15 - Estranho
— Eu queria te fazer uma surpresa — falei pouco antes do Pete envolver os braços em minha cintura e me puxar para ficar com o corpo colado ao dele.
— Foi a melhor surpresa que eu poderia ter esta semana — disse ele antes de me dar um longo e carinhoso selinho.
Não resisti, mas não me senti à vontade em beija-lo na frente de tantas pessoas.
— Pete... — murmurei.
— O que foi? — Ele perguntou enquanto distribuía pequenos beijos por meu rosto.
— Tem muita gente aqui e... — Tentei falar, mas foi interrompido por mais um beijo carinhoso do meu namorado.
Nathan resmungou ao nosso lado.
— Arrumem um quarto — disse ele pouco antes de desaparecer.
— Quero que todo mundo saiba que você é só meu — disse Pete acariciando meu rosto. — Não estou ligando para o que eles vão falar.
Foi impossível resistir.
Quando Pete agia daquela forma tão sedutora, era quase impossível resistir as investidas que ele dava.
Pete e eu almoçamos na praça de alimentação do prédio de administração. Meu namorado estava estranho e um pouco mais carinhoso do que de costume. Ele fazia carinho em meu rosto a todo momento além de perguntar insistentemente se estávamos bem, se precisávamos fazer mais programas de casais ou reservar mais tempo para nossa intimidade.
Acredito que ele estava carente, pois nunca tínhamos passado tanto tempo sem ter relações sexuais. Pete dormiu em minha casa depois de passar cinco noites e quatro dias em Nova Iorque, mas não fizemos nada além de dormir e trocar alguns carinhos.
Ele parecia ansioso, um pouco excitado e muito disposto a mudar aquele cenário.
— Hoje vou voltar a trabalhar, mas vou tentar sair mais cedo — disse ele próximo a meu ouvido. — Estava pensando em algo diferente para esta noite.
— O que, por exemplo? — perguntei.
— Estou disposto a tentar fazer o que você quiser — disse Pete enquanto delicadamente colocou a mão em minha perna e a deslizou até minha parte íntima.
Fiquei excitado em segundos.
— Pete — resmunguei entredentes. — O que você tá fazendo? Aqui não!
— Faz tempo que você pede para ser ativo comigo — disse ele. — Talvez eu esteja pronto para tentar, amor.
Apesar de feliz e eriçado, era impossível não ficar envergonhado. Olhei para os lados para ter certeza de que ninguém estava nos observando.
— O que deu em você? — perguntei encarando-o diretamente. — Você nunca teve interesse em ser passivo.
— Mas você já quis ser ativo comigo e eu acho muito egoísmo da minha parte não satisfazer seus desejos. — Ele respondeu. — Sem falar que não deve ser tão ruim, pois você ama quando eu estou dentro de você, amor.
Perdi completamente o fôlego.
Pete estava impossível de lidar naquela tarde.
— O que aconteceu com você? — questionei boquiaberto. — Que bicho que da libido te mordeu?
— Eu te amo. — Pete respondeu. — Eu te amo e quero ter você dentro de mim esta noite.
O lugar não favorecia aquela conversa, mas eu tinha gostado da ideia. Transar com meu namorado era uma das coisas que eu mais amava e mais sentia falta de fazer. Pete costumava dizer que eu tinha um fogo quase impossível de apagar quando estávamos juntos. Era verdade, mas grande parte do motivo era por ele ser tão lindo e me excitar completamente com seu corpo, seus beijos e seus carinhos.
— Vamos conversar sobre isso esta noite, okay? — sugeri.
Pete concordou com a cabeça.
— Eu também gostaria de propor uma renovação dos nossos exames, Klay — disse Pete se afastando ou pouco de mim. — Fizemos há alguns meses, mas quero garantir que está tudo bem com a gente.
— Nossos exames deram negativo, Pete — afirmei. — Não há com o que se preocupar, pois somos um casal fixo.
