segurei uma de suas mãos.- eu tenho certeza que todos ali sentem o mesmo por você. Todos querem te proteger e a sua felicidade. Seus amigos te amam muito.

- Obrigada, estrelinha! - ele agradeceu enquanto acariciava minha mão com o polegar - Quem faz a pergunta agora?

- Você, meu bem!

Eu puxei minha mão lentamente e foi a minha vez de beber um gole generoso de vinho.

- Certo! Então me responda, qual o seu maior segredo?

Eu engasguei com o vinho.

- Você é muito esperto Encantador de Sombras, se eu te contar vai deixar de ser um segredo!

Minha tentativa desesperada de fugir do assunto.

- Obrigado! - Az levou a mão ao peito e fez uma reverência com a cabeça.

Eu soltei uma gargalhada baixa com o gesto.

- Mas se você me contar, continuará sendo um segredo, só que nós dois teremos que guardá-lo.

- Mas você não é um Mestre espião muito esperto e poderoso?

Algo me dizia que estávamos começando um outro jogo.

- Onde você quer chegar? - Ele perguntou com um tom divertido.

- Como você é muito inteligente e bom no que faz, você pode descobrir meus segredos sozinho...

Eu pisquei para ele.

Az gargalhou alto, o que fez alguns feéricos olharem para nossa direção. Eu ri junto com ele.

- Mas como eu sei que você é honesto e correto demais para fazer algo assim...

- Eu sempre estarei pronto para ouvi-la e farei o possível para ajudá-la caso precise. Então se um dia quiser me contar seus segredos, eu espero que se sinta confortável e pronta para fazê-lo.

- Você é um bom amigo Az, e o mesmo vale a você. Farei o que puder para ajudá-lo - eu paro a tempo de formular o que queria dizer -. Mas se tem algo que eu queria sua ajuda é que eu não sabia, eu não tinha ideia que eu tinha poderes.

Era a primeira vez que o assunto era pauta. Eu não tive coragem de conversar sobre o ocorrido de algumas semanas atrás, nem com Azriel, nem com ninguém. Guardei tudo o que senti e lutei muito para tentar esquecer o barulho dos copos e graças quebrado.

- Você nunca desconfiou? Nunca o sentiu? - Azriel perguntou calmamente.

- Não! Nunca...aquele dia foi a primeira vez.

Azriel suspirou.

Ele esfregou as têmporas mais uma vez, e de novo, eu o senti tenso e preocupado. Como se procurasse as palavras certas a dizer.

- Lyra, eu tenho algo para lhe dizer.

Azriel

Lyra escutou toda a história atentamente. Precisei parar e acalmá-la algumas vezes. Meu coração doeu ao ver a mão trêmula e os olhos marejados.

- Lyra...

Eu não devia ter contado ali. Estávamos tendo uma noite agradável e...

- Eu queria ter contado a você antes, mas eu notei que você não estava pronta para voltar ao assunto. Então, decidi esperar, só que prometi ser verdadeiro com você e...

- Não se preocupe - ela me interrompeu -. Você fez o certo.

Eu reconhecia a tristeza em sua voz.

- Ela gostaria muito de poder conversar com você!

- Eu não sei, Az!

- Não sinta que você tem obrigação de conhecê-la e fazer o que ela deseja. Só o faça caso você se sinta pronta.

As lágrimas começaram a descer por seu rosto.

- Eu...fui enganada minha vida toda, Az! Eu não conheço a minha própria história. Eu não sei quem sou ou o que sou!- Alguns soluços saíam de Lyra - Como posso viver desse jeito? Como posso ser livre, sem nem saber o que sou e no que meu passado me prende?

Eu não consegui responder. Em muito tempo eu não me sentia impotente como agora.

Ela estava ali, na minha frente e estava chorando. Estava perdida. Eu havia prometido que cuidaria dela. Que nada de ruim aconteceria a ela, mas ela estava chorando por um passado que despejei sobre ela.

Foi inevitável me sentir culpado.

- Venha comigo! - falei ao me levantar da mesa e segurar sua mão.

Lyra me olhou meio confusa.

Os olhos perdidos em lágrimas.

- Mas nós...

- Confie em mim, tem um lugar melhor para irmos agora.

Lyra assentiu e permitiu que eu a guiasse até a saída do restaurante.

- Vamos até lá voando, está bem?

- O que?

A pergunta saiu um pouco assustada.

Eu toquei em seu rosto e passei meu dedo levemente em sua pele, enxugando suas lágrimas.

- Não se preocupe. Não vou deixá-la cair - sorrio -. E será divertido, eu garanto.

