Capítulo 27 - Jungkook
Hoje, dia 3 de julho, é meu aniversário de 20 anos, e decidi que nada mais justo postar um capítulo em comemoração. Não propositalmente, o próximo na lista era esse extra, pertencente à 1/3 do nosso trio favorito (ou não).
Espero que esteja a grato de todos.
Aviso: há uma mini cena de conteúdo sexual no final do capítulo . Não é obrigatório ler, mas adoraria a opinião de todos porque foi um dos primeiros hots que escrevi e adoraria saber o que acharam. Ah, e esse será o único na história, já que nunca planejei CB pra ter conteúdo sexual explícito.
***
Jungkook já estivera em muitas situações durante sua vida; situações felizes, tristes, e também vergonhosas – que em sua maioria o fazia ficar acordado durante as madrugadas, questionando toda sua existência –, mas nenhuma parecia se igualar à que ele estava naquele momento.
Era um sábado – desconhecia a data porque era péssimo com isso –, e a primeira impressão que ele tivera ao entrar na casa de classe média ao sul de Seul, era como tudo parecia extremamente organizado, de forma que o proprietário parecia saber exatamente onde cada coisa estava – algo antagônico ao que vivia diariamente, onde todos pareciam perdidos na residência dos Jeon, sem saber onde procurar o que precisavam. A sensação era boa, aquecendo-lhe o peito à medida que observava com mais detalhe as fotografias espalhadas pela estante alta, em sua maioria de cunho familiar, embora pudesse notar em contraste a imagem de Jung Hoseok em muitas delas, o que confirmava seu pensamento de que o dono e seu colega de turma eram muitos próximos.
Ele só não entendia o motivo para o outro não estar ali, que tinha sua curiosidade sendo alimentada à medida que notava que Kim Taehyung também observava a figura sorridente sentada de frente para um lago, ao lado de um garoto desconhecido, mas que parecia tão feliz quanto dele, como se apreciasse a companhia do outro.
Não o julgava, de todo modo. Hoseok parecia ser, de fato, uma companhia bem agradável quando não estava estressado com algo – o que o tornava deveras assustador.
— Tínhamos catorze anos nessa foto — uma voz rouca soou atrás deles, assustando o adolescente que não demorou para se afastar da fotografia. Taehyung, por outro lado, não pareceu surpreso ao notar a nova presença, lançando um olhar por cima do ombro para o jovem parado antes de voltar seus olhos para a imagem do colega, que parecia brilhar mais do que o próprio sol devido à sua felicidade genuína.
Era bonito, de verdade, a forma com qual ele parecia tão despreocupado, sabendo que nos últimos tempos Hoseok andava como se unicamente desejasse que o dia chegasse ao fim, sem aproveitá-lo de fato. Jungkook observou o garoto que começara o diálogo, notando sua indiferença ao guardar as mãos dentro da calça de moletom cinza queimado, enquanto a camiseta regata branca apertava seu quadril torneado e desenhava a sua área da cintura, valorizando-a. Era bonito, embora só tivesse olhos para seu namorado que provavelmente chegaria a qualquer momento.
— Acho que conheço esse lago, mas não sei onde fica precisamente — o mais novo dos três respondeu, voltando a observar a imagem que lhe era de fato conhecida, embora um branco o impedisse de definir com precisão o endereço. Sua memória sempre fora péssima.
— É em Busan — o adolescente explicou, causando um arrepio na espinha de Jungkook que ninguém notara. — Foi uma viagem de férias da minha família, então não tinha porquê não convidar o Hobi. Foi muito divertido, as melhores férias de verão da minha vida, e sei que também foi a do Hoseokie. Foram... boas semanas — murmurou em seguida, provavelmente lembrando-se de algo que não lhe apetecia.
— Hoseok tem uma cópia dessa foto, não? — Taehyung perguntou, chamando a atenção do mais novo. — Notei na primeira vez que fui ao seu quarto. Fica apoiada na mesinha de cabeceira, próxima do abajur.
— Sim, ele tem — sorriu, orgulhoso. Jungkook notou que duas covinhas surgiram em suas maçãs do rosto, o que contribuiu para torná-lo ainda mais fofo aos olhos do adolescente. — Decidimos que era injusto demais só um manter a lembrança em foto, então fizemos uma cópia assim que chegamos em Seul. Como minha família gosta muito dele, decidimos manter na sala de estar mesmo.
— Sua casa é bem legal — Jungkook murmurou, chamando a atenção dos dois garotos. — Gostei da decoração, e o tom bege combina com as plantas. É... agradável.
— Obrigado. Fico feliz que tenho gostado — sorriu, gentil. — Desculpe, não sei se você é Min Yoongi ou Jeon Jungkook.
— O segundo. Yoongi é meu namorado — explicou. O outro assentiu, em compreensão. — E eu tampouco sei seu nome.
— Namjoon. Kim Namjoon — Jungkook sorriu. — Sinto muito por não ter dado uma recepção melhor, mas Taehyung não avisou que viriam com muita antecedência.
— Marcamos ontem a reunião, logo depois que você avisou da disponibilidade do... você sabe. Acontece que fiquei ocupado com outras coisas e esqueci de avisar, sinto muito.
— Está tudo bem, não me importo com mais presenças, além de que sei que são amigos de Jimin — Jungkook sussurrou um agradecimento, tímido. — Mas meu amigo logo chegará, e acredito que seu namorado também não demorará muito, então poderemos finalmente conversar sobre o que enrolamos tanto para discutir.
— Eu sequer sei exatamente o que viemos discutir. Taehyung hyung não foi muito bom na explicação.
— Eu imagino — Namjoon murmurou, seus olhos transpassando que ele sabia algo que mais ninguém sabia. Taehyung tinha uma ideia do que seria, e não conseguiu evitar não se sentir mal ao pensar que seu segredo estava sendo guardado por três pessoas em um único país. — De qualquer forma, será algo que ajudará à todos, então não têm com o que se preocupar. Eu acho.
