E se eu tivesse feito diferente?
NOTAS:
Hey hey bolinhos, como estão? Aqui está mais uma one, espero que gostem ^^
Co-Autor: PurpleGalaxy_Project
Avaliação por:childmoonlight
Betagem por: akuan
Design por: yooni93
°°°°
"E se eu pudesse voltar no tempo, teria feito diferente?"
No decorrer das nossas vidas, coisas detestáveis e boas vão acontecendo durante o caminho. Contudo, muitas vezes, acabamos prestando mais atenção nas notícias ruins do que nas mais agradáveis, como o café derramado em sua roupa, o trânsito parado no meio da rua, o cachorro da vizinha que não para de latir, o fato de você ter esquecido de pagar uma conta e teve que voltar em sua casa para buscá-la.
"Devemos apreciar as coisas boas que a vida nos traz." é o que meu irmão mais velho costumava falar para mim toda vez que eu reclamava de alguma coisa, seja a mais simples ou a mais complicada. Sempre foi assim, e eu achava essa ideia meio sem graça, não tinha paciência ou interesse.
Meu irmão Do-Yoon sempre foi ótimo comigo, na verdade, com todos à sua volta. Todo mundo que o conhecia amava cada detalhe seu nos primeiros segundos, às vezes, eu tinha inveja dele nessa parte, afinal, nunca fui o preferido da família.
Agora muito menos, já que, por alguma razão do destino, acabei sendo uma das últimas pessoas a ver meu querido irmão... Hoje em específico, faz 13 dias desde o seu desaparecimento.
13 dias que os investigadores vêm até minha casa, todos os dias, para me escutar falar toda a história desde o começo — mesmo que saibam cada detalhe.
13 dias que não vejo minha mãe sorrir como antes, e meu pai voltou para casa após longos anos fora para apoiá-la.
13 dias que não consigo dormir pensando naquele dia trágico.
13 dias em que estou andando no inferno – ou, pelo menos, é essa a sensação que tenho tido ultimamente.
— Yoongi? O que ocorreu assim que chegou em casa? — um dos investigadores perguntou a mesma coisa, como em todas as vezes naqueles últimos dias.
— Meu irmão estava saindo com o amigo de infância dele... Ele me cumprimentou antes de entrar naquele carro e nunca mais voltou.
Talvez o tom em minha voz tenha feito com que os investigadores dessem uma pausa. Eu estava sem paciência e bem cansado de tantas perguntas; todos os dias na mesma rotina, não estava mais suportando tanta pressão. As pessoas à minha volta me falam que não sou culpado, porém não é isso que penso... E se eu tivesse feito algo de diferente? É o que penso toda vez e, quando percebo, já é mais uma noite perdida com pensamentos como:
E se eu tivesse ido com ele?
E se eu prestasse mais atenção nas coisas ao meu redor como meu pai sempre me disse?
E se eu tivesse decorado a placa do carro?
E se eu tivesse falado com aquele amigo?
E se... E se...
E isso ocorre até o dia seguinte.
Contudo, em um novo amanhecer, resolvi mudar um pouco minha rotina. Acordei uma hora mais cedo, tomei um banho rápido, me arrumei como de costume, pegando meu casaco amarelo por conta do frio.
Desci as escadas a cada dois degraus, não tomei café e passei direto sem pegar um guarda-chuva; eu estava com pressa para pegar o metrô das 7:30, porque precisava chegar na praça principal para ajudar os idosos com os lixos espalhados – algo que meu irmão deixou para eu fazer naquele fim de semana...
Hoje, eu não iria visitar minha mãe conforme fiz durante os outros dias.
Irei traçar novamente o mesmo caminho que executei naquele dia e tentarei me lembrar, nem que seja um pouquinho, com mais detalhes do ocorrido... Preciso saber o que aconteceu com meu irmão.
°°°
Dentro do metrô, sentei-me no mesmo lugar. Me lembro de ter colocado os fones de ouvidos e de ter reclamado mentalmente sobre o fato de ser cedo demais e que, assim que chegasse em casa, iria brigar com o mais velho por ter feito isso comigo.
Agora, pensando desse jeito, me sinto mal... Afinal... Se eu soubesse o que aconteceria, faria um pouco diferente; perguntaria, primeiro, por que ele não tinha tempo de manhã para fazer suas atividades de final de semana... O mais velho estava estranho naquele dia.
