turquoise

"Everything is blue
His pills, his hands, his jeans
And now I'm covered in the colors
Pulled apart at the seams"

Corvinos não eram bons de briga.

Na verdade, Christopher os achava engraçados enquanto tentavam responder alguma ofensa à altura e terminavam frustrados, os rostos lentamente se tornando vermelhos a medida que a fúria lhes subia a cabeça. Então corvinos realmente não eram bons de briga. Um sorriso torto enfeitou o canto dos lábios do alourado enquanto um Hwang Hyunjin lhe apontava o dedo na cara, o corpo parcialmente sendo puxado pelos amigos que tentavam enfiar algum juízo na cabeça.

— Você não vai fazer nada? – Um dos amigos de Christopher resolveu se pronunciar. Han Jisung, aliado da família Bang graças ao próprio herdeiro, companheiro de casa e dormitório.

— Eu não, pra que? – Lá estava ela. A voz grossa carregada do sotaque australiano de quem havia sido transferido direto de Nest's Moa pouco tempo atrás. – Eu te disse que Hyunjin se estressava fácil, é divertido.

— Ele discute muito com você, eu acho muito melhor atormentar aqueles dois amigos dele. Jeongin e Seungmin, eu acho? – A dupla começou a caminhar pelo pátio em direção aos corredores do grande castelo de Hogwarts. Jisung achava impressionante o quão diferente era de Mahoutokoro, a escola japonesa de magia. – De qualquer maneira, nosso ano aqui vai ser muito melhor agora. Você precisa ver esses idiotas em Mahoutokoro.

Christopher riu. Seu ano escolar estava uma bagunça; deveria ter sido transferido para o Japão, mas fora previamente escolhido, junto com alguns outros estudantes, para cursar aquele em Hogwarts, como uma espécie de intercâmbio cultural bruxo. E ele não estava reclamando, já que a seleção das casas o havia colocado na Sonserina, onde conheceu Jisung, que havia dado uma certeza mais que absoluta de que continuariam colegas de quarto quando o intercâmbio acabasse.

E em cerca de dois meses desde que tudo havia começado, muitas das coisas eram diferentes do início. A lenta ascensão de Christopher nos padrões dos outros estudantes devido ao seu status social agora estava no auge, como um novo integrante da elite de Hogwarts, trazendo Jisung junto de sua glória em conjunto do passe-livre silencioso das detenções pelas peripécias que causavam, principalmente contra o trio de corvinais intercambistas.

As vestes esvoaçavam ao redor dos seus corpos enquanto andavam pelo caminho de pedra, a mão do Bang sempre firme no cabo da varinha, escondida nas mangas. Um truque que ele também tinha ensinado ao melhor amigo. Dessa forma, não foi difícil azarar discretamente Hyunjin e seus amigos quando passaram por eles durante o trajeto. Apressaram o passo quando gritos e xingamentos foram ouvidos em coreano e japonês num misto raivoso, gargalhando sem parar até chegarem as masmorras.

— Mal posso esperar pra conhecer a sua escola. – Christopher disse, se jogando pesadamente num dos sofás da sala comunal, assim que entraram.

— Lá tem mais um monte de idiotas. Parecem clones. – Um suspiro em conjunto antes de um minuto em silêncio. Jisung se afundou no meio das almofadas verde e prata, deslizando os dedos ao longo da madeira firme de sua varinha. – Você estava dizendo antes..? Quer dizer que tem um encontro hoje à noite? É com alguém da Sonserina?

Sorrisos maliciosos preencheram o espaço entre os dois jovens enquanto o australiano negava quieto com a cabeça.

— É um cara de outra casa. Um corvino. – Segredou. O Han arregalou os olhos.

— Um corvino? – E então desatou a rir, negando com um aceno exagerado. – Hyunjin vai explodir se souber disso! Como você vai vê-lo depois do horário?

— Encontrei uma sala. Genial. Ouvi dizer que usaram na Grande Guerra, mas abandonaram logo em seguida. Tentaram até selar a porta, mas não funciona. – Deu de ombros levemente, como se não fosse nada. Mas, no fundo, estava até orgulhoso de si mesmo. – Hyunjin não vai saber disso...

— Christopher! Você encontrou a Sala Precisa?! Como?