— Sim, eu sei. Eu... só quero ajudar Jimin hyung a se livrar daquele pai dele — sussurrou, sentindo-se chateado ao se lembrar de tudo que o melhor amigo passara até aquele momento.
— Eu também, Jungkook. Eu também.
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— Por que não começamos com vocês dizendo o porquê de terem nos chamado aqui? — Yoongi começou, mordendo um pedaço do biscoito champanhe que lhe fora servido, em seguido dando um gole do chá fervoroso de frutas vermelhas. Ao seu lado, Jungkook também comia, mordiscando o doce assim como o anfitrião e o adolescente sentado ao lado do mais alto entre eles, enquanto Taehyung era o único que parecia relaxado enquanto apoiado no sofá de três lugares, observando a maneira que os outro quatro comiam silenciosamente.
— Taehyung não explicou? — Namjoon questionou, desviando o olhar para o amigo, que retribuira o mesmo sem entender.
— Achei que não seria sensato discutir essa temática tão próximo de outras pessoas, principalmente pessoas que odeiam a família dos três — deu de ombros, antes de voltar a observar os adolescentes comendo. Era algo gracioso, de fato, principalmente quando não notavam que este o fazia.
Namjoon pensou por um segundo, sob o olhar dos quatro presentes antes de assentir de leve, concordando silenciosamente. Taehyung não estava de todo errado, no fim.
— Tudo bem, mas acho importante discutirmos agora o motivo para termos os chamado. Principalmente Youngjae — ele encarou o garoto ao seu lado, que parecia concentrado em beber seu chá até seu nome ser citado, forçando-o a levantar a cabeça.
— Tem que ser algo realmente importante para me fazer desmarcar uma noite de filmes com doces na companhia de meu namorado — murmurou, apoiando a xícara na mesa próxima de Taehyung.
— Você namora? Desde quando?
— Começamos a ficar em setembro, mas ele me pediu em namoro em dezembro — murmurou, antes de comer mais um biscoito. — Mas isso não é importante, e sim o motivo para eu estar aqui!
Taehyung e Namjoon trocaram um olhar que não passou despercebido para os outros três presentes, o que fazia Yoongi questionar se realmente era uma boa ideia estar ali, ao invés de sua casa, onde poderia descansar para as provas do dia seguinte. Já Jungkook parecia ansioso, porquê uma parte de si sabia que sim, aquele olhar, aquela reunião... Tudo era sobre Jimin, Jimin e sua internação em um lugar onde não poderia ir todo dia, o que o forçava a passar a semana ansioso, pensando se o melhor amigo estava dormindo bem, comendo bem... Não era idiota, e sabia que tampouco as pessoas ao seu redor eram, então por que todos fingiam? Fingiam ser pessoas que não eram, assim como o Park fizera por tanto tempo.
— Diga, Tae — Namjoon murmurou após alguns segundos, ao notar que Taehyung desviara o olhar. — Foi ideia sua.
— Eu quero hackear o sistema de segurança da casa dos Park, e ter acesso total a todas as câmeras da residência — disse de uma só vez, notando quando Jungkook arregalou os olhos assustado e trocou um olhar com Yoongi, que não demonstrava reação ao que foi dito.
— Mas que porra... — Youngjae praguejou, antes de voltar seus olhos para Namjoon. Era visível a confusão e raiva em seus olhos apertados, como se desafiasse o outro a mentir para ele. — Foi para isso que você me chamou aqui, Kim?
— Você era o melhor em computação no ensino fundamental, Jae, você me ensinou tudo que sei — explicou, calmo demais para alguém que poderia levar um soco a qualquer momento. — Você já hackeou o sistema de segurança da polícia para apagar um boletim de ocorrência, isso seria nada para você. Entende... Taehyung tem os motivos dele para isso, ele precisa disso para ajudar quem gosta e a si mesmo. Sinto muito por te incluir em algo tão arriscado, mas eu precisava ajudar um amigo.
Amigo, era o que Taehyung repetia em sua própria mente, enquanto ouvia todo o diálogo. Atrás de si, o casal burguês não demonstrava nada além de confusão, provavelmente pensando nos prós e contras daquela ação.
— E você pensou em mim como primeira opção? — Namjoon assentiu, o que fez Youngjae soltar um longo suspiro. — Céus, garoto... você só me dá estresse. Tinha que ter fingido não ter te visto jogado naquele chão quando você tropeçou nas minhas peças de LEGO.
— E eu agradeço por isso — sorriu, recebendo um muxoxo zangado. — O que você acha de nos ajudar e depois podemos marcar de tomar um café com o Hobi?
— Você sabe que o Hobi me odeia desde que tudo aconteceu para que ele fosse expulso da Palan... Ele provavelmente não quer ver minha cara nem pintada de dourado.
— Ele gosta de você, e sabe que não foi sua culpa — sussurrou, embora soubesse que Taehyung poderia ouvi-lo. Youngjae o olhou, desacreditado. — E se você não acredita em mim, você pode aproveitar do momento para pedir desculpas.
— Tá, aceito — Namjoon abriu um enorme sorriso, abraçando o ex amigo com força enquanto ouvia esse suspirar, provavelmente pensando em que pecado cometera para estar naquela situação. E quando se soltaram segundos depois, este olhou para os outros três adolescentes, que pareciam perdidos sob a situação a qual pertenciam. No fim, seus olhos se prenderam em Taehyung, que sustentara o olhar já sabendo que este falaria da missão. — E eu concordo em ajudar, mas vocês terão que me levar até a entrada da mansão para eu ver quantas câmeras tem disponíveis na fachada. Isso me ajudará a somar as câmeras de dentro, contando com a existência de um possível escritório ou passagens secretas.
— Tudo bem — assentiu, sabendo que não teria outra escolha senão aceitar.
— E não será fácil, tampouco — avisou. — Levei cerca de oito meses para estudar o sistema de segurança da polícia antes de tentar qualquer coisa, e se você quer invadir as câmeras dessa casa é porquê são pessoas importantes, o que levará bastante tempo também para planejar um álibi. Não quero parar na cadeia e ter meu cabelo raspado, ele é bonito demais para isso.
