36 - O Último Dia Da Minha Vida
– Nathaniel Lewis –
Eram dez para as seis quando o despertador do meu celular tocou naquela manhã. Depois de muito tempo, finalmente consegui ter uma longa e confortável noite de sono. Minha alimentação estava controlada e até minha ansiedade e desejo por doces tinham desaparecido. Meu instrutor da academia tinha me passado treinos mais leves nas últimas semanas, pois sabia que eu precisaria de muita energia para os campeonatos de basquete do colégio.
Sem dúvidas eu estava prestes a alcançar o auge da minha forma física.
— Maninho, maninho!
Ashley abriu a porta do meu quarto, acendeu a luz e começou a pular em minha cama como costumava fazer quase todas as manhãs.
— Você fica só esperando meu despertador tocar, não é?
— Mamãe disse para não te incomodar até o seu celular tocar.
— E ela está certa! Antes do despertador tocar, meu quarto é cheio de monstros e buracos que engolem gente.
— E como você lida com eles?
— Seu irmão é um super-herói, não sabia?
Ashley balançou a cabeça.
— Tenho o poder de matar monstros, fechar buracos engolidores de gente e...
Ashley já sabia o que a esperava. Ela foi até a borda da cama pronta para fugir se julgasse necessário.
— E o quê?
— Fazer cócegas em todo mundo!
— Nãããão!
Ashley correu em direção a porta antes que eu pudesse levantar e alcança-la.
Tranquei o quarto, tirei a bermuda e entrei no banho para terminar de despertar. Vesti meu uniforme do time de basquete, separei os livros que eu ia usar naquele dia e não passei gel no cabelo como costumava fazer, pois sabia que o treino seria cansativo e meu topete não resistiria em pé até o final do dia.
Desci as escadas e fui até a cozinha. Meu pai preparava o café da manhã e minha mãe estava terminando de arrumar minha irmã mais nova para leva-la à escola.
— Vai com o uniforme de basquete, querido?
— Vou ter um longo treino hoje com o time, mãe.
— Não está atrapalhando seus estudos, está?
— Relaxa, mãe! Se ganharmos o campeonato e eu me destacar como um dos melhores jogadores, muitas portas e bolsas em faculdades podem aparecer.
Sentei à mesa e me servi com suco de laranja natural. Como sempre, minha mãe teve a atenção e o cuidado de colocar meu queijo branco, pão integral e a manteiga de amendoim que comprei com meu instrutor da academia na mesa para meu café.
— Ouvimos uma conversa sua ontem no telefone, Nathan.
— Como sempre, pai!
— Tem alguma coisa que você queira nos contar?
Suspirei.
Pelo jeito aquele não seria um bom café da manhã.
— Posso ir à festa de aniversário do Miles na próxima semana?
Meus pais trocaram olhares por um longo tempo.
— Quem vai estar nessa festa, querido?
— Meus amigos, é claro!
— Os mesmos que estavam usando drogas na festa que te busquei há um mês?
— Pai, eu não estava usando drogas com eles.
— Não sabemos! Você vive comprando comprimidos, manteigas de amendoim e achocolatados estanhos para beber.
— Pai, são complementos alimentares para ganhar massa muscular.
— Recebemos reclamações dos professores e da direção do seu colégio, querido. Seu comportamento nas últimas semanas tem nos preocupado.
— Jovens que começam a usar drogas ficam agressivos, instáveis e você está nos dando vários motivos para pensarmos que...
— Que estou usando drogas?! Quantas vezes eu preciso dizer para vocês que não estou usando nada errado!
— E as advertências do colégio, querido?
— Mãe, aquele colégio é um saco! As pessoas tem inveja de mim por eu ser bonito, ser popular e estar a um passo de vencer o campeonato de basquete regional. Recebo provocações todos os dias e não vou ficar calado.
Eu mal tinha comido e já me sentia enjoado. Foi fácil perder a fome depois de tanto interrogatório e desconfiança.
Terminei o pouco suco de laranja que coloquei no copo e levantei sem comer absolutamente nada.
— Vou para o colégio.
— Querido, você ainda não comeu!
— Eu como no caminho, não se preocupe.
— Está levando tudo que precisa, Nathan?
— Sim, pai!