— Foi um acidente. – Gargalhou, conjurando um simples Tempus para checar o horário. Começava a anoitecer e o loiro se levantou, esticando todo o corpo preguiçosamente. – Devo começar a me arrumar para o meu encontro agora.

— Você é sujo. – Murmurou, admirado, acompanhando com o olhar o melhor amigo que começava a caminhar para as escadas que levavam aos dormitórios. Christopher riu.

— Obrigado!

Christopher respirou fundo, as cortinas ao redor de sua cama fechadas. Estava com a capa, e por baixo, um suéter comum; seus planos não estavam em ficar no quarto.

— Eu juro solenemente não fazer nada de bom. – Sussurrou, ao tocar a ponta da varinha no papel gasto em suas mãos. Ergueu os olhos alarmado com a cortina se movendo ao seu redor, mas era apenas Jisung, se esgueirando sorrateiramente até o seu lado.

— Você é um cara de muitas surpresas mesmo. – Disse o Han, baixinho, observando o mapa por cima do seu ombro. Recebeu um sorriso torto; marca registrada do Bang.

— Sou um cara sortudo que acha as coisas certas... – Devolveu, no mesmo tom. – Tenho que ir agora. Vejo você amanhã?

— Claro que sim. Use os feitiços sem varinha que eu ensinei!

— Claro que sim. – Então, com uma piscadinha, Christopher deslizou pra fora da cama e foi silencioso, passando de cama em cama com cuidado até sair dos dormitórios.

Desceu pelo salão comunal e agradeceu internamente o fato do quadro na porta não ter comentado nada quando saiu.

Lumus. – Balbuciou sozinho, iluminando o mapa com a varinha acesa para poder caminhar em segurança. Não que o mapa do Maroto mostrasse a sala que ele precisava. Não, aquele caminho já sabia de cor. Mas precisava ter cuidado com os monitores e professores que faziam a ronda, não queria problemas.

Durante seu trajeto, Christopher se pegou pensando no seu inimigo. Divertido, com certeza, quando o azarava e Hyunjin partia pra cima, amaldiçoando em coreano e japonês todas as suas próximas quinze gerações, bufando de ódio e prometendo com todas as suas forças o encarar num duelo qualquer dia desses, até Jeongin e Seungmin o impedirem de sacar a varinha e o amaldiçoar em qualquer lugar que estivessem. Inteligentemente, o puxavam pra longe, mesmo que quisessem deixá-lo. Afinal, poderiam compensar todas as azarações de Jisung em cima dele também, mas ainda pretendiam ganhar a Taça das Casas daquele ano.

"Espere até estarmos em Mahoutokoro, Christopher. Eu vou acabar com você."

— Procurando problemas, Christopher? – Ouviu a voz grossa e baixa vinda de trás de si.

"Mal-feito, feito." sussurrou, guardando o mapa em meio às vestes antes de se virar com um sorriso torto.

— Já achei o que eu queria, Hwang, muito obrigado. – Ergueu uma das sobrancelhas. Principalmente com o broche de monitor azulado preso perto do brasão Corvinal. – Que bonitinho, virou bichinho de estimação dos professores, foi?

Hyunjin deu de ombros.

— Apenas inteligente o suficiente para me destacar, mesmo na minha casa. Aparentemente algo que você é incapaz de fazer, não é?

Christopher deu um passo à frente, ameaçadoramente perto, os lábios pairando por perto da audição do mais alto.

— Não deveria tentar me ofender, Hwang. Eu posso facilmente destruir toda essa sua imagem de bom moço. – Os dedos do sonserino enroscaram no broche, que foi puxado logo em seguida. – Acho que vou ficar com isso. Deve ser o suficiente para que você se lembre quem manda aqui.

O pequeno acessório foi guardado; Hyunjin nem viu onde, mas deixou um sorrisinho escapar.

— Ainda não me disse como.. Encontrou esse lugar.

— Não é hora de fazer perguntas, Hwang. Francamente. – Christopher sussurrou contra a pele do pescoço de Hyunjin, logo após empurrá-lo com força na parede da Sala Precisa.

Ele sequer respondeu, mas embaralhou os dedos nos cabelos alourados do australiano e fechou os olhos. As mãos do Bang estavam em todo lugar do seu corpo. Pesadas. O lembrando constantemente dos pecados que estava cometendo, porque Christopher era quente e ele não podia resistir; não quando seus dedos criavam uma linha de fogo pela sua pele, arrancando suas vestes e o incendiando de dentro pra fora.

