Capítulo 30
A noite demorou tanto para passar. Quando os primeiros raios solares penetraram a janela, estava totalmente exausta. Mesmo assim não conseguia dormir. Duas horas depois, Bonnie acordou com a corda todo, como de praxe. Às 8h outra enfermeira veio trazer o nosso café da manhã e nos avisou que a médica passaria às 9h para conversar conosco e ver como minha filha está.
Assim aconteceu, a doutora ratificou os cuidados que deveríamos ter ao sairmos do hospital, passou uma medicação natural caso houvesse uma nova crise de ansiedade da parte de Bonnie. Estávamos terminando de conversar quando Anthony entra no cômodo.
- Como está a minha princesinha?
- Titio, Thony! - Bonnie se levanta e corre em direção ao tio.
Abro um sorriso com a cena. A cumplicidade entre os dois é linda. Em todos esses anos, Anthony sempre se esforçou para cumprir o que me prometera no dia em que descobrimos sobre a gravidez. Ele era uma figura muito importante na vida da minha Bonnie.
Ouço um suspiro vindo da mulher ao meu lado. De soslaio, vejo a doutora babando no meu amigo. Só então percebo que Thony está com sua vestimenta de trabalho.
- Nossa! - chamo a atenção de ambos. - Tinha me esquecido completamente que hoje você estaria de plantão.
Ele assente e se aproxima, depositando um beijo no alto da minha cabeça.
- Não se preocupe, vocês não ficarão desamparadas. - ergo uma sobrancelha. - O Oliver virá busca-las. Na verdade, ele já deve estar aqui. - diz após olhar para o relógio.
- Ah! - é tudo o que digo, ao contrário da minha filha, que faz uma grande festa.
- Bom, já terminei meu trabalho por aqui. - a doutora se aproxima de seu colega de trabalho e acaricia o cabelo de Bonnie. - Se cuide, mocinha! Espero não te ver novamente nestas condições. - percebo uma troca de olhares rápida entre ela e Anthony.
Em seguida, pede licença e sai do quarto.
- Uau! É impressão minha ou estava rolando algo aqui?
Anthony fecha a cara e pega a mochila da sobrinha em cima da cama.
- Somo apenas amigos, nada além disso. - diz caminhando para fora do quarto.
- Se você diz... - dou de ombros e os sigo.
- PAPAI! - Bon grita ao avista a figura do pai vindo em nossa direção.
Ele alarga o sorriso e começa a andar mais rápido. Ao chegar em nossa frente, Bonnie se joga em seus braços, fazendo Anthony gargalhar.
- Agora sou descartável, não é? - meu amigo diz, fingindo revolta.
- Nunca, tio! Mas ele é o meu papai. - encosta a cabeça na curva do pescoço de Oliver, que parece estar nas nuvens com tal atitude da filha.
- Bom dia! - ele nos cumprimenta, antes de dar toda atenção à Bon. - Então, como foi a noite? Eu disse que passaria rápido.
- Eu domi rapidinho e só acodei de manhã. Passou muito rápido. - se prolonga na palavra "muito".
- Isso é muito bom! Agora o que acha de ir para casa?
- OBA!
Nos despedimos de Anthony e seguimos para o carro de Jully, o mesmo que Oliver usou para nos trazer ao hospital ontem à noite. Ele coloca nossa filha na cadeirinha atrás do banco do carona e se dirige para o assento do motorista. A esta altura eu já estou sentada no carona, com os olhos fixos na paisagem externa.
O percurso é feito em silêncio. Pelo menos da minha parte, já que Oliver e Bonnie conversavam sobre um pouco de tudo o que surgia na mente criativa da pequena. Chegando no apartamento de Anthony, Oliver carrega Bonnie e sua mochila das princesas. Eu sigo alguns passos à frente, carregando apenas minha bolsa.
Destranco a porta da casa e dou passagem para os dois passarem. Deixo a bolsa no aparador e caminho até a escada.
- Fique à vontade, irei preparar o banho dela.
- Mas eu não quelo tomar banho. - resmunga no colo do pai.
- Mas você não tem querer, querida! - dou uma piscadinha e sigo meu caminho.