Eu deveria ter notado que havia algo de errado, mas a minha raiva naquele dia por acordar cedo me impediu de reparar nesse pequeno detalhe... Me pergunto se isso mudaria alguma coisa, se essa simples pergunta mudaria o destino de meu irmão.
Do lado de fora, vi o movimento da cidade, bem parada para falar a verdade sempre foi assim; o que estranhei quando meu irmão desapareceu, já que não é normal esse tipo de coisa acontecer justo aqui.
Na parada, observei o pessoal chegar aos poucos e, do lado de fora, vi casas, casais saindo para o quintal para estender algumas roupas, cachorros correndo para lá e pra cá; e, de repente, uma mulher se senta do meu lado.
Park Jae-Sook, irmã mais velha de Park Jimin – o melhor amigo do meu irmão –, me olhava de maneira calma, mas dava para ver que estava assustada ou perturbada com alguma coisa... Algo a estava incomodando.
A mais velha era uma mulher ruiva, seus cabelos laranjas pareciam tão macios como um algodão-doce – diferente do irmão, que mais parecia um ninho de rato ambulante. Jae-Sook sorria de maneira diferente, como se quisesse me dizer alguma coisa, quem sabe por onde andava o seu maldito irmão caçula.
— Bom dia, Yoongi, vejo que pegou o metrô bem cedo hoje.
— Pois é, acontece uma vez em nunca.
— Aonde está indo? Eu estou indo visitar minha mãe na cidade vizinha, ela está preocupada com Jimin. Ele não aparece em casa desde...
Jae-Sook não completou a frase, e suspirou pesado. Qual era o problema de dizer isso? Desde que seu irmão desapareceu, Yoongi... É tão simples... ou sou tão estúpido. O irmão dela está sendo procurado por suspeita de sequestro, claro que ele iria fugir.
— Vou tentar procurar um novo emprego, acabei sendo demitido recentemente.
— Por você ser irmão do garoto desaparecido? Sério? Que chefe babaca...
— Não, não foi por isso — acabei soltando uma risada forçada, aquele assunto estava me esgotando — Só aconteceu algo... mas não foi nada de mais.
Fui demitido no mesmo dia em que meu irmão sumiu do mapa. Foi algo tão inusitado e cheio de dor de cabeça para eu lidar de uma vez, que mal prestei atenção nas coisas ao meu redor.
— Boa sorte, então — a mais velha falou, colocando um fone em seus ouvidos enquanto abria um livro em seu colo.
Um sinal para que ninguém chegasse perto, ou algo do tipo. Uso direto e, na maioria das vezes, funciona – se a pessoa não for insistente, é claro.
— Eu menti para a polícia — soltei rapidamente, mexendo no meu celular, sentindo um suor frio escorregar pela minha testa.
Jae-Sook nada disse, estava bem concentrada para prestar atenção nas coisas ao seu redor, o que me fez sorrir um pouco aliviado. Não sei por que eu disse isso de repente, mas saiu da minha boca de uma forma tão natural quanto respirar, o que me assustou um pouco.
— Idiota... — sussurrei para mim mesmo olhando para o lado de fora.
Eu menti para a polícia sobre meu irmão, sobre mim, sobre aquela noite. Eu acabei mentindo sobre coisas tão importantes...
Por quê? Por que fiz isso? Ah me lembrei...
Naquele dia em específico, foi o pior de todos...
Uma traição.
Uma briga.
Uma mente bagunçada por conta da bebida.
A última vez que vi meu querido irmão, não foi dentro do carro de Jimin, como havia relatado à polícia, vi ele naquela noite depois disso... Dentro de um buraco no meio da floresta.
13 dias antes
As coisas não poderiam ser piores, além de ter que acordar cedo para cuidar dos lixos que outras pessoas jogam no meio do parque, tinha que chover logo hoje! Maldição!
As pessoas me olhavam confusas e riam da minha cara de vez enquanto, se perguntando como alguém tão idiota como eu não pegaria o maldito guarda-chuva em uma época como essa.
A chuva nessa cidade caia sem parar, algo bem normal para essa época do ano – jornal já está cansado de reportar sobre isso –, as nuvens de chuvas indicavam desde cedo que, a qualquer momento, iria cair o mundo em formato de água em nossas cabeças.