— Quanto tempo?
— De três a quatro meses, sendo bem gentil.
Quatro meses.
Taehyung e Namjoon se encararam, sabendo o que aconteceria com o Kim mais novo em junho. De qualquer forma, precisavam torcer para que Youngjae concluísse o que precisasse antes do fim da missão de Taehyung, ou estariam completamente ferrados. Não poderiam arriscar nenhum segundo, o tempo era deveras importante agora, e precisavam valorizá-lo.
— Tudo bem, Youngjae — disse Namjoon após alguns minutos. — Use o tempo que precisar.
— Ótimo — ele se ergueu, ajeitando a calça de lavagem escura que usava junto do suéter preto. — Entrarei em contato em breve para marcarmos o dia do próximo encontro.
— Espere — Jungkook chamou ao notar que ele iria embora, chamando a atenção dos três responsáveis por aquela reunião. Ele sentiu quando Yoongi segurou sua não com carinho, acariciando-a com delicadeza. — Onde entramos nesse plano? Por que estamos aqui, afinal?
— Os convidamos porque vocês são amigos de Jimin — Namjoon explicou —, e acreditamos que seria mais simples vocês explicarem o plano para ele do que nós, que o conhecemos a pouco tempo. Bom, eu sequer já o vi em toda minha vida... Além de que vocês serão muito importantes na questão de manter a confiança da família Park, já que são próximos de Jimin desde a infância. Isso ajudará na parte B.
— E como você sabe de tudo isso sobre nossa relação? — Yoongi questionou, pela primeira vez desde que a reunião começara.
— Suas redes sociais são abertas.
Jungkook abaixou a cabeça, pensando em tudo que tinha acontecido até aquele momento, e os motivos de Taehyung para fazer o que fazia naquele momento... Não tinha problema em confiar nele, certo? Jimin parecia o fazer, então era por algum motivo muito bom, certo? Céus, não sabia. Verdadeiramente não sabia.
Ele olhou para Yoongi, notando como o namorado parecia calmo, embora soubesse que tudo não passava de um disfarce para não surtar com tantas informações em pouco tempo. Ele já sabia a resposta do parceiro, óbvio que sabia, então por que não seguir a mesma ideia? Não queria ser excluído do plano que poderia destruir a vida da pessoa que mais machucou quem amava. Não aceitaria ser excluído dessa maneira, não mesmo.
— Tudo bem — concordou, de leve. Yoongi sorriu em resposta. — Podem contar conosco.
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— Obrigado por vir.
Foram com essas palavras que Jungkook foi recepcionado na pequena clínica psiquiátrica, retirando o grande casaco que cobria seus ombros antes de sentar-se em uma das duas cadeiras disponíveis, de frente para Park Jimin.
O adolescente assentiu, abrindo um mínimo sorriso antes de aconchegar-se no local, notando pela forma como Jimin se portava como ele parecia mal naquele dia – provavelmente pelo efeito dos medicamentos pesados que era obrigado a tomar, ou noites cansativas de sono, longe da sua cama de dossel com travesseiros com pena de ganso. Seus cabelos estavam mal cuidados, ressecados pela falta da hidratação intensiva que o melhor amigo fazia todo fim de semana, e seus olhos tinham grandes olheiras cercando suas pálpebras inferiores, fazendo-o notar sua falta de sono regulado. Além disso, seus lábios também continham um tom arroxeado, embora marcas vermelhas aparecessem na lateral pelo ciente desde de mordiscá-los, tentando extinguir sua ansiedade costumeira.
Mas ele ainda era seu Park Jimin.
Um Park Jimin ferido, assustado, e ansioso... mas seu Park Jimin. Não o Park Jimin da época de Ensino Médio, que machucava a todos para tentar suprir alguma dor dentro de si, mas sim o Park Jimin da pré adolescência, aquele que amava tanto as pessoas que se perdera ao tentar ajudar quem sequer se importava consigo – seu pai.
Seu Jimin.
— Está tudo bem, eu já planejava vir a muito tempo — ele sorriu minimamente, lembrando-se do motivo para estar ali de verdade. A reunião na casa de Namjoon-ssi tinha sido produtiva de uma forma que sequer conseguia explicar. — Como você está?
— Bem, acho. Não se tem muito o que fazer aqui, na realidade, então aproveito meus dias lendo muito e ficando no jardim. Gosto das flores que plantaram aqui — explicou, conseguindo tirar um mínimo sorriso do melhor amigo, que acabou não durando muito tempo. — E você? Como está indo tudo? Está estudando para as provas, certo?
— Estou bem, está tudo bem, e... sim, estou estudando — Jimin sorriu, aliviado, o que só fez o peso dentro de Jungkook aumentar porque não, nada estava bem. Estava tudo em declínio e ele sentia-se afundando quando pensava em sua família, seus amigos, na escola, e principalmente em seu namorado, que parecia surtar a qualquer momento porque seu pai era um grande babaca que não aceitava a ideia de seu filho ser outra coisa senão um político corrupto como ele próprio. — Eu e Yoon Hyung estudamos juntos, sabe? Ele me ajuda com exatas e eu o explico pela quarta vez seguida a Segunda Guerra Mundial.
Jimin riu, assentindo. Era de conhecimento público a falta de talento do amigo mais velho para guerras internacionais, enquanto tinha facilidade para aprender os conflitos do próprio país. Era irônico, porquê o Park sequer sabia quando a dinastia Joseon chegara ao fim, assim como Jeongguk. Mas os dois garotos eram verdadeiramente inteligentes, o que confortava o coração do herdeiro. Não teriam dificuldade em ter um bom futuro.