— Christopher... – Sussurrou, de olhos fechados. Completamente entregue. Hyunjin ouviu ele murmurar uma ou outra coisa. Um encantamento que ele não conhecia.

De primeira, não entendeu, mas quando o feitiço atingiu seu corpo, viu um sorriso torto brincar no canto dos lábios do sonserino e, embora não fosse a primeira vez que se encontravam, Hyunjin sempre se via insanamente perdido num mar de sensações proibidas.

— Vem aqui. – O ouviu dizer, antes de ser puxado pela mão em direção a grande cama situada no meio da sala. E de lá, o Hwang foi guiado para o colo, onde se sentou.

As capas já haviam deixado seus corpos e a gravata azul largada no meio do caminho; Hyunjin retirou o suéter e deixou Christopher desabotoar a camisa, botão por botão, e teria sorrido se sua boca não tivesse sido coberta pela do sonserino por um momento antes da voz grossa e baixa ecoar em seus ouvidos.

— Você sabe o que fazer.

E ele sabia, sabia bem, porque a resposta que recebeu quando suas próprias mãos tocaram o corpo a sua frente foi nada menos do que o seu passaporte apenas de ida para o inferno, onde mergulhou de cabeça de muito bom grado. Hyunjin se movia devagar, e todas as partes de si imploravam pelo australiano como se cada átomo fosse dependente daquele toque sujo que ambos precisavam tanto. Os lábios se encontraram outra vez, agora para conter os sons que segredavam ao outro, embora não fosse necessário tal alarde; a sala era enfeitiçada por si só, mas aquilo era algo que eles preferiam que fosse daquela forma. Íntimo. Pessoal.

Christopher o segurou pelos ombros, e o Hwang o nomeou como rei do submundo em que aos poucos se desfazia, os olhos fechados, a cabeça agora tombada para trás em busca de aproveitar as sensações, confidenciando entre eles uma onda de prazer que o deixou sem fôlego.

Porque Hyunjin não pôde fazer nada além de se queimar.

"Everything is grey
His hair, his smoke, his dreams
And now he's so devoid of color
He don't know what it means"

— Você me lembra uma música. – Hyunjin murmurou, sentado entre as pernas de Chris na cama, a cabeça deitada em seu ombro.

— Uma música? Eu conheço?

— Não, na verdade. É uma música trouxa.

Christopher riu.

— Você está me insultando. – Não falava tão sério assim. Hyunjin era mestiço, e ele já sabia disso, mas havia sido criado sob uma mentalidade que não ia, e nem queria, mudar. Hwang respirou fundo, preguiçoso. Sentia as mãos firmes indo e vindo ao acariciar seu corpo parcialmente nu. – Eu não sei porque você insiste nessa situação. Realmente não entendo.

— Já conversamos sobre isso...

— Não, não conversamos não. Eu tentei entender, mas você sempre foge do assunto. – Christopher, no entanto, não estava bravo. Se recostou melhor na cabeceira da cama e virou o rosto na direção do outro. – A opinião dos seus amigos importa tanto assim? Jeongin e Seungmin, só porque Jisung...

— Porque Jisung os persegue e ele é o seu melhor amigo? – Um suspiro vindo do loiro.

— Eu não controlo o que ele faz, Hyunjin.

O moreno mais alto ficou quieto dessa vez. Se revirou um pouco, virou o corpo para poder abraçá-lo. Chris sabia que ele estava chateado, mas não podia evitar.

— Não é como se eu fosse sair pelo castelo dizendo que estamos juntos ou algo. Nós nem... Não estamos prontos para algo mais sério, de qualquer forma. Somos muito diferentes. – Começou o Bang, recebendo um aceno em concordância. – Mas eu gostaria de poder me encontrar com você sem precisar te azarar. Sabe, só.. Conversar, beijar fora daqui. Você fica irritado com as brincadeiras, mas não me odeia de verdade, seus amigos eventualmente vão perceber isso.

Silêncio.

— Eu sinto muito. – Respondeu, bem baixo. – É melhor eu ir...