Acenei para todos antes de sair da cozinha.
Mais um dia e um café da manhã feliz na casa dos Lewis.
Cheguei mais cedo no colégio por não ter tomado café e nem parado para comer como eu tinha planejado. Os portões estavam abertos. Alguns alunos já tinham chegado e aguardavam o início das aulas do dia.
Fui até meu armário separar meus livros e pegar um dos suplementos que me ajudavam a ter mais energia nos treinos de basquete. Separei um comprimido, o coloquei na boca e puxei a garrafinha de água que eu carregava na mochila para ingeri-lo.
— Chegou cedo hoje, grande astro!
— Bom dia pra você também, Timmy!
Tim Nolan era capitão do time de basquete. Ele só tinha aquele cargo porque a mãe dele namorava nosso treinador. Os arremessos dele eram péssimos e ele não conseguia acertar a maioria dos passes e cestas de três pontos.
— O que é isso que você tá tomando?
— É um estimulante a base de cafeína para aumentar a energia na hora do treino.
— Ual! Posso tomar um?
— Não é recomendável sem indicação médica. Ele acelera batimentos cardíacos e induz perda de calorias.
— Se você pode, eu também posso!
Tim pegou o pote de comprimidos do meu armário, o abriu e pegou um dos comprimidos sem meu consentimento.
— Se você passar mal, a culpa não será minha.
— Já tomei coisas piores e ainda estou aqui!
Enquanto eu terminava de arrumar minhas coisas, Patrick O'Brian entrou no corredor com uma de suas melhores amigas. Tim imediatamente começou a rir e provocar Patrick. A briga que ele e eu tivemos há algumas semanas ainda era um dos assuntos mais comentados do colégio.
— Já agendou a operação de troca de sexo, O'Brian?
— Não, mas peguei o telefone de um cirurgião para você fazer a troca deste seu cérebro de minhoca, Tim!
— Talvez quando você tiver uma vagina, Nathan faça o favor de tirar sua virgindade.
Encarei Tim com um olhar nada amigável.
— Por que vocês não deixam o Patrick em paz? Ele nunca fez nada pra vocês!
— Tudo bem, amiga! Até parece que você não conhece esses garotos heteros incubados que daqui a uns anos serão encontrados em banheiros públicos fazendo sexo oral uns nos outros.
Tim avançou contra Patrick empurrando a amiga dele para longe. Ele o jogou no armário e forçou seu braço contra o pescoço dele.
— Repete isso, O'Brian!
— Já chega, Timmy!
— Qual é, Nathan?! Você ouviu o que essa bicha falou da gente?
— Deixa ele comigo...
Fechei meu armário, coloquei a mochila novamente nas costas e me aproximei do Tim e do Patrick para apartar a briga. Meu amigo Tim se afastou, mas Patrick continuou encostado no armário parecendo apavorado.
— O que você disse, O'Brian?
— Vai querer me bater também, Lewis?
— Não sujaria minhas mãos com você e você sabe.
Me aproximei o bastante do Patrick para encara-lo. Apoiei minha mão direita no armário e a esquerda coloquei no queixo dele para provoca-lo.
— Eu sei que você ainda tem uma quedinha por mim, mas já disse pra você esquecer isso! Eu sou hétero, O'Brian.
— Nunca tive uma queda por um lixo igual a você, Lewis.
— Não foi o que eu ouvi por aí, mas vou relevar. Você não tem culpa de ser um anormal. Ninguém tem culpa por ser doente.
— Você é o único doente aqui, Lewis.
— É mesmo?!
O corredor estava começando a ficar lotado. As pessoas nos observavam com curiosidade e desejando que uma briga começasse.
— Vou deixar você ir, pois tenho dó de você.
— Nós que temos dó de você, Nathan! Se você ou os brutamontes do time de basquete continuarem intimidando o Patrick, vou ter que dar queixa na direção.
A amiga do Patrick me empurrou, segurou a mão dele e o tirou dali passando rapidamente entre os alunos que nos observava. A aglomeração que tinha se formado para assistir aquela ceninha ridícula foi rapidamente dissolvida.
Timmy voltou a rir igual a um retardado. Ele parecia se divertir em intimidar e perseguir pessoas como o Patrick.
— Mandou bem, Lewis!