De banho tomado e pronta para apresenta seu mundo ao pai, Bon sai correndo em direção à escada. Do topo, ela grita pelo pai, que sobe imediatamente. O clima entre nós estava estranho, e devo confessar que, novamente, a culpa de tudo isso era minha.
Como uma pessoa, em sã consciência, nega o perdão de outra, que tinha todo o direito de jamais querer perdoá-la? Essa tola era eu. Tola! Uma grande tola!
Sem querer atrapalhar o momento do dois, vou para o meu quarto, mas paro no caminho ao ouvi-lo chamar o meu nome.
- Alice!
Viro em sua direção com a expressão, falsamente, tranquila.
- Oi!
- Eu queria perguntar se teria problema para você se eu passasse o dia aqui, com a Bonnie. - zero emoção. E não era para menos né?
- Por que teria? Ela é sua filha.
- E essa é a sua casa. - rebate.
Por pouco não abro minha boca grande para dizer que a casa não era minha. Mas não precisava despejar minha amargura nele.
- Essa semana eu precisarei viajar novamente, então não terei muito tempo para ela. Mas não quero incomodar. E eu já perguntei ao Anthony também. - fico surpresa. - Expliquei a situação e ele também consentiu.
- Ok! - ficamos em silêncio por um tempo. Mas dessa vez eu sou a primeira a quebra-lo. - Se você não se importar, eu só vou tentar tirar um cochilo antes de preparar o almoço. A noite não foi muito boa.
- Não se preocupe quanto a isso! Posso pedir nossa comida.
- Papai! - Bonnie o chama do quarto.
- Já vou! - ele responde sem quebrar o contato visual.
- Bom, se você prefere assim. Por mim está ótimo. Se precisar de qualquer coisa, pode perguntar à Bonnie, ela conhece o apartamento muito bem.
- Ok!
Sem ter mais o que dizer, viro-me e vou para o meu quarto. Tranco a porta e fecho os olhos com força, pressionando o espaço entre eles com o indicador e o polegar. Fecho as cortinas e me jogo na cama. Ao som das gargalhadas de Bonnie e Oliver, eu adormeço.
***
Acordo com uma enxaqueca terrível. Em seguida alguém bate na porta.
- Mamãe!
Jogo o lençol para o lado e me levanto, tateando as coisas ao meu redor para não ter que acender a luz e intensificar a dor. Entretanto, foi em vão, pois no momento em que abro a porta, a luz do corredor vem com tudo em meus olhos.
- Ai! - resmungo, fechando os olhos com força.
- Está tudo bem, mãe? - sinto o toque de Bon em minha perna esquerda.
- Vai ficar, é só mais uma enxaqueca, querida. - respondo ainda de olhos fechados.
Após alguns segundos, abro os olhos.
- Melholou? - sorrio e assinto com a cabeça.
- Um pouco. - olho em direção ao seu quarto. Oliver está nos observando de lá.
- Está tade e o papai já vai embora.
- Tarde? - olho para o relógio que fica na mesa de cabeceira e vejo que são mais de oito e meia da noite. Eu dormi tanto assim? - Oh! Por isso estou com enxaqueca.
- Não quis te acordar, você realmente parecia cansada. - Oliver comenta. - Se não estiver se sentindo bem, posso leva-la para casa. Amanhã Jully a levaria para a creche.
- Ah! Deixa, mamãezinha! Deixa, por favor! - Bonnie sacode minhas pernas.
Olho dela para Oliver.
- Ok! Só me deem um minuto. - volto parar o quarto e pego meu celular. Disco o número da minha amiga e espero que ela atenda.
- Lice! Que bom que consegui falar com você. Como você está? Soube do que aconteceu com a Bon ontem à noite, quando o Olie voltou do hospital.
- Oi, Ju! Estou bem agora, mas realmente foi um susto. - sento-me na cama.
Bonnie já tinha voltado para o seu quarto.
- Liguei para sua casa mais cedo, a Bon disse que você estava dormindo e que ela estava com o meu irmão. - silêncio. - Fiquei muito feliz ao saber que os dois estão se dando bem.
