Capítulo 12
Aninhada nos braços de Oliver, entre o emaranhado de edredons, observo o facho de luz do luar que entra através da pequena janela. Algo em meu íntimo se parte, e eu sinto uma leve pontada de tristeza no coração. Com todas as forças, consigo ignora-la. Pelo menos agora.
Eu tinha tomado a decisão certa. Talvez não a decisão certa, mas a que eu desejava no momento. E, de certa forma, ela me fez bem. Eu me senti amada, desejada e cuidada novamente. Olie tinha sido um parceiro incrível. Seria possível amá-lo ainda mais?
Sua mão livre deslisa em minhas costas nuas, fazendo leves carícias. Tento aproveitar o momento ao máximo, porém, minha mente não parava de pensar em como seira o amanhã, ou melhor, o daqui a pouco. Em breve teríamos que sair daqui e enfrentar a dura realidade: nossas famílias.
Oliver tinha me pedido em casamento, mas talvez tenha sido o momento. Talvez ele tenha sentido pena de mim ou simplesmente procurava uma solução para diminuir minha tristeza. Ele mudará de ideia, isso é um fato. Afinal de contas, tudo aconteceu rápido demais.
— Está chorando? — só quando sua outra mão acaricia meu rosto, percebo que as lágrimas traiçoeiras tinham dado as caras. — Eu sabia que não deveríamos ter feito isso! — diz, desfazendo o contato entre nossos corpos e sentando. — Me desculpe, Alice! Eu fui um canalha! Você estava se sentindo frágil e eu...
— Oliver, não diga besteira! — sento-me ao seu lado, envolvendo o meu corpo com um dos lençóis. — Eu não estou arrependida. Muito pelo contrário, — ele vira o rosto em minha direção. A culpa já estava ali. — foi a melhor noite da minha vida! — abro um sorriso sincero e toco sua mão.
— Então por que estava chorando? — crispa a sobrancelha.
— Porque eu não queria que esta noite acabasse! Porque eu queria que as coisas fossem diferentes. — meus olhos marejam e ele me puxa para os seus braços novamente.
— As coisas serão diferentes! Logo, logo iremos nos casar, então teremos a nossa casa. Você não precisará mais trabalhar para os meus pais e muito menos conviver com o seu, se assim você desejar. Seremos apenas você e eu.
— Quer mesmo fazer? Se casar comigo?
— É o que eu mais quero, Alice! — beija o topo da minha cabeça. — Eu só precisarei ver os tramites da faculdade para me transferir para cá.
Afasto-me bruscamente, olhando espantada para ele.
— Você virá para Cambridge?
— Não. Nós iremos para Londres, — ele se aproxima sorrindo. Beija minha bochecha enquanto continua. — onde você fará a sua faculdade e realizará os seus sonhos. — beija o outro lado do meu rosto. — Eu terminarei minha faculdade, conseguiremos bons empregos — beija meu queixo. — teremos uma casa confortável e três lindos filhos, todos idênticos à mãe.
Não contenho a risada de alegria que escapa dos meus lábios.
— E teremos uma vida tranquila e feliz! — concluo, começando a imaginar como será.
— Não sei se será tão sossegada assim, teremos três filhos, afinal. — rimos juntos antes de nos beijarmos calmamente. — Hoje mesmo eu falarei com a sua mãe e com os meus pais. Acho que só quando isso acontecer, você levará a sério o meu pedido. — pressiono os lábios, controlando a emoção.
Nós realmente iremos nos casar!
— Aliás, feliz aniversário, meu amor! — diz, me deitando de volta no emaranhado abaixo de nós.
***
— Pelo amor de Deus, Alice, onde passou a noite? — minha mãe salta do sofá ao me ver entrar em casa.
— Na casa das canoas. — passo por ela, indo em direção ao quarto. Mamãe me segue.
— Você estava sozinha? — pergunta com receio.
Não acredito que de todas as perguntas a serem feitas, ela me faz essa pergunta. Paro com a mão na maçaneta. Respiro fundo e me viro.
— Já são quase cinco e meia da manhã, precisamos nos arrumar, ou chegaremos atrasadas. — dito isso, abro a porta. — E só para a sua informação, eu estou bem! — entro no quarto, trancando a porta em seguida. Pressiono os olhos com força. — Aguente só mais um pouco! — digo a mim mesma.
Tomo um banho demorado. Para falar a verdade, não estava me preocupando com o horário que deveria chegar na mansão. Na verdade, eu só tenho vontade de voltar para lá para poder vê-lo, nem que seja à distância.
Após sairmos da cabana, Oliver me trouxe até a porta de casa. Então com certeza minha mãe viu que eu não estava sozinha. Ele quis me levar até a janela do quarto, mas eu não me importei em entrar pela porta. Não depois de ontem. Não depois de descobrir o que o meu próprio pai pensa sobre mim. E pela forma como mamãe reagiu, ou melhor, pela falta de reação, não duvido nada que o seu pensamento ao meu respeito seja semelhante ao dele.
Chego na cozinha e me deparo logo com Penelope.
— Amiga, feliz aniversário! — recebo um abraço apertado.
— Obrigada, Lope!
— Você não acredita o que aconteceu! — ela me puxa para longe da porta.
— O que foi dessa vez?
— Quando eu estava chegando na cozinha, para dar início ao meu expediente, o bonitão estava aqui, comendo! — diz espantada. — E pasme, com a roupa amarrotada, o cabelo desgrenhado e um sorrisinho no rosto. — a última parte me faz sorrir. — Não imaginava que o senhor Oliver era da farra!
Não resisto e começo a rir.
