Capítulo 14
Acordo, na manhã seguinte, com o barulho de alguém batendo na porta, mas não me mexo. Meus olhos estão inchados e minha cabeça está explodindo por causa do choro incessante da noite anterior.
— Alice? — mamãe me chama.
— Já acordei! — respondo.
— Ok! Eu vou precisar ir mais cedo hoje. Te vejo lá? — penso em responder que não, mas minha responsabilidade e orgulho fazem eu dizer o contrário.
— Sim!
Ouço seus passos se afastando. Depois de quase dois minutos, levanto da cama. Tomo um banho, preparo o meu café e vou.
Não sei o que o dia de hoje tem reservado para mim, mas o ânimo está lá embaixo. Devo estar com a cara horrível, não tive coragem de me olhar no espelho. Se o fizesse, provavelmente socaria o meu reflexo.
Para a minha surpresa, ao chegar na mansão, Clarisse me diz que dona Gianna mudou as nossas tarefas novamente.
— Não acredito nisso! — ela só pode estar brincando. Logo agora que eu não quero ver Oliver tão cedo.
— Pois é, vai entender, menina. — dá de ombros e caminha para a cozinha. — Ah, Alice! — diz se virando para mim. — Ela pediu que começasse a limpeza pelo quarto dela.
Respiro fundo e assinto.
— Já estou indo para lá.
Separo tudo o que preciso para realizar a limpeza e sigo para o pavimento superior. Quando subo o último degrau, a tal da Madison sai de um dos quartos de hóspedes. Ela me olha de cima a baixo, antes de abrir um sorrisinho falso.
— Alice, não é?
— Sim, senhora! — respondo, educadamente. Ela solta uma risadinha antes de responder.
— Ainda não, querida! Senhora só após o casamento. — seu veneno atinge o meu coração, mas tento não demostrar.
— Perdão! — sussurro. — Se a senhorita me der licença, preciso iniciar o meu trabalho.
— Ah, é claro! Fique à vontade, só não repare na bagunça que acabei fazendo ao desfazer as malas. — ela toca a barriga. — Não sei quanto tempo ficaremos aqui, então resolvi trazer muitas roupas.
— Sem problema! — tento sorrir. — Se me der licença... — continuo minha caminhada até o quarto dos patrões.
Bato na porta e espero que me mandem entrar. No entanto, dona Gianna abre a porta e aponta para o interior com a cabeça.
— Bom dia, dona...
— Você me deu um baita prejuízo ontem. Sabia que aquele champagne nos custou uma fortuna? Veio diretamente da França. Um dos mais caros do mundo!
— Peço perdão! Isso não irá se repetir.
— É claro que não irá! — fito meus pés, em silêncio.
— Pelo menos, conseguimos brindar após o seu showzinho. — caminha até a janela. — Nada conseguiria roubar a nossa alegria, ontem. Afinal de contas, recebemos uma grande benção em nossa família. — ela se vira para mim, analisando-me atentamente. — Espero que tenha aproveitado o casinho que tiveram, pois agora o meu filho está muito bem comprometido. — arregalo os olhos. — Ah, Alice, não achou que era segredo, achou? Oliver e eu temos uma relação muito boa. Contamos tudo um para o outro.
Mentira! Tive vontade de gritar na cara dela.
— Você foi apenas uma diversão para o meu filho. Algo bem passageiro. — frisa o "bem".
Ergo o queixo e pergunto em um tom mais frio:
— A senhora continuará falando da minha vida pessoal ou deseja os meus serviços?
Vejo a chama em seus olhos quando ela se aproxima de mim.
— Você é uma garota muito malcriada! Por mim estaria no olho da rua há muito tempo!
— Então por que não faz isso de uma vez? — desamarro o avental e o jogo no chão.
Ao invés de desferir mais insultos, dona Gianna olha para algo atrás de mim e abre um sorriso instantâneo.
— Querido! Deseja alguma coisa?
Não ouso me virar para encará-lo.
— O que está acontecendo aqui? — Oliver pergunta.
— Nada! Alice só estava prestes a fazer o trabalho dela. — diz rapidamente. Reviro os olhos e me viro.
— Na verdade, eu estou me dem...
— ALICE! — Jully grita o meu nome no corredor. — ALICE! ALICE! — olho de dona Gianna para Oliver, antes de correr para fora do quarto.
— ALICE, CADE VOCÊ? — minha amiga continua gritando. Só que, dessa vez, a voz vem do andar de baixo.
Corro até lá, sendo seguida pelos demais.
— Jully? — chamo-a, descendo os degraus.
Ela vem correndo da cozinha, com um sorriso de orelha a orelha.
— VOCÊ CONSEGUIU! — grita, entusiasmada.
— Consegui? — crispo o cenho.
— A BOLSA! — sobe correndo em minha direção, sacudindo um papel em suas mãos. — VOCÊ FOI ACEITA NA IMPERIAL COLLEGE LONDON!
Estaco no lugar, sem acreditar nas palavras de Jully. Pego o papel de suas mãos e o leio com rapidez.
— Eu fui aceita! — confirmo, em um sussurro.
— SIM! VOCÊ FOI, AMIGA!
— Eu foi aceita! — digo mais alto, a ficha começando a cair.
— SIM!
— EU FUI ACEITA! MEU DEUS! — começo a rir, sendo acompanhada por Jully.
Ela me envolve em um agraço apertado, em meio a gargalhadas. O sorriso não cabia em meu rosto, tamanha era a felicidade. Finalmente algo de bom tinha acontecido em minha vida.
É inevitável olhar para ele. Seus olhos estão brilhando, e o sorriso, lindíssimo como sempre, preenche o seu rosto.
— Eu consegui! — sibilo.
— Eu disse! — sibila de volta.