E ele até começou a se levantar, embora não quisesse realmente. Penteou os cabelos para trás com os dedos, mas foi surpreendido pela mão segurando firme seu punho antes que ele pudesse sair da cama.

— Hyunjin, não é... Não é assim.

— Você tem razão, Chris. – O corvino murmurou, exibindo um pequeno sorriso para se inclinar e pressionar os lábios nos do loiro. – Eu não odeio você. Só preciso me preparar para contar a eles, sim?

Christopher suspirou, derrotado. Ao menos havia tido alguma mudança; Hyunjin nunca havia dito que Jeongin e Seungmin saberiam sobre eles. Observou, impotente, enquanto ele abotoava o restante da camisa e vestia o uniforme. A gravata perdida, as vestes espalhadas. O horário dos monitores provavelmente tinha terminado alguns minutos antes, mas o Hwang não possuía mais seu broche. Não quis pedir de volta, também, sabia que o receberia mais cedo ou mais tarde, de qualquer forma.

— Hyunjin. – Chamou, quando ele estava prestes a abrir a porta da Sala Precisa.

— Hm?

— Eu gosto de você.

Hyunjin sorriu.

— Eu sei, Christopher.

Ele acabou sorrindo de volta, com a resposta. Tinha certeza do que aquilo significava, afinal. Enfim, deixou o Hwang ir e se acomodou; seriam longos minutos de espera até que pudesse retornar ao dormitório também.

Era manhã e Han Jisung estava confuso. Eles haviam sido dispensados da primeira aula do dia, e embora pudessem treinar quadribol, Christopher havia o pedido para se encontrar no dormitório. O Han não entendia o que poderia ser mais importante do que o treino, Nest's Moa havia relutado e muito em perder o melhor apanhador da história da escola, que fechava as cortinas da própria cama e recitava uma série de encantamentos para reforçar a privacidade.

— Eu realmente me sinto perdido.

— O garoto com quem eu venho me encontrando na Sala Precisa. – Disparou, de uma vez. Jisung arqueou as sobrancelhas. – O corvino. Eu me encontrei outras vezes com ele, já faz um tempo.

— Por que? Achei que não gostava de repetir. – Ele se deitou, roubando um dos travesseiros. "Folgado" talvez fosse uma boa palavra para defini-lo, mas Christopher se limitou a sorrir de canto.

— Digamos que tenha algo sobre ele que me prenda. Eu não gosto de repetir, mas temos nos encontrado quase todas as noites.

Jisung pareceu pensar um pouco no que tinha acabado de ouvir. Terminou com um sorriso malicioso pintado nos lábios, e jogou o travesseiro que havia roubado em direção ao loiro.

— Você está apaixonado! – Riu. Recebeu um olhar de advertência, mas continuou rindo mesmo assim. – Então, vai me dizer quem é?

— Não vou precisar. Você vai saber hoje no Salão Principal. – Christopher finalmente ergueu a mão e mostrou o que segurava desde o começo: o broche azulado de monitor que não o pertencia. Han deu uma boa olhada no objeto e o empurrou com o ombro levemente.

— Você é sujo, muito sujo. – Provocou.

— Obrigado, muito obrigado.

Hyunjin sentia as orelhas queimarem de vergonha e ódio momentâneo enquanto encarava as portas do Grande Salão. Já era hora do jantar e ele estava atrasado. Sinceramente, o Hwang nem mesmo estava com vontade de entrar e encarar as centenas de olhos o acompanhando enquanto ele ia pedir o que era seu. Entretanto, não tinha outra opção. Respirou fundo e empurrou as portas pesadas para entrar.

O coração batia com tanta força que jurou que sairia pela boca ou quebraria suas costelas eventualmente. E ao invés de caminhar direto para a mesa da Corvinal, seus pés o guiaram até a mesa verde e prata, onde esticou a mão a frente do rosto de Christopher.

— Eu preciso que você me devolva agora. – Disse, baixo. O australiano sorriu, aquele sorriso torto insuportável.

— Que falta de educação me interromper, Hwang. Você poderia ao menos pedir direito? – Murmurou, presunçoso, baixando o garfo para o apoiar na beira do prato.

Subitamente, todo o Salão parecia quieto. Até mesmo os professores e Minerva McGonagall observavam a cena com interesse.

