16: Temos que sair daqui

Eram DEZESSEIS vezes...

- Está se sentindo melhor? – perguntou Anael Florestan.

A Colecionadora estava escorada num tronco de árvore comendo uvas. Ela ainda tremia um pouco, e sua cabeça estava meio perdida, mas se sentia bastante melhor, sim.

- É.

- Você lembra quem sou eu?

- Anael.

- Isso mesmo. Parece que sua memória está intacta.

- E eu sou a Colecionadora. Co. Le. Ci. O. Na. Do. Ra. Mas o que mesmo que eu coleciono?

- Defeitos, em sua grande maioria.

- Sou uma Colecionadora de Defeitos.
Anael, que estava sentado na grama a seu lado, assentiu.

- Por que eles me chamavam daquele jeito?

- Não sei. Eu nem sei quem são “eles”. O que você viu?

- Nada. Absolutamente nada. Tudo era escuro e vazio, como se nada existisse.

- Nunca ouvi falar de nada parecido... Mas eu estou aqui agora. Vai ficar tudo bem.

- Temos que sair daqui.

Anael e a Colecionadora organizaram suas coisas: ela vestiu a capa de chuva, e ele recolheu as frutas que ainda estavam boas e as guardou em sua bolsa de viagem.

Antes de partirem a Colecionadora sentiu uma dor tão forte na região da barriga que a fez contorcer.
Anael ajudou-a a se deitar para que pudesse lhe examinar. Depois de dar uma boa olhada, disse:

- Você vai ter que ser forte. Vai doer. Você tem um alicate?

A menina entregou a ele o alicate que trouxera e mordeu um lenço enquanto Anael realizava uma espécie de procedimento cirúrgico improvisado em seu umbigo.

Quando terminou, o professor fez nela um curativo, e lhe entregou o espinho de marrom-amarelado de um palmo que saíra de dentro dela.

- Aposto que agora você vai melhorar. E dito isto, sigamos.

Assim fizeram os dois, Anael amparando a Colecionadora, que ainda estava muito fraca. A ponte, que era partida ao meio, foi se encompridando a cada passo que eles davam, até levá-los ao outro lado em segurança.

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