Capítulo 26 _ Maksin
Oiii! Oiii! Oiii!
Como sempre, neste tipo de capítulo, eu gosto de reiterar os gatilhos desta história, assim que se tiver qualquer um deles, por favor não leia.
Bullying. Violência. Violência Doméstica. Suicídio. Auto-mutilação. Estupro. Assédio Sexual. Assédio Verbal. Preconceito.
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— Quanta bobagem, morrer por amor? Nesta idade?
Reviro os olhos com tanto drama por tão pouco, contudo a dor que atinge a mim quando sou socado, em revolta, me impede de falar mais.
— Maria! Isso dói! — Reclamo com o braço dolorido.
— Se eu quisesse que não doesse teria acariciado, não acha? — Suas espessas sobrancelhas negras elevam e ela me dá um daqueles sorrisos que só o canto de sua boca repuxa.
— Qual a necessidade da agressão? — Pergunto, desviando o olhar de seu rosto para não perder o fio da meada.
Estávamos deitados contra o tapete felpudo, assistindo a Romeu e Julieta quando soltei o infeliz comentário que fez com que ela me batesse. Já agora, neste momento, ante minha pergunta a reação de Maria é se erguer, curvando a coluna e usando os pés de apoio, num pulo.
Ela dá a volta ficando frente a mim, seus cabelos a acompanham fluidamente, como uma cortina de cetim em negro, verde e azul.
Há algum tempo ela aderiu esse gosto por pintar o cabelo de cores chamativas, além do corte Chanel que se tornou praticamente sua marca. É claro, o que tanto ela quanto eu consideramos criatividade (e de certa forma um escape), para outros é coisa de adolescente fresco, é querer chamar atenção e etc.
Tal como minha mãe que sempre que a vê, a chama de excêntrica. Para, em seguida, acrescentar algo como: "Pobrezinha, depois de tudo que passou, faz sentido, né? " E depois um: "Se você precisar conversar comigo, converse, filho, não faça essas coisas no cabelo. ".
E então meu pai costuma a interromper, falando que eu tenho direito a me expressar da forma que achar melhor, assim que, evitando desavenças, minha progenitora concorda e diz algo do tipo: "Seu pai tem razão, Maks. " O que deveria bastar para encerrar o assunto, mas logo vem algo do tipo: "Porém, é realmente necessário você andar mesmo com ELA? Depois de tudo que vocês passaram... uma separação faria bem aos dois, não? " O que engata em mais uma acalorada discussão com meu pai.
Por isso Maria costuma evitar vir aqui quando minha mãe está, o que não é muito difícil, ela quase nunca está.
— Romeu e Julieta é a representação de um amor trágico, talvez exacerbado? Talvez exagerado? Talvez muito rápido? Sim é tudo isso, mas isso também é a arte e há beleza na sutileza e em suas nuances.
Seus olhos verdes floresta brilham quando ela fala de forma apaixonada sobre o drama, isso sempre foi bem coisa dela, essa paixão pelas artes e principalmente pelo teatro.
Lembro até hoje como quase teve um ataque de pânico quando conheceu meu pai, há pouco mais de sete anos. Surto de fã mesmo, não que tenha melhorado ao longo do tempo, ela continua emocionada igual.
— Ainda acho exagerado. — Contesto e observo como ela revira os olhos, destacados pelo delineador forte.
— Eu acho que é trágico.
— Uma tragédia exagerada.
— Ainda uma tragédia.
— Você não fala coisa com coisa.
— Você acha que o mundo se baseia na sua visão. — Ela cruza o braço em frente aos peitos, destacando-os e desvio o olhar sentindo meu rosto se avermelhar.
Maria sempre teve uma beleza singular, exceto pelos olhos verdes, sempre aclamados pelos padrões de beleza, seu rosto é muito "comum". As pessoas a descrevem assim.
Com sua personalidade, para dizer no mínimo, forte. Alguns até dizem: se acha linda só porque tem olho verde.
Isso porque o formato de seus olhos é considerado grande demais para o padrão e o nariz tem "personalidade" demais, por seu formato convexo e, apesar de sua boca ser bonitinha, os dentes de baixo, um pouco tortos, "estragam".
E então eles convivem com ela e veem que os olhos grandes lhe dão um ar de mistério, o nariz faz um conjunto tão perfeito com seu rosto, que a faz parecer mais madura e, mesmo os que não veem charme em seus caninos levemente entortados, se encantam com seu sorriso malicioso e sua língua afiada.
E então, o comum se torna extraordinário.
E tudo intensificou mais com sua entrada na adolescência, seu corpo modificando se tornando sedutor, ela se tornou sedutora. Ainda mais do ano passado para cá, já que de repente seus seios triplicaram de tamanho.
— Não é verdade.
— É sim. Você tem uma opinião e pronto! Tá determinado. — Ela bufa, lançando seus cabelos esvoaçando para trás. — Nunca conheci alguém tão cabeça dura, parece até que anda com uma viseira na cara.
