Capítulo 25
A reunião foi um completo desastre, pelo menos para mim. Não prestei atenção em absolutamente nada, principalmente quando Oliver tomou a palavra. Naquele momento, não ousei erguer o meu rosto para encará-lo novamente. Era óbvio que, assim como eu, ele também estava surpreso em me ver ali.
Se antes estava preocupada, pensando em como seria a conversa que teríamos mais tarde, imagine agora...
— Alice! — olho para Harper, que está diante de mim com uma expressão preocupada. — A reunião acabou. Vamos?
— Er... claro! — junto meus pertences e me coloco de pé.
— Não acredito que não anotou nada! — minha amiga choraminga ao meu lado, percebendo a falta de anotações no iPad.
— Eu disse que não conseguiria prestar atenção. — sussurro. Ela abre a boca para reclamar, mas sou mais rápida. — Fique tranquila! Eu gravei toda a reunião e hoje mesmo irei escuta-la e fazer as devidas anotações.
— Você é demais! — aperta as laterais dos meus braços e olha por sobre os meus ombros. — Mas continua ferrada! — sussurra a última parte antes de sair andando. — Nos vemos daqui a pouco.
Pressiono os olhos com força. Então me viro, no mesmo instante em que Oliver se aproxima.
— Estou surpresa em vê-lo aqui. — digo de uma vez.
— Posso dizer o mesmo. — enfia as mãos nos bolsos da calça social. — Não sabia que trabalhava na EngiCorp. Espero que não seja um incomodo.
— E por que seria? — questiono, mesmo sabendo a resposta. Ele demora uns segundos antes de responder.
— Prometi que não entraria em seu caminho. — procuro alguma resposta rápida em minha mente, mas não encontro nada, pois era verdade. — Fico feliz que tenha conseguido realizar o seu sonho. — diz, olhando ao redor. — Esta é uma excelente empresa de engenharia. Uma das melhores da Inglaterra.
— Na verdade...
— Senhor Walker, vamos? — O presidente Roger me interrompe.
— Já estou indo. — Oliver responde educadamente. — Preciso ir agora.
— Oliver... — digo antes que ele se vire. — Estará livre hoje à noite? Precisamos conversar.
Ele analisa minha pergunta por um momento, então nega com a cabeça.
— Infelizmente não. Hoje terei reuniões o dia todo, e à noite, com o meu sócio. Lembra do Bruce?
— Sim, é claro! — dou um sorriso sem mostrar os dentes. — E amanhã?
— Viajarei para Brighton amanhã e só volto na sexta.
— Ah! — dou uma murchada.
— Se você não se importar, posso entrar em contato assim que voltar. — penso se será uma boa ideia, mas lembro que é necessário.
— Tudo bem! — faço de tudo para não expor minha preocupação. — Faça uma boa viagem!
— Obrigado! — cumprimenta-me com um balançar de cabeça antes de se afastar.
Esfrego o rosto em desespero, prevendo o pior.
***
— Ali, estou indo. — olho para o meu amigo que desce a escada de casa com a chave do carro em mãos. — Tem certeza que não irá conosco? É sexta à noite! Ainda podemos ligar para a Lia e pedir para ela trazer o filho também.
— Não, Thony! Ficaremos bem. — levanto-me do sofá e caminho até ele. — Além do mais, estou precisando tirar um tempo de qualidade para ficar com minha filha. — comento ajeitando a gola de sua camisa polo.
— Sabe que a Harper não te deixará em paz, não é? — ergue a sobrancelha dando um sorriso lateral.
— Por essa razão, eu deixei o celular no quarto. — cruzo os braços e me afasto um pouco, analisando o look do meu amigo. — Está um gato! Será que dessa vez encontra alguém especial?
Ele ri sem graça. Então deposita um beijo no alto da minha cabeça e se afasta.
— Qualquer coisa me ligue. Prometo não demorar.
— Divirta-se e nos esqueça por um tempo. — digo séria. Ele assente, então sai de casa.
Volto a me sentar no sofá. Desta vez, desatenta ao que se passa na tv. Minha mente volta ao tempo, trazendo-me algumas lembranças da minha infância. De momentos especiais ao lado dos meus pais. Momentos simples, mas que me marcaram positivamente. Entretanto, traze-lo a memória me causava dor e uma saudade gigantesca.
Enxugo as lágrimas assim que ouço os passos de Bonnie no andar superior.
— Estou ponta, mamãe. — diz descendo a escada devagar. Bon veste a sua roupa de chefe de cozinha, a mesma que costumava usar todas as vezes que cozinhávamos.
Vou ao seu encontro e a pego no colo, no meio da escada.
— Quem é a chefe de cozinha mirim mais linda desse mundo?
— Sou eu! — ergue as mãos. — E depois a mamãe! — agarra meu pescoço.
— Muito bem, Bon! — alargo o sorriso. — E o que acha de começarmos a preparar o nosso jantar?
— OBA!!! — vibra, balançando as perninhas. — Eu quelo panquecas com calda de chocolate e muito molango. — faz uma pausa. — Ah! A gente pode fazer... — coloca a mão no queixo, pensativa. — Aquele negócio que começa com b. É marrom e palece bolo.
— Brownie? — pergunto, indo para a cozinha.
— ISSO, MAMÃE! — começa a rir. Uno-me a ela. Sua alegria é contagiante.
— Está feliz, meu amor? — coloco-a sentada em uma das banquetas.
— Muito! — ela me abraça novamente. — Eu amo passar tempo com você! Amo muitão!
— Eu também, minha lindinha! — beijo sua bochecha. — É o melhor momento do meu dia. Sabe por quê?
— Por quê? — se afasta, colocando a franja para trás da orelha e ajeitando o chapéu de cozinheira na cabeça.
— Porque você é a pessoa mais importante para mim, e eu te amo muitão! — brinco com seu nariz. — Nunca se esqueça disso, ok?
— Ok! — olha para a bancada e muda de assunto. — Onde estão os ing... ingue...
— Ingredientes? — pergunto, dizendo a palavra devagar, para que ela assimile melhor.
— Sim.
— Irei pegar agora. — aponto para ela. — cuidado para não cair!
Pego os ovos, a manteiga, o cacau, a farinha de trigo, o leite e o restante dos ingredientes que faltavam para fazer as panquecas. Deixei que Bonnie despejasse todo o conteúdo no bowl e misturasse, como ela amava fazer.
O Brownie já estava no forno, e nós comíamos nossas panquecas em meio às brincadeiras. A cozinha estava uma zona, mas não me importava. Minha filha estava feliz, não parava de gargalha. Consequentemente, eu estava da mesma forma.
— Ops! — prende o riso quando suja a minha bochecha, sem querer querendo, com um pouco da calda de chocolate.
— Não acredito que fez isso, mocinha! — finjo espanto. Em seguida, pego um pouco de chocolate e passo em sua testa. — Agora estamos quites! — digo e ela começa a gargalhar.
De repente, a campainha começa a tocar, insistentemente. Bonnie me olha com os olhos arregalados.
— Quem selá, mamãe?
— Aposto que é a sua tia Harper! Quer ver? — desço da banqueta. — Não saia daí, volto já.
Com um sorriso no rosto, toda suja de farinha e chocolate, vou até a porta da sala. Estava prestes a fazer um comentário zombando de sua insistência e barulho. Mas ao abrir a porta, toda alegria e leveza vão embora, no mesmo instante.
— O que faz aqui? — pergunto em um fio de voz.
>>>><<<<
Atrasada, mas voltei. E voltei a tempo de ver o circo pegar fogo... 😲
Att.
NAP 😘
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