Conto III - Pelas Ruas da Cidade de Sentimentos
Hoje conto-lhe uma história de amor vivida numa cidadezinha do interior, de tão pequena chegou a ser considerada pelos senhores da capital uma imensa Vila.
A Cidade de Sentimentos se destacava dos demais povoados vizinhos por todas as suas ruas terem sido nomeadas com as diversas emoções do ser humano: Rua do Amor, Rua da Benevolência, Travessa do Orgulho, e assim reunia uma gama deles, sejam bons ou ruins.
Como qualquer cidade desse porte, era marcada por tudo que lhe é comumente característico: pobreza, dificuldade, educação precária e principalmente pessoas que sempre falavam da vida alheia. Mas naquele fim de mundo vivia uma mulher que não se importava com o que os outros pensavam, assim era feliz até mesmo quando descobriu sobre sua doença.
A enfermidade chegou cedo para a jovem já acamada, ainda continuava belíssima, vivia de favor na casa da única tia. Tomou uma atitude que dentro do seu íntimo lhe daria tantas alegrias e afastaria a solidão que certamente atacaria a mente e depois a alma.
De uma beleza abrasileirada, a morena possuía um corpo esculpido digno das lindas protagonistas de Jorge Amado, os lábios carnudos e um olhar que pela simplicidade arrancava suspiros de todos os homens desejosos de a terem em sua cama, porém não se aproximavam devido à má fama que lhe foi atribuída.
As fofocas criadas pela própria tia eram mentiras invejosas surgidas por conta do atributo que lhe faltava, a Formosura — claro que, não se esqueça, essa qualidade também nomeava algum lugar mais ao sul da cidade.
Ignorante como era e por ironia do destino, tinha o nome de Salomé. Preocupava-se com o externo, quando na verdade o íntimo daquela jovem era tão belo quanto o amor e a cumplicidade que construiu com o filho, Tomás, seu maior protetor. Amou-o com todo o seu coração. Com tanto afeto em meios das dificuldades, conseguiu criar o menino, sendo assim um futuro homem de bem.
Salomé era uma falsa beata, para todos dizia viver os ensinamentos do seu Senhor Deus Todo Poderoso, frequentava as missas diariamente e vivia um caso tórrido com Aquiles, um verdadeiro 171.
A tia vestia a carranca e vociferava palavras sacras defendendo a boa família, um discurso um tanto quanto parecido com um suposto governante político, tão famoso por seus comentários esdrúxulos e pela falta de noção.
A devota charlatã sempre fazia o mesmo percurso pelas ruas da cidade, nunca se atentou que em sua andança em direção a igreja seguia sempre pela Alameda do Ciúme, carinhosamente chamada pela própria população de Rua do Despeito, e logo após seu ato religioso, regressava pela Ladeira da Inveja.
Alguns habitantes mais conscientes dos atos daquela, que aos olhos da maioria exalava virtude, perguntavam-se porque a sobrinha aceitou viver sob o mesmo teto, recebendo insultos e grosserias, apesar disso, quando atingiu a maioridade, não partiu como qualquer pessoa faria, não queria que a senhora tivesse um fim solitário e sem amparo qualquer que fosse.
Se está curioso, querido leitor, por essa decisão, digo-lhes que a moça perdeu os pais muito cedo. Ao retornarem da capital, um acidente de ônibus aconteceu na Estrada da Gratidão e os sucumbiu aos graves ferimentos. Por isso, a falsa freira alardeou que adotara a sobrinha órfã e, longe dos olhos alheios, privara a menina de estudar, tornou-a sua empregada e, apenas quando completou 18 anos, passou a lhe pagar um mísero salário.
Entretanto, por não ter condições e sabendo que não sobreviveria numa cidade grande pela falta de experiência e astúcia contra a violência tão comentada, a moça aceitou aquela condição e não desistiu. Por isso, no refúgio do minúsculo quarto, aprendeu a ler e a escrever. Tinha também o dom da culinária, criou receitas e com o passar do tempo conquistou uma clientela fiel aos seus quitutes deliciosos.