— Você é chata.
— Você é uma criança.
— Sou mais novo por três anos!
— Três e meio! E é mais que o suficiente.
— Você... — rosno, com raiva, mas Maria me cala colocando o indicador em cima da minha boca.
— Deveria ao menos aceitar que é cabeça dura e que Romeu e Julieta é um ótimo drama.
— Para alguém que fala que eu sou cabeça dura, porque só a sua opinião é válida?
— Porque eu estou sempre certa, é claro?
— Idiota... — resmungo com uma raiva fingida, não que Maria não me irrite, mas nunca consigo ficar bravo o bastante com ela.
— Chame do que quiser, Makszinho, mas lembre-se sempre de uma coisa. — Ela senta na cama de pernas cruzadas frente a mim, usando as mãos de apoio. — Não importa a discussão entre nós dois, eu sempre vencerei.
Reviro os olhos com desgosto, mas não vou discutir, não vale o fardo. No final ainda que eu ganhe, Maria vai me olhar com aqueles olhões chorosos e eu vou ceder... eu sempre cedo, porque ela é o amor da minha vida.
— Romeu e Julieta, de novo?
A pergunta, em um tom genuinamente curioso, vem de Dani que cruza a porta a passos leves me observando com indagação. Uma que não parece vir apenas por causa do livro que, mais uma vez, durante a semana eu leio.
Já faz duas semanas desde aquele conturbado dia e eu não sei como lidar com Daniel direito. Não sei nem como lidar comigo direito.
Eu não apenas comprei um carro no impulso do momento, como rodei aquele bairro quase todo a procura do Allysson, quase liguei para minha mãe para pedir ajuda mais extrema, após Vittorino (amigo em comum de nós dois) afirmar que, realmente Allysson não estava no ônibus.
Os amigos dele nem tiveram chance de ficar para trás, por serem menores de idade.
Então eu realmente estava apreensivo, no fundo do meu âmago eu sentia que Allysson estava em perigo e quando eu chego no local vejo aquela visão terrível. Aquela raiva que senti... sempre que acho que estou no controle de mim mesmo, Allysson aparece para testar meu limite de alguma forma.
Não descontei minha fúria naqueles indivíduos devidamente, seria imprudente e meu pai se decepcionaria muito se tivesse que me buscar na delegacia de novo por exagero de força.
Assim que eu me controlei, mas a ira permaneceu ali, queimando lentamente enquanto eu pensava em como poderia ter sido se eu não chegasse a tempo. Não sei de quem eu fiquei com mais raiva: de Allysson, pela estupidez, de mim, por me importar tanto ou daqueles imundos...
Bom, com toda certeza daqueles imundos. Só de recordar os machucados que fizeram em Allysson, sinto vontade de quebrar seus ossos em partes bem pequeninhas esperar restaurar e quebrar de novo.
Mas o problema é de fato esse: desde quando eu me importo tanto com Allysson?
Porque eu me importo. Ficou mais do que claro.
Não quero vê-lo machucado.
Mas isso era algo quase passível de aceitação se não fosse pelo que aconteceu depois.
Eu cedi ao maldito desejo que queima minhas entranhas e o tive para mim, doce e quente como eu sempre pensei que seria e a realidade caiu:
Eu realmente estou caído por um bullying de merda que fez um atentando contra uma professora.
Não posso aceitar isso.
— Para alguém que detesta comédia romântica e dramas você gosta bastante desse livro. — Dani comenta depois que eu balanço a cabeça num "sim" para sua pergunta anterior.
Apenas um leve comentário, mas o tom genuinamente curioso me arranca uma risada sincera e saudosa. Uma imagem de cabelos escuros e mechas azuis preenche minha mente quando falo:
— Na verdade, eu detestava ele, até que alguém muito especial para mim disse que eu tinha de olhar com outros olhos.
— Quais olhos?
— O do frei, o de Julieta, o de Romeu... o de todos ali. E então eu passei a gostar da sutileza dos dramas, a me interessar por teatro e tudo mais. Mas ainda detesto comédias românticas, são previsíveis o que as torna pouco emocionantes.
— Clichês são o máximo e doa a quem doer sempre traz um calorzinho no estômago, nunca me cansarei.
— Não gosto de clichês.
— Claro que não, para gostar de algo tão delicioso é necessário ter algo que você não tem...
— O que?
— Uma alma. — Ele sorri brincalhão, mostrando uma covinha.
Espero um repuxão no estômago, um saltitar do coração ao ver aquele sorriso lindo, mas nada vem, além da constatação óbvia: Daniel tem um lindo sorriso.
Maldição, parece até que estou no primeiro ano de novo.
— Hey! — Falo fingindo indignação.
Rimos descontraídos, mas as lembranças mais uma vez entram na minha mente. É, de certa forma, incomodo. Como um filme que se passa na minha mente, mas que não consigo pausar ou conter.
