31 - Estímulo Lascivo

Atenção: Este capítulo possui uma narrativa imprópria para menores de 16 anos. Trata-se de narrativas sexuais implícitas e explícitas.

Pete estava na cozinha terminando de preparar o jantar enquanto eu revirava a casa atrás do livro "Além da Matéria" que minha avó citou na carta que me deixou antes de morrer. Procurei nos quartos, na sala e nas caixas que tínhamos guardado na garagem, mas não o encontrei.
Eu tinha quase que certeza de que "Além da Matéria" era um livro e que eu já o tinha visto em algum lugar...

— Klay?! — chamou Pete entrando na garagem e me vendo sentado no chão em meio a livros, roupas e objetos espalhados. — Amor, o jantar está pronto.

— Obrigado, Pete — agradeci já envergonhado.

Desde o dia que chegamos, Pete foi o único que cozinhou e cuidou da casa. Eu havia passado quase todo o tempo sentado ou deitado no sofá lendo livros e fazendo pesquisas no celular.

— Você precisa se alimentar — disse ele ajoelhando a meu lado. — Ainda estou te achando meio pálido.

— Me desculpe por não te ajudar com as tarefas da casa, Pete — falei depois de suspirar chateado. — Você tem feito tudo, cuidado de mim e eu só...

— E você não está cuidando de mim? — questionou ele com aquele sorriso lindo e especial. — Você está se matando e quase não dorme para me ajudar.

Para mim não era o bastante.
Eu sentia que podia fazer muito mais.

— Prometo me esforçar mais, okay? — prometi retribuindo o sorriso dele.

— Não quero que você se esforce tanto, Klay — disse Pete tirando alguns livros empoeirados do meu colo e devolvendo-os para a caixa à minha frente. — Quero que você fique a meu lado e que a gente aproveite mais este tempo a sós.

— Temos só mais um dia e meio para encontrar respostas e a carta da minha avó nos deu pistas valiosas — afirmei levantando do chão e tirando o excesso de pó de minhas mãos.

— Por favor, Klay — pediu Pete também levantando, se aproximando, colocando uma das mãos em meu rosto e me dando um longo e carinhoso selinho. — Vamos esquecer estes livros e todo esse papo sobre a morte por um tempo?

Tentei responder, mas Pete me interrompeu com mais um beijo. Ele parecia tranquilo, sua energia estava quente e dava para sentir o quanto ele queria estar a meu lado.
Apesar de eu gostar, tudo era muito suspeito. Pete teve uma pequena mudança de comportamento depois da visita que fizemos a Theodora. Ele parecia não se importar mais com todos os problemas e dúvidas que tínhamos.
Tinha que haver alguma explicação.

— O que Theodora disse a você? — perguntei assim que nossos lábios separaram.

— Que é um milagre eu estar vivo, que você está se arriscando muito para me salvar e que deve me amar de verdade para fazer tudo isso — respondeu Pete.

— O que mais? — questionei desconfiado.

— Que eu me lembre, só — disse Pete voltando a sorrir.

Eu não conseguia acreditar nele.
Algo me dizia que Pete estava escondendo alguma coisa.

— Ela te entregou alguma coisa? — perguntei adotando um tom mais sério. — Eu a vi tirando dois envelopes de um pote no armário, mas ela me entregou apenas um.

— Eu já comentei que você fica lindo quando fala neste tom mais sério e autoritário? — perguntou Pete se aproximando para me beijar novamente.

Tive que virar o rosto e me afastar dele.

— É sério, Pete! — exclamei engrossando ainda mais a voz. — Theodora te entregou alguma coisa? Ela te entregou o outro envelope? Minha avó também deixou uma carta para você?

— Não sei do que você está falando, Klay — disse Pete coçando a nuca. — Theodora não me entregou nada.

— Você jura? — insisti.

Pete desviou o olhar, suspirou e coçou os olhos de uma forma muito suspeita. Eu não tinha certeza se aquele envelope era para ele, mas tinha a certeza de que ele estava me escondendo alguma coisa.

— Theodora não me entregou nada — respondeu ele depois de tanto hesitar. — Ela apenas conversou comigo sobre o que já falei para você, amor.

Era mentira, mas eu não queria ter minha primeira briga com ele. Haviam outras formas de eu descobrir o que aconteceu naquela tarde.
Pete ia me contar a verdade e eu sabia exatamente de qual forma ia arrancar isso dele.


Depois do jantar, Pete me ajudou a guardar algumas caixas na garagem antes de subir para tomar um banho. Tínhamos planejado assistir um filme naquela noite e descansar de toda aquela procura por respostas e soluções.
Apesar de ter concordado com o que Pete tinha proposto para aquela noite, eu não conseguia parar de pensar no que ele poderia estar me escondendo. Aquele envelope na mesa da Theodora, a perceptível mudança no comportamento dele e até o jeito embolado que ele respondeu minhas perguntas sobre o assunto não me deixavam dúvidas de que alguma coisa estava errada.

