Joe: O Escritor Maldito

"Um homem com força e convicção", assim foi  a forma como os amigos de Joe se referiram a ele numa premiação em que o jovem escritor ganhou como melhor obra de terror. A sua escrita era por muitos admirada e todos exibiam  seus livros com autógrafos, ele realmente sabia detalhar enredos como ninguém. E  era algo que pra muitos era motivo de investigação, aquele conhecimento parecia demoníaco, pelo menos era assim que a dona Maria dizia para os seus filhos, que colecionavam as obras de Joe.

Ninguém sabia para aonde o escritor ia na  quinta feira à noite, mas ninguém o seguia, ele não parecia ser perigoso o suficiente, mesmo tendo quase dois metros de altura, ninguém o intitulava  como alguém a ser temido. Por isso só sentia a sua falta na sexta feira de tarde que era o horário que ele aparecia. Sempre com a aparência de quem havia descoberto algo. Ele adorava passar pelos senhores que jogavam xadrez e na praça e gritar  "Xeque"

E eles respondiam "Mate" ele tinha o seu charme. Era um homem de sorriso intenso. Embora aparentava ter mais idade do que tinha, sempre sabia como abordar uma mulher, ele tinha muitas fãs, que mesmo assustadas pelos versos perturbadores de seus livros, ainda assim, as cativava.  E  ele gostava muito disso.

Até que um dia uma moça que jurava amor pelo rapaz decidiu o seguir em uma das suas muitas andanças pela redondeza. Se empolgou no perfume. Mas ela sabia que o olfato do jovem era péssimo. Então conseguiria o acompanhar. Ela não ligava muito  se ele a descobrisse. Algo dentro dela dizia para não ir, mas a sua paixão e teimosia lhe imploraram  para ela ir sem pensar no que aconteceria se, porque o se nada mais era do que uma ilusão. Agarre a oportunidade! E assim o fez. O aguardou por um dos muros que cercavam aonde ele estava naquela noite. E  o observando cautelosamente, viu a sombra do homem com silhuetas  bem finas. Ele vestia luvas, um sobre tudo convincente  que parecia um capote. E  ao observar os dois lados, meio apreensivo, ela pensou, ele foi desceu as escadas que cortavam a área da casa e cruzou o portão, ela entrou em um dos vãos para ele não ver, e lá se foi o jovem, andando lentamente. Ela sempre teve muitas dúvidas de para onde ele ia, mas sabia que esse lugar lhe dava grandíssimas inspirações para as suas obras. Foi quando ela o perdeu de vista. Ela se preocupou. Ficar pensando demais não  a estava ajudando. Então decidiu procurar por ele.

Conforme caminhava.

Caminhava.

Cami....

Sentiu alguém se aproximar. Um vento gelado subiu por entre seus dedos. E  arrepiavam  a sua coluna. Ela sentia que alguma coisa a observava  por entre as paredes e na escuridão  que a cercava,  coisa mais sabia a se fazer era fugir para algum lugar. Mas e  quanto ao Joe? Se o encontrasse poderia ajudar de alguma forma, certo?

-  Foi quando sentiu um toque. E  após virar-se para trás, sentiu um golpe forte sobre a sua cabeça. O gosto de sangue sobre seus lábios.

Ela estava  sendo levada para algum lugar.

E de maneira aflita começou a se debater. Sentia que o couro cabeludo estava sendo puxado sem delicadeza enquanto o seu corpo estava sendo arrastado. Ela sabia que  algo cruel estava  para acontecer. Um cheiro cruel cercava aquele ambiente. Parecia que quanto  mais ela gritava, mais distante ela estava  de alguém, e aquele carniceiro, ele iria a matar. Foi quando ele percebeu que estava  indo para algum lugar já marcado, e por mais que se debatesse, a única coisa que conseguia era aumentar o cheiro de sangue e a sensação  horrível em seu estômago. Ela não seria apenas morta.

Conforme muitas batidas durante a forma nada cautelosa que o homem a levava, as costelas fraturadas se tornaram o de menos. O calor  aumentava. Foi quando  em um pequeno relance, mesmo envolta por tanto sangue, pode perceber que  havia corpos  de mulheres transpassados por uma lança, o feitiche daquele monstro era abominável. As tripas  lançadas a parede e cobertos por bichos e larvas. O cheiro parecia a porta do inferno. Ela iria morrer. Com certeza. Foi quando o homem a colocou de pé, na entrada de seu "santuário" as mulheres estavam realmente mortas, e pelo jeito. Aquilo tinha acontecido a pouco. Foi quando  ela viu Joe. O escritor. Ele foi quem  a levou para lá. E  os olhos profanos daquele homem para ela a torturava por dentro. Foi quando  eles decidiram guardar todos os corpos que haviam colocados como troféus para assustar a mulher, dentro de um caminhão. Eles jogavam feno  e outras coisas por cima dos corpos. Evitar o odor? Pensava. Após toda tortura psicológica daquele lugar. Joe decidiu soltar a jovem. E  disse as seguintes palavras.

" Se você disser a alguém sobre isso, colocarei a sua família nas mesmas estacas"

Aquele escritor maldito, virou as costas com um caderno e uma caneta e foi para a companhia de seus colegas. O sorriso diabólico que ele dava era de arrepiar até o mais cético. Ele parecia um demônio. E  olhando para o lugar, parecia realmente uma parte do inferno. Para o caminho tantas pedras e cacos de vidros. Eles quebravam essas garrafas no caminho para costas os corpos que arrastavam.  E  por algum motivo ela ainda estava viva. E  ao longe o demônio  pegava o caminhão com os seus amigos e iam  para alguma blasfêmia.

Após esse dia a jovem começou a reparar que em todos os livros de Joe, haviam detalhes que com certeza ele tirou daquela experiência macabra que ele mantinha. Um homem com vários demônios. Sempre que o via algo dentro dela a fazia correr. Todos começaram a reparar nisso, mas pensavam que era o afeto da jovem pelo rapaz que a cobria de vergonha. Mas mal  sabiam, que ela se cobria sim, mas de medo daquele escritor.

Que sempre fazia as suas peregrinações  nas noites de quinta.

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