Mas ignorei todos os sinais e vim recolher o maldito lixo que o estúpido do meu irmão mais velho tinha que ter feito... Projeto voluntário, já diz o nome, não é obrigatório, então por que me fazer levantar para isso?
— Inferno... — chutei a lata de lixo, ignorando as pessoas à minha volta. Eu estava com raiva, precisava descontar em alguma coisa.
Após respirar fundo diversas vezes, comecei a andar de volta para casa. Iria trocar de roupa, pegar o maldito guarda-chuva amarelo, e iria para o trabalho, como se nada disso tivesse acontecido.
Porém... As coisas só pioraram depois disso.
Ao chegar em casa, que ficava localizada em um bar afastado do centro – uma vizinhança bem bagunçada, mas de certo modo agradável – percebi algo estranho. A moto da minha namorada estava estacionada de frente ao meu portão e a porta da frente estava aberta para qualquer um entrar.
— Uma surpresa? — sorri animado, com certa expectativa.
Minha namorada, Suzy, era uma pessoa cheia de surpresas; ela morava perto de lá e, recentemente, a gente não estava se vendo com muita frequência por conta do trabalho e estudos.
Agora veja só, encontrei a sua moto na frente da casa e olha... Um buquê de flores em cima da mesa da cozinha; não sou de flores, mas confesso que elas são maravilhosas.
Me perguntei se tinha acabado de estragar a grande surpresa que ela tinha planejado me fazer e, se fosse o caso, eu seria um péssimo namorado.
— Suzy? — chamei por seu nome, olhando ao redor — Me desculpa, cheguei um pouquinho cedo hoje.
Escutei a sua risada no andar de cima e subi as escadas rapidamente – animado por encontrá-la após tanto tempo fora –, porém a sensação de que tinha algo de errado me incomodou, mas apenas joguei esses pensamentos para longe, ignorando-os completamente. Pode ser alguma paranoia minha.
— Suzy?
Ao abrir a porta do meu quarto, deixei as flores que havia pego lá embaixo caírem sobre meus pés enquanto via minha namorada com outro cara em cima da minha cama. Seus olhos se arregalaram muito e seu rosto ficou branco feito papel, enquanto que o homem só sabia me olhar da mesma maneira.
Ou melhor dizendo... Peguei minha namorada me traindo com o meu irmão Do-Yoon, assim, de graça...
— Espera... Yoongi.
Antes de escutá-lo, apenas entrei no quarto, peguei uma roupa e desci as escadas para o banheiro trancando-me ali e tentei ignorar tudo o que havia visto na minha frente; aquela cena nojenta entre os dois, a cara do meu irmão assustada e a minha... Não acreditei no que vi.
Fiquei naquele banheiro com a mente a mil, meus pensamentos iam e vinham de maneira rápida; quando eu percebi, já estava pronto para sair e tentar esfriar a cabeça.
Após sair do banheiro, já pronto, vi os dois vindo em minha direção com caras arrependidas e pedindo desculpas, mas a única coisa que consegui fazer foi ir embora para o meu emprego de recepcionista, no comércio no centro da cidade.
Meu dia estava péssimo ou, pior ainda, terrível, insuportável e caótico. Para piorar as coisas, meu chefe veio conversar comigo em particular, pedindo desculpas pela má notícia e deixando bem claro que não era minha culpa pelo ocorrido.
Aquele era meu último dia naquele lugar; meu chefe estava me demitindo por conta do dinheiro, a loja realmente estava em seus últimos dias e ele precisava demitir alguns funcionários para poder, pelo menos, se sustentar por mais alguns meses.
Eu entendia perfeitamente, não tinha muito o que fazer, mas, eu estava tão sobrecarregado naquele dia, que apenas desmoronei onde estava. Quando peguei minhas coisas e caminhei até o metrô, desabei como uma criança que havia machucado o joelho.
As pessoas ao meu redor afastaram-se assustadas; agradeci mentalmente por isso, eu não conseguiria falar o que estava acontecendo sem acabar jogando tudo o que estava sentindo na pessoa — o que seria uma cena péssima de ser vista.
E quando reparei, eu estava no bar da esquina de casa e minhas tralhas estavam no banco ao lado enquanto bebia a segunda garrafa daquele final de tarde. Bebi tanto naquela noite, que mal me lembrava do meu próprio nome.
— Yoongi? O que está fazendo aqui?