— O que está acontecendo? — o senhor Charles aparece no hall, acompanhado por Bruce e a bruaca americana.
— A LICE CONSEGUIU, PAPAI! ELA PASSOU PARA A UNIVERSIDADE! — Jully responde.
— Que notícia maravilhosa! — diz olhando para mim. — Era apenas uma questão de tempo, você sempre foi uma jovem brilhante, Alice! Meus parabéns!
— Obrigada! — sinto os olhos marejarem.
— Arrasou, Alice! Parabéns! — Bruce vem até mim, envolvendo-me em um abraço lateral.
Na entrada da sala de jantar, avisto minha mãe. Ela enxuga o rosto com o dedo indicador. Dona Abigail foi uma das poucas pessoas que presenciaram todo o meu esforço e dedicação. Desde o início apoiou os meus sonhos, e mais do que isso, sonhou e lutou ao meu lado.
Desço a escada e a envolvo em um abraço.
— Obrigada por sempre acreditar em mim! Eu te amo!
— Minha menina, você é o meu maior orgulho! — acaricia meus cabelos. — Eu também amo você.
***
Após a euforia que nos rodeava, resolvi vir para casa e ler atentamente todas as informações que eles me mandaram por e-mail. Sentia-me nas nuvens. Um grande sonho estava se realizando em minha vida.
— Voltei! — Jully comenta, entrando em meu quarto. Minha amiga arrasta duas malas gigantes porta a dentro. — Trouxe tudo o que você irá precisar para o verão Londrino. Short jeans, t-shit e regatinhas. Ah! Eu trouxe o meu tênis favorito também.
— Nike Air Max 97 Jesus Shoes?
— Ele mesmo, garota! — olha para mim com orgulho. — Estou gostando de ver, tem prestado atenção em nossas conversas sobre moda. — ignoro seu comentário.
— Esse tênis é muito caro!
— E é para ser usado em uma ocasião super especial. Então você irá coloca-lo em seu primeiro dia de aula. — continua mexendo na mala.
— Jubs...
— A não ser que queira usar um salto. — nego com a cabeça. — Pois bem! Temos também calças jeans modernas, vestidinhos soltos. — franze o cenho, tentando achar algo entre suas coisas. — Achei que tinha colocado... Ah! Aqui está! — Ela retira de dentro da mala uma botinha preta de cano curto. — Trouxe esta bota para você usar no inverno. Ela tem pelinhos do lado de dentro. São super confortáveis e aquecem os pés. — sorri. — Usei apenas uma vez!
— Obrigada!
— Bom, depois você veja direitinho tudo o que tem aqui. Preparei especialmente para você. Quero que se adapte à vida Londrina, mas com ordem e decência, é claro. — morde o lábio inferior, então segura minha mão. — Tenho certeza que fará amizades. Na verdade, espero muito que faça novas amizades. Só não quero que esqueça de mim, ok?
— É claro que não irei me esquecer da minha melhor amiga! — empurro as roupas, espalhadas pela cama, para o lado e a envolvo em um abraço. — Sou muito abençoada por ter você em minha vida, Jubs! Estaremos sempre nos falando!
— Acho bom mesmo, pois se você se esquecer de mim, tenha certeza que irei ao seu dormitório, arrancarei o seu couro e venderei para a Chanel! — afasto-me assustada.
— Nossa, eu preciso ver um local para dormir! — Jully sorri, misteriosa, e retira algo do bolso.
— Este é um presente da nossa família. Do papai, do Oliver e meu, é claro. — diz me entregando um envelope. — Espero que goste!
Desconfiada, abro o envelope e pego o papel. Arregalo os olhos ao ver o conteúdo.
— Eu não posso aceitar isso, Jully! É demais!
— Você não só pode, como vai! Tudo já foi pago há menos de vinte minutos. — dá de ombros. — Não tem escolha.
Leio novamente o contrato em minhas mãos.
— O seu dormitório e despesas com comida, dentro do alojamento, já foram pagos. Então você não precisará se preocupar com esse tipo de coisa durante todo o período da faculdade. Eles disponibilizam todas as refeições. — ela se aproxima de mim e aponta para um parágrafo. — O papai queria te colocar em uma acomodação privativa. Ela é incrível, confesso. A melhor de todas! Mas o Oliver e eu achamos que seria melhor você ter uma colega de quarto. Dessa forma, irá fazer amizades muito mais rápido.
— Jully... eu não tenho o que dizer! Sério! Isso tudo é incrível, e eu não mereço.
— Você merece muito mais! Apenas aproveite essa porta aberta que Deus colocou diante de você. Aproveite o recomeço! — seus olhos se tornam mais sérios, mas o sorriso continua nos lábios. — Deus não tarda. As coisas sempre acontecem no tempo certo. E eu tenho certeza que a aceitação na faculdade era tudo o que você mais queria e precisava neste momento.
— Tem razão! — solto o ar devagar. — Sentirei sua falta!
— Eu também, minha amiga! — aperta minha mão de leve. — Agora vamos terminar de arrumar suas coisas. Amanhã você estará partindo e isso aqui está uma grande bagunça.
— Você que manda, patroa! — ela me lança um olhar assassino, mas ri em seguida.
Eu realmente sentirei falta da minha amiga!
>>>><<<<
Sextoooou! É só agora percebi que publiquei capítulos novos todos os dias 😱 Acho que posso ficar sem publicar, pelo menos, 4 semanas 🤭
AHHH GENTEEE, A ALICE CONSEGUIU! Que felicidade! Ansiosa por essa nova fase, e vocês??
Não se esqueçam de clicar na estrelinha, por favor! E se puderem compartilhar a história com alguém que goste do gênero, melhor ainda rs Bom fim de semana a todos e até daqui a 4 semanas, então! 😜
Att.
NAP 😘
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