Pete esboçou pequeno sorriso e desviou o olhar. Era como se ele desconfiasse de alguma coisa.
— Eu sei — respondeu ele. —, mas é sempre bom verificar, não é?
Aquilo foi estranho.
Pete e eu estávamos juntos em um relacionamento sério e não tínhamos outros parceiros sexuais. Nossos exames para IST's estavam em dia e eu não via a necessidade de repeti-los tão cedo. Claro que era importante fazer os testes, mas por que em tão pouco tempo?
O que o preocupava?
— Okay — concordei. — Vamos refazer os testes.
Pete e eu nos beijamos depois que concordei em refazer os exames. Apesar de continuar carinhoso, percebi que alguma coisa estava estranha no meu namorado.
E eu precisava descobrir o que era.
Cheguei em casa mais cedo do que era acostumado por causa da falta de aulas na faculdade naquela manhã. Shawn não tinha chegado do colégio com meu pai e minha mãe não ia voltar antes das sete da noite.
Eu estava sozinho e morto de tédio.
Liguei a TV da sala e a emparelhei com meu celular afim de colocar minha playlist para tocar. Vesti uma camiseta larga, uma bermuda confortável e o par de chinelos que eu quase não usava para começar a limpar a casa.
Comecei varrendo, passando pano e tirando pó dos móveis da sala. Na cozinha, primeiro limpei a geladeira e reorganizei os armários, depois também tirei pó dos móveis, varri e finalizei passando pano no chão.
O tempo parecia não passar.
Limpei meu quarto e apenas varri os quartos dos meus pais e do meu irmão, pois uma das regras da casa era que cada um era responsável por arrumar a própria bagunça. Terminei minhas tarefas depois de deixar brilhando o banheiro do andar de cima. O lavabo e a lavanderia eu não me atrevia a por a mão para não ter problemas com minha mãe.
— Não falta muito para meu irmão chegar — falei depois de olhar as horas no celular.
Desliguei minha playlist e coloquei nos canais a cabo da TV para me distrair com alguma outra coisa. Eu precisava tomar banho para tirar o cheiro de produtos de limpeza das minhas mãos e pés, mas estava com tanto tédio e tanta preguiça que não resista a vontade de deitar no sofá e vasculhar canais atrás de alguma coisa para me entreter.
Quando mais eu passava os canais, mais pesados meus olhos ficavam.
Tentei esbofetear meu próprio rosto, mudar de posição e balançar meus pés insistentemente para me manter acordado, mas foi impossível...
***
— Querido? — disse a voz doce e carinhosa da minha mãe a meu lado.
Acho que eu estava mais dormindo do que acordado. Apertei os olhos, gemi um pouco e mudei de posição afim de voltar a dormir.
— Klay? — chamou a voz mais uma vez.
Senti o toque de uma mão em meu ombro.
Gemi de preguiça mais uma vez.
— Que horas são? — questionei coçando os olhos.
— Está quase na hora do jantar, querido — respondeu minha mãe.
Abri os olhos e sentei no sofá rapidamente.
Eu tinha perdido completamente a noção do tempo.
— Por que não me acordaram? — perguntei levantando ainda um pouco zonzo por causa do sono.
— Tentamos, mas você estava totalmente desmaiado — respondeu meu pai sentado em uma das poltronas.
Peguei meu celular na mesa de centro da sala, desbloqueei a tela e vi dezenas de mensagens que Pete tinha me enviado naquela tarde.
Pelo pouco que li, meu namorado parecia preocupado por eu não ter respondido.
— Tá tudo bem? — perguntou minha mãe.
Balancei a cabeça.
— Vai tomar um banho e desça para comer com a gente — pediu meu pai. — Sua mãe e eu temos uma novidade maravilhosa para contar para você e seu irmão.
Minha mãe piscou um dos olhos para mim naquele momento...