— Será que dá pra você ser menos babaca?
— Você ouviu o que ele falou da gente?! Disse que vamos chupar um ao outro no banheiro!
— Você é um idiota por dar ouvidos a ele. Se continuarmos com essa historinha, daqui a pouco vão pensar que somos bichas também!
— Não foi eu que coloquei a mão no queixo dele de forma romântica para todo mundo ver aqui no corredor, Nate.
Voltei a encará-lo com uma expressão nada amigável.
— Timmyzinho, só não vou te responder porque estou com muita fome. Depois do café da manhã eu te dou o soco que você merece, okay?
Timmy concordou, mas continuou rindo. Ele não se importava com nada além de parecer um retardado para se fazer de engraçado.
Tentei tomar café da manhã, mas foi inútil. Assim que entrei no refeitório, dei de cara com Frank e Anne discutindo pela centésima vez naquela semana.
— Hoje não é meu dia...
— Falando no diabo! O seu grande amor acabou de chegar, Anne!
Anne cruzou os braços e não respondeu a provocação do Frank.
— Cara, isso é patético. Além de ser traído você quer insistir no assunto para que todo o colégio tenha pena de você? Ninguém tem pena de idiotas, Frank.
— Você tem muita coragem, Nathan! Você continua andando pelos corredores com o peito estufado e se achando o cara mais importante do colégio, mas na verdade é um traíra escroto que precisa muito aprender uma lição.
— E quem vai dar esta lição? Você? Não me faça rir, Frank!
— Você não acredita?
— Sua ex namorada já mostrou quem é o melhor entre você e eu. O colégio já sabe quem ela prefere. Você tem certeza que além de perder a namorada pra mim vai querer tomar uma surra? Quer virar uma lenda, cara?!
— Você que vai virar uma lenda quando aparecer com esse rostinho todo estourado, Nathaniel.
Anne teve que se aproximar e se colocar entre Frank e eu.
— Vocês querem mesmo tomar outra advertência? Não importa o que aconteceu, pois eu jamais ficaria com qualquer um de vocês dois.
Frank pareceu se ofender com o que Anne disse, mas eu me segurei para não gargalhar.
— Anne, querida, eu jamais ficaria com uma garota tão fácil quanto você. Você praticamente se jogou em cima de mim quando te mandei algumas fotos sem camiseta. Você estava namorando o Frank e foi muito aberta e assanhada pro meu lado. Quem confiaria em namorar uma garota assim?
— Você me seduziu, Nathan.
— Você se deixou seduzir, garota! Você podia ter me bloqueado, excluído minhas fotos ou chorado por aí dizendo que estava sendo assediada, mas você aceitou a brincadeira porque realmente achou que eu queria ter alguma coisa com você. Por favor, se toca!
Frank tentou avançar contra mim, mas Anne novamente se colocou entre nós.
— O que foi, Frank? Vai querer defende-la depois que ela te trocou por meia dúzia de fotos minhas? Cadê sua dignidade, cara?
— Você tá morto, Nathan!
— Superem!
Dei meia volta e saí do refeitório. Aquele assunto estava rendendo demais e eu já não estava mais aguentando tanto drama. Frank tinha que aprender aquela lição, pois abandonou os amigos e o time de basquete por causa de uma garota que nunca valeu nada. Desmascarar Anne para ele e para o colégio todo foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Se minha amizade com Frank foi prejudicada no processo, a culpa era exclusivamente dele por ser um idiota manipulável.
Assim que entrei na quadra de esportes do colégio lembrei de uma coisa muito importante que eu havia deixado passar. Eu tinha estudado a semana toda para a prova de inglês. Minhas anotações estavam todas em cima da escrivaninha do meu quarto e eu tinha que revisa-las antes das últimas aulas do dia.
Liguei para minha mãe, mas a ligação caiu direto na caixa postal. Eu não queria ligar para meu pai, pois ele provavelmente me criticaria e daria um sermão...
Mas infelizmente não tive escolha.
— Pai? Onde está a mamãe?
— Sua mãe foi levar sua irmã na escola e é provável que agora esteja no mercado.
— Pede pra ela trazer uns papéis que estão em cima da escrivaninha do meu quarto, por favor? Tenho treino de basquete nas duas primeiras aulas do dia, então só vou precisar nas últimas aulas.