Quando completou 21 anos, conheceu apenas um homem que lhe despertasse a paixão, no fundo, por Corvadia se permitiu os prazeres carnais por breves dias enquanto o rapaz permanecia na cidade a trabalho.
Não gostava da ideia do casamento, e sair de casa para viver com alguém que mal conhecia causava-lhe pânico, então escolheu consciente viver com a estupidez já tão acostumada e depois de tantos anos não lhe causavam nada além da indiferença, estes batizaram outras duas.
Os passos do pequeno Tomás ecoaram no corredor, a porta foi aberta com cuidado e o rostinho do menino na fresta da porta aos poucos se deteve em observar a mãe adormecida. A respiração pesada lhe deu alívio, sua mãe ainda estava viva.
Assim adentrou o ambiente, abriu apenas uma das janelas, permitindo o sol e o vento da manhã entrarem, sentou-se no chão e pousou seus olhos novamente com carinho na mãe. Com os dedos fofinhos de uma das mãos, passou a fazer lembretes em sua cabeça.
— 1. Comprar o pão. Já! 2. Leite. Também! 3. Arrumar a mesa do café! Não sei se tá arrumada, a velha sempre reclama! 4. O lanche da mãe. Fiz! Esqueço de algo... O quê? — O menino levou o quinto dedo ao queixo e se concentrou. — Ah! Trazer seus chinelos, mãe não pode pisar no chão.
O ímpeto ao se levantar o fez bater o pé na borda da cama e um sonoro Aí! ecoou no quarto onde a mãe lentamente abriu seus olhos, sorrindo.
— Você é desastrado.
— Não se levante! — O garoto sustentou as mãos no ar. — Vou trazer os chinelos de pano que a dona Francisca mandou. Segundo a mulher, mãe, escute essa...
— O quê, filho?
— Dona Francisca disse que queria que ficasse de olho para que a senhora não tirasse-os dos pés, pois estariam aquecidos e a tosse iria melhorar.
— Bom, se ela diz, não custa nada tentar? Não é?
— Eu também acho, me aguarde...
Minutos se passaram e, com dificuldade, a mulher se sentou na cama, puxou a manta e, com delicadeza, penteou os cabelos volumosos. Um sorriso se abriu ao ver Tomás com o presente numa mão e um robe de malha grossa pendurado nos ombros.
— Está aqui. — Colocou-os ao lado da cama e entregou a vestimenta. — Sua malha e, quando se sentir bem, ajudo-a a chegar no banheiro.
— O que faria sem você, meu filho?
— Não sei, mas seria uma vida sem graça. — A brincadeira do menino o deixou corado, sua timidez era quase palpável, fazendo a mãe rir com dificuldade. Sabe o quanto era introvertido, preferindo estar na cozinha ou ajudando-a nos afazeres domésticos.
O garotinho, por sua vez, esperto como sempre, herdara da mãe o sorriso bonito e uma resiliência que aprendeu ao ver o repúdio da própria tia-avó que sempre vociferava palavras e malvadezas por viverem "às suas custas". Esse era o real motivo por escolher não brincar com outras crianças ou ficar fora de casa por muito tempo.
Aquela que o fazia estar sempre próximo, além de mãe, era também sua mentora e sua melhor amiga. A Cumplicidade os unia.
E era nessa quadra que o pequeno narrava o que acontecera logo cedo em sua ida ao mercado do Seu Sabá, logo após ajudá-la a chegar no banheiro para sua higiene matinal. Enquanto esperava do lado de fora, contou-lhe que o dono mandou um pacote de chá de hortelã, uma manta nova e alguns doces para ele.
— Mãe, agradeci como disse que deveria e também neguei. Disse que não precisava e ele insistiu e acabei aceitando porque a mulher do Seu Sabá apareceu e disse que, se não trouxesse, iria tirar meus doces.
— Tomás!
— Eu disse que não precisava, mas aceitei, oras... não preciso perder os doces se querem lhe dar presentes!
— Está certo, falarei com eles depois, e quais os doces que ganhou? — A voz da mulher saía com dificuldade, a tosse a seguia a cada palavra.