Ela deu um meio sorriso. Eu desci minha mão até a dela e a guiei cuidadosamente até meu ombro e pescoço. Lyra observava em silêncio o que eu fazia. E voltou a ficar surpresa quando eu posicionei minha mão em sua cintura.

Eu me abaixei o suficiente para passar minha mão livre por baixo de seus joelhos e então a peguei em meu colo.

Como da primeira vez que a vi.

- Segure firme, está bem?

- Uhum...- respondeu um pouco tensa.

Então eu dei alguns passos antes de voar com ela nos braços.

Não disparei para o céu como estava acostumado a fazer. Foi um vôo calmo. Lyra estava com a cabeça afundada em meu pescoço, mas quando sentiu a brisa fresca de Velaris tocar seus cabelos e seu rosto, ela decidiu olhar para onde estávamos. Sobrevoando Velaris.

As lágrimas pareciam brilhar diferente nesse momento.

E eu a encarei pelo canto dos olhos.

Eu a chamei de estrela minutos atrás. E a luz do luar me fez confirmar que Lyra realmente combinava com aquele lugar. Não com Velaris, ou com a nossa corte, mas com a lua, com as estrelas e com o céu noturno. Parecia que ela era parte dele.

Eu voltei a minha atenção para o caminho. E permiti que ela vivesse aquele momento sozinha.

Lyra passou o caminho todo em silêncio, dividindo sua atenção entre as luzes do céu e as luzes de Velaris, até chegarmos na montanha.

- Eu venho aqui quando quero refletir e quero buscar um pouco de paz...- revelei enquanto a colocava no chão - Geralmente eu fico bem próximo da beirada e fico olhando para a cidade daqui de cima - eu indiquei a cidade com a cabeça e Lyra me acompanhou- e depois olho para o céu - voltei minha atenção para o céu estrelado sobre nós -. Peço a elas algumas respostas também. E eu acredito que as estrelas ouvem, assim como você!

Lyra me encara e sorri.

- É lindo...- ela olha para as estrelas - E estamos tão perto delas...

- Fico feliz que tenha gostado, estrelinha. É um lugar importante para mim, mas seria um prazer dividi-lo com você.

Eu não sei ao certo o que diz, ou o que disse, mas algo em minha fala fez com que Lyra se desmoronasse. Ela enterrou o rosto em suas mãos e chorou.

Eu não conseguia descobrir o que aquele choro significava e também não podia me dedicar a isso agora. Só queria que ela parasse. Só não queria vê-la chorando.

Depois buscaria entender os motivos dela.

E também os motivos que fizeram eu me incomodar tanto.

Eu a puxei e a abracei. Uma mão em sua cintura e a outra em seus cabelos.

Lyra se entregou ao que sentia e chorou mais.

Continuei a carícia em seus cabelos.

- Quando eu era menino e não estava feliz, nos poucos momentos em que podia visitar a minha mãe, ela me abraçava forte - eu puxei Lyra para perto de mim mais uma vez -. Fazia carinho em meus cabelos e cantava...

Eu suspirei baixinho antes de começar a cantar como minha mãe fazia.

Nunca tinha feito aquilo para alguém antes. Mas me permiti a sentir a sensação de estar cantando e cuidando de alguém.

Eu me entreguei a canção como minha mãe fazia.

Minha voz era baixa e suave. Com o simples objetivo de acalmá-la.

Deixei que o sentimento me consumisse e abri meu coração a ele.

Meu peito o acolheu e então quando ele entendeu o que era, ele disparou em batimentos intensos. Explodiu em energia e a mesma passou por cada ligação do meu coração com meu corpo. Ela passou por minha coluna. Passou por minha pele. Eu senti o calafrio dominar o meu corpo.

Não precisei chegar ao fim da canção para entender que ali em meus braços estava minha parceira.

Eu não conseguia soltá-la. Eu não sabia se era eu ou o laço que prendia ela em meus braços ou então ambos. Mas eu não conseguia soltá-la.

Lyra chorava com o rosto afundado em meu peito, enquanto eu sentia a força da parceira me puxar para longe. Eu afrouxei meus braços que envolviam aquele corpo por uns segundos, para logo em seguida aperta-la de novo.

Eu mentalmente busquei todos os sinais que passaram despercebidos.

Como eu fui descuidado.

Como eu fui desatento.

Como eu não notei o que éramos antes!?

O meu peito começou a doer.

Eu comecei a rezar e gritar para mãe mentalmente que aquilo fosse um engano.

Como?

Como?

Era a única coisa que conseguia pensar.

Como aquilo poderia estar acontecendo comigo?

Minha cabeça era uma confusão.

Eu sentia o meu poder lutando dentro de mim.