— Você esqueceu material de novo, Nathan?
— São só algumas anotações.
— Onde você está com a cabeça? Você anda muito esquecido ultimamente!
— Pai, por favor, preciso das anotações para a prova de inglês!
— Sua mãe vai demorar, então eu mesmo vou ter que te levar.
Era o que eu menos queria, mas não tinha outro jeito.
— Tudo bem, pai! Por favor, pode trazer no fim do treino de basquete? Vai acabar daqui a mais ou menos duas horas.
— Estarei aí, mas teremos uma longa conversa quando você chegar em casa esta tarde.
Encerrei a ligação.
Definitivamente eu não devia ter saído da cama naquele dia.
O treino de basquete com meus colegas foi bem leve naquele dia, mas eu não estava conseguindo acompanhar os passes e jogadas em equipe. Perdi bola, arremessos e não estava conseguindo me concentrar no jogo. Eu não estava me sentindo bem, pois tinha tomado meu estimulante físico, mas não tinha tomado café da manhã.
— Nathan, você está bem?
— Sim, treinador.
— Você não está jogando bem hoje. O que aconteceu?
— Só estou um pouco enjoado. Não tomei café da manhã.
— Como você não toma café da manhã e quer fazer atividade física? Você é um rapaz disciplinado e que sabe como funciona o pré e o pós treino.
— Eu sei, treinador, mas...
— Então saia da quadra, vá comer alguma coisa e volte para separar os uniformes e equipamentos da equipe quando acabar o treino. Que sirva de punição por você ter jogado mal e por ter sido irresponsável!
Não havia o que discutir, pois eu estava errado e sabia exatamente o que tinha feito. Eu queria ter comido alguma coisa antes do treino, mas tantos problemas e pessoas me irritando por todos os lados acabou me distraindo e me fazendo perder o apetite. Foi irresponsabilidade treinar de jejum e ainda mais depois de tomar estimulante físico.
Peguei minha toalha que estava no banco dos jogadores, a coloquei em meu pescoço e saí da quadra. Antes de chegar no corredor que era caminho do refeitório, encontrei uma de minhas colegas da turma de biologia.
— Já acabou o treino, Nate?
— Ellen?! O que faz fora da aula?
— Eu estava vendo o treino de basquete. Minhas primeiras aulas são um saco e eu jamais perderia a oportunidade de ver você jogar.
Revirei os olhos, mas abri um sorriso. A insistência daquela garota em ter uma amizade comigo estava começando a me irritar.
— Onde você está indo?
— No refeitório comer alguma coisa. Não tomei café da manhã.
— Acho que o refeitório não serve nada a esta hora.
— Eu me viro.
— Uma das moças do refeitório é muito amiga da minha mãe. Se quiser, posso pedir a ela para separar alguma coisa pra você.
Eu não tinha outra escolha.
Tive que concordar.
Sentei em uma das mesas do refeitório, estiquei meus braços e respirei profundamente para que aquela tontura passasse. Meu coração estava acelerado e apesar de ser algo normal depois dos treinos de basquete, eu sentia um aperto estranho e incomodo no estômago.
Ellen não demorou a voltar. Ela conseguiu dois sanduiches de patê de atum, uma bebida a base de soja sabor uva e uma maçã.
— Obrigado.
— Foi um prazer, Nate.
Ellen ficou a meu lado até eu terminar de comer. Ela me observava com um meio sorriso simpático e ao mesmo tempo esquisito. De qualquer forma, ela não fazia meu tipo. Por mais que ela insistisse em se aproximar de mim, eu não conseguia vê-la como nada além de uma colega de classe.
— Preciso voltar para a quadra.
— Melhor você beber um pouco de água antes, não acha?
— Minha garrafinha ficou na quadra.
Ellen tirou da bolsa uma garrafinha de água mineral.
— Separei para você e estava pensando em te dar no final do treino de basquete. Sei como você fica cansado depois dos treinos.
Franzi o cenho e pigarreei irritado, mas acabei aceitando. Se Ellen estava se propondo a ajudar, eu não seria idiota de recusar. O que eu não queria era que ela achasse que tinha alguma chance comigo só por eu estar aceitando toda aquela ajuda.