O menino franziu o cenho preocupado.
— Quer que faça o chá?
— Gostaria sim, por favor. — Sorriu ao pensar em caramelos, sabia que a senhora diria para ele escolher e assim aceitaria o que ambos gostavam. — Quais doces?
— Caramelo, mãe. — E assim sorriu.
O garoto seguiu para a cozinha. Ao mesmo tempo, o corpo cansado da mais velha adentrou o box e iniciou o banho que amenizava as dores no peito. Ao sair, uma forte tosse a acometeu. A toalha em suas mãos foram levadas à boca e, quando a afastou, viu gotas de sangue. Respirou fundo, afugentando o medo, e o pensamento a invadiu: "Preciso prepará-lo. Tomás precisa entender que logo não estarei aqui".
Com roupas confortáveis, calçou os chinelos de pano e pensou: "Dona Francisca tem razão, me sinto melhor com eles".
No seu ritmo, adentrou a cozinha, vendo o filho sentado com os olhos na rua.
— Meu filho, sabe onde está a tia?
Nem sinal de resposta. Entretido com o movimento, escutou a pergunta pela segunda vez.
— Diz estar na igreja, mas pode estar com o doido?
— Doido? — A mulher prendeu o riso em negação.
Os olhos frenéticos acompanharam o barulho e a movimentação.
— O Aquiles, o namorado.
— O que há de tão importante?
— Um circo acaba de chegar.
A xícara caiu de sua mão com nervosismo.
Tomás se virou preocupado.
— Tontura?
— Não, filho, estou bem. — Seus pensamentos voltaram ao passado e sorriu com ternura, depois percebeu o menino concentrado no caminhão com todo o elenco sorrindo e convidando os moradores para a estreia. — Isso é maravilhoso! Enfim, algo novo nessa cidade.
— Acha que podemos ir?
— Claro, não perco este evento por nada! — Os dois conversaram durante a refeição, alegres com a novidade.
Camilo, um homem de meia idade, cansado da vida, ainda mantinha um olhar carinhoso mesmo tendo superado um adeus. Partiu sabendo estar apaixonado e, na primeira oportunidade que teve, mesmo após dez longos anos, conseguiu retornar ao lugar que almejava tantas e tantas noites.
Desceu do passageiro do caminhão. Com passos apressados, adentrou a prefeitura em busca do documento que liberaria a estadia do circo pelo tempo necessário. Não queria outra despedida e não a teria.
Dias passaram, mãe e filho redobraram os cuidados com a doença para que se sentisse segura em sair de casa. No meio da tarde, se arrumaram e lentamente caminharam pelas ruas da cidade. O primeiro espetáculo aconteceria pontualmente ao fim do dia.
Malabaristas, trapezistas, domadores de animais, contorcionistas, equilibristas, uma mulher barbada, um mágico, um leão e outro elefante eram alguns dos personagens que compunham aquele picadeiro.
Ao fim do espetáculo, Camilo, já pronto com sua roupa de palhaço, saiu se apresentando ao lado de outros companheiros e de uma moça.
— E o palhaço o que que é? — gritou para a plateia eufórica e todos responderam em uníssono.
— Ladrão de mulher!
Seus olhos percorreram diversas vezes as arquibancadas montadas e nem sinal da pessoa que sonhara encontrar. Antes da última frase, ficou estatelado ao ver o menino ao lado da mulher que sorria com os olhos ao ver a alegria do filho, sentiu uma forte Esperança, era igual a si quando criança.
— Desculpem por ter perdido a fala! Nunca vi plateia tão animada! — Aplausos e assovios repercutiram dentro da tenda.
— Senhoras, senhores, jovens, crianças e cachorros, o nosso muito obrigado por terem vindo nos assistir e prestigiar a arte do circo, há muito tempo esquecida! O nosso muito obrigado!
Toda a trupe adentrou o picadeiro e assim elogios, aplausos e bravos foram dados por todos. Na pequena pausa, Camilo voltou a falar.
— A alegria do palhaço não é ver o circo pegar fogo, é ver a alegria incendiar o picadeiro! — As luzes se apagaram e assim encerrou o show.