Apesar de olhar para as páginas, o único que enxergo, nostalgicamente, são outras cenas do passado.
— Porque você está ficando aqui? — A pergunta pode até soar como a de quem não quer nada, mas consigo ler as entrelinhas: Você está evitando o Ally? Porque?
Mesmo que Daniel não tenha tanto contato com Gonzales, é notório como o clima está esquisito entre nós, principalmente pela parte dele que faz questão de fechar a cara sempre que me vê.
Tanto do lado de fora quanto no quarto, apesar de sentir um "leve" incomodo nisso, ao mesmo tempo fico aliviado. Distância é o que eu preciso para arejar minha cabeça e esquecer estes sentimentos que estou nutrindo por ele. Ao mesmo tempo em que penso assim, não consigo evitar garantir que ele não se machuque mais em sua recuperação.
Sempre reabasteço a pomada, já que ele esquece. Lavo o banheiro em seus dias e passei a dobrar a roupa que as vezes ele deixa no chão, para que não precise se curvar. Muitas vezes, estes e outros pequenos atos, me pego fazendo sem nem perceber.
— Daniel. — Meu tom subitamente mais sério faz com seu rosto se torne expectante e ao mesmo tempo receoso.
Quero falar tanto, mas não posso.
Não tem como eu falar sobre Allysson.
Não tem como falar da sensação que foi tê-lo se derretendo em minha pele, não tem como falar o delicioso que ele é.
Menos ainda sobre sua confissão.
E muito menos sobre seus ferimentos, sobre sua insensatez.
"Você tem uma opinião e pronto! Tá determinado".
— Você acha que eu sou muito cabeça dura?
— Muito pouco que não é. — ele solta uma risada anasalada. — Porque isso agora?
Ele responde, me observa em silêncio, analisa meu rosto. Engulo o bolo seco que se forma em minha garganta e falo as palavras que segurei desde o meio do ano passado.
— Acho que eu gosto de você.
Sua reação parece de cinema.
Primeiro impacto. Ele parece estranhamente chocado.
Segundo impacto. Suas sobrancelhas se erguem levemente como se ele percebesse uma coisa.
Terceiro impacto. Seu rosto se torna levemente azedo, como se não gostasse da coisa.
Quarto impacto. Um sorriso amargurado brota em seu rosto, antes de que se torne mais suave, como se um peso saísse de suas costas.
— Também gosto de você. — Ele fala naturalmente e isso me assusta, meu estômago afunda e não de um jeito bom. — Como um amigo, assim como você gosta de mim.
Suas palavras não tem um tom cínico, como o de alguém que sabe exatamente que o outro fez uma confissão de amor e quis disfarçar. Nem um jeito inocente, de quem não faz ideia da espécie de confissão que foi feita. Não, ele fala como se fosse algo óbvio a constatar.
Considero contestar, me explicar, mas antes que eu faça, Dani se afasta uns passos e me encara de braços cruzados, sem os óculos seus olhos parecem ainda mais escrutinadores e doloridos.
— Não fale nada Maksin, nós dois sabemos que este interesse não é real. — O brilho de tristeza que tem em seu rosto apenas aumenta. — Sempre admirei sua sinceridade, então seja sincero desta vez.
Seguro as palavras na ponta da língua, antes de responder.
— Eu realmente gostei de você.
— Rá! Viu? Gostei... no passado. E nós dois sabemos que até aquilo foi mais uma espécie de atração sexual forte que acabou sendo superada por nossa amizade.
Penso em ser contraditório, afinal para mim nunca se tratou apenas de sexo, eu já gostei de Dani bem mais do que uma simples amizade, mas nunca, nunca foi intenso o bastante.
Nunca houve realmente paixão.
— Aquele dia, aquele que... — quase falo, mas paro no meio do caminho, o resto das lembranças daquele dia são como punhais para nós dois.
— Aquele dia, Maksin, eu estava fora de mim e eu te beijei.
— Eu gostava de você.
— Eu sei e sinto muito. Sinto muito por ter te beijado e sinto mais ainda por ter ido naquela festa numa tentativa boba de fazer ciúmes, não sabe o quanto me arrependo. Não foi a atitude mais madura.
— Desculpe.
— Não, não se desculpe. Se alguém tem que se desculpar aqui sou eu... se havia uma época em que você gostou mais de mim do que apenas amizade foi aquela e eu fiz aquilo... — ele fala com amargura. — Nem o fato de estar drogado é desculpa o bastante para minha estupidez, pelo que descobri recentemente, não machuquei só você fazendo aquilo.
Esta última parte me pega um pouco, mas a primeira...
— Daniel, jamais diga algo assim de novo. Sabendo que eu gostava de você, se estivesse sóbrio, se sua mente não estivesse alterada pelas drogas, você me beijaria?
Isso arranca um sorriso sôfrego dele que diz com olhos embargados.