Eu precisava descobrir o que estava acontecendo e a forma mais eficaz que imaginei que arrancaria aquilo dele era por meio da sedução.
Mesmo nunca tendo seduzido alguém antes.

Quando entrei no banheiro, Pete estava dentro do box passando shampoo no cabelo. Os vidros estavam embaçados e ele cantarolava baixinho uma música que eu não conhecia.

Tirei a camiseta, a bermuda e meus chinelos.

Naquele momento, Pete estava terminando de enxaguar a cabeça para tirar o excesso de shampoo.

— Pete? — chamei tentando emitir uma voz mais suave e carinhosa.

— Só um segundo, Klay! — exclamou ele esfregando a cabeça. — Eu já vou sair, amor!

Quando abri a porta do box, Pete levou um susto e esbarrou no suporte do sabonete o fazendo cair. Ele tirou o excesso de água com shampoo dos olhos e tapou de maneira fofa e engraçada suas partes íntimas.

— K... Klay?!

— Por que já vai sair, Pete?

— Eu nã... O que você está fazendo aqui?

— Tomando banho. Não posso?

— Po... Pode, sim! Claro!

Não consegui sorrir, pois eu não achava meu sorriso atraente e muito menos sensual. Mordi meu lábio inferior, olhei para o sabonete no chão e depois olhei sugestivamente para ele.
Eu estava torcendo para não parecer um tarado retardado.

— Vem cá, Klay! — chamou Pete se aproximando e tirando as mãos de suas partes íntimas. — Eu te ajudo a ensaboar as costas.

Parei Pete colocando a mão em seu peito, ajoelhei ainda olhando para ele e peguei o sabonete me segurando para não começar a rir.
Definitivamente eu não sabia fazer aquele tipo de coisa, mas Pete pareceu gostar.

— Você vai me ajudar a passar sabonete? — perguntei antes de levantar. — Não sei se devo deixar.

Coloquei o sabonete de volta no suporte, envolvi os braços no pescoço do Pete e o empurrei delicadamente até a parede. Desci as mãos por aquele tórax definido até chegar nos gominhos daquele abdome perfeito.
Eu estava tentando manter o foco e seguir meu plano até arrancar a verdade dele, mas era muito complicado. Pete era um rapaz muito atraente. O corpo dele era perfeito, seu rosto e aquele sorriso eram apaixonantes e não havia como eu me manter frio.

— Por que não? — perguntou ele colocando uma mão em meu rosto e a outra em minha cintura. — Por que não quer que eu te ajude?

— Porque você não me contou a verdade sobre o que aconteceu esta tarde — sussurrei começando a roçar meu corpo contra o dele.

Pete já estava excitado. Ele suspirou e pareceu se arrepiar com todas aquelas investidas e provocações que eu estava fazendo para arrancar a verdade dele.

— Eu não tenho nada para te contar, Klay — murmurou Pete também forçando o corpo dele contra o meu. — Agora, por favor, tira essa cueca antes que eu fique maluco?

— Não vou tirar nada se você não colaborar, Pete — sussurrei com os lábios próximos aos dele. — Me conta, por favor?

Pete tentou me beijar, mas virei o rosto no último segundo. Ele sorriu, mordeu o lábio inferior, colocou as duas mãos em minha cintura e as apertou de forma com que meu corpo roçasse ainda mais contra o dele.

— Não vai tirar? — perguntou ele sussurrando próximo a minha orelha.

— Não vou tirar — respondi tentando me manter firme.

— Estou te sentindo tão excitado quanto eu, Klay — falou Pete roçando ainda mais o corpo dele contra o meu. — Tem certeza que você vai dar uma de difícil comigo?

E eu realmente estava muito excitado. Mais uma vez, meu amor e desejo por ele incendiaram meu corpo de dentro para fora. Era quase impossível manter o controle a cada toque, cada ofegar e a cada gemido rouco do Pete.

— Se não me contar, vou sair deste box e deixar você terminar o banho sozinho — falei, mas nem eu mesmo conseguia acreditar naquela ameaça.

— Não vou deixar — respondeu ele.

Em movimentos rápidos, fortes e excitantes, Pete girou nossos corpos me forçando ficar de frente para a parede e de costas para ele. Com uma das mãos, ele abaixou minha cueca lentamente enquanto beijava minha nuca e descia os lábios por minhas costas.

A partir daquele momento, eu já tinha dado a missão como perdida. Tudo que eu desejava era me unir ao Pete mais uma vez.


***

Eram quase duas da manhã quando o filme que Pete e eu combinamos de assistir finalmente acabou. Não prestamos tanta atenção nele, pois passamos grande parte do tempo trocando beijos e carinhos.
Antes de dormir, fizemos planos de passear um pouco pela cidade já que aquele era o último dia antes de viajarmos para Nova Iorque. Pete queria conhecer o lago que eu costumava ir com Shawn, os parques e pequenos restaurantes da região.