- É, isso é muito bom! - concordo. - Olha, Ju, eu te liguei porque o Oliver está querendo levar a Bon para passar a noite aí. Tudo bem para você?
- Claro que sim! Será ótimo! Talvez essa seja uma oportunidade para passar um tempo com o Olie também.
- Ótimo! Eu não estou me sentindo muito bem, não dormi na última noite, e estou precisando de um tempo para colocar as coisas no lugar. - sou sincera. - Obrigada!
- Não tem de quê! Nos vemos depois. Descanse! Beijo!
- Tchau! - desligo a ligação e vou para o quarto da minha filha.
Paro na porta e quase solto uma risada com a cena: Oliver, totalmente perdido, sentado na cama cercado por diversos vestidos e roupas cor de rosa; Bonnie, sem parar de falar, aponta cada uma delas e pergunta sua opinião sobre o que levar e usar.
- Acho que você pegou roupa demais para apenas uma noite, meu bem. - aproximo-me. - Que tal separarmos este vestido para você usar amanhã na creche, e este pijama para esta noite?
- Acho ótimo!
- Ótimo! Agora vá lá no meu quarto pegar sua boneca favorita. - digo, enquanto arrumo as peças de roupa dentro de uma mochila. Ela sai correndo do quarto.
- Você leva jeito com isso tudo. - sorrio sinceramente com o comentário de Oliver.
- Com o tempo você aprenderá também.
- Espero que sim. - ele suspira. Isso chama minha atenção, então eu o encaro.
- Está com medo?
- Apenas de errar com ela. Preciso ser um bom pai.
- E você será, Oliver! - asseguro.
- Obrigado!
Desvio o olhar no momento em que começo a perceber a intensidade de seus orbes verdes acinzentados. Eles continuam sendo totalmente hipnotizantes.
- Estou ponta! Vamos, papai?
Entrego a mochila para Oliver assim que descemos a escada.
- Se precisar de qualquer coisa, é só me ligar, ok?
- Pode deixar!
- Ora, ora! A mocinha passará a noite fora? - Anthony surge da cozinha, com um copo de água em uma das mãos e com a pasta na outra.
- Vou domi com o papai e com a tia Ju. - diz eufórica.
- Só cuidado para não molhar a cama do seu pai, hein! - Thony zomba da sobrinha, já sabendo sua reação.
- Eu não faço xixi nas calças! É mentira dele, pai! Sou uma mocinha! - diz brava, nos fazendo rir.
- O seu tio só está brincando, não é mesmo Anthony? - lanço um olhar duro para ele, que assente com a cabeça, mas segura o riso.
- Acho melhor irmos, Bonnie. - Oliver comenta, segurando a mão da filha.
- Sentirei sua falta, princesinha! - agacho ficando em sua altura. - Eu te amo muito! Muito! Muito! - a cada "muito" um beijo em seu rosto.
- Eu também mamãe!
Ponho-me de pé e encaro Oliver mais uma vez.
- Lembre-se, se precisar...
- É só te ligar! - diz sorrindo. - Vai ficar tudo bem, Alice.
Dito isso, eles se despedem de Anthony e saem do apartamento.
- Bom, parece que o papai está se saindo muito bem. - olho para o meu amigo.
- É. - ele crispa os olhos e me analisa.
- E parece que a mamãe está ficando com ciúmes...
- Deixa de ser idiota, Anthony! - reviro os olhos. - Vê se cresce!
- Mais? Eu tenho um metro e noventa e seis centímetros. Se alguém aqui precisa crescer, esse alguém é você!
- Não estou com paciência para as suas gracinhas agora. Estou morrendo de fome, não como nada desde o café da manhã.
- Hum... Então aquele prato no micro-ondas é para você?
- Que prato? - vou até a cozinha e confirmo seu questionamento ao ver um prato feito dentro do eletrodoméstico.
- Esse Oliver... Acho que as coisas se ajeitarão muito antes do que a gente imagina.
>>>><<<<
Ninguém estava esperando por mais um capítulo, não é? Agradeçam à seleção brasileira por ter ganhado em seu primeiro jogo 💙💚💛
Nos vemos em breve!! Jesus abençoe 🤍
Att.
NAP 😘
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