Era Jimin, com aquele cabelo de ninho de rato, sentando-se à minha frente. Ele era um cara legal; tirando o cheiro de drogas que vinha de seus bolsos, o cara era gente boa.
— Hey Jimin~ — falei cantarolando enchendo mais um copo — Veio beber comigo?
Não escutei nada do que ele estava falando, mas, na minha cabeça, estava hilário, ainda mais quando ele fez uma cara engraçada – ele parecia irritado com alguma coisa–; e então, quando dei por mim, Jimin estava me levando para casa.
Dentro do carro, Jimin me olhava; ele parecia um pouco preocupado, eu me perguntava se ele sabia o que estava acontecendo ali.
— Volto mais tarde, só vou levar seu irmão para relaxar um pouco, ele está muito nervoso hoje.
— Meu irmão? Fala sério! — olhei para a porta e vi meu irmão sair com uma cara desesperada, me encarando.
— Yoongi... — meu irmão se aproximou do carro em minha direção — Você bebeu?
Com raiva e bêbado, saí rapidamente daquele carro, não me importando em me molhar por conta da chuva. Entrei em casa antes mesmo de escutar alguma coisa vindo dele, andei até o armário de bebidas e peguei a primeira garrafa que vi, olhei para as escadas e corri até o meu quarto. Ao entrar, a primeira coisa que fiz foi jogar os lençóis da minha cama pela janela que dava para a rua.
E, por fim, entrei no quarto do meu irmão que, para o meu azar, morava junto comigo. Tínhamos combinado desde pequeno que iríamos morar na mesma casa por longos e belos anos – e olha o resultado, péssima ideia.
— Um canalha sem coração... É isso que você é.
Enquanto xingava mentalmente meu irmão, pegava as coisas dele e as jogava, pela janela, o carro de Jimin ainda estava estacionado na porta. Consegui veros olhos de meu irmão ficarem zangados.
Apenas sorri de canto, jogando suas roupas naquela chuva – sua coleção de revistas estranhas, sapatos, tudo o que via ao meu redor. Não queria vê-lo nunca mais na minha frente, queria-o fora da minha vida.
— Yoongi! — seu grito me fez parar e olhar na direção das escadas; ele vinha correndo na minha direção.
Eu não disse nada, apenas caminhei lentamente em sua direção, pisando com força no chão. Percebi Jimin abrir a porta da frente assustado, olhando-nos sem entender nada.
— Vamos conversar, por favor...
— Eu flagrei você transando com a minha namorada e você quer conversar?
Eu não reconhecia mais a minha própria voz, eu estava com tanta raiva e tudo o que ele falava era tão idiota e medíocre, que não faziam o menor sentido para mim.
— Olha... Veja bem, eu...
Quando senti sua mão me tocar, fiz a primeira coisa que veio à minha mente: eu o empurrei com tudo. Não queria aquelas mãos nojentas me tocando, não queria...
— Do-Yoon! — o grito de Jimin me fez voltar à realidade —Yoongi, o que você fez?
Jimin estava gritando comigo, mas eu não conseguia entender nada do que ele estava dizendo, eu só conseguia ver Do-Yoon caído no chão. Meu coração parou por um momento, senti-o afundar em meu estômago.
— E-Eu... Eu não sei — meus olhos percorriam o seu corpo, apavorados — Ele está bem, né? Ele... Do-Yoon só está desacordado, não é?
Por um instante, parei de andar no meio das escadas e pensei se era isso que eu queria.... Eu o empurrei, então eu queria que isso acontecesse, não é? Não sei ao certo, mas eu não parava de tremer enquanto descia os degraus.
— Jimin... Acho que matei meu próprio irmão.
Seus olhos, que me encaravam, estavam vermelhos; eu não tinha certeza se era pelas lágrimas que saíam deles ou se era por conta das drogas que ele costumava consumir, mas aquela expressão me dava desespero.
— Vamos... Vamos tirá-lo daqui — foi o que ele disse enquanto eu o ajudava a erguer o corpo.
Estava tão leve que me assustava. Meu coração batia forte, minha cabeça estava confusa, e minha visão parecia escurecer aos poucos. Jimin abriu a porta de seu carro, e o colocamos no banco de trás.
Ele vai ficar bem, certo?
Enquanto Jimin dirigia, eu não parava de chamar Do-Yoon, como se ele estivesse dormindo. Seu rosto estava sem expressão. Eu chorei muito e, minha cabeça parecia que iria explodir, eu estava com tanto medo que não sabia o que fazer.