— Obrigado pela ajuda, mas é melhor você voltar para a aula. Você pode se meter em problemas se te pegarem cabulando.
— É uma boa ideia! Obrigada pela companhia, Nate.
Ellen sorriu enquanto se afastava, mas tudo que consegui foi forçar um sorriso e fazer sinal com a mão para que ela se afastasse.
Olhei o relógio do refeitório...
O treino de basquete na quadra de esportes estava prestes a terminar.
Quando cheguei na quadra, todos os garotos já estavam no vestiário tomando banho e se trocando para as próximas aulas do dia. Apesar de já ter tomado café da manhã, comecei a me sentir um pouco tonto, minha visão começou a embaçar e a dobrar tudo que eu via à minha frente. Eu estava enjoado, minha boca salivava, meu peito ardia e minha mente começou a embaralhar meus pensamentos.
Pensei que eu fosse desmaiar, mas consegui chegar nos bancos laterais da quadra. Sentei e respirei com calma para aquele mal estar passar.
— Nathan?
Eu conhecia aquela voz, mas ela parecia um pouco distorcida.
— Pai?!
— Eu trouxe o que você me pediu. O que você tem? Você está estranho.
— Não começa... Não come... Não começa com seu sermão!
— Nathan? ...
— Eu tô... Tô...
Comecei a rir sem motivo.
Eu estava tonto demais para focar em qualquer coisa a minha volta.
— Você está com os olhos vermelhos, Nathan!
— Não enche meu saco! Não vem querer me dar bronca aqui no colégio!
— E depois você quer que não acreditemos que você está usando drogas? Olha como você está! Está chapado, com os olhos vermelhos e parecendo que bebeu ou fumou alguma coisa.
— E vai fazer o que? Vai me bater como me batia quando eu era criança? Eu não vejo a hora de sair daquela casa e não ter que lidar com seus sermões.
Não entendi o que aconteceu ou o que ele falou depois, mas vi meu pai deixar minhas anotações a meu lado no banco dos reservas. Demorei para focar minha visão no que estava acontecendo, mas o vi se afastar e sair por uma das saídas de emergência da quadra.
Meu coração continuava acelerando e o enjoo só crescia. Eu queria vomitar, mas se vomitasse na quadra, além de ter que limpar eu teria que me explicar e provavelmente tomaria uma advertência ou coisa pior.
— Nate? Tudo bem com você?
Era aquela voz fina e irritante da Ellen.
— Você de novo? Por que não vai pra aula de uma vez?
— Você não parece bem. Me deixa te ajudar?
Senti as mãos da Ellen em meu braço esquerdo e na minha cintura enquanto ela forçava meu corpo para me fazer levantar. Meu raciocínio estava lento, então não percebi o que estava acontecendo até chegarmos no meio da quadra.
— O que está fazendo?
— Te levando para um lugar seguro para você descansar.
— Eu não quero sua ajuda.
— Eu preciso fazer isso, pois gosto de você. Sempre gostei de você!
Aquilo estava passando dos limites e começando a me irritar. Tive que me soltar dos braços dela e empurra-la para que ela se afastasse.
— Se toca, garota! Eu jamais vou querer alguma coisa com você.
— Nate...
— Olha pra mim e olha pra você! Você acha que um rapaz como eu vai querer alguma coisa com uma garota como você? Para de encher meu saco, okay?! Para de tentar alguma coisa, pois não achei meu corpo no lixo.
Ellen começou a chorar, mas não me importei. Eu tinha dito a verdade e toda aquela insistência estava me incomodando. Ela me perseguia, insistia e tentava sempre se aproximar de mim mesmo eu deixando claro que não queria nada.
— Você é um idiota!
— E você devia ter mais dignidade e um pouco mais de noção.
Voltei a rir sem motivo. Eu estava tonto e confuso demais para controlar o que eu dizia ou fazia. Aquela sensação era agoniante e eu precisava vomitar para ver se aquele enjoo e tontura aliviavam.
De repente, senti uma pancada...
Senti um aperto dentro do peito e muita falta de ar em um segundo. Minha visão foi escurecendo e a última coisa que consegui ver antes de cair no chão da quadra foi o tom azul claro da jaqueta que Ellen estava usando.
...
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