— Por favor, Christopher. Você poderia me devolver o que está com você? – Rosnou entredentes.

— Você está vendo, Jisung? É assim que bons garotos fazem. – O loiro chamou a atenção do melhor amigo, que acompanhava todo o drama de perto. Christopher enfiou a mão num dos bolsos das vestes e mostrou para o Han do que se tratava. – Aqui está, princesa. Veja se não perde outra vez, pois estarei inclinado a ficar como lembrança.

Por fim, despejou o pequeno acessório na palma de Hyunjin, que saiu bufando. Jisung permanecia impressionado.

— Hyunjin?! – Sussurrou, em meio a risadas que ninguém mais entendeu. Chris deu de ombros.

— Veja bem, Han. O que eu quero, eu consigo. – Respondeu, no mesmo tom, se virando para dar uma olhadinha por cima do ombro. Bem a tempo de ver Jeongin e Seungmin, na beirada da mesa, tendo uma reação extravagante à verdade de um Hyunjin envergonhado, que mantinha a cabeça baixa. Apesar disso, tudo nos conformes. Os alunos e professores continuavam sem entender muita coisa; cochichavam sem parar entre si.

— Me diz de novo como isso aconteceu.

Hyunjin respirou fundo, as costas encostadas no concreto da fonte do pátio do relógio. Ele encarou Seungmin, que o fitava de volta, na mesma intensidade.

— Eu disse que estava fazendo a ronda e me encontrei com ele. Christopher roubou meu broche.

— E o que mais? – Jeongin perguntou, sorvendo mais um gole do suco de abóbora roubado da mesa de jantar. Talvez esperasse por uma briga ou algo do tipo.

— Nós transamos.

Um barulho sufocado. Jeongin se engasgava com o suco, e teve até que se apoiar na fonte enquanto tossia.

— Vocês O QUE?! – O tom de voz do Kim foi mais alto. Desacreditado e com uma faísca de raiva. O mais novo entre os três ainda tinha uma pequena dificuldade para respirar.

— Eu já disse... – Hyunjin afundou o rosto entre as mãos, a franja enorme caindo por seus dedos.

Silêncio.

— Você perdeu a sua virgindade ontem com o Christopher? – Yang Jeongin ainda tentava entender.

— Não, eu... Perdi já fazem algumas semanas. – Um aceno em negativa com a cabeça. Seungmin arqueou as sobrancelhas, desconfiado.

— Foi com ele, não foi? – Perguntou, por fim. Hyunjin ficou quieto. Seus dois melhores amigos suspiraram e não disseram mais nada por um bom tempo.

Era exatamente aquela situação estranha que queria evitar quando decidiu esconder seus encontros noturnos com o sonserino. Seu coração apertava no peito, porque ele era tão parecido com Jisung, e por isso podia entender os amigos, mas ele era tão... Diferente, ao mesmo tempo.

— A gente tem se encontrado todos os dias durante a ronda dos monitores. Em Hogsmeade também, às vezes. Christopher me procurou no dia da seleção das casas, nós conversamos e foi... Interesse mútuo, eu acho. – Começou, finalmente tirando as mãos do rosto e puxando seus fios para trás. Olhou para cima, para as estrelas, e suspirou baixo. – Achei que continuaria tudo bem quando eu fui pra Corvinal e ele Sonserina, então nós continuamos conversando por mais alguns dias, ele me procurava ou a gente se encontrava sem querer quando eu estava sozinho. Eu... Rejeitei o Christopher quando ele se aproximou tanto do Jisung, mas ele continuou, sabe, flertando por alguns dias. Depois, pensei que ele tinha desistido e tentei conversar sobre isso...

Hyunjin travou. Seu corpo estava tenso, sentia mesmo um nó na garganta, que só começou a diminuir quando Seungmin e Jeongin se aproximaram consideravelmente de si.

— Pode continuar falando. Não vamos brigar com você. – Seungmin sussurrou, a ideia reforçada pelo aceno de Jeongin logo em seguida.