Eles teriam um futuro lindo, porquê eram um casal lindo. Provavelmente se casariam em um bosque, porquê Jungkook era louco o suficiente para almejar aquilo, construiriam carreiras maravilhosas voltadas para o que queriam – se desafiassem suas famílias malucas –, e... teriam filhos. Provavelmente dois, já que Yoongi sonhava em ter um casal, e eram ricos o suficiente para comprar a liberdade de ter crianças em um país homofóbico. Mas talvez eles nem vivessem na Coreia no futuro, poderiam se mudar, fingir que não abandonaram planos construídos para eles desde que eram fetos... Tinham o mundo na mão, porquê o amor que sentiam um pelo outro era capaz de suportar tudo.
Mas e Jimin?
Qual era o futuro dele? Morrer internado naquela clínica, passando o resto de seus dias vivendo de medicamentos antidepressivos e rotinas controladas enquanto seu pai tirava de si tudo que possuía?
Era para isso que tinha nascido? Para sofrer até seus últimos dias porque sua alma era estúpida o suficiente para decidir isso antes de reencarnar?
Era esse seu grande propósito, afinal?
— Hyung? Você está bem? — Jungkook questionou preocupado ao notar as lágrimas surgindo nos olhos do amigo, segurando sua mão com força em um sinal de que estava ali, o apoiaria, o amaria. Mas aquilo não foi o suficiente para o Park, que soltara um curto soluço ao notar o toque do mais novo, e como não merecia aquilo. Céus, ele não merecia aquilo. Não merecia nada de bom vindo do melhor amigo. Então, ele se soltou, não permitindo que o ataque se intensificasse. Não era digno. — Por favor, não chore. Eu odeio ver o hyung chorando.
— Me desculpe, J.K — pediu com um sussurro, antes que as lágrimas escorressem por suas bochechas finas pela falta de alimentação boa, não hesitando em secá-las com as pontas dos dedos. — Você não merece isso, você não merece estar aqui, comigo.
— O que você está dizendo, hyung? Eu sempre estarei aqui contigo, somos uma família! Você, Yoon hyung, meus tios... Somos uma família, então... não me repele novamente. Não me expulse da sua vida. Não faça isso conosco, por favor, não é justo.
— Você merece ter um hyung bom, um hyung que lhe apoie, que cuide de ti. Um hyung que sempre estará lá por você, te ajudando em todos seus conflitos. Um hyung que nunca acordará um dia desejando por um fim a tudo, porquê é egoísta demais para lutar, para deixar o passado para trás — Jungkook negou repetidamente, porquê aquilo era estúpido demais para conseguir colocar em palavras. — E, principalmente, um hyung que jamais transará contigo na noite de Natal e depois te ignorará no dia seguinte, e no outro, e no outro... Você merece ter um hyung incrível, Jeongguk, e eu não sou esse hyung. E você sabe disso, você sabe disso porque você já me disse isso.
O corpo de Jungkook se arrepiou ao lembrar-se da última conversa que teve com Jimin antes do amigo cometer uma loucura. Ele estava com raiva, com medo, tinha acontecido tanta coisa que no momento de fúria ele disse... Disse coisas que se arrependeria para sempre, principalmente ao ver o estado em que Jimin estava, o estado em que Yoongi se encontrava – mas que escondia por uma camada de sarcasmo, piadas e indiferença.
— Eu não deveria ter dito aquilo — suspirou, cansado. — Eu estava em um momento fragilizado, onde tudo que eu queria era retirar os sentimentos ruins de dentro de mim. Yoongi estava chateado, porquê aquela noite tinha sido tão boa e então... você nos repeliu, você disse aquelas coisas na sala e a sensação que tínhamos era de um órgão partido, neurônios destruídos pela tristeza que nos cercava. Não entendíamos o porquê de estarmos sendo tratados tão mal, não sabíamos o que tínhamos feito de errado, e quando vimos você saindo daquele prédio com o idiota do Jaebum, foi como cair a ficha. Nos lembramos da nossa conversa antes do ato, e como você tinha mentido para nós.
Jimin o ouviu calado, sabendo que não tinha o direito de interferir em seu monólogo.
— Yoongi estava tão mal, eu estava tão mal... que quando vi, eu fui até você e disse aquelas coisas horríveis sobre você ter brincado conosco, nos ter usado. Eu não tinha esse direito, não é? Sequer estávamos juntos romanticamente, você não nos devia fidelidade, mas a sensação que eu tinha era de ter sido traído pelo meu namorado de anos, sendo que você mesmo falou que não tinha nada entre a gente. Não devíamos ter feito aquilo. Só que... você era um hyung tão bom, você nos amava tanto, cuidava de mim com tanto apreço, que te perder doía mais do que quando meus pais me abandonaram com meus tios para depois sumirem no mundo. Nada do que eles fizeram se comparava a dor de perder você, perder seu amor. Então, por favor hyung, nunca mais diga que você me fez mal, porquê tudo que você me trouxe eram sentimentos bons recobertos por mágoa pelo seu pai. E todas as brigas... eu sei que também não era sua culpa, porquê você jamais me machucaria propositalmente. Você não é uma pessoa ruim, só é uma pessoa ferida. Você merece tudo de bom que o mundo tem a oferecer e um pouco mais, e todos sabem disso.
O choro de Jimin se intensificou, seu corpo tremia enquanto as lágrimas tornavam-se abundantes, e então ele tornara-se incapaz de dizer qualquer coisa. Doía tanto, consumia-o de dentro para fora, como um parasita que o tornava incapaz de ser feliz. Seu nariz e garganta ardiam, e quando ele viu, Jungkook o puxara para perto e o apertou em um abraço apertado, que parecia ser capaz de curar todas suas feridas emocionais. E embora o contato fosse doce, carinhoso, eles sabiam que faltava alguém ali, alguém que reclamaria do contato físico abundante, mas seria o primeiro a fazê-lo – o mesmo que dera o primeiro beijo daquela noite, e aparentemente fora o que mais sofrera com toda aquela situação.
Yoongi.
Eles precisavam de Yoongi, mas se Jimin estava fragilizado demais só de chorar em frente ao caçula do grupo, imagina se o seu hyung estivesse ali? Não, não aguentaria. Precisava de um tempo antes de conversar com o melhor amigo.
