Capítulo 40

— Então, para onde exatamente estamos indo? — pergunto com interesse, olhando a paisagem parisiense.

— Se você adivinhar para onde sua filha deseja ir primeiro, te levarei ao Angelina e deixarei você pegar o que quiser!

— Você vai me desculpar, Thony, mas sua mãe já me permite fazer isso! — olho para ele, desafiando-o.

— Apenas adivinhe, Alice! — resmunga, sem tirar os olhos da estrada.

— Só para você saber, eu ganharia. Pois sei muito bem que minha filha deseja conhecer a torre Eiffel.

Bonnie começa a rir. Olho para trás e dou uma piscadinha para ela.

— Já sabemos onde iremos lanchar, não é filha?

— Sim, mamãezinha! E eu já estou com fome. — dá uma risada sapeca.

— Mas você acabou de comer! — Anthony finge estar espantado, fazendo a sobrinha rir ainda mais. — Terei que ligar para o Chef Benoit, pedindo que ele prepare mais pain au chocolate para uma certa menininha.

— E para a mamãe dela também! — cutuco suas costelas com o cotovelo.

Chegamos ao Champ de Mars. Ele estava lotado, devido à alta temporada. Muitas pessoas circulando para lá e para cá com suas câmeras fotográficas e celulares. Algumas famílias e amigos faziam piqueniques no gramado verde. Crianças corriam, brincando umas com as outras. Um cenário feliz. Algo que eu desejava viver plenamente um dia.

— Olha só para a torre, mãe! Como é alta! — Bonnie está eufórica com toda essa novidade.

— É sim, meu amor! O que acha de tirarmos uma foto? — retiro o celular do bolso.

— Podemos mandar para o papai? — une as mãos em um pedido suplicante.

— É claro! Agora faça uma pose bem bonita e sorria!

Agacho-me, tentando encontrar uma posição onde as pessoas ao redor não atrapalhassem tanto, mas era difícil. Por fim, consigo tirar uma foto dela, com as mãos na cintura e um sorriso gigantesco no rosto.

— Muito bem! Ficou linda! — ela nem se importa com a foto, apenas estende a mão em minha direção.

— Vem! Agora uma de nós duas! — ordena.

— Deixa que eu tiro. — Anthony ri e segura o celular.

Pego Bonnie no colo. Ela contorna o meu pescoço com os braços e deposita um beijo em minha bochecha.

— Que foto fofa! Essa também vai para o Oliver? — lanço um olhar duro para o meu amigo.

— É claro! — Bon responde.

— Que não! — complemento imediatamente, colocando-a no chão. Em seguida ela corre para Thony.

— Titio, manda antes que a mamãe pegue o celular.

— Bonnie Green! — ela me ignora.

— Já enviei, pequena! — pisca para ela, que sorri cumplice.

— Anthony Brown!

— É o meu nome! — ele olha para mim com a cara mais lavada desse mundo. Seu telefone toca, livrando-o de uma bronca. — preciso atender, é do trabalho. — apenas assinto. — Oi! — ele aponta para uma área com menos movimentada e a caminha para lá.

Bon e eu estendemos um tecido que meu amigo trouxe, e ali sentamos. Minha filha estava me ensinando uma nova brincadeira que aprendeu na escola, quando de repente uma música começa a tocar. Olhamos para cima a tempo de ver algumas pessoas, vestindo uma espécie de fantasia, começarem a dançar.

— Olha lá mãe! — Bonnie aponta sem parar em direção aos dançarinos. Seus olhos brilhando de animação. — Eles parecem com os personagens da história que o papai contou! Adão e Eva! Da minha bíblia.

Fico sem palavras, pois os dançarinos estavam fazendo uma bela representação da história da criação.

— Vamos ver mais de perto! Por favor! Por favor! — pede, colocando-se de pé.

— Ok! — pego o tecido no chão, minha bolsa, e nos aproximamos do grupo, assim como várias pessoas.

