track 63
⋆。𖦹°⭒˚。⋆
O apartamento de Gracie exalava aconchego. As luzes quentes dos abajures iluminavam o espaço, lançando sombras suaves nas paredes decoradas com quadros, plantas e detalhes que carregavam um pouco da personalidade dela. Luke, sentado no chão ao lado da mesa de centro, parecia completamente à vontade. Na verdade, ele já tinha se apropriado do espaço de um jeito que ia além do óbvio — tinha uma gaveta no quarto dela só para suas coisas, o que ele adorava lembrar com um sorriso convencido, e seus tênis favoritos estavam sempre jogados ao lado da porta. Gracie, por sua vez, achava graça do quanto ele já fazia parte daquele lugar.
Os dois estavam cercados por embalagens de comida chinesa. Gracie estava enrolada em um cobertor, com as pernas puxadas para cima no sofá, enquanto Luke se inclinava casualmente contra o móvel, abrindo um pote de frango agridoce com os hashis. Ele tinha trocado a camiseta que usava mais cedo por uma das que sempre deixava no apartamento dela, e havia algo em vê-lo assim, tão confortável e integrado ao ambiente, que fazia o coração de Gracie bater um pouco mais rápido.
"Sabia que a gente tá vivendo uma vida de casados?" Luke comentou do nada, olhando para ela com um sorriso preguiçoso, enquanto levava um pedaço de frango à boca.
Gracie franziu o cenho, tentando esconder o sorriso que ameaçava surgir. "Vida de casados? Tá exagerando, não acha?"
Luke apontou para as embalagens de comida espalhadas pela mesa. "Comida chinesa no sofá... Você enrolada num cobertor enquanto eu faço todo o trabalho pesado de abrir os potes. Isso aqui é um casamento completo, Gracie."
Ela riu, inclinando o rosto na direção dele. "Ah, entendi. Você é o marido perfeito porque está... abrindo os potes?" Ela ergueu uma sobrancelha, claramente provocando.
Luke sorriu, malicioso. "Exatamente. E eu ainda tenho uma gaveta no seu quarto. Se isso não é casamento, não sei o que é."
Gracie não conseguiu segurar a risada. "Ok, então, se estamos nessa vibe de vida de casados..." Ela estendeu a mão para ele, com um sorriso brincalhão. "Me passa um pouco do molho tarê, meu esposo?"
Luke congelou por um segundo, claramente pegando o tom da brincadeira, antes de soltar uma gargalhada. Ele entregou o potinho com um floreio exagerado. "Aqui está, querida esposa. Com todo o meu amor."
Ela pegou o molho, ainda rindo, e balançou a cabeça. "Sabe que isso não vai durar, né? Esposo ou não, eu sou a que sempre vai ganhar as discussões."
"Claro, claro. Eu já aceitei meu papel aqui. Marido submisso e dedicado," ele respondeu, inclinando-se para roubar um pedaço de frango do prato dela.
"Ei!" Gracie exclamou, tentando segurar o riso enquanto dava um leve tapa na mão dele. "Tá vendo? É por isso que não dou pra você o título de marido perfeito."
"Ah, mas eu sou muito mais divertido do que qualquer outro marido," Luke retrucou, com aquele tom de autoconfiança que só ele tinha. Ele se inclinou um pouco mais perto, os olhos fixos nos dela. "E você sabe que gosta disso."
Gracie sentiu o rosto esquentar levemente, mas disfarçou, voltando a atenção para a comida. "Tá, tá... Agora come o que é seu, antes que eu decida anular esse casamento."
Luke riu de novo, mas o sorriso dele tinha uma ternura que parecia iluminar o ambiente. Ele a observava como se fosse o momento mais natural do mundo, e o silêncio que se instalou entre eles foi tão confortável quanto as brincadeiras.
Tudo parecia tão íntimo e certo, como se aquele momento fosse uma cena que se repetiria muitas vezes — os dois juntos, compartilhando o mesmo espaço, as mesmas piadas e, acima de tudo, o mesmo carinho. Era um tipo de simplicidade que, para Gracie, tinha o peso de algo especial.
A campainha tocou, cortando o momento. Eles trocaram um olhar animado, quase como crianças ansiosas. Gracie se levantou do sofá, deixando o cobertor para trás, enquanto Luke a seguiu, já sabendo quem estava do outro lado da porta.
"É agora," ela disse, ajeitando o cabelo rapidamente antes de abrir a porta. Assim que a abriu, uma garotinha de seis anos, de cabelo castanho e olhos brilhantes, se jogou nos braços dela.
"Tia Gracie!" Olivia exclamou, apertando-a com força enquanto ria.