— Eu só não entendo... como seu pai foi capaz de fazer tudo isso com você, o que ele ganhou com tudo isso? — Jungkook sussurrou após alguns segundos, apertando a cintura do mais velho com carinho. Em sua mente se passava tudo que tinha acontecido desde então, tudo que aconteceu com Jimin até que este parasse em uma clínica, onde sabia que ele não recebia o tratamento adequado para suas fragilidades emocionais, mas que ao mesmo tempo ninguém se importava porquê no fim do mês teriam o pagamento extra de Park Jikwon para destruir com honra o psicológico do filho.
Jimin suspirou, pensando na resposta certa enquanto questionava-se o que teria acontecido caso seu pai fosse um homem doce, gentil e carinhoso, que lhe amasse acima de qualquer coisa, que o protegeria de tudo que poderia lhe causar algum mal, ao invés de ser o responsável por isso. Ele se questionou, mas sabia que era o inútil, porquê no fim do dia o Park mais velho ainda seria um ser narcisista, arrogante, e que faria qualquer coisa para ter o que queria – até mesmo ferir seu único herdeiro. Jimin sabia que faria, e era por isso que tinha tanto medo de dormir a noite, imaginando o homem invadindo seu quarto de madrugada para por um fim ao que poderia destruir sua carreira, seus títulos.
Por fim ele respondeu a primeira coisa que veio a sua mente; que talvez não fosse o suficiente para descrever a mente doente de seu progenitor, mas que era algo que o acompanhava desde que era muito novo para compreender o certo e o errado:
— Você se surpreenderia com o que as pessoas são capaz de fazer por poder.
]~[
A porta atrás de si se fechou quando Jeongguk entrou em seu quarto naquele fim de tarde, após responder educadamente as perguntas que lhe foram feitas a respeito de seu passeio com Yoongi – sim, ele tinha mentido sobre seu destino –, e sobre sua fome, que era visível pela maneira como seu estômago roncava, uma vez que sua última refeição do dia tinha sido os biscoitos dados por Namjoon durante a reunião junto do chá quente de ervas.
Ninguém sabia que ele visitaria Jimin naquele dia fora o namorado, e tampouco o tópico de conversa de ambos – porquê apesar de seus tios adorarem o Park e sempre o receberem de bom grado durante as pausas das aulas, o motivo para seu internamento não agradava-os, temendo ser um possível gatilho para que o sobrinho tentasse algo contra si. De qualquer forma, o adolescente não os julgava; já tinha passado muito tempo entre consultórios de terapeutas para tentar curar seu trauma de abandono – ocasionado pelos seus pais, que decidiram no seu aniversário de três anos que Jeongguk era um fardo pesado demais para carregarem –, e ele sabia que tudo que os três faziam era para seu bem, para que tantos avanços não se perdessem de uma maneira tão repentina e dolorosa.
Mas Jeongguk era alguém forte, e já tinha aceitado ser mais um órfão coreano que vivia com parentes distantes, então nada que fizessem seria capaz de destruir a confiança que tinha em si mesmo e em sua saúde mental. Ele tinha um namorado bom, que sempre o apoiava, e seu melhor amigo era tão incrível que a saúde dele importava mais do que qualquer recaída – e isso era um estimulante para se manter de pé. Em pouco tempo as coisas se ajeitariam, o senhor Park seria finalmente preso e... Jimin seria feliz. Verdadeiramente feliz, sem empecilhos do destino, sem marcas de feridas. Tudo ficaria bem, era o que acreditava fielmente, e isso era suficiente por hora.
Ele sentou-se na ponta da cama queen size, largando a mochila aos pés da mesa de cabeceira e permitiu que seu corpo caísse para trás, até ter suas costas pressionadas no colchão mole, que lhe dava a possibilidade de pular nele quando sentia-se entendiado o suficiente para isso. Além disso, ele amava observar o teto do cômodo, que era pintado em um tom de rosa com vermelho e laranja que lembrava-lhe um por do sol, em constraste com as paredes cinzas, que davam a sensação de estar em um dia nublado, sem esperança. Jungkook odiava chuva, mas amava as sensações que vinham com ela.
O toque do aparelho eletrônico cantando Everybody Talks do Neon Tress lhe despertara de seus devaneios sobre chuva e estrelas, forçando-o a erguer seu corpo para ir até a mochila de tom escuro, onde o celular estava em um dos bolsos anti furto. Jungkook não se surpreendeu ao notar quem era a pessoa responsável pelas quatro ligações perdidas que ignorara durante sua volta da clínica para casa, tampouco hesitando antes de atender a chamada, assim cortando a canção no meio dela.
— Oi, hyung — disse, não evitando o sorriso que surgiu em seu rosto antes de voltar a deitar-se na cama, dessa vez com a cabeça apoiada no travesseiro fofo.
— Oi, bebê. Como foi lá? — Jungkook ouviu passos do outro lado da linha junto do áudio ficando mais alto, o que significava que o telefone estava no viva voz. Não estava surpreso, contudo. Yoongi odiava conversar segurando o celular, preferindo o fazer enquanto resolvia alguma coisa no apartamento do mesmo. — Você não me contou quando saiu.
— Foi... — ele pensou em tudo que tinha conversado com o hyung do meio, pensando na maneira certa de descrever aquele diálogo responsável por tantas lágrimas e retomadas de mágoas. — Eu não sei descrever como foi, hyung. É como se... — Jungkook fungou chateado, o que não passou despercebido pelo namorado. — Ele tá tão diferente, hyung. Ele emagreceu tanto, não tem mais as bochechinhas de esquilo, e os olhos dele... Os olhos dele, hyung... não tinham vida. Era como se Jimin fosse uma casca, sabe? Só existindo.
— É, eu sei. Ele tava assim na última vez que fui — Yoongi suspirou, chateado. — Mas vai ficar tudo bem, ok? Vamos ajudar o Taehyung e então Jimin estará livre, sem o pai doente dele. Jimin voltará a ser o Jiminnie, sem aquele homem controlando seus sentimentos; sem bullying, sem preconceitos e sem... Jaebum. Sem Im Jaebum vendendo drogas pra ele.