Adentrou tirando a fantasia com pressa, vestindo as calças jeans jogadas na cama do trailer. A camisa de algodão azul marinho foi vestida num impulso. E correu para lavar o rosto, ainda com marcas da maquiagem. Carregava uma toalha, limpando, enquanto procurava as duas pessoas que lhe chamaram a atenção. Ao longe, avistou-os caminhando lentamente, tendo uma conversa animada.
— Senhora... — O nervosismo tirou-lhe o fôlego. — Acho que não lembra, sou...
— Camilo. — O reencontro singelo arrebatou o casal sob os olhos astutos do pequeno.
— Ainda lembra... — O homem sorriu apaixonado.
— Impossível esquecê-lo. — Perdidos um no outro, a jovem sentiu o aperto da mão do filho. — Quero apresentar meu filho, Tomás.
Camilo se ajoelhou e ficou na altura do pequeno.
— Olá, como vai?
— Muito bem, e o senhor?
— Muito bem também. — A brincadeira tirou risadas dos dois. — É um prazer conhecê-lo.
— Também. Mãe, irei comprar chocolates.
— Está bem, irei lhe dar o dinheiro. — Buscou a bolsa e a mãozinha a deteve.
— Não precisa, tenho aqui. — O sorriso sem vergonha do menino a deixou desconfiada.
— Você... não... Tomás, não!
— Sim, tirei sim uns trocados da velha, não irá saber, sempre digo que deixou na paróquia! — O garoto saiu correndo do lado dos dois, a mãe negou com a cabeça e sorriu, vendo-o se afastar.
— Ele é...
— Esperto! Se for aquela mal-amada, não o julgo!
— É dela que estamos falando.
— Lembro da última vez que nos vimos, continua ainda mais linda.
— Obrigada. — A timidez era vista no rosto corado. — Ficará por quanto tempo?
— O tempo que precisar para levá-la comigo.
A mulher sentiu a paixão adormecida renascer e balançou o rosto com tristeza.
— Não posso! Sinto muito, queria tanto, mas não posso.
— Deixei-me encontrá-la, contar que lutei por anos para comprar o circo e voltar com algo para lhe dar uma vida diferente à qual está presa.
— Desculpe-me, não posso.
— É pelo menino?
— Não — disse sem conseguir encará-lo. — Tomás nunca será um problema, sempre foi e será meu bem maior e mais bonito.
— Quantos anos tem?
— Irá fazer dez no fim do ano.
— Está casada. — A afirmação fez Camilo baixar a cabeça, resignado. — Demorei tempo demais.
— Nunca me casei e tive apenas um único homem, não é isso que me prende. Preciso ir.
A mulher se afastou e, num ato de desespero, correu atrás dela.
— Nunca me permitiu saber seu nome. Diga-me pelo menos seu nome.
— Vida.
No dia seguinte, Tomás acordou e levantou do colchão posto ao lado da cama da mãe. Os olhinhos ainda sonolentos encararam e entraram em estado de alerta, tocaram em suas mãos. A respiração fraca e as mãos geladas o fizeram correr pela casa aos gritos.
— Ajuda! Ajuda! Preciso de ajuda!
Salomé abriu a porta e o encarou com desdém.
— O que foi agora, moleque?
— Minha mãe não está nada bem.
— Pensei ser algo importante! — Bateu a porta com violência, fazendo-o chorar. Sem pestanejar, saiu aos gritos pelas ruas de Sentimento. Logo algumas pessoas perceberam seu desespero. Dona Francisca saiu do balcão, correndo ao seu encontro.
— O que foi, Tomás?
— Minha mãe... mamãe está morrendo!
— Não! — A idosa segurou os pulsos do menino e gritou ao marido. — Pegue o carro e chame um médico, estou indo cuidar da menina!
Seu Sabá expulsou todos os clientes com as mãos, baixando as portas de ferro da sua mercearia. — Desculpem! Vamos! — Trancou o primeiro cadeado. — Voltem depois! Vida está muito doente!
