Capítulo 15
— Por favor, não esqueça da sua melhor amiga. E quando chegar nas acomodações, grave um vídeo e me envie. Prometo fazer um projeto lindo para o seu quarto! — seus olhos enchem d'água. — Faça uma boa viagem, amiga! Sentirei sua falta! — era a terceira vez que Jully se despedia, em menos de cinco minutos.
— Jubs, estarei há cem quilômetros de distância. Não do outro lado do atlântico. — tento brincar, mas ela não dá bola.
— Como serão os meus dias sem minha melhor amiga? — se afasta, enxugando as lágrimas.
— Não serão tão bons, é claro! Mas no ano que vem será a sua vez! — alargo o sorriso. Mesmo a contragosto, Jully não resiste e também sorri.
— Assim seja!
— Alice, — senhor Charles aparece na porta. Um pouco mais atrás está Oliver, fitando o piso externo. — tem certeza que não quer que o seu pai te leve? Eu darei o dia de folga para ele.
— NÃO! — quase grito. — Digo, não é necessário! Mamãe está terminando de ajeitar as coisas na cozinha e me levará à estação.
— Tudo bem, então! — sorri educadamente. — Mais uma vez desejo que faça uma ótima viagem e tenha muito sucesso em seus estudos.
— E mais uma vez eu agradeço por tudo que tem feito por mim! De coração, senhor Charles!
— No que precisar, pode contar conosco. — assinto. — Agora preciso voltar para o escritório. Até mais, Alice!
— Até! — sorrio.
— Ah, já ia me esquecendo! Eu comprei algo para te dar. Para você nunca se esquecer de mim! — Jully diz, começando a subir os degraus que dão acesso à entrada principal. — Volto já!
De repente, estamos apenas Oliver e eu. Um silêncio constrangedor, e um coração ainda apaixonado. Nossos olhos se encontram, mas sou a primeira a desfazer o contato visual, virando o rosto para observar os jardins de dona Gianna.
— Ansiosa? — sua voz está bem próxima.
— Muito! — continuo prestando atenção no balançar da folhagem.
— Você irá tirar de letra! — fico em silêncio. Nunca fui fã de despedidas, muito menos em uma situação complicada como a nossa. — Eu voltarei para os Est...
— Eu não quero saber, Oliver! — viro-me de frente para ele. — Me perdoe pela grosseria, mas eu não quero saber o que você irá fazer ou deixar de fazer. Achei que tinha ficado claro. Precisamos nos afastar.
— Mas ainda seremos amigos, não é?
— Não! — isso doeu até em mim. — Para eu conseguir te esquecer, preciso e quero manter distância! — meu coração aperta.
— Você deseja isso, mas eu não quero te esquecer, Alice! Eu não posso! — Oliver se controla para não explodir. — Eu te amo demais para conseguir fazer isso.
— Se você me ama mesmo, então por favor, não me procure. Não me telefone. E de preferência, não pergunte a sua irmã sobre mim. — dou um passo para trás. — Se não consegue fazer isso por você, faça por mim, Oliver! Por favor!
— E a história se repete... — olha para o céu e expira pela boca.
— Me perdoe! — minha voz sai como um sussurro.
— Alice... — seu olhar encontra o meu. Consigo ver a tristeza com nitidez. — Parabéns por essa vitória! Espero que seja feliz e que os seus sonhos se concretizem! Todos eles! — se aproxima com rapidez. Segura minha cabeça entre as mãos e deposita um beijo demorado em minha testa. — Eu prometo que irei tenta!
Fecho os olhos, quando sinto Oliver se afastar. Permaneço assim até ouvir a voz da minha amiga.
— Pronto! — abro os olhos, mas ele não está lá. Uma sensação estranha, horrível, preenche o meu ser. Não queria que fosse assim. Eu queria que desse certo. — espero que goste, amiga! — Jully continua falando, mas os meus olhos estão fixos na porta principal, e meus pensamentos, perdidos em um futuro longe do amor da minha vida.
***
Despedir-me da minha mãe foi o mais difícil. Ela chorou. Eu chorei. Nunca pensei que seria tão difícil assim me afastar dela. Dona Abigail sempre foi o meu porto seguro. Minha conselheira. Minha intercessora e consoladora. Uma mulher batalhadora e cheia de garra, que sempre deu o melhor de si para cuidar da única filha.
Uma parte de mim, a parte que me fez chorar a metade da viagem, estava triste por deixa-la sozinha com aquele monstro, que sequer se despediu de mim. Não que eu fizesse questão, pois não fazia mesmo. Mas também tinha a minha melhora amiga. E ele...
A outra parte, a que conseguiu por fim às lágrimas, durante a outra metade da viagem, estava radiante. Uma mistura de alegria, ansiedade e liberdade. O sonho se concretizando. Uma nova historia sendo escrita.
Percebo o momento exato em que o trem chega em Londres. A paisagem natural começa a ser substituída pelas edificações características da zona urbana da capital inglesa. Fico um pouco desnorteada e atrapalhada quando tenho que fazer o translado de um trem para o outro. Principalmente por estar carregando as duas malas gigantes preparadas por Jully.