— Eu odeio esse cara, hyung. Odeio o que ele causou no psicológico ferrado do Ji — murmurou, não notando quando seus lábios se transformaram num biquinho. — Odeio o fato dele ter sido o primeiro do hyung.
— Ah, mas isso não podemos reclamar, bebê — Yoongi disse, e Jungkook conseguiu ouvir o som do seu closet se abrindo. Provavelmente era um daqueles dias onde o Min retirava tudo do armário falando que mudaria completamente a organização e, quando Jeongguk aparecia por lá, tudo parecia estar no mesmo lugar de antes (porque aparentemente existe mais de uma tonalidade de preto e cinza e ele era incapaz de defini-las). — Fomos o primeiro um do outro porque começamos a namorar na pré adolescência, mas se fosse hoje em dia... Dificilmente você seria virgem ainda — o adolescente riu, fazendo as bochechas de Jeongguk corarem.
— Está dizendo que sou gostoso, hyung? — questionou, tirando coragem de não sabia onde.
— Estou afirmando, bebê. Você é o homem mais gostoso que já vi junto do... — ele parou, fazendo Jungkook parar junto. Jeon engoliu em seco, não evitando se recordar da noite de natal que parecia se igualar com a tarde em que perdera a virgindade com Yoongi como um dos momentos mais importantes e felizes de sua vida. Era óbvio que o Min também estava se lembrando da mesma coisa, conhecia o namorado o suficiente para isso. — Você sabe.
— Eu sei — sorriu. — E o hyung também é gostoso, principalmente rebolando no meu colo. E seus gemidos são tão manho–
— Garoto, para! — Jeongguk riu ao ouvir a ordem envergonhada, antes de desviar o olhar da parede para sua estante de livro recheada de cópias dos livros que mais gostava. — Quer sair sábado? Podemos assistir aquele filme que você queria ver no cinema.
— Eu adoraria hyung, mas não poderei — Yoongi murmurou algo chateado. Jeongguk não o julgava, porquê a verdade era que fazia muito tempo desde a última vez que tiveram um encontro de casal, com direito a mãos dadas e risos pro vento porque estavam felizes demais para esconder o que sentiam. Eles ficaram tão presos na rotina de estudar para exames e então a internação de Jimin que esqueceram de aproveitar a relação que tinham, sua juventude. — Mas estou livre no domingo, e eu adoraria passar o dia todo com meu hyung.
— Você está dizendo isso de forma inocente ou depravada?
— Hm... os dois — admitiu.
— Céus, garoto...
Então eles se calaram, provavelmente aproveitando o silêncio confortável enquanto era capaz de ouvir do outro lado a organização barulhenta de Yoongi, que Jungkook sabia ser assim para ele ter a confirmação de que sim, Yoongi estava ali consigo. Era igual quando Jeongguk tinha suas crises de pesadelo e o Min não hesitava em ficar em ligação com o outro até que este finalmente adormecesse. E quando isso acontecia, a sensação que Jeon tinha era de estar dormindo com os anjos, como se Yoongi fosse seu filtro dos sonhos.
Mas quando dormiam juntos, normalmente abraçados em conchinha porque Yoongi odiava que dormissem com a cabeça apoiada em seu peito, a sensação pertencente era de que faltava algo – ou alguém – entre eles.
E eles sabiam exatamente quem era essa pessoa, embora nunca admitissem em voz alta.
— Hyung? — chamou, recebendo um "hm?" como resposta. — Você gosta dele?
— Dele quem, bebê? — perguntou, distraído.
— Jimin. Você gosta do Jimin romanticamente? — quando ouviu o som de algo se batendo com força no chão, foi a confirmação de que Yoongi o ouvia. — Está tudo bem aí? Hyung se machucou?
Yoongi não respondeu.
— Hyung? Hyung? Está tudo bem? — nada. — Céus, você desmaiou por causa de uma pergunta? Não é uma pergunta difícil de ser respondida!
— Eu não... desmaiei — respondeu após alguns segundos, fazendo Jungkook suspirar aliviado. — Eu só fiquei surpreso com seu questionamento.
— E por que? Sempre fomos sinceros com o que sentimos — respondeu, confuso.
— Porquê nunca parei para pensar na resposta, Jun.
Silêncio.
— E qual a resposta? Porquê eu sei que tem um sentimento desde o dia da festa, mas quero saber qual é. Eu... quero saber se sentimos a mesma coisa pela mesma pessoa, ou se estou confundindo tudo.
— Eu gosto dele Kook, mas não acho que é o momento certo para isso — admitiu.
— E por que? Ele gosta de nós, sei que gosta, mas ele tem medo do pai dele, mas quando tudo acabar nós finalmente–
— Quando tudo acabar, Ji tratará a saúde mental dele, Jk — explicou. — Jimin não se ama, entende isso? Ele sequer consegue se olhar no espelho sem começar a chorar. Como você acha que ele pode amar alguém romanticamente se sequer se ama? — Jungkook não respondeu. — Sinceramente? Eu acho completamente improvável ele ter algo conosco depois da prisão. Jimin aproveitará a liberdade dele, e nós...
— E nós...? — repetiu como incentivo.
— E nós continuaremos sendo nós, mas agora nos preparando para o último ano da escola — concluiu. — Não vivemos em um dorama para tudo acabar com um felizes para sempre. A vida pode ser bem cruel as vezes.
— É... talvez você esteja certo — sussurrou, chateado. Então seu corpo se ergueu, e ele sorriu para o guarda roupa antes de recitar as palavras seguintes. — Mas então, topa fazer sexting?
— Tchau, Jeon — disse, antes de finalizar a chamada.
Bem, não é como se Jungkook esperasse outra resposta.