— Por n motivos, jamais faria algo como isso. — Sua voz se embarga ainda mais e ele me encara com seus olhos desafiantes. — Mas o que tá feio, tá feito. Mas não se trata daquilo e sim do agora.
Ele não conclui, ao invés disso trocamos olhares em silêncio até que ele abre a boca.
— O de ser cabeça dura... é isso, né? — Ele lança a cabeça para trás balançando-a de um lado para o outro, em uma negativa. — Ao menos uma vez, pare de insistir nestes sentimentos inexistentes que tem por mim e encare a realidade.
— Daniel...
Mas ele balança a cabeça para trás respirando fundo, segurando as lágrimas.
— Parece até que voltamos ao primeiro ano... — ele e engole em seco em me encara. — Você tem memória fotográfica, não é? Lembra o que eu te disse daquela vez.
— Sim.
— Então, se vier me dizer mais uma vez que gosta de mim, Maksin. Não vou te desculpar. — Sua voz ainda está levemente chorosa. — Somos amigos, somos rivais, mas não vou aceitar que me use assim, me recuso a ser uma máscara para seus sentimentos.
— Sinto muito.
Ele balança a mão como se dispensasse minhas desculpas, não como descaso, mas sim porque para ele parece que não há nada ao que perdoar.
— Relaxe, Maksin, essas coisas só mostram que, ao contrário do que muitos acham, você é humano. — Ele dá uma risadinha sincera. — E como humano está sujeito a errar... neste caso mais de uma vez, não?
Recordações do primeiro ano, fazem com que meu rosto queime levemente pela vergonha. Daniel e eu parecemos estar bem agora, mas como lá atrás agora ele está numa posição mais defensiva.
— Agora, se permite, como um ser humano vou ali chorar um pouco.
— Dani... — tento me aproximar, mas ele se afasta.
— Maksin, você se tornou um dos meus melhores amigos, de coração. Mas neste momento, eu preciso ficar um pouco sozinho com minha dor de cotovelo. — Ele dá um sorriso amarelo. — Não sou estúpido, ok? Isso de agora... ele deve ter se confessado para você e tu entrou em pânico e me falou isso. Eu conheço vocês, vocês dois. Não quero te magoar, mas não ajuda muito que meu melhor amigo seja a paixão do meu outro melhor amigo, por quem eu estou apaixonado.
Isso me faz recuar dolorido.
— Não faça essa cara, Maks, não estou te culpando ou odiando. Você é meu melhor amigo e ainda te amo. Não é como se a gente fosse deixar de se falar, eu só preciso de um tempo para processar tudo isso.
— Não devia ter tocado no assunto.
— Não, eu precisava saber que o Allysson finalmente disse que gosta de você e, desta vez, parece eu vocês dois chegaram numa sintonia, não é? Ou você não teria me confessado para fugir dos seus sentimentos.
— Quando você fala assim, até parece que eu sou um covarde.
— Quando se trata do Ally, Maks, você é.
E me dando uma piscadela brincalhona ele sai, mas não antes de eu ver seus olhos se enchendo de lágrimas. Ele desistiu de ficar com Allysson. Não é que Daniel não seja do tipo de não luta por amor, mas tal qual ele me disse no primeiro ano:
"Essa é uma batalha perdida, Maksin, mas só para mim. Allysson jamais me verá como alguém a se apaixonar, mas você tem essa chance".
Foi um período de tempo, em que eu gostei do Allysson. Antes de saber sobre o que ele fazia, antes de ver o que ele fez com meu amigo. Uma vez, uma vez eu já gostei dele, mas não fui a frente porque Daniel também gostava e depois que descobri seu outro lado, aí meus sentimentos por ele foram morrendo até não sobrar nada.
"Mas não vai ficar com ele".
Dani falara seguida de me dizer que eu teria chance.
"Se não tem coragem de assumir seus sentimentos, de ficar contra mim, não vai ficar com ele".
Essa pequena discussão nunca mais foi levada à frente, afinal todo e qualquer sentimento que eu tivesse por Allysson tinha partido. Porém aqui jaz novamente.
Talvez se partido, eles voltaram. Talvez se morrido, ressuscitaram. Talvez tenham sempre permanecido aqui, mas tão cobertos pelas camadas de ódio e raiva que não os vi durante um bom tempo.
Allysson já foi meu ódio. Já foi uma paixonite. Já foi a fonte da minha raiva. E agora ele é tudo isso e mais um pouco.
Não poderia ser mais exaustivo.
Eu só preciso... respirar.
— Você não está com uma cara muito boa.
Arthur fala me encarando desde o soslaio da porta, de braços cruzados, assim que Daniel saiu vim até a sala de boxe para refletir sobre minha vida e aproveitei para tentar meditar e unir isso a meu treino diário, provavelmente me passei um pouco e o barulho das pancadas deve ter lhe chamado a atenção. Como não respondo, trocamos olhares e ele novamente abre a boca:
— Vai, desembucha.
E depois de um suspiro, eu relato.