— Eu o encontrei voltando do teste de quadribol. Ele vinha pelo corredor com Jisung, animado por terem entrado no time juntos, sei lá, mas quando ele me viu, deu uma desculpa pra ficar sozinho e veio conversar comigo. Eu disse "precisamos conversar" e ele respondeu "não aqui". – Hyunjin foi inundado com as lembranças daquele dia. Do quanto tinha achado Christopher incrivelmente atraente com o uniforme de quadribol, e do quanto entendeu a amizade que mantinha com Jisung quando os viu conversando e rindo normalmente pela primeira vez. – Durante a aula de Transfiguração, recebi um bilhete dizendo "sétimo andar hoje, depois do horário". Eu não tinha entendido de cara quando cheguei. Parecia um corredor vazio comum até Christopher me mostrar uma porta que não estava lá antes.

— Vocês encontraram a Sala Precisa? – O mais alto arqueou as sobrancelhas com a pergunta de Jeongin. Por que todo mundo sabia sobre aquele lugar? – Li isso em Hogwarts: Uma História.

— Christopher encontrou. De qualquer forma, quando entramos, ele disse que era como o quarto dele em casa. Nós conversamos, eu disse que tinha medo de que vocês ficassem com raiva, então sugeri que continuássemos nos conhecendo em segredo naquela sala. E no resto do tempo, ele seria como meu inimigo. – Hwang gesticulou um pouco com as mãos. Olhando agora, não era a melhor alternativa, ele sabia disso. – Ele disse que tudo bem. Que não seria difícil fingir, contanto que a gente se visse todos os dias. Nesse dia, nós... Enfim.

Hyunjin se lembrava perfeitamente daquela noite. E de todas as outras que vieram em seguida também, mas a primeira vinha com clareza em sua mente toda vez que pensava em Christopher. Christopher o tocando. Christopher o puxando pra perto. Christopher o pedindo pra continuar. Christopher o elogiando baixinho ao pé do ouvido. Christopher quebrando todas as suas barreiras sem dó nem piedade, enquanto o lotava de beijos e prazer. Depois disso, não foi difícil se apaixonar, também; o australiano era mais carinhoso e engraçado do que parecia, apesar de levar consigo muitos preconceitos dos quais não queria se desfazer em prol do nome da sua família. Apesar de tudo, eles davam certo juntos.

— O problema é que ele gosta de mim também. E se ele gosta de mim, significa o resto das pessoas acabarem sabendo disso, e, com a fama que o Christopher tem...

— Ele pediu pra você falar com a gente?

Hyunjin negou a pergunta do mais novo.

— Ele disse que não entendia o por que de eu querer esconder, mas eu estava com medo de vocês ficarem com raiva de mim porque ele é melhor amigo do Jisung, e ainda estou um pouco assustado com a reação das pessoas se souberem disso, eu só...

Ergueu os olhos para o relógio na torre. Ficou alguns poucos instantes fitando o ponteiro enfeitiçado até se levantar de súbito. Faltavam poucos minutos para o jantar acabar, então ele saiu andando apressado; Jeongin e Seungmin se atrapalharam para segui-lo pelos corredores, mas chegaram a tempo de vê-lo empurrando as portas do Salão Principal com força. Os amigos ficaram ali. Hyunjin parecia tão decidido que todos os outros alunos pararam para observá-lo, em silêncio.

— Você. – Esbravejou, apontando para um Christopher genuinamente confuso que havia acabado de se levantar.

Tensão. Jisung se levantou num reflexo, a varinha em mãos, caso tivesse de defender o melhor amigo.

"You were green
And you liked me because
I was blue"

Os dedos de Hyunjin se enroscaram na gravata verde e prata quase agressivamente. Minerva McGonagall se levantou da cadeira de diretora, pronta para interferir. A maioria dos alunos recuou, temendo estar prestes a finalmente presenciar a revanche por todas as azarações. No entanto, tudo que viram foi quando os lábios do Hwang pressionaram os de Christopher. Han baixou a guarda, mas o sonserino permanecia parado, em choque durante um segundo que demorou demais a passar. Hyunjin sentiu o arrependimento correr até o último fio de cabelo, e começou a se afastar.

"You touched me
And suddenly I was a
Bright sky"

Foi impedido pelo próprio Christopher, que o puxou com força para perto para retribuir o beijo assim que se percebeu hesitando por tempo demais. Lidariam com a detenção depois, agora não. Agora, a única coisa que fariam seria mergulhar no mar turquesa de emoções que corriam por suas veias como veneno.

"Luckily you decided
That turquoise
Was the color for you."

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