— E se eles perguntarem o que aconteceu? Não tem como eu dizer a verdade — comecei a sussurrar para mim mesmo — Mamãe vai me perdoar? Você vai? Jimin, quem acreditaria que foi um... acidente?
Os olhos de Jimin me encararam através do retrovisor. Seus lábios diziam algo, mas não consegui entender nada. Eu só queria dormir e acordar, e queria que nada disso fosse real. Por que eu ainda não acordei?
Após um longo tempo, Jimin e eu subimos a colina da floresta com Do-Yoon nas costas. Era um silêncio perturbador, eu não queria que ele estivesse aqui, não é culpa dele que agora meu irmão está morto; eu não queria que ele se envolvesse nisso.
Fizemos um buraco fundo o bastante para colocar o corpo.
O barulho da grama se movimentando para frente e para trás, as folhas da árvore, o vento e a chuva – me lembro perfeitamente de cada detalhe.
Olho uma última vez para Jimin, antes de colocar o corpo sem vida do meu irmão naquela cova improvisada.
— Agora você é um cúmplice Jimin. Por que fez isso?
— Não sei... Não sei.
Olhei para as folhas enquanto escutei a minha voz arranhada e vi a pá sobre o solo. Não consegui encará-lo, me recusei... Não pude. Minha cabeça estava muito confusa. Mordi minha língua com força e tentei acordar mais uma vez, mas nada funcionou; eu continuei ali.
No final, olhei pela última vez para o corpo do meu irmão. Ele parecia tão em paz agora... e eu também. Por um tempo, pareceu que tudo estava bem, e me odiei por me sentir daquele jeito.
Senti uma mão segurar a minha, era Jimin. Finalmente, depois de chegar ali, o olhei nos olhos; vi sua cara, seus olhos vermelhos – que, infelizmente, não são pelas drogas – e ele estava chorando como nunca. Tentei me soltar, mas ele apertou mais forte, como se não quisesse que eu saísse.
E então, a ficha finalmente caiu. Aquilo tudo não era um sonho, tudo aquilo era real.
Jimin me puxou para mais perto de si e me abraçou; disse que tudo iria ficar bem e que ele iria dar um jeito naquilo, mas meus olhos voltaram para meu irmão, embora não desejasse fazê-lo.
Eu não deveria ter olhado para trás... Não deveria.
Meu coração parecia, por um momento, em paz agora.
17 dias depois
Me encontrava na floresta, no mesmo lugar em que meu irmão estava enterrado. Logo ao meu lado Jimin, que estava foragido todo esse tempo; mas eu sabia exatamente onde encontrá-lo: na floresta.
— Eu vou assumir tudo... Não foi sua culpa.
— Foi sim... Com toda a certeza você não tem culpa — falei com certa raiva.
— Fazer isso foi ideia minha.
— Fui eu quem o matou... Você não teve culpa.
Jimin não disse nada, apenas suspirou alto e assentiu, passando as mãos pelos seus cabelos.
— Mas... eu irei com você, não posso deixar você fazer isso.
Olhei para ele negando com a cabeça, contudo, seus olhos assustados me fizeram perceber uma coisa: eles pareciam com os meus, o sentimento de culpa estava estampado neles, e eu sei que conviver com isso era a pior coisa do mundo.
— Yoongi? Vamos confessar.
Com as mãos trêmulas, ele me entregou o meu celular; estava com o número dos investigadores. Com certo receio, telefonei e coloquei em meu ouvido.
— Alô? Yoongi? Aconteceu alguma coisa?
— Eu... – engoli em seco, olhando para Jimin à minha frente.
Mas os "e se" começaram a me rodear.
E se não funcionasse? E se não acreditassem em mim? E se eles pensassem que não foi um acidente? E se...
— Tudo bem, Yoongi, eu estou aqui por você — Jimin falou e deu um sorriso calmo.
— Yoongi? É a voz do Jimin? — o investigador perguntou com certo receio.
— Eu preciso contar uma coisa para vocês.... — minha voz estava firme enquanto que meus lábios tremiam.
Sim! Meu irmão não está desaparecido...
Jimin não é o culpado disso.
Meu irmão morreu e eu sabia onde ele estava, porque fui eu que o matei.
Eu sabia onde ele estava porque fui eu quem o matou.
Eu matei o meu próprio irmão.
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