Conto o que aconteceu na viagem. Só de falar sobre sua absurda imprudência já fico mais irritado, preocupado e frustrado. Depois sigo e conto sobre a briga, sobre o sexo (me recuso a dar os detalhes sórdidos que ele pede) e sobre como foi incrível, explosivo e delicioso. Mas não conto sobre Dani e o que conversamos uma hora atrás, não ainda.
— E?
— E eu gosto dele.
— Bem, só demorou uns três anos para você admitir isso.
Abro a boca para protestar contra esta afirmação, sem embargo ele me interrompe antes que eu possa fazê-lo.
— Tá, tá, tá, já sei o que você vai falar e quer saber? Tanto faz que teve uma época que você parou de gostar dele, não corta o meu barato, principalmente por que claramente não deixou de gostar totalmente.
Ele cruza os braços como que diz. Tô certo, né?
— Ok, Arthur, se fosse só para você me dizer isso...
— Mas eu não vou falar só isso. — Seu tom de voz sai tão fio e irritado que eu presto mais atenção, abaixando os braços e parando de socar o saco de pancadas. — Vamos recapitular então, você começou a gostar do cara no primeiro ano e ok, com a gente ele era legal, com os outros um merdinha... e depois do que aconteceu com aquele indivíduo, cujo nome não quero citar, tudo acabou.
Vendo que isso vai ser bem, bem longo, me afasto um pouco e começo a treinar minha sequência de chutes favoritas, começando pelo Taekwondo: Ap Chagi. Yeop Chagi. Huryo Chagi. Dwi Chagi. Dollyo Chagi e etc.
— E então veio o segundo ano e você matou toda e qualquer tipo de atração que pudesse ter por ele, na verdade passou a odiá-lo cada vez mais, mas agora vocês estão no mesmo quarto e tudo voltou maior e mais forte. Mas ele continua o mesmo babaca de antes.
Mae-geri. Yoko-geri. Mawashi-geri. Tobi-geri.
— Ele faz bullying, ele fez um atentado contra a mãe do seu priminho, ele usa drogas... ele é tudo que você passou a odiar.
Tei-trong. Tei-chiyang. Tei-kan-kro. Tei-tat.
— Ele não é exatamente tudo o que passei a odiar. — Falo, com a respiração levemente entrecortada, saindo do muay tahi e partindo para o kick boxing.
— Tem razão ele não é um estuprador, nem um pedófilo, nem um assediador. — As palavras doem, porque remetem a lembranças que não quero ver novamente, com um novo mal-estar, aumento a velocidade dos golpes.
Tei-rid. Tei-kot. Yiep-tei. Kra-tote-teii. Tip-kang. Tip klap lang.
— Mas tirando isso, ele é tudo o que restou a ela.
Mais forte. Mais rápido. Mais desesperador.
Turning Jick with the side feet. Turning Kick. Spinning Hook Kick. Spinning Side Kick. Back Side Kick.
— Allysson é exatamente como aquelas meninas que batiam nela, como aqueles caras que a perseguiam, como todos que a xingavam de puta, todos os que diziam que ela fez por merecer, que diziam que ela gostou. Que ela gostou.
Chen Tui. Leu Yan Tui. Leu Tui. Loi Bai Lin Tui.
Melhoro minha respiração, tenho que continuar.
— Todos os que usava de todos os meios, dos mais baixos e sujos, de todas as suas vergonhas, de todas as suas piores lembranças para humilha-la.
— Cale a boca. — Três palavras, tão pausadas, tão ameaçadoras, saem no mesmo ritmo dos últimos chutes que dou finalizando a sequência de Kung Fu: Shun Fung Tui. Shin Tchin Tui e Song Fei Tui. Palavras que imploram para ele parar.
Me preparo para voltar desde o início, mas Arthur segura o saco, o que não me impediria exatamente, mas há um recado por trás, ele me encara com olhos de fogo.
— Não! Não vou calar minha maldita boca, Maksin. — Ele ruge irritado, jogando o saco de boxe para cima de mim que desvio ele com um chute lateral. — Eu não vou porque você precisa ouvir isso, Maksin. Porque se você chegar e admitir para aquele cara que gosta dele e depois machucá-lo, você jamais vai se perdoar!
É verdade, eu sei que é verdade, mas é tão frustrante. Porra. Passo as mãos com brutalidade nos meus cabelos, os fios levemente emaranhados, tento tirar a frustração do meu corpo e não consigo. Eu só preciso treinar mais um pouco, já foi a sequência de socos, de joelhadas e cotoveladas em todos os estilos de luto que eu conheço, faltava apenas os chutes.
Estendo a mão para o saco de pancadas num pedido silencioso que Arthur nega.
— Arthur.
— Se quer tanto treinar, faça isso comigo, sabe que com outra pessoa é mais efetivo e você não vai fugir desta conversa.
Penso em retrucar, mas seria perca de tempo com ele, então assinto com a cabeça.
