4 - Mantendo o Foco

André, Rosália, Paulo, Giuliana e Carlos ainda caminhavam sem rumo pelas ruas da cidade, atrás do ônibus e do amigo Beto. Após tanto tempo andando, perderam a noção do tempo. Poderiam ser horas ou quem sabe mesmo até dias que estavam presos naquele lugar. 

Precisavam a todo custo, manter as suas mentem sãs para não surtarem de vez, pois aquela cidade estava os enlouquecendo aos poucos.

E também precisavam ficar todos juntos, para não se perderem. Até pensaram em se dividirem em duplas, porém desistiram. Já estava difícil procurar por uma só pessoa, imaginem procurar por mais.

Eles já estavam começando a ver e imaginar coisas... tinham de manter o foco.

Finalmente encontraram Beto. E o ônibus também... na verdade, encontraram os dois. Viram lá de longe no final de uma das ruas da cidade, o veículo em posição de partida... e no lugar do motorista, estava Beto, ainda com a máscara.

Giuliana e Paulo acenaram para ele. Em resposta, buzinou e ligou os motores. Achando que era para salvá-los, o esperaram no meio da rua. Mas assim que foi chegando mais perto, viram que ele não ia parar, pelo contrário, jogou o ônibus com tudo para cima deles.

Por sorte, não acertou ninguém, conseguiram se desviar a tempo, cada dupla indo para um lado diferente da rua, os rapazes para a direita e as meninas para esquerda. De repente, Beto freou o ônibus para dar marcha ré bem na direção delas.

— Meninas cuidado! — André gritou ao ver o ônibus indo para cima delas.

O ônibus atingiu em cheio uma das casas abandonadas. Rosália foi mais esperta, correu o mais rápido que pôde para o meio da rua, mas não havia nenhum sinal de Giuliana... e menos ainda de Beto.

— Oh meu Deus, cadê a Gi? Tomara que esteja bem! — Rosália chorou ao procurar pela amiga entre os escombros da casa.

— Cara, juro se eu encontrar o Beto, acabo com a raça dele! — Carlos cuspia fogo de tanta raiva.

Encontraram Giuliana desmaiada. Graças a Deus estava viva, porém muito machucada e não tinham como cuidar de seus ferimentos naquele local. Aproveitaram que o ônibus estava ali para fugirem e salvarem os demais membros do grupo. Mas na hora da fuga, deram de cara com Beto.

— Qual é a tua hein Beto? O que foi que deu em você para nos atacar desse jeito? — Perguntou Paulo.

— Beto por favor somos nós! — Chorou Rosália, assustada com tudo o que está acontecendo.

Ele não respondeu. Ficou ali parado, como se fosse o Jason de Sexta-Feira 13, os encarando. Vendo que não havia como escapar, Carlos, que estava com Giuliana no colo, passou-a para André e ordenou que ele fugisse junto com os outros, enquanto o distraía.

— Vão na frente. Salvem os outros. Eu vou depois.

Mesmo sabendo que a possibilidade de ver os dois amigos novamente era quase nula, André fugiu com Giuliana, Paulo e Rosália no ônibus, partindo em direção ao teatro... se é que ainda tem um teatro.

***

Carolina, Leandro e Lavínia se refugiaram em uma antiga construção, onde deveria ter sido a igreja local a muitos anos atrás. Acreditavam que por estarem ali, os protegeria de sabe lá o que está acontecendo naquela cidade. Para espantar o nervosismo ou talvez tentar disfarçar, debatiam sobre os fatos ocorridos nas últimas horas.

— Vocês já notaram que assim que Pedro pôs a máscara, começou a agir feito doido, como o Beto? Parecia até que estava possuído! — Comentou Leandro, começando a dar razão a desconfiança de Carolina.

— Sim. São as máscaras. Por isso que não nos deixaram participar da confecção delas. E não é só isso. Quando chegamos aqui, era uma vila turística e assim que saímos do teatro, não havia vila nenhuma!

— Eu não acredito que estamos em uma cidade mal assombrada! — Arrepiou-se Lavínia.

— Esperem aí... se aqui é uma cidade fantasma, quem é esse tal de Renato Halland, que diz ser o prefeito desta cidade?

— A pergunta é: o que ele é?

O trio tremeu ao imaginarem que o tal do Renato Halland era um bruxo que sequestra pessoas para rituais de magia negra, enviado do diabo ou algum tipo de entidade demoníaca... ou ser o próprio. Era absurdo demais, mas tinham de pensar em todas as possibilidades.

E a pior de todas elas, não faziam a menor ideia de como detê-lo.

— Como vamos enfrentá-lo? A gente não sabe com o que estamos lidando!

Enquanto pensavam no que fazer para menos saírem daquela cidade com vida, Carolina tropeçou em uma das madeiras caídas ali no chão da igreja. Ao se levantar, reparou que uma delas fazia parte do assoalho e estava meio solta. Quando foi arrumá-la, viu algo de estranho embaixo dela... era um caderno cheio de anotações.

— Parece ser um diário...

Por curiosidade, os três amigos começaram a ler. Durante a leitura, descobriram que na época do Brasil Colonial, a Vila de São Fernando de Valença era uma cidade pacífica, mas teve o azar de ser assolada por um bando de pistoleiros com conhecimento em magia negra. Este grupo era chefiado pelo bandido Renato Halland, que espalharam o terror entre os moradores e dizimaram a população.

Segundo os rumores da época, o bandido fez um pacto com o diabo para obter a imortalidade. Por esse motivo, ele e seu bando saíam mundo a fora, saqueando as aldeias com a intenção de enviar as almas para o inferno.

Para conseguir detê-lo, uma freira com conhecimentos místicos, realizou um misterioso ritual junto com o padre local e alguns voluntários. Ela colocou símbolos sagrados ao redor dos limites da vila, formando um pentagrama. Segundo a religiosa, o ritual serviria para mantê-los presos dentro da cidade de São Fernando de Valença. Já que não conseguiram expulsá-los, pelo menos eles não vão mais assombrar nenhuma cidade.

— Pelo jeito, o feitiço dessa freira não funcionou! — Observou Leandro.

— Não foi um feitiço, mas sim um ritual... — Lavínia comentou.

— Ah que seja! De qualquer forma, não deu certo. André nos disse que conheceu esse tal de Renato em uma lanchonete a quilômetros daqui. Como foi que ele saiu da cidade?

— Só se ele não pode se deslocar para um outro local para cometer os seus crimes..., porém isso não o impede de atrair as suas vítimas para cá. Pelo que a bruxa contou aqui no diário, ele entendia e muito de magia negra. Talvez tenha dado um jeito de sair... — Concluiu Carolina.

— E por que ele faria isso? — Perguntou Lavínia com medo.

— Para manter a sua imortalidade. Deve se alimentar de nossas almas, nosso medo, sei lá... — De repente Carolina teve uma ideia da qual deixou Leandro e Lavínia incrédulos: — Venham comigo. Vamos até os limites da cidade e procurar esses símbolos.

— Pirou de vez Carol? Como você quer sair por aí procurando símbolos com o que está acontecendo na cidade?

— Leandro está certo, e se durante o caminho encontrarmos Beto e Pedro? Ou pior, a gente der de cara com o demônio do Renato?

— Eu sei, mas ficar aqui também não resolve. Nossos amigos estão correndo perigo lá fora e temos de ajudá-los. 

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