"Oi, meu amor!" Gracie respondeu, erguendo a sobrinha e enchendo seu rosto de beijinhos. "Eu tava contando os segundos pra você chegar!"
"E eu?" Luke perguntou, cruzando os braços com uma expressão brincalhona. "Não tem abraço pro tio Luke?"
Olivia virou o rosto para ele, abrindo um sorriso que era pura felicidade. "Você também, tio Luke!" Ela se esticou para abraçá-lo, e Luke a pegou no colo com facilidade, girando-a no ar enquanto ela ria alto.
George apareceu logo atrás, ajeitando o paletó com um olhar ligeiramente apressado. "Valeu por cuidar dela, pessoal. A gente já tá super atrasado."
"Sem problemas. Ela tá em boas mãos," Gracie respondeu, ainda sorrindo enquanto Olivia bagunçava o cabelo de Luke.
"Só não deixem ela dormir muito tarde," Lana acrescentou, aparecendo ao lado de George com um sorriso cúmplice. "E nada de doces antes de dormir, hein?"
Gracie assentiu, embora Luke já tivesse uma expressão de quem provavelmente não seguiria a regra. "Pode deixar. Vão logo antes que vocês percam o casamento."
"Valeu mesmo," George disse, dando um beijo na bochecha de Gracie e bagunçando o cabelo de Luke antes de se virar. "Divirtam-se, Liv! Se comporta, hein?"
"Eu sempre me comporto!" Olivia respondeu, cheia de indignação infantil, o que fez todos rirem.
Gracie fechou a porta assim que eles se foram, virando-se para Luke, que ainda segurava Olivia no colo. Ele estava com uma expressão que misturava diversão e ternura enquanto a garotinha tagarelava animadamente sobre como seria passar a noite ali.
"Então, o que vamos fazer primeiro?" Olivia perguntou, olhando de um para o outro com os olhos cheios de expectativa.
Gracie olhou para Luke, um sorriso cúmplice se formando em seus lábios. "Bem, eu tava pensando em um filme... mas acho que alguém aqui vai querer escolher."
"Frozen!" Olivia gritou, balançando as perninhas no colo de Luke.
"Frozen de novo?" Luke perguntou, fingindo um suspiro dramático enquanto a colocava no chão. "Eu já vi aquele filme umas dez vezes."
Gracie deu de ombros, puxando Olivia para perto. "Bem, esposo, isso faz parte da vida de casados. Às vezes, você tem que aceitar as escolhas difíceis."
Ele riu, pegando os potes de comida da mesa. "Tá bom, tá bom. Vamos começar a maratona."
O apartamento parecia mais vivo do que nunca. Olivia estava cheia de energia, correndo de um lado para o outro enquanto segurava um cobertor amarrado no pescoço, como uma capa de super-herói. Luke, sentado no chão da sala, fingia ser um vilão capturado, com as mãos levantadas em rendição enquanto ela o cercava com um brilho de vitória nos olhos.
"Você nunca vai escapar, tio Luke! Eu sou a super Olivia!" ela declarou, tentando parecer ameaçadora, embora sua risada infantil tornasse a cena ainda mais adorável.
"Super Olivia, por favor, me poupe!" Luke pediu dramaticamente, jogando-se para trás no chão, com uma das mãos cobrindo o rosto. "Eu só sou um pobre vilão que queria roubar... todo o sorvete do mundo!"
"Não mesmo!" Olivia respondeu, subindo em cima dele e tentando segurá-lo pelos braços. "Eu vou derrotar você, porque eu sou muito forte!"
"Forte?" Luke arqueou uma sobrancelha, olhando para Gracie com um sorriso malicioso. "Ok, vamos ver quem é mais forte aqui."
Antes que Olivia pudesse reagir, ele a ergueu no ar com facilidade, segurando-a pelos lados como se ela fosse uma pluma. A garotinha soltou um grito alto de surpresa seguido de uma risada tão genuína que parecia contagiar todo o ambiente.
"Olha só isso!" Luke exclamou, girando Olivia no ar. "Super Olivia está voando!"
"Eu estou voando, tia Gracie!" Olivia disse entre risadas, esticando os braços como se estivesse realmente sobrevoando o apartamento.
Gracie, sentada no sofá, observava a cena com um sorriso que não conseguia conter. Seus olhos se fixaram em Luke, que agora segurava Olivia sobre os ombros enquanto fingia que ela era um avião. A forma como ele lidava com a sobrinha, tão paciente e cheio de carinho, fazia algo se mexer no peito dela.