— Ótimo! Mas escolhe um estilo de luta só, porque não sou obrigado.
— Você é fresco.
— Não. Eu só não sou obcecado como você que sabe lutar Kung Fu, Karatê, Muay Tai, Kick alguma coisa e estas outras merdas aí.
— Eu não sei lutar Karatê. — O que não é mentira, se fosse para lutar com alguém usando apenas este estilo eu facilmente poderia perder.
— Mas claramente sabe alguns movimentos de caratê.
— Taekwondo. — corto-o, escolhendo como me pediu
Arthur suspira com frustração ante minha escolha, antes de marchar para pegar os protetores de braço e rosto.
— Jura que não poderia escolher qualquer outro? — Ele reclama quando se aproxima fechando o protetor.
— Era onde eu ia voltar. — assim que termina os golpes de kung-fu, retorno desde o início e repito ao menos, dez vezes, todos os dias.
— Normalmente as pessoas aprendem dois estilos de luta na vida, mas você aprendeu quatro nos últimos anos. Ia em academias sete dias por semana, duas vezes ao dia para poder treinar. — ele bufa injuriado, ao recordar minha rotina do fundamental.
— Se coloque em posição. — Falo, bebendo um gole de água e limpando meu suor com uma toalhinha.
— Foi por causa dessa obsessão que o tio te mandou aqui pro internato. — Ele resmunga, antes de ficar na posição e eu volto a iniciar a sequência de chutes. — Não que tenha adiantado.
Arthur demora um pouco para se acostumar com a sequência e a velocidade, mas como alguém forçado pelo próprio pai a ir nestas academias comigo, mesmo não tendo o mesmo esforço e empenho que eu, ele ainda tá no ritmo.
— Ok. Agora que você está mais centrado. — Ele me encara, com um sorrisinho cínico. — Vamos falar sobre o importante, tu passaste mais de um ano, refletindo toda a atração que sentia por Allysson em Daniel, o que não é saudável e nem justo com o Daniel ou com você.
— Nem com o Allysson. — Murmuro, ao qual Arthur explode:
— Que se dane o Allysson! E não me dê esse olhar, não é como se você estivesse namorando com ele, não haja protetor.
— É algo inevitável. — Bufo, mudando de Taekwondo para caratê.
Arthur revira os olhos indignado, mas muda a postura de defesa, se adaptando rapidamente.
— Bom, pois trate de evitar.
— Você realmente não gosta dele, não é? — Ao mesmo tempo em que fico aliviado com isso, me sinto incomodado. Mais uma vez, esta dualidade frustrante.
— Não é que eu não goste dele. E não gosto. Mas não gosto da ideia de você com alguém como ele, seria autodestrutivo.
Respiro mais fundo, respiro melhor, mudando a sequência para o muay thai ao mesmo tempo em que relevo o que devo dizer como resposta... opto pela verdade.
— Estes, estes sentimentos. — A palavra dificultosa sai. — Eles só estão aumentando.
Porque tem motivo para aumentar.
Mesmo que seja desconfortável, assim que paro para pensar vejo as coisas que gosto nele. Como ele vê diversão em tudo, como suas expressões mudam rápido e de maneira tão totalmente expressiva que pareço estar assistindo uma novela. Porque Allysson é divertido, meio sem noção e tem aquele ar um pouco inocente, às vezes. Ele é cuidadoso, é fofo e tem uma capacidade de fazer rir às pessoas ao seu redor. Mesmo não sendo o mais inteligente em provas e questão escolares, ele é bom quando se dedica.
Ele é bom cozinhando, sabe decorar receitas como ninguém. Ele pode até não saber "matemática", mas sabe calcular certinho como fazer a metade de uma receita cuja original vai meia xícara de leite e etc.
Ele também dança com uma fluidez que beira o gracioso e mesmo não se dedicando muito, joga bastante no futebol.
Às vezes sinto como se ele fosse um beija flor, é rápido, é sagaz, vai de flor e flor mudando constantemente e chamando a atenção com suas cores vibrantes. Seus pensamentos, seu ser muda de um segundo a outro e é tão agradável de acompanhar.
Mais do que nunca quando comecei a gostar dele, entendi o porquê de Maria Antonieta gostar tanto de arte, Allysson não só tem um lado artístico que ele menospreza ou desconhece, ele é a arte, pura em si.
E a mais bela que eu já vi.
Talvez eu culpe Maria Antonieta por me fazer apreciar as artes do mundo, quem sabe assim que não teria começado a gostar tanto de Allysson.
— Jura?! Vai ficar com esse olhar de bobo apaixonado?? — Arthur praticamente grita, com um tom de infelicidade. — Vai realmente me forçar a fazer isso? Eu vou ter que falar a verdade, né? Resta a mim esse papel já que você não quer ver o ÓBVIO.
Ele me encara com raiva e pena antes de proferir as palavras que dessangram meu coração.
— Ela se matou, Maksin.