Para minha surpresa, os cenários iam alterando à medida que as histórias bíblias mudavam. Abraço Bonnie, que está em minha frente, vidrada em cada movimento feito por eles. Sinto os olhos arderem quando Jesus aparece. Em minha mente, recordo-me de cada relato bíblico de seus feitos. Os milagres, as maravilhas... Até que chega a hora da crucificação. Nesse momento eu não resisto e começo a chorar, assim como muitos ao meu redor.

Sem palavras, eles conseguiram passar uma mensagem linda à todos que estavam presentes. Na representação do retorno do rei, um medo inundou o meu coração, pois se Ele voltasse hoje, com certeza não iria subir. Tal pensamento me deixou desesperada.

— Mamãe? — Bon me olha com o cenho franzido.

Apenas me inclino para dar um beijo em sua cabeça e volto minha atenção para o enorme grupo, que agora se uniram em um coral. Em poucos segundos alguns músicos com seus instrumentos, começam a tocar uma canção, onde todo o coral adora em uma só voz.

A letra fala sobre a certeza da volta de Jesus. Fala sobre a atual situação do mundo, totalmente perdido e sem rumo. No entanto, a ela também nos diz que, para aqueles que creem, mesmo em meio ao caos, eles sabem que tudo ficará bem. Que logo essa situação passará, pois muito em breve Jesus voltará. E por causa disso, precisamos estar atentos, vigilante para o grande dia do Senhor.

O ambiente estava tomado da glória de Deus. Até os que não creem admitiriam que algo diferente estava acontecendo neste lugar. Fecho os meus olhos e permito que a canção penetre o meu coração. Este estava sendo mais um sinal de que eu precisava voltar, o quanto antes.

Sinto Bon segurar minha perna, mas não abro os olhos. Sei que minha filha está preocupada comigo, mas estava sendo um momento necessário. As lágrimas precisavam rolar. O confronto precisava acontecer. Estava totalmente concentrada, que me assusto ao ouvir uma voz bem próxima a mim.

— Olá!

Ergo o rosto, surpresa por ter alguém falando comigo em meio à multidão, ainda mais em inglês. Vejo uma mulher grávida, relativamente alta, mas não tão alta. Cabelo liso, loiro, pouco acima da cintura. Ela me observa com um sorriso envergonhado.

— Sou a Ana Clara! Pode parecer um pouco estranho, mas o Senhor me mandou até aqui.

Ao ouvi-la, sinto o peito doer, pois imagino do que se trata. Então nego com a cabeça, e retribuir seu sorriso.

— Não é nem um pouco estranho! — solto uma risada de nervoso — Ele tem feito isso ultimamente.

— Ah! — Ana me olha com surpresa, mas logo volta a sorrir. — Bom, então você já sabe o que Deus espera de você. — ela inclina a cabeça para o lado, analisando-me com um olhar amável. — O que está esperando para voltar?

E mais uma vez, uno forças para não chorar, principalmente na frende de umam mulher totalmente desconhecida por mim. No entanto, as lágrimas caem involuntariamente.

— Eu cometi tantos erros, Ana! — pressiono os lábios. — Estou me sentindo podre por dentro.

— Ei! — ela toca o meu ombro direito — Não diga isso! Independentemente dos erros que cometeu no passado, o Pai te espera de braços abertos. Se lembra da história do filho pródigo?

— Eu me sinto exatamente como ele.

— Então você já sabe o que tem que fazer, e como será o final! — ela une nossas mãos. — Ele te ama tanto e não está disposto a te perder! Então não perca mais tempo, querida! Volte para o seu Pai!

Sem conseguir mais resistir, assinto em meio às lágrimas. Agindo impulsivamente, abraço a mulher a minha frente com força, grata por ela ter se deixado usar por Deus. Ela retribui o abraço da mesma forma.

— Mamãe! — Bonnie me chama em um tom mais baixo do que o atual. Sinal de que está envergonhada diante da mulher.

— Oi, meu amor! — afasto-me da Ana para me abaixar, ficando da altura da minha filha.

— Fome! — esfrega a barriga. Seguro-me para não rir. Aposto que Ana deve estar achando que ela é uma menininha envergonhada.