Ele parecia tão à vontade, tão natural, com aquela combinação de força e ternura. Os braços fortes de Luke seguravam Olivia com firmeza, sem esforço, enquanto ele girava pela sala com cuidado para não derrubar nada. Gracie sentiu um calor subir por seu corpo. Por um momento, sua mente vagou, imaginando como seria vê-lo assim no futuro, talvez segurando não só Olivia, mas uma criança deles. A ideia veio tão rápido e com tanta força que ela corou, balançando a cabeça como se tentasse afastar o pensamento.
Ainda assim, não conseguiu evitar continuar olhando. Havia algo quase hipnotizante na maneira como ele ria com Olivia, nos olhos brilhando de alegria, no jeito descontraído e seguro que parecia tão... perfeito. Gracie sentiu uma mistura de ternura e desejo que quase a fez se perder por completo.
"Você tá babando, sabia?" Luke disse de repente, interrompendo seus pensamentos enquanto colocava Olivia no chão com cuidado. Ele tinha um sorriso satisfeito no rosto, claramente consciente do olhar que ela lançava.
"Não tô, não," Gracie respondeu, tentando soar despreocupada, mas seu rosto já denunciava o quanto ela estava corada.
"Tá sim," ele provocou, caminhando em direção a ela com Olivia agarrada em sua perna, ainda rindo. "Mas tudo bem. Eu entendo. É difícil resistir."
Gracie rolou os olhos, embora um sorriso a traísse. "Modesto, hein?"
Antes que Luke pudesse responder, Olivia puxou a barra da camisa dele. "Tio Luke, vamos brincar mais! Você disse que ia ser o monstro agora!"
"Ah, é mesmo," ele respondeu, voltando a se ajoelhar. "Mas eu acho que você vai ter que pedir ajuda pra sua tia. Esse monstro aqui é muito poderoso."
"Você vai me ajudar, tia Gracie?" Olivia perguntou, correndo até ela e segurando suas mãos.
"Claro que vou, meu amor," Gracie respondeu, levantando-se e deixando o cobertor de lado. "Mas só se você me prometer que a gente vai ganhar."
"Eu prometo!" Olivia gritou, já puxando-a para o meio da sala.
Luke fingiu se preparar para o ataque, rugindo e levantando as mãos como se fosse um verdadeiro monstro. "Vocês nunca vão derrotar o Grande Monstro"
E assim, a sala se encheu de gritos e risadas novamente, com Olivia correndo em volta do sofá, Gracie tentando "protegê-la", e Luke fazendo questão de pegá-las e envolvê-las em um abraço apertado, declarando que ele era o monstro mais invencível do mundo.
Gracie, no entanto, sabia que, naquele momento, ele não era nada disso. Ele era o homem com quem ela queria dividir cada momento, cada riso, e, talvez, cada sonho sobre o futuro que não conseguia mais evitar imaginar.
Depois de quase uma hora de brincadeiras intensas, Olivia ainda parecia ter energia de sobra, mas Gracie sabia que era hora de começar a acalmá-la. "Tudo bem, super-heroína," ela disse, abaixando-se na altura da menina. "Acho que o monstro foi derrotado, mas agora você precisa de um banho antes que ele volte."
"Eu não quero banho!" Olivia cruzou os braços, fazendo um biquinho. "Eu quero brincar mais!"
Gracie lançou um olhar para Luke, que riu e levantou as mãos em rendição. "Essa é toda sua, esposa," ele provocou, dando ênfase na última palavra.
"Ah, ótimo, obrigada, esposo," Gracie respondeu com sarcasmo antes de se virar novamente para Olivia. "Olha, se você tomar banho rapidinho, pode escolher o pijama mais legal e depois a gente pode contar uma história antes de dormir. Que tal?"
Olivia hesitou por um momento, mas a ideia de escolher seu pijama favorito parecia suficientemente tentadora. "Tá bom," ela respondeu finalmente, segurando a mão de Gracie.
"Boa menina," Gracie disse, lançando um sorriso vitorioso para Luke enquanto caminhava com Olivia para o banheiro.
Cerca de dez minutos depois, Gracie voltou para a sala completamente encharcada. Seu cabelo estava preso de qualquer jeito, mas gotas de água ainda escorriam por sua testa, e sua camiseta estava quase colada no corpo.
Luke, que estava esparramado no sofá com o controle remoto na mão, olhou para ela e imediatamente explodiu em risadas.
"Tá rindo do quê?" Gracie perguntou, exasperada, enquanto torcia as pontas do cabelo.
"Do seu estado, óbvio," ele respondeu, segurando o riso, mas os olhos estavam brilhando de pura diversão. "O que aconteceu aí dentro? Era pra você dar banho na Olivia, não o contrário."
Gracie bufou, olhando para a porta do banheiro, onde Olivia agora aparecia com um pijama rosa cheio de unicórnios. "Ela é uma artista quando se trata de jogar água pra todo lado, isso aconteceu."