— Está rindo porque não foi com você. Quando o vi aqui, dei um berro, pois levei um susto, é claro. O coitado quase caiu da banqueta. Também levou um susto com o meu grito. — agora quem ri é ela.
— Tadinho... — digo irônica. Caminho até a dispensa, onde pego um avental limpo. Quando volto, Penelope está debruçada na bancada de mármore com um olhar sonhador. — Sonhando acordada?
— Ah, amiga, ele é tão lindo. E tão educado... — solta um suspiro.
— É, ele é! Mas não será ele quem pagará o seu salário, então vá logo fazer o seu trabalho, antes que a dona Gianna chegue aí.
— Ih, ela nem em casa está! — endireita a postura e limpa o avental. — Saiu bem cedo com o seu pai. Pelo que eu ouvi, foi buscar alguém no aeroporto. — cochicha a última parte.
— Então teremos visita. — aproveito que a minha chefe não está em casa para sair da cozinha tranquilamente. À caminho da sala de jantar, encontro o senhor Charles e Jully que caminham abraçados. — Bom dia!
— Lice! — a amiga se afasta do pai e vem correndo até mim. — Feliz aniversário, minha amiga linda! Eu tenho um presente para você e tenho certeza que irá amar!
— Não precisava, Jubs! — falo mais baixo, envergonhada pela presença do senhor Charles.
— É claro que precisava! — revira os olhos. — Conseguiu descansar do fim de semana?
— Para falar a verdade, não. — fito meus pés, sentindo o rosto corar.
— Eu também não. Precisarei de uma semana inteira para repor as energias. — ri sozinha.
— Feliz aniversário, Alice! Como foi a viagem. Gostou de Londres? — ergo o olhar para o patriarca dos Walker.
— Obrigada, senhor Walker! Foi maravilhosa! Amei cada segundo. Uma pena ter chegado ao fim. — dou de ombros.
— Tenho certeza que não faltarão oportunidades. — assinto. — Se me dão licença, estou faminto.
Com um aceno de cabeça, ele se afasta, nos deixando sozinhas.
— Jubs, — viro par minha amiga. — quem vem hoje?
Ela franze o cenho e dá de ombros.
— Não faço ideia, por quê?
— Não, por nada! — olho de relance para o topo da escada.
— Ele acabou de entrar no quarto. — ela ergue a sobrancelha e cruza os braços. — Com a mesma roupa de ontem... — faço de tudo para não alterar minha expressão. — Sabe alguma coisa sobre isso?
— Só sei que preciso trabalhar! — dou um beijo em seu rosto e corro para a cozinha.
O dia passou tão rápido. E no fim das contas, Penelope estava certa quanto à tal visita. Alguém importante chegou, mas ninguém sabia a respeito, pois a ordem da patroa era que nos concentrássemos totalmente no jantar, que seria bem especial. Dona Gianna passou na cozinha várias vezes hoje, mandando e desmandando.
Para minha infelicidade, não pude arrumar a mesa para a tal noite. Mas o que mais me entristeceu foi não ter visto Oliver o dia todo. E o que mais me deixou cismada foi a ausência de mamãe na cozinha.
Era quase sete da noite quando, finalmente, dona Abigail entra na cozinha. Branca como um papel. Os olhos esbugalhados e a postura rígida. Largo o pano de prato na pia e vou até ela, tomando suas mãos. Estão geladas.
— O que aconteceu, mãe? Está tudo bem? — toco seu pescoço.
— Alice, — seu tom é frio e sério. Quase nunca a via assim. — o que está acontecendo entre você e o Oliver?
Arregalo os olhos e a solto, como se tivesse levado um choque.
— Como assim, mãe?
— Por favor, não me diga que está envolvida com ele, minha filha! — ela preenche o espaço entre nós e segura o meu rosto com as mãos.
— Mãe...
— Alice! — dona Clarissa entra na sala com um sorriso no rosto. Ela segura uma bandeja dourada com um balde de gelo e champagne dentro. — Dona Gianna ordenou que você levasse o champagne para a sala de jantar.
— O quê? — mamãe e eu perguntamos juntas.
Clarissa apenas dá de ombros antes de estender os objetos em minha direção. Lanço um olhar questionador para minha mãe, mas ela nada diz. Continua fitando Clarissa com preocupação.
Retiro o avental que vestia, ajeito o penteado e pego a bandeja. Estranhei a ordem da dona Gianna, é claro, principalmente porque eu nunca os servia à mesa. Mas sem questionar, faço o meu trabalho.
Ao me aproximar da sala de jantar, não escuto as vozes de ninguém. Está um silêncio inusitado. Nem mesmo o tilintas dos talheres nos pratos. Entro no cômodo, sentindo um incômodo. Dona Gianna é a primeira a me ver, sendo seguida por Jully, que arregala os olhos e fica ainda mais branca, assim como minha mãe.
Ele está ao lado da irmã, com os olhos focados no prato. Oliver não percebe minha presença, para minha infelicidade. Tudo o que eu precisava ver agora era o seu sorriso, ou simplesmente os seus orbes verdes acinzentados.
— Finalmente! — a matriarca chama a atenção dos presentes. — Eu sei que foi uma surpresa para todos, mas não poderíamos deixar essa novidade maravilhosa passar em branco. — ela toca a mão do filho, que continua estranhamente perdido em pensamentos. — Oliver, querido, obrigada por me dar privilégio de ser avó, pela primeira vez! Tenho certeza de que será um excelente pai!
Ao entender suas palavras, tudo o que consigo ouvir é o grito agudo de Jully, antes da bandeja, e tudo o que estava nela, irem ao chão, trazendo todos os olhares para mim. Inclusive o dele.
>>>><<<<
Como assim, Brasil?? É isso mesmo que eu entendi?? 😱😱
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