Ele fala de forma que beira o cruel, porque assim sinto as palavras que ardem como um tapa em mim. Me fazendo ver flashes de olhos verdes vazios, de uma pele, antes tão quente fria, do cheiro metálico de sangue no ar e de seus cabelos, dos quais ela tanto se orgulhava, destruídos.
Um mar de sangue e fios azuis e negros.
O que restou dela.
— Ela se suicidou Maksin. — Suas palavras saem mais calmas, frias, desta vez. — Lembra? Ou eu terei de te lembrar? Que ela cortou os próprios pulsos, estes que foram mutilados várias e várias e várias vezes antes disso.
Com tantos "golpes", me vejo incapaz de encontrar minha voz, de me mover, de faezr qualquer coisa para impedi-lo de continuar, apenas encaro os olhos azuis que neste momento parecem não ter nenhuma piedade para comigo ou com meu sofrimento.
— Ela estava cansada do inferno que era a própria vida e boa parte da sua tortura era causada por caras, caras como o Allysson, por quem você está se apaixonando.
Ele retira as proteções conforme fala, quando termina se aproxima de mim, unindo nossas testas e me encarando com profunda tristeza.
— Nenhuma paixão vale sua sanidade, irmão.
E nisso ele me solta, mas não para de falar, Arthur nunca para. Não importa que suas palavras pareçam com lâminas me dilacerando por dentro, me doendo tanto... me fazendo lembrar dela e do que poderia ter sido.
Do que jamais será.
E da culpa por gostar de alguém, por estar me apaixonando por alguém que é como tantos que a feriram. Não importa o lado bom, não quando o ruim queima tanto por dentro.
— Você se vingou de Luís, se vingou de Samuel, mas nunca conseguiu se vingar das pessoas que fizeram bullying com ela, não depois do ocorrido com você sabe quem. — Ele se refere ao cara que eu pus numa cadeira de rodas. — Eles seguiram com suas próprias vidas, eles podem ser felizes agora... mas e quanto a ela? Eles a feriram física e psicologicamente.... ela não pode seguir nunca mais com a própria vida e agora você reflete sua raiva por ela em cada pessoa que faz bullying.
Nisso, deixo meu corpo pender para o chão, totalmente exaurido de tudo.
— A única coisa que consigo concordar com aquela garota. — Ele solta com desprezo a palavra. — É que você anda com uma viseira na cara, você pode até estar se apaixonando pelo Allysson, mas e quanto ao "Gonzales"??? Você vai ignorá-lo?
Tenho certeza que Arthur fala mais, mas neste momento sinto tanta pressão que minha mente praticamente desliga, não há mais som, apenas um vazio enquanto penso em tudo e toda a merda que estou envolvido.
Sentimentos são uma merda, uma merda completa.
Não sei exatamente quanto tempo fico ali, respirando fundo e tentando ignorar as lembranças que vertem minha mente, imagens de Maria Antonieta, imagens de Allysson. Ou meu coração batendo mais forte sempre que penso em um ou em outro.
Ela morreu.
Minha dor e meu lamúrio são interrompidos pelo toque do meu celular, quando vejo o visor sei que é a secretária do diretor, atendo e escuto que o mesmo pede que eu compareça em sua sala imediatamente.
Me ergo do chão saindo daquela sala, porém tenho certeza que meu vigor e minha alma ficaram para trás, Arthur pode até não ter me batido fisicamente, mas sinto como se tivesse pego um pedaço de madeira imaginário e espancado com ele meu psicológico.
Caminho em direção a meu destino quando uma mão quente em meu ombro me para, é meu primo/irmão/carcereiro.
— Olha Maks, eu também conheci o Allysson naquela época e ele é bom, é divertido, é engraçado e amável... porém o que ele mostra aos outros, o que você mesmo trata pelo sobrenome, sem intimidade, é completamente diferente.
— Eu sei.
— Você não pode mudar sua essência, não vai ser conivente a estes comportamentos, está se martirizando até hoje por não contar que ele é um dos responsáveis por aquele ataque e tenho certeza de que só de imaginar contar a alguém e ele ser punido e acabar ferido te dilacera também.
Porque Senhor? Porque me castigar com alguém assim na minha vida? E não estou falando do Allysson e sim do Arthur e esta mania feia de me falar verdades doloridas.
— Só estou dizendo Maksin, que você vai acabar se machucando. Tome cuidado ok?
E dito isso ele vai embora, deixando-me com o coração em frangalhos e a culpa corroendo minha mente.
Me abstenho de pensar muito e sigo para a sala do diretor, as notícias que ele me dá são como uma adaga de gelo fria bem no meu coração: vai começar uma nova investigação sobre o que aconteceu no dia da bomba e eu participarei.
Eu poderia falar sobre Allysson aqui mesmo e acabar com tudo, mas a perspectiva de ele acabar machucado pelo irmão, bem como Arthur diz, acaba com meu coração.