Luke arqueou uma sobrancelha, o sorriso ampliando ainda mais. Seus olhos desceram, e ele fez questão de focar nas marcas de água na blusa de Gracie. "Bom, pelo menos algumas coisas compensaram o esforço," ele murmurou, a voz cheia de malícia.
"Luke!" Gracie exclamou, percebendo exatamente para onde ele estava olhando. Ela cruzou os braços sobre o peito, mas não conseguiu evitar um sorriso de canto. "Você é insuportável, sabia?"
"Eu só faço observações, esposa," ele respondeu com um sorriso cínico, recebendo um olhar mortal dela enquanto se levantava e caminhava até Olivia.
"Vamos acalmar essa pilha de energia, antes que sua tia me mate," ele disse, pegando Olivia no colo. "Que tal uma história?"
"Duas histórias!" Olivia pediu, rindo enquanto se aconchegava nos braços dele.
"Duas?" Luke olhou para Gracie, fingindo estar chocado. "O que você acha, esposa? A gente deixa?"
"Ela já me molhou inteira, então duas histórias não parecem tão ruins assim," Gracie respondeu, ainda ajeitando os cabelos enquanto ia buscar um cobertor para se juntar a eles no sofá.
Pouco tempo depois, Olivia estava aninhada entre Luke e Gracie no sofá, os olhinhos já começando a pesar enquanto ouvia Gracie contar uma história sobre uma princesa corajosa que salvava um reino inteiro com sua inteligência. Luke ouvia com atenção, como se estivesse tão fascinado pela história quanto Olivia. Seus olhos estavam fixos em Gracie, observando a maneira como ela fazia as vozes dos personagens e gesticulava levemente enquanto contava.
Quando a história chegou ao fim, Olivia ainda parecia um pouco agitada, então Gracie olhou para Luke com um sorriso suave. "Acho que só a música vai resolver."
"É toda sua," ele disse, recostando-se no sofá enquanto Olivia se aninhava contra ele, segurando seu braço como se fosse um travesseiro.
Gracie começou a cantar baixinho, sua voz suave preenchendo o ambiente com uma melodia doce e tranquila. Close to you dos Carpenters, ela costumava cantar essa música para Olivia desde que a sobrinha era um bebê, e parecia funcionar como mágica. Em poucos minutos, Olivia fechou os olhos, seu peito subindo e descendo em um ritmo calmo.
Luke não tirava os olhos de Gracie. Ele nunca se cansava de ouvi-la cantar, mas havia algo especial naquela cena. O brilho suave da luz da sala destacava cada detalhe do rosto dela, e a ternura com que ela cantava para Olivia fazia seu coração bater mais rápido. Ela parecia tão natural naquele papel, tão cheia de amor e carinho, que ele sentiu uma onda de emoção que quase o fez perder o fôlego.
Quando Gracie terminou a música, ela olhou para Luke e sorriu, como se soubesse exatamente o que ele estava pensando. "O que foi?" ela perguntou baixinho.
"Você," ele respondeu, a voz igualmente suave. "Você é incrível."
Gracie sentiu seu rosto esquentar, mas antes que pudesse responder, Olivia se mexeu levemente, murmurando algo em seu sono. Ambos riram baixinho, enquanto Luke a pegava no colo com cuidado. "Vou colocá-la na cama," ele disse.
Gracie o seguiu com o olhar, vendo-o carregar Olivia com tanta gentileza que seu coração parecia derreter mais uma vez. Ela sabia que estava completamente perdida por ele, e, pela primeira vez, não teve medo de imaginar o futuro que poderia ter ao lado de Luke.
Quando Luke voltou para a sala, Gracie estava no sofá, enrolada no cobertor que havia pego antes, os olhos baixos enquanto mexia distraidamente em uma ponta do tecido. Ele se aproximou em silêncio e sentou ao lado dela, o cheiro familiar do perfume dele preenchendo o ar ao seu redor.
"Missão cumprida," ele disse em um tom suave, passando o braço ao redor dos ombros dela. "A princesa está oficialmente dormindo."
Gracie riu baixinho e se aninhou contra o peito dele, sentindo o calor reconfortante de seu corpo. Por um momento, nenhum dos dois disse nada, apenas aproveitaram a tranquilidade que havia caído sobre o apartamento.
"Você foi incrível com ela," Gracie finalmente disse, a voz baixa e cheia de ternura. Ela ergueu o olhar para ele, os olhos brilhando como se quisesse guardar aquele momento para sempre. "É como se você tivesse nascido pra isso, sabia?"
Luke arqueou uma sobrancelha, um sorriