05 - Fotos
Tentei ao máximo me distrair e esquecer o que tinha acontecido naqueles últimos dias quando Pete chegou para passar mais um final de semana em minha casa, mas foi impossível. Rachel, Nathan e todas aquelas pessoas que achei que eram visões causadas por um trauma não saíam da minha cabeça.
Eu não conseguia parar de pensar que eles eram pessoas desencarnadas. Eu não conseguia ficar tranquilo sabendo que aquilo estava acontecendo justamente depois de tudo que Pete e eu passamos...
E era óbvio que havia alguma ligação.
Inacreditável não era mais, pois para uma pessoa que tinha visões do futuro e que conheceu a linha entre a vida e a morte, ver espíritos era só uma pequena adição ao meu currículo de insanidades.
— Klay? — chamou Pete pela terceira vez naquela noite.
— Han?! O que?!
— Onde você está com a cabeça, amor?
Tive que sorrir e coçar a nuca para disfarçar. Pete e eu estávamos assistindo ao lançamento de um filme no Prime Vídeo, mas eu não fazia ideia do que o filme abordava ou o nome dos protagonistas por não estar prestando atenção.
— Não está gostando do filme? — Pete perguntou. — Se quiser, podemos fazer outra coisa.
— Estou distraído com a história — menti. — Pensando em como será o final dela.
— Falta pouco para descobrirmos, amor — disse Pete me apertando um pouco mais em seus braços.
Eu queria aproveitar aquele momento com meu namorado, mas não conseguia relaxar e fingir que estava tudo bem. Nos braços dele, eu não tirava da cabeça a ideia do quanto ele se preocuparia e se culparia se soubesse o que estava acontecendo.
Pete não podia saber ou sequer desconfiar de qualquer coisa.
— Klay?! — Pete chamou mais uma vez assim que o filme acabou. — Gostou do filme?
— Err... — murmurei.
Eu não lembrava nem o nome do filme. Balancei a cabeça positivamente em resposta e fingi soltar um longo e preguiçoso bocejo para desviar daquele assunto.
— Já está com sono? — Pete perguntou começando a distribuir beijos por meu rosto e pescoço. — A gente nem namorou um pouquinho.
— É só preguiça — afirmei já entusiasmado com aquelas carícias. — Tenho certeza que depois do banho vou me animar.
E eu precisava me animar e esquecer meus problemas. Eu não podia perder a oportunidade de ficar com meu namorado.
— Tomei banho antes de vir pra cá, mas se quiser... — sugeriu Pete intensificando os beijos em meu corpo.
— Não se preocupe — falei retribuindo todos aqueles beijos e carinhos. — Vai ser um banho rápido.
— Posso usar seu notebook? — perguntou Pete desligando a TV da sala e pegando a louça que usamos para levar à cozinha. — Tenho que fazer umas pesquisas.
— Claro! — concordei prontamente.
O banho foi uma boa saída para relaxar e esvaziar a cabeça. Se eu continuasse distraído e pensando em problemas, era provável que Pete ia começar a desconfiar e a fazer perguntas.
As horas que eu tinha a sós com meu namorado eram as mais esperadas da minha semana, então, eu tinha que aproveitá-las. Eu tinha tempo de sobra para fazer mais pesquisas, ler os livros da minha avó e decidir se ia ou não ajudar o Nathan.
Eu precisava deixar aquelas preocupações de lado pelo menos por aquele final de semana...
Mas eu tinha esquecido um pequeno detalhe.
— Esse banho era tudo que eu precisava — falei assim que entrei em meu quarto secando o cabelo com a toalha. — Desculpe se eu estava um pouco distraído durante o filme, mas...
— Quem é este cara? — questionou meu namorado apontando para a foto do Nathan ampliada na tela do meu notebook.
Senti meu corpo congelar.
— E... Ele? — gaguejei sem palavras.
— Há oito fotos dele na sua pasta de imagens pessoais — disse Pete passando as fotos uma por uma. — Ele não parece ser da sua faculdade.
Eu não conseguia achar uma desculpa para aquilo. Por mais que eu pensasse, eu não conseguia elaborar uma mentira convincente.
Fiquei boquiaberto e sem reação por alguns segundos enquanto Pete me olhava esperando por respostas.
— Não é ninguém importante, Pete — afirmei.
— Imagina se fosse, não é? — ironizou ele. — O cara é bonito, forte, deve ter mais ou menos nossa idade, aparentemente joga basquete e tem oito fotos salvas no seu notebook.
— Isso é ciúme, Pete? — questionei cruzando os braços. — Já falei que ele não é ninguém importante!
— Então por que você salvou as fotos dele? — Pete perguntou.
Balancei os ombros.
— Eu nem lembro de ter salvo essas fotos — menti. — Devem estar na pasta há muito tempo.
— Eu sempre acesso e estudo no seu notebook, Klay — rebateu Pete. — Essas fotos não estavam aqui semana passada e é muito fácil acessar os arquivos e ver quando foram salvas.
— Você está mexendo no meu notebook e nas minhas pastas pessoais, Pete? — questionei fingindo estar ofendido.
Na realidade eu estava perdido.
Eu não fazia ideia do que inventar para sair daquela situação.
— Sempre usei seu notebook e sempre abri suas pastas para salvar imagens e documentos, Klay — retrucou Pete desviando o olhar e respirando fundo para não transparecer a raiva que sentia. — Sem falar que, como sempre, o trouxa aqui pediu sua permissão para usar o notebook.
