4: Histórias que o livro contou
Eram QUATRO vezes uma noite em que uma chuva torrencial caiu do céu, até de manhã. Toda a madrugada foi iluminada por raios, e o estrondo dos trovões ressoou aos quatro cantos. Naquela noite, o vento cantava uma canção enquanto a Colecionadora de Defeitos clareava as páginas de um livro muito, muito velho à luz de velas.
Elas – as páginas – eram feitas de tramas; não eram rasgáveis e nem molháveis, e fios de mágica saíam delas. Em absolutamente parte alguma haviam palavras, pois esse era um livro que só contava o que cada um precisava saber.
Para Anael, ele disse para procurar a Colecionadora, e para ela mostrou todo tipo de coisa, antiga e nova, conhecida e desconhecida, mágica e bela.
Mostrou-lhe a essência dos Seres Primitivos da Natureza e contou-lhes sobre os segredos que guardavam. Enquanto o mundo navegava lá fora, a Colecionadora era submersa por histórias das mais antigas: da criação do mundo e do seu funcionamento.
Dos primeiros seres que o habitaram e das coisas que fizeram para protegê-lo...
Dentro daquele livro estava a maior coleção de sensações e sentimentos do mundo, e a Colecionadora foi invadida por todos eles. Deixou que aquelas histórias corressem dentro de suas veias e saíssem por sua respiração.
Viu e sentiu milhares de coisas, e entendeu o que os Espíritos Primitivos da Natureza sentiram, e o que queriam dela. Ficou preenchida pelo amor deles, e se sentiu parte integrante do todo: uma fina fibra da trama do Universo, mas que nunca poderia ser substituída caso arrebentasse.
Ela se sentiu importante, insubstituível, fundamental.
Naquela noite, a Colecionadora pegou no sono ali, com a cabeça apoiada no livro, e sonhou com o mais belo dia de verão que poderia existir.
Quando acordou no dia seguinte, cheia de contentamento, uma borboleta cor de limão estava pousada em sua bochecha.
Pra onde você acha que a borboleta verde vai levar a Colecionadora? ✨
Obrigada por ter chegado até aqui 🌈
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top