Eu sabia do que se tratava a novidade e, por mais feliz que ela fosse, não consegui pensar em nada além do Pete e das mensagens que ele tinha insistentemente me enviado naquela tarde.
Comecei a lê-las enquanto subia as escadas em direção a meu quarto...
"Minhas aulas estão um saco. Queria você aqui comigo." 13h17 PM
"O que você está fazendo? Já voltou para casa?" 13h38 PM
"Adorei a surpresa que você me fez hoje." 14h25 PM
"Estou ansioso para hoje a noite." 14h25 PM
"Você está aí?" 15h02 PM
"Voltei para o trabalho, mas já estou querendo sair para te ver." 15h29
"Você está ocupado?" 15h55 PM
"Estava revendo nossas fotos em Nova Iorque e a que estamos abraçados na cama daquele hotel é a minha favorita." 16h13 PM
"Que tal voltarmos para lá nas férias? Tenho certeza que meu primo vai adorar nos receber." 16h14 PM
"Klay?" 17h05 PM
"Aconteceu alguma coisa?" 17h05 PM
"Você nunca demorou tanto para responder minhas mensagens" 17h05 PM
Ligação de áudio perdida às 17h07 PM
"Quando desocupar, me manda uma mensagem?" 17h13 PM
Ligação de áudio perdida às 17h53 PM
"Sinto muito se eu estiver te incomodando. Estou realmente preocupado, pois não é normal você ficar tanto tempo sem responder ou olhar o celular." 18h14 PM
"Eu fiz ou falei alguma coisa que te chateou?" 18h51 PM
"Pensei em ligar para seu irmão, mas estou com medo de que você ache que estou sendo chato demais." 19h03 PM
Pressionei no nome do Pete para iniciar uma chamada de áudio com ele. De fato, eu nunca tinha demorado tanto para responder as mensagens dele.
— Klay?!
— Oi, Pete!
— Graças a Deus! Achei que tinha acontecido alguma coisa.
— Eu desliguei as notificações do celular para ouvir música enquanto limpava a casa e depois acabei pegando no sono. Desculpa!
— Eu já estava quase ligando para o Shawn, mas não queria ser inconveniente.
— Você nunca é inconveniente, amor.
— Eu já estou terminando o trabalho. Devo chegar aí em mais ou menos uma hora.
Por mais que eu quisesse concretizar os planos que tínhamos feito aquela tarde na praça de alimentação do prédio de administração, meus pais e meu irmão estavam em casa e eu não achava que seria uma boa ideia tentarmos alguma coisa.
— Pete? ...
— Sim?
— Talvez seja melhor a gente adiar o que planejamos fazer esta noite.
Ele ficou alguns segundos em silêncio.
— Por que?
— Acho que minha mãe está grávida e meus pais vão comemorar.
— Você prefere que eu não vá?
— Claro que não! Eu quero que você venha, mas talvez não seja uma boa hora para tentarmos aquilo que combinamos.
Mais alguns segundos de silêncio.
— Você não quer fazer aquilo?
— Claro que eu quero! Eu adorei a ideia e estou com muita vontade.
— Então? ...
— Quero ser carinhoso com você, pois como será sua primeira vez, vamos precisar muita paciência para você se sentir confortável.
— Bom... Você deve saber do que está falando, né?
Percebi Pete tentar segurar a vontade de rir do outro lado da linha. Por mais compreensivo e especial que meu namorado fosse, senti algo estranho em nossa conversa de áudio.
Ele parecia desconfiado, chateado...
— Podemos ficar juntos como sempre ficamos — sugeri. — O que acha?
— Como quiser, meu amor — respondeu ele. — Vou terminar o trabalho aqui o mais rápido possível para ir te ver.
Suspirei com o tom doce e carinhoso da voz do meu namorado.
— Estou te esperando — afirmei.
— Te amo — disse ele antes de finalizar a chamada.
Tinha algo errado.
Apesar de carinhoso, Pete estava estranho comigo.
...
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