Não sei quando Allysson invadiu tanto a minha mente como para que eu não consiga, não queira de maneira alguma vê-lo magoado ou machucado, mas ele conseguiu.
Eu realmente passei a me importar com ele.
Saio da sala do diretor, ainda ocultando o nome importante. Sigo para meu dormitório, crente que nada mais pode me abalar hoje.
Como sou iludido.
Mal, mal chego até a porta do meu quarto quando outra notificação brilha em meu celular:
"Queridos alunos, para a apresentação semestral, nosso clube se unirá ao clube da dança para recriar de forma alternativa a famosa peça: A Megera Domada".
Imagino que como eu Arthur deve estar "pulando de alegria ao ler esta notícia, afinal Allysson é um integrante do clube de dança, mas Renan é o líder do clube.
Que maravilha.
E quando abro a porta, outro baque, Allysson usando apenas uma toalha sentado em sua cama, o corpo recém banhado coberto por pequenas gotículas de água que reluzem contra a pele caramelo. Seus cabelos, um pouco maiores, cobrem parcialmente os olhos, mas ainda assim consigo ver as orbes café brilhando, um brilho zombeteiro e que beira um pouco de felicidade reluz num paraíso castanho, antes dele se fechar totalmente.
Uma fisgada atravessa meu coração.
Ótimo! Isso é uma merda completa.
Me jogo na minha cama, tento acalmar minha mente, meu coração, minha libido. O que é impossível com a fonte da raiz de todos os meus problemas a quinze passos de mim.
Tento fechar os olhos, mas assim que o faço vejo sua figura, vejo seu sorriso. Tento respirar fundo e o cheiro de morango e chocolate, tão característico dele invade meu nariz. E então ele começa a falar com Renan e um calor confortável possui meu corpo, apenas por escutar sua voz, depois de tanto tempo com ele se negando a dirigi-la a mim.
Ao mesmo tempo em que uma irritação apossa minha mente pelo fato de ser com Renan que ele conversa.
Ainda não me acostumei em sentir ciúmes dele.
Ciúmes da proximidade que tem com Renan, uma que jamais poderei obter, graças as minhas próprias muralhas.
E o mais chato, ciúmes dos toques, dos beijos que compartilha com seus amigos... afinal existe uma linha tênue entre uma brincadeira e sair se pegando...
Allysson me passa tantos sentimentos.
Ciúmes. Raiva. Ódio. Conforto. Preocupação...
Se existe alguma linha lógica neste mundo então eu beiro o irracional, porque já percebi minhas próprias contradições. Eu odeio bullyings, odeio quem persegue os outros, odeio muitas das coisas que Allysson fez que Allysson faz... odeio o que ele mostra aos outros. O Gonzales.
Mas não consigo odiá-lo.
Não só não consigo, como odeio imaginá-lo ferido, odeio machucá-lo e quando o faço me martirizo, não só por feri-lo, mas por me martirizar por feri-lo.
Se há algo que eu realmente desteto em Allysson são estes sentimentos.
De me apaixonar por ele.
De, em algum canto, começar a quere-lo e não só de forma física. Porque sim, eu quero beijá-lo, quero tocá-lo e fazer mais, muito mais. Mas, ao mesmo tempo, desejo sua companhia, arrancar seus sorrisos, ouvir sua risada, escutar suas histórias... existe esta parte que o quer perto de mim.
Descobri aos poucos que seu sorriso faz com que eu queira sorrir.
Sua tristeza, faz meu peito doer.
Quando ele desaparece, vem a angústia, a preocupação.
Quando se machuca, a dor.
E quando é machucado a raiva.
Allysson se infiltrou no meu coração de forma sorrateira e eu não posso permitir que continue, não posso deixar isto engrandecer, porque esta parte de mim começou a amar ele.
Não posso.
É tão fácil falar estas palavras, mas a hipocrisia reina em mim, já que a voz de Allysson que continua a se fazer ouvir e, em alguma parte do meu peito, a me trazer felicidade.
Já as lembranças de Maria Antonieta, a culpa.
E só posso concluir uma coisa, Allysson.
Você está arrebatando minha alma, meu orgulho, meu tudo.
E não tem a mínima ideia de como odeio isso, como odeio estar me apaixonando por você, como odeio"amar" você.
Um capítulo, muitas revelações. 😪
O que acharam de Arthur aconselhando o Maksin?
E Daniel com Maksin?
Um pouquinho a mais do passado de um dos protagonistas da história foi revelado, Maria Antonieta foi alguém bem importante para o Petrov e o marcou profundamente. E sobre ele já ter quase ido preso? Não acho que tenha sido realmente uma surpresa.
Esta segunda parte da história é mais focada no Allysson, mas ainda vão poder descobrir um pouquinho do passado do Maksin kkkkk. Afinal, Allysson achou uma pessoa beem complicada para se apaixonar 😅 e vice-versa.
Espero que tenham gostado do capítulo e logo, logo volto com mais. 🥰
Até a próxima. 👋🏽
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