E foi exatamente isso que fizemos no dia seguinte.

Pete e eu tomamos café da manhã em um bar que meu pai costumava frequentar quando estava na cidade. Eles servem o melhor bagel que eu já comi na vida. Além disso, comemos omelete com bacon e tomamos suco de melancia natural.

— Acho que vou pedir mais bagels — disse Pete terminando de comer sua omelete.

— Você tá com fome, hein? — falei surpreso pela quantidade de comida que ele já tinha ingerido.

— Você quase acabou comigo ontem, Klay — respondeu Pete sorrindo sugestivamente. — Você também precisa comer mais para recuperar as energias.  

Senti meu rosto aquecer.
Tive que mudar de assunto, pois eu não queria comentar sobre minha tentativa de chantagem sexual.

Depois do café da manhã, Pete e eu fizemos caminhada até o lago da cidade. Apesar do dia estar lindo e parcialmente ensolarado, a temperatura estava amena e as nuvens davam a impressão de que outra tempestade se aproximava.

Assim chegamos no lago, Pete tirou a camiseta e o tênis para guarda-los na mochila que eu tinha levado. Só depois que ele pegou uma toalha de banho e um par de chinelos que me dei conta de que eu já tinha visto aquilo antes... 
Ele estava usando a mesma bermuda, toalha e chinelos que o falso Pete usou no sonho que tive com ele no lago. 

— Pete, você vai entrar no lago? — questionei já preocupado. — Você sabe nadar, né?

— É raso? — perguntou ele do mesmo jeitinho que o falso Pete fez em meu sonho.

— Na beirada, sim — respondi com aquela estranha sensação de déjà vu.

Pete avançou até a beirada da ponte. Ele se distraiu admirando tanto a água quanto o vento balançando as folhas das arvores em volta.
Tudo estava igual a meu sonho.

— Já sonhei com este momento antes, Pete — falei me aproximando dele. — Acho melhor você não entrar na água e...

— Não vou morrer afogado, Klay — disse ele me olhando por um breve momento.

Assim como no sonho, a expressão do Pete era feliz, seu sorrido era generoso e os olhos dele brilhavam. Eu não estava sentindo nada de ruim naquele momento, mas não queria arriscar.

— É melhor prevenir, não acha? — questionei me aproximando um pouco mais dele.

Pete não me deu ouvidos.
Ele deixou a toalha na borda da ponte, beijou meu rosto e tomou distância para saltar.

— Pete, cuidado, por favor — murmurei coçando a cabeça.

— Você ainda está vestido? — questionou ele. — Não vai nadar comigo?

Antes que eu pudesse responder, Pete correu pela ponte e saltou no lago espirrando água para todos os lados. Apesar de ele estar em um lugar raso, nada tirava as paranoias de minha cabeça.

— Satisfeito?! — perguntei. — Já podemos ir embora?

— Não seja chato e entra aqui comigo, Klay! — exclamou ele espirrando água na tentativa de me molhar. — Com seu irmão você entra, né?

— Não tenho sonhos trágicos com o Shawn, Pete — resmunguei.

— Relaxa, pois não vou morrer hoje! — exclamou ele ainda tentando jogar água em mim.

Pete estava tão animado e insistia tanto que eu também entrasse no lago que foi impossível resistir. Depois de tirar a camiseta e os sapatos, andei quase a mesma distância que ele tinha tomado para saltar.

— Quero só ver se você é bom mergulhando, amor! — gritou ele esperando que eu saltasse.

Corri pela ponte, saltei quando cheguei bem na beirada e juntei os braços para entrar de cabeça na água, mas...

De repente, tudo ficou escuro.

Eu sabia que estava no lago e que Pete estava a poucos metros de mim, mas curiosamente, senti que estava em outro lugar. Em minha mente, eu estava me afogando, afundando e indo de encontro com a morte, porém ao mesmo tempo, eu sabia que estava seguro...

Foi como ter um sonho lúcido acordado.

— Klay?! — chamou Pete assim que voltei a superfície. — Você está bem?

Não consegui responder. Aquele devaneio tinha mexido comigo de uma forma estranha e até então desconhecida. Eu não sabia se era uma premonição, pois foi muito diferente das visões que eu tinha em sonhos lúcidos.

— Você se machucou? — perguntou Pete já próximo a mim. — Você está ficando pálido, Klay.

— Não sei o que aconteceu — respondi ainda atordoado. — Quando mergulhei, senti como se eu estivesse sonhando ou...

— Tendo uma visão? — completou Pete preocupado.

— Mas não era com você, Pete — falei tanto para acalma-lo quanto para tentar entender o que tinha acontecido.

— Com quem era, Klay? — questionou ele. — Você previu algum acidente com alguém?

Naquele devaneio, eu não tinha visto ninguém...
Ninguém além de mim.

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