]~[
Era domingo de tarde quando Jeongguk saiu da casa dos Jeon, vestindo o casaco característico de estampa militar e uma touca, que escondia seus cabelos negros como ébano. Ele já estava longo, uma vez que fazia muito tempo desde a última vez que o cortara, sentindo-o bater na altura de uma bochecha em cachos finos e centrados, ocasionados por uma permanente. Além disso, seus tios também não se importavam com o estilo do sobrinho, desde que ele fosse uma pessoa bondosa e que sabia respeitar a decisão do próximo – da mesma forma que /quase/ todos Jeon faziam. Era como uma característica familiar a doçura, e Jeongguk tinha aquilo dentro de si como uma aliança embora tivesse tudo para ser uma pessoa amarga após sentir o gosto do abandono (assim como Jimin).
Na realidade, Jungkook não se lembrava de muita coisa antes de se mudar para Seul.
Ele sabia que tinha nascido em Busan, na área nobre da cidade, próxima as melhores praias da região. Sua tia, Jeon Mingi, contava que Jeongguk era uma criança muito serelepe desde que tinha meses de vida, mas que isso fora se perdendo à medida que os dois lados da família se distanciavam, e então, poucas notícias lhe foram dadas sobre seu destino. Isso até o dia primeiro de setembro de três anos após seu nascimento, quando numa madrugada fria devido ao outono que se aproximava, seus tios receberam batidas na porta, junto de sua presença que parecia ser repelida por seus pais biológicos. Seu tio mais velho, que trabalhava como advogado, contou que houvera uma discussão de horas, onde todos os lados tentavam entender o que seus pais planejavam, e porque queriam tão de repente que seu filho, seu único filho, morasse com os irmãos, ao invés de ser criado com amor no interior. Não tiveram muitas informações, no entanto.
No fim, não importava o que dissessem para convencê-los a ficarem com Jeongguk, eles não o queriam, e por isso que naquele dia logo ao pôr do sol, após seus progenitores finalmente partirem, seus tios e sua tia começaram a pesquisar meios de adoção, para que o Jeon pudesse ficar legalmente com eles. Fora rápido, tinham contatos o suficiente para que a pequena criança ficasse segura aos braços deles; e no entanto, Jeongguk jamais voltou a ver aqueles que chamava de pais no passado, sendo criado até os dias de hoje pelos irmãos de seu pai e o marido de sua tia, que trabalhava como político e era também ex vereador. Eram pessoas diferentes, gênio quente, mas Jeongguk acreditava fielmente que tinham feito um bom trabalho consigo, porquê no fundo eram pessoas boas com problemas pessoais tão grandes devido a suas profissões arriscadas, que preferiam se isolar a machucar o sobrinho.
Era grato a eles, por tudo.
O sol tornava-se mais forte quando enfim entrou no shopping center do centro de Gangnam, onde os filhos de políticos ou celebridades costumavam ir. Por muito tempo Jeongguk não entendera o motivo para lugares como aquele existirem, tendo uma divisão tão grande hierarquicamente, até vir a mídia o caso de um jovem assassinato dentro de um shopping – ele era filho de um político corrupto, e então decidiram que deveriam se vingar dele, e não de seu pai. Aquilo aterrizou o Jeon o suficiente até ele se recusar a sair de casa por cerca de três semanas, temendo ser morto por algum erro de sua família.
Então, de alguma maneira estranha, era grato pela proteção extra do local, mesmo que soubesse que certas pessoas que ali frequentavam merecessem castigo judiciais.
— Está atrasado — Yoongi avisou quando chegou ao ponto de encontro de ambos perto da loja de jogos eletrônicos, onde sempre costumavam competir por algum brinquedo que sabiam que não iam conseguir porquê aquela máquina era projetada para ter mais erros do que acertos.
— Não estou atrasado, você que chegou antecipado.
— Marcamos três horas da tarde, Jeon. São três e meia.
— Eu vim andando — deu de ombros, antes de sorrir ao notar quão bonito o namorado estava vestindo aquele casaco vermelho que na verdade pertencia à Jungkook. Além disso, ele também usava a touca para cobrir seus cabelos negros – que todos sabiam ser padrão da Huimang – e as bochechas coradas pelo frio. — Está bonito, hyung. Verdadeiramente bonito.
— Obrigado, bebê — sussurrou, olhando para os dois lados antes de pressionar seus lábios nos do namorado com força, não permitindo que o ato durasse muito tempo antes de se afastar. Jungkook sorriu, acariciando a bochecha do mais velho com carinho antes de entrelaçar seus dedos, gostando como suas mãos combinavam. Pareciam pertencer uma a outra. — E você está... você. Lindo, como sempre.
— Não diga essas coisas se não quiser que eu te beije no meio desse shopping, hyung — pediu, gostando ao notar as bochechas do outro corando com fúria. Yoongi realmente gostava de atenção, e Jungkook se questionava como ele seria político se odiava falar na frente dos outros. Aquilo seria um grande problema no futuro.
— Tudo bem, vamos comprar a pipoca porque o filme começará em alguns minutos e você sabe que odeio fila de espera.
— Eu sei — riu, não hesitando em seguir o namorado até o cinema embora agora suas mãos não estivessem mais unidos. Aquilo sempre servia de aviso para que, não importava quem fosse, o preconceito sempre existiria para eles. Ainda eram humanos, sob ameaça de risco por amar quem não escolheram amar. — Quero pipoca doce, de caramelo com canela.
— Ok, bebê.
Jungkook se apoiou na pilastra que dividia o corredor e a entrada do cinema, observando quando Yoongi seguiu até a área de alimentos. Ele não conseguiu evitar o sorriso que formou em seu rosto, achando extremamente fofo a forma como Yoongi batia o pé entediado, provavelmente odiando estar ali. Mas ele era o hyung, era o papel dele, por isso não se aproximou – além, é claro, de aproveitar para observar o corpo coberto do amado pelas roupas escuras. Céus, como ele amava Min Yoongi, como ele amava tudo que tinha aprendido com ele, como amava saber que todos os dias acordava em um relacionamento com ele, sabendo que sempre teriam algo a ensinar ao outro. Ele amava tanto Yoongi, que não doía; porquê amor, o amor genuíno capaz de consumir as almas mais impuras, ele curava, e não feria. O Min nunca o feriu, e sabia que nunca o faria, porquê Yoongi também o amava. E quando duas pessoas se amavam... a sensação era de estar vendo estrelas todos os dias. Ele amava o amar.