Aquiles segurou seus produtos e, atônito, jogou tudo no chão.
— Seu Sabá...
— Agora não! Se quiser ajudar diga para... — As mãos do homem o estancaram.
— Ela deve estar ajudando!
— Você não é idiota! — disse ao trancar a última corrente e sair disparado para o seu carro. — Não vou nem te responder!
— Irei direto ao hospital, minha irmã é enfermeira, vou pedir que a ajude! — O malandro subiu na moto e assim fez o que prometeu.
Camilo caminhava pela Rua da Empatia após passar a noite em claro, pensativo sobre a descoberta do filho, e se assustou quando viu Dona Francisca e Tomás virarem a Esquina da Doçura. Seguiu-os a passos largos e seu corpo estancou com os gritos de Salomé.
— O que você quer aqui, Sua Velha?
— Cale a boca, depravada!
— Você não irá entrar na minha casa!
— Vou ajudar a Vida! Não fique na minha frente ou levará uma bela surra! — vociferou com o dedo apontado na cara da beata!
— Minha mãe precisa de ajuda, pode ser tarde demais!
— O que está acontecendo aqui? — Camilo se aproximou da discussão.
— Ela não nos deixa entrar! — O garoto chorava copiosamente. — Minha mãe está muito doente e ela nunca nos ajudou. Nos faz pagar tudo e não sobra dinheiro para lhe comprar remédio!
O impulso do homem espantou a outra e Dona Francisca a empurrou, ajudando o garoto e o palhaço a entrarem na casa. Seu marido chegou cantando os pneus e trouxe consigo os filhos do casal para ajudar a trazê-la para o carro.
Salomé explodiu e Sabá segurou a esposa, atordoado. A confusão era grande e a vizinhança que assistia também.
Camilo saiu com Vida em seu colo, seguido de Tomás que carregava os chinelos de tecido, sua manta e o robe de malha preferidos. Com a ajuda dos rapazes e a delicadeza em seus gestos, a deitou no banco de trás e apoiou sua cabeça em seu colo.
O filho mais velho dos donos do mercado ligou o carro e saiu em disparada, deixando o menor sob os cuidados do casal.
— NÃOOO!
— O que foi?
— Não pise no chão, mãe. Esqueceu de calçar seus chinelos!
— Me assustou, filho. Já estou melhor.
— Mãe, por favor, não quero... — As palavras morreram.
Vida o abraçou com ternura.
— Agora estou fazendo o tratamento com a ajuda de Camilo e Seu Sabá e amanhã irei fazer bolos para vender em sua mercearia. As coisas estão se acertando, meu amor.
— Sei que sim, mãe. — Os braços do pequeno estavam em volta de sua cintura. — Nunca tivemos oportunidade, por causa daquela...
— Esqueça, a vergonha que passou quando Dona Francisca contou a todos de Aquiles a fez ficar quieta e conseguimos ter paz, o que me ajudou no início do tratamento.
— Vamos para a nossa casa?
A risada da mãe ecoou pelo quarto. Com os dedos entrelaçados, os dois caminharam, saindo do hospital.
Seguiam no seu caminhar lento e cheio de conversas, andavam pela Via da Doçura, e depois viram encontrando a da Fraternidade.
— Mãe, e onde está o pai?
— Onde haveria de estar? Organizando a casa que alugou para morarmos e mais tarde prometeu nos levar ao circo e apresentá-lo ao mágico.
Tomás sorriu, concordando, e ainda manteve o cuidado. Sabia de sua melhora e, companheiro como sempre, continuava ao lado de sua Vida.
Finalmente, chegaram na Rua da Alegria. A casa simples estava florida e Camilo os aguardava. O menino sorriu ao vê-lo. O homem se aproximou.
— Darei aulas de arte circense na quadra de esporte da Rua Recomeço, o prefeito adorou a ideia — comentou empolgado.
— E o circo? — Tomás perguntou curioso.
— Temos apresentações pela região e com o tempo veremos como fazer, meu filho.
E assim, os três caminharam pelas ruas da cidade e entraram numa casa repleta de amor.
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