As sombras pareciam tão inertes aquela confusão quanto eu.

Eu passei dias e meses...

Eu me sentei ao seu lado a mesa...

Trocamos histórias...

Eu vivi durante dias ao lado da minha parceira.

Eu a salvei!

Na minha cabeça agora tudo fazia sentido.

Não foi meu poder.

Não foram as sombras.

Não foi a intuição.

Foi o laço.

O laço que me levou até ela.

Ele que a salvou e não eu.

Como não consegui notar isso antes?

Minha cabeça viajou por instantes e os pensamentos encontraram um nome...

Morrigan!

Finalmente eu achei minha parceira.

Eu pedi tanto isso...mas descobrir que ela não é quem eu sempre achei que pudesse ser.

Minhas rezas começaram a ficar cada vez mais rápidas.

Senti minhas sombras se agitarem, com a confusão que passava na minha cabeça.

Acabei soltando Lyra e dando uns passos para trás.

-Az? -Lyra perguntou preocupada- Você está bem?

Pude escutar Lyra me chamando.

O tom de voz alto e preocupado.

Eu a encarei.

E a encontrei com uma expressão confusa. Eu engoli seco, pensei em responder, mas nenhuma palavra ou som saia da minha boca.

Eu respirei fundo e levei a mão à nuca.

- Você está bem? - ela perguntou.

Eu não conseguia responder. Eu a encarei e confirmei em silêncio.

- A-acho melhor eu levá-la para casa.

Foi a única coisa que consegui dizer.

- Tudo bem, podemos ir.

Ela se aproximou e eu segurei sua mão e ela estava quente. Não sei se foi impressão ou imaginação, mas ao tocá-la agora eu senti choques contra minha pele. Energia. Eu segurei sua mão com firmeza e nos atravessei para a entrada da casa na cidade.

- Obrigada pela noite, Az! - Ela ainda estava triste.

- Sou eu quem devo agradecer!

Eu precisava sair dali, ou iria explodir ali mesmo.

- Desculpe ter estragado nosso jantar...- ela pediu baixinho.

Eu me aproximei e dei um beijo em sua testa. Eu senti a mesma energia.

Eu fechei meus olhos e respirei fundo, mais uma vez. Eu senti o cheiro dela.

Eu me afastei e disparei para o céu. Quando tive certeza que estava longe do alcance dos olhos de todos eu atravessei até Rosehall.

Dei passos largos assim que aterrissei em frente a casa. Andar até aquela porta era difícil.

Eu tinha a sensação que cairia a qualquer momento. Minha cabeça começou a doer. E eu me resumi naquela dor e confusão que o laço sem querer me trouxe.

Eu encontrei minha parceira.

Tudo o que eu mais desejei, em silêncio.

Ela estava ali.

Eu dei algumas batidas tensas na porta.

Uma força me puxou e eu dei alguns passos para trás. O peito ficou pesado e a respiração irregular.

Só tive o tempo de ouvir a fechadura e o som da maçaneta da porta. Quando a porta finalmente abriu eu caí de joelhos. E ela veio em disparada ao meu encontro.

- O que aconteceu?

Ela perguntou preocupada. E eu vi o corpo dez vezes menor que o meu trabalhar para conseguir me reerguer.

Eu a ajudei como pude, não conseguia acreditar que aquilo tinha me afetado a tal ponto.

Conseguimos entrar em casa e eu me joguei no sofá próximo a lareira.

Ela tomou o lugar ao meu lado.

- O que aconteceu, Azriel.

Perguntou novamente.

Eu encarei os cabelos longos e escuros. Encarei os olhos avelãs iguais aos meus. Encarei algumas cicatrizes e as marcas do passar dos anos carregados de história, da nossa história.

Ela me lançou um olhar doce, como sempre fazia quando me via desesperado e nervoso e com medo.

Ela tocou o meu rosto e eu pisquei algumas vezes. Os olhos um pouco pesados.

- Eu encontrei minha parceira, mãe!

***

Escrito por Becca e Ju ❤️

É isso meus amores!!!

Nosso Az aqui canta!!! Quando eu imaginei a fanfic laaaa no inicio. Eu quis que a Lyra tocasse a cantasse. Sempre imaginei o Az sentando olhando a parceira cantar e tocar só pra ele. Então depois comecei a imaginar os dois fazendo isso juntos, não como se isso fosse o sonho do Az. Como se a música fosse a vida dele, como ela é para a Lyra, mas como se a música fosse mais um laço entre os dois. Então sim! Aqui vamos ter um se declarando para o outro atravéz da música.

Espero que gostem...

Agora temos nossa própria Estrelinha.

Fiquem bem e até a próxima ❤️

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