— Voltei — o adolescente sorriu, antes de lhe entregar seu pacote com o doce. Jungkook assentiu, abrindo um largo sorriso antes de seguir o namorado até a sessão onde passaria o filme que escolheram.
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O filme era divertido, embora Jungkook tenha se perdido no meio dele devido à grande quantidade de informações que queria passar em pouco tempo.
Basicamente o filme falava sobre um casal sul-coreano que se conhecera quando o chefe do homem aparecera no café onde a garota trabalhava, confundindo-a com outra pessoa. Acontece que aquele nome a qual fora chamada não parecia estranho para si, e é por isso que apareceu em uma tarde na alfaiataria pertencente ao homem, encontrando lá seu empregado que no momento que colocara seus olhos nela sentiu que já se conheciam de algum lugar.
A questão é que eles eram almas gêmeas, tendo vivido no passado durante a segunda guerra mundial, sendo separados quando o homem fora enviado para a guerra. O filme era dividido entre passado e presente, constrastando com a história dos amigos do casal, que aparentemente também faziam parte de suas vidas passadas. O filme acabou em uma parte extremamente importante, que Jeongguk descobriu logo depois que acontecera porque o livro no qual foi baseado era grande demais para virar um único filme.
Ao seu lado, Yoongi perguntou porque simplesmente não transformaram a obra em uma série, já que era um livro único. Jungkook não soube responder sua pergunta, por estar chateado demais com o fim da obra cinematográfica para dizer qualquer coisa.
— Venha — o mais velho segurou sua mão com carinho, ajudando-o a se erguer da poltrona do cinema. Yoongi não ficou surpreso quando este o abraçou, talvez expurgando sua decepção dessa forma. Mas de qualquer forma ele acariciou os cabelos escuros do amado, que sabia que o ajudava a relaxar naqueles momentos de tristeza. — Está tudo bem, bebê... Eu te pago um sorvete de chocolate no McDonald's, okay? Depois vamos lá para casa, e... fazemos o que você quiser.
— O que eu quiser? — Yoongi assentiu. — Então vamos, porquê estou com saudades do seu corpo.
Yoongi riu, mas aceitou o pedido depravado antes que saíssem da sala de mãos dadas, soltando-as antes de se unirem a outros habitantes de Seul que aparentemente assistiriam a próxima sessão do filme que acabaram de ver. Jungkook estava pronto para falar para eles pegarem seu dinheiro e mudarem para outro filme quando Yoongi o arrastou para longe, se recusando a passar aquela vergonha pública.
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Yoongi rebolava no colo de Jungkook, sentindo quando o membro deste entrava e saía, atingindo seu ponto de prazer. Os movimentos eram lentos, delicados, Jungkook segurava sua cintura com carinho e distribuía pequenos selares por toda sua bochecha e pescoço, temendo que aquilo de alguma forma se tornasse doloroso para seu amado.
Mas o mais velho gemia, permitindo que seus lábios deixassem escapar o som manhoso a cada nova estocada, principalmente por Jungkook saber exatamente o que fazer para que sentisse prazer. E o mais novo não estava diferente, grunhindo a cada nova pressão ao redor de seu membro, confirmando por não sabia qual vez como Yoongi era apertado, e como seus corpos tinham sido feitos para se unirem da forma que se uniam, assim como seus lábios que não demoraram a se atracar em um beijo cheio de sentimentos enquanto Jungkook acelerava ainda mais, rebolando de forma que sua glande atingisse onde queria atingir. Céus, era tão bom, era tão bom sentir a entrada se apertar em torno de si, era tão bom ter Yoongi em seus braços como parceiro sexual e principalmente namorado... A sensação que tinha era de estar vendo estrelas, que só aumentou ao notar que Yoongi estava prestes a gozar, o que levou ao mesmo a massagear seu pênis em uma forma de intensificar a onda que o consumia, aumentando ainda mais os murmúrios que escapavam de seus lábios lindos.
— Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo — sussurrou, jogando a cabeça para trás ao sentir que também vinha. — Puta que pariu, Min Yoongi...
E o líquido branco bateu com pressão no tórax de Jungkook, manchando sua pele à medida que sentia-se vindo dentro da camisinha, enquanto a cabeça de Yoongi era apoiada em seu ombro desnudo. O namorado sempre ficava mais frágil após o ato – não importava a posição que o faziam –, então não hesitou em acariciar o cabelo escuro com carinho, mostrando-o que estava ali para ele.
— Eu te amo — o mais velho murmurou, alto o suficiente para que Jungkook conseguisse ouvir da posição que estava, mas baixo para que fosse algo unicamente dos dois. A cabeça do Min se ergueu, permitindo que seus olhos se encontrassem antes de seus lábios se unirem em um beijo que só provava que sim, tudo que sentiam um pelo o outro era mútuo, e nada mudaria isso.
— Eu te amo — repetiu, notando as bochechas do outro se avermelharem. — Eu te amo com todo meu coração e alma. E se almas gêmeas existem como aquele filme mostrou...
— Não precisamos de uma vida passada para provar nossa ligação, Jun — disse com carinho. — Alma gêmea foi um termo criado para que as pessoas não morressem acreditando que vieram ao mundo sozinhas, mas viemos. Tudo que temos é a marca das pessoas que amamos ao partir, porquê isso é mais forte do que qualquer ligação espiritual. E é suficiente.
— Eu te amo, hyung. Por favor, nunca esqueça isso.
— Eu não vou — sorriu, afetuoso. — Eu também te amo. Para sempre.
E quando Yoongi o abraçou, Jungkook sabia que ele falava a verdade.
E aquilo bastava.
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