— Já iremos lanchar. Deixa só a mamãe se despedir da Ana, ok? — Bon concorda e olha para a mulher diante de nós, com um sorriso acanhado.

— Qual é o seu nome princesa? — Ana Clara pergunta, tentando ganhar a confiança dela. Minha filha olha para mim, buscando confirmação se deve falar ou não. Então decido incentivá-la.

— Bon...

— Nie! — pula erguendo as mãos, com animação. — Bonnie! — agora sim! Esta é a minha menininha.

— Muito bem, minha filha! — deposito muitos beijos ao redor de seu rosto.

Após dar um pouco de atenção à Bon, volto a olhar para Ana, que nos observa com um olhar babão. Abro um sorriso e me coloco de pé.

— Essa fase é uma delícia, não é? — aponto para a sua barriga.

— É maravilhoso! — ela solta um suspiro apaixonado.

— Está com quantos meses? — pergunto com curiosidade. Sua barriga já estava enorme.

— Entrei no oitavo. — diz, acariciando o abdome.

— Uau! Parece que nascerá muito em breve! — dou uma risada sincera e ela me acompanha. — Menina ou menino?

— Menino. Matthew.

— Tem um significado lindo! — comento, abraçando lateralmente Bonnie, lembrando-me da época em que estava escolhendo qual nome daria ao meu bebê. Matthew era uma das opções que tinha separado, caso fosse menino, por causa do belo significado: Presente de Deus.

— Ele é o nosso presente de Deus! — Bon volta a me sacudir, para chamar minha atenção. Ana percebe a inquietação da minha filha. — É melhor vocês irem, a Bonnie parece estar faminta.

— Essa menina não para de comer! — rimos novamente — Muito obrigada por se deixar ser usada por Deus! Eu já tomei minha decisão, voltarei para o lugar que não deveria ter saído.

— Fico feliz por isso!

Ao nos abraçarmos novamente, percebo um homem alto, cabelo loiro escuro e olhos verdes, nos observando com um sorriso de admiração no rosto, a poucos metros de nós. Consigo identifica-lo como um dos músicos que estava tocando. Provavelmente era o marido da Ana.

Nos afastamos e logo nos despedimos. De mãos dadas com Bonnie, voltamos para o local onde Anthony nos deixara. De lá, ele nos observa.

— Quem era? — questiona com interesse.

— Ana Clara, um anjo enviado por Deus para falar comigo, mais uma vez.

— Ela é bem bonita! E está grávida! — Bon comenta. — O barrigão está enorme, tio Thony! O bebezinho deve ser grandão! — diz sorrindo.

— Legal né? — ele se abaixa, ficando na altura da sobrinha. Na verdade, devido sua altura, mesmo abaixado ele fica muito mais alto que Bonnie. — Seria legal também você ter um irmãozinho. O que acha?

— SERIA INCRÍVEL! — seus olhos brilham de animação, e ela começa a pular. — MAMÃE, EU QUERO UM IRMÃOZINHO!

— Anthony! — fecho os punhos, segurando-me para não socar a cara dele.

— Seria incrível, mas não agora, Bonnie! Quem sabe daqui a um tempinho... — a próxima frase ele diz mais baixo, mas não tão baixo, pois o objetivo era, com toda certeza, me atazanar. — Se eu fosse você, começaria a pedir a Papai do céu desde agora.

— Anthony, apenas vamos passar no Angelina e ir para casa. — digo irritada, deixando os dois para trás, que riem de mim.

>>>><<<<

Só quero saber se alguém pegou a referência. É claro que não poderia deixar de fazer essa conexão 😍 principalmente porque ela já aconteceu em outra história, e que já leu deve lembrar desse momento 🥹♥️  Vi que algumas de vocês já queria um encontrinho 😂😂😂 não foi do jeito que vocês desejavam, mas aconteceu. 😁 Espero que tenham gostado! Não esqueçam de clicar na estrelinha ⭐️

Att.
NAP 😘

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top