— Trouxa, Pete? — resmunguei já nervoso. — Você não está falando sério, né?!
— Eu esperava uma explicação simples para isso, pois confio em você — disse ele levantando da cadeira. —, mas sua reação disse tudo que eu precisava saber.
Pete pegou um dos travesseiros e o lençol que estava dobrado em minha cama.
Sua expressão não era nada feliz.
— Pete, me desculpa — pedi sem saída. — Juro que não conheço o rapaz das fotos.
— Por que salvou as fotos dele? — Pete perguntou novamente.
— Eu não lembro! — menti miseravelmente.
— De novo fugindo da resposta? Saquei! — resmungou Pete antes de passar por mim e sair do quarto.
Eu tinha vacilado.
Como eu não esperava por aquilo por nem lembrar de ter salvo as fotos do Nathan, não consegui preparar uma desculpa convincente. Minha reação foi estranha e eu não culpava o Pete por pensar o pior de mim.
Nathan, quando era vivo, era um rapaz muito atraente. As fotos que ele postava no Instagram eram ótimas. Não era difícil de imaginar que eu tinha salvo aquelas fotos por gostar da aparência dele.
O que definitivamente não era o caso.
Eu queria ir atrás do Pete e esclarecer as coisas, mas não podia dizer que Nathan estava morto. Ele me perguntaria um milhão de coisas e eu acabaria me enrolando mais do que já estava.
Também não era uma boa ideia dizer que ele era um primo distante, pois Pete e Shawn eram bons amigos e, mesmo avisando meu irmão, era muito arriscado. Shawn também me faria muitas perguntas e também poderia começar a pensar o pior.
Nathan era hétero. Talvez minha desculpa perfeita tivesse que começar por aí...
O grande problema era que o fato de Nathan ser hétero não explicava o motivo daquelas fotos estarem salvas em meu notebook.
Foi a primeira vez que brigamos daquela forma.
Eu precisava pensar em uma desculpa convincente, pois ver Pete daquele jeito partia meu coração.
Eram três e quarenta da madrugada quando a bateria do meu celular acabou. Não consegui relaxar sabendo que Pete estava deitado no sofá da sala pensando que eu era um namorado infiel. A todo momento eu pensava em descer para tentar fazer as pazes com ele, mas, ao mesmo tempo, eu sabia que teria que dar uma boa explicação do que ele tinha encontrado em meu notebook.
Saí mais de uma vez do quarto para espiar o andar de baixo me apoiando no corrimão da escada. A única coisa que eu conseguia ver era a luz da TV iluminando o corredor entre a sala e a cozinha...
Aquilo significava que Pete ainda estava acordado, pois ele não conseguia dormir com luzes ligadas próximas a ele.
Tentei me distrair ligando o notebook e assistindo alguns vídeos engraçados no Youtube, mas não consegui. As preocupações que eu tanto queria deixar de lado naquele final de semana estavam me consumindo. Minha cabeça chegava a doer com tantas informações e teorias que passavam por ela. Eu sentia que ia enlouquecer se não tivesse respostas e soluções para tudo aquilo.
Até que...
— Posso entrar? — Pete perguntou batendo na porta entreaberta do meu quarto.
— Claro — falei antes de pausar a música que eu estava ouvindo no Youtube.
Meu namorado entrou, sentou em minha cama e suspirou cabisbaixo.
— Não sei por onde começar a te pedir desculpa, Klay — disse ele. — Eu exagerei e fui muito injusto com você.
Balancei a cabeça e virei meu corpo junto a cadeira da escrivaninha para ficar de frente para ele.
Eu ainda não sabia o que dizer.
— Você é literalmente a razão da minha vida — continuou ele. — Devo tudo a você, mas me comportei como um idiota nas últimas horas.
— Tá tudo bem, Pete — afirmei levantando para me aproximar dele.
— Não está! — disse ele também levantando para se aproximar de mim.
Pete e eu nos abraçamos.
Foi o abraço mais carinhoso que já tivemos.
— Não sei onde eu estava com a cabeça por desconfiar de você, amor — disse ele enquanto me apertava naquele abraço. — Você se sacrificou para me salvar várias vezes. Como pude ser tão burro de pensar que você...
— Acontece, Pete — falei cortando o que ele ia dizer. — Por favor, para de se chamar de burro. Todo casal tem desentendimentos.
— Mas eu exagerei — afirmou ele. — Pensei o pior de você e estou muito arrependido por isso.
Foi impossível não me render a fofura do Pete.
— Já esqueci — falei. — É passado, okay?
— Okay! — confirmou ele com um sorriso antes de me presentear com um longo e apaixonado selinho.
Mas faltava uma boa explicação...
— Sobre o garoto das fotos, eu...
— Klay, se você disse que não é ninguém importante é porque não é ninguém importante. Eu confio em você, amor.
— Eu te amo e jamais te trairia, Pete. Eu não tenho olhos para ninguém além de você.
— Eu sei, meu loirinho.
Pete me deu outro selinho antes de distribuir beijos por todo o meu rosto.
— Também não tenho olhos para mais ninguém — disse ele. — Você é tudo que eu preciso, Klay.
Eu me sentia mal por esconder a verdade, mas era necessário. Pete tinha que continuar vivendo feliz e tranquilo. Minhas teorias, pesquisas e maluquices não podiam preocupa-lo.
Meus problemas não eram problema dele.
Daquela vez, eu tinha que dar um jeito e resolver tudo sozinho.
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