Por fim, consigo chegar ao meu destino: Imperial College London. Meus olhos brilham tanto de emoção quando chego ao hall principal. A sensação é de que eu desabaria a qualquer momento. Eu estava ali, na universidade dos meus sonhos. Prestes a cursar a faculdade que sempre desejei.
— Precisa de ajuda? — viro-me para uma mulher alta e elegante, com o cabelo preso em um coque arrumado.
— Er... sou aluna nova. — digo, sem saber o que fazer exatamente. Ela sorri de forma simpática e me dá instruções exatas do que devo fazer e de onde devo ir.
Não sei quanto tempo fiquei no campus, mas no fim, consegui resolver todas as burocracias que estavam pendentes. Respiro fundo quando saio do enorme prédio de vidro. Do lado de fora, não havia quase ninguém devido ao mau tempo.
O céu estava começando a ficar feio. Se eu não me apressasse, poderia pegar uma baita chuva. E passar por isso com duas malas gigantes não seria nada agradável... Retiro o celular do sobretudo e coloco o endereço do alojamento no Waze, para saber qual a melhor rota a ser feita.
Pelo que soube, há pouco, existiam diversos alojamentos mais próximos à faculdade. Porém, o que eu estava alojada tinha sido construído há menos de um ano e era um dos melhores. O lado negativo, é que ficava um pouco distante do campus.
Por fim, decido pegar um uber. Sairia um pouco mais caro, por outro lado, seria menos cansativo e catastrófico. Permito-me observar a paisagem Londrina. Uma paisagem que aprendi a amar no momento em que coloquei os pés aqui na primeira vez, há menos de uma semana.
— Chegamos, senhora. — o motorista diz, apontando o prédio com a cabeça.
— Tem certeza que este é o endereço que te passei? — pergunto, incrédula.
— Absoluta! Você é aluna do Imperial College, não é?
— Sim! — respondo, sem desviar os olhos do enorme prédio de tijolinhos vermelhos e vidro.
— Então é aqui mesmo. — agradeço o motorista e saio do carro.
Com as bagagens em mãos, entro no prédio. No exato momento em que a chuva começa a cair. Respiro aliviada pelo livramento. Ao voltar meu olhar para o interior do edifício, é impossível segurar um grande sorriso.
Era um hall de acesso enorme, dividido em diferentes áreas através de mobílias que criavam pequenos espaços de convivência. Muitas pessoas andavam de um lado para o outro, em grupos, duplas ou individualmente. O falatório é contagiante, e, apesar da vergonha, tudo o que eu queria fazer era me apresentar a alguém e dizer que sou aluna nova. Óbvio que não fiz isso.
— Oi! — cumprimento a recepcionista. — Me chamo Alice Green e... — pego o papel em meu bolso, totalmente atrapalhada e constrangida. Analiso-o rapidamente antes de completar. — Estou instalada no alojamento 1701.
— Olá, Alice! Eu sou a Ava. — ela pede meus documentos e, após fazer um rápido cadastro, me entrega a chave do quarto. — Basta pegar o elevado no fim do hall e apertar o botão do décimo sétimo antar. Ao sair do elevador, vire a direita e siga até o final.
— Obrigada! — ela sorri e cumprimenta um grupo de alunos que passam por lá.
Faço o percurso, observando cada detalhe do prédio. Algumas pessoas me olhavam com curiosidade. Tenho certeza que é por causa das duas malas gigantes. Eu mato a Jully! Ao chegar no meu andar, saio do elevador arrastando as duas bagagens, agradecendo por ter finalmente chegado, e sigo as instruções da recepcionista. Destranco a porta e entro.
— Uau!
Deixo as malas em um canto e fecho a porta atras de mim. O quarto é relativamente grande e geminado. O que tem de um lado do quarto, tem do outro: duas camas de casal; um guarda-roupa entre as camas, dividindo espaço; duas bancadas de estudos; mais armários e prateleiras. Dois janelões de vidro, que permitem a entrada excelente da iluminação natural. E bem ao lado de onde estou, tem um banheiro privativo, para minha alegria.
Era tudo perfeito!
Retiro o sapato, ficando apenas de meia. O chão é de carpete, então não teria problema algum. Puxo as malas para a cama que está intocável, provavelmente a minha, e abro a parte do guarda-roupa que deve estar vazia e, provavelmente, também deve ser meu.
Bingo!
Desfaço a mala em menos de vinte minutos. Pego o celular e abro no zap, aviso minha mãe que já tinha chegado ao meu novo lar. Depois entro na conversa com a Jubs. Gravo uma mensagem de áudio dizendo como o quarto era perfeito e como tinha amado. Antes de concluir o áudio, ouço alguém batendo na porta.
Levanto da cama e vou até lá. Com certo receio, abro a porta. O que não esperava era ser recebia por um forte clarão.
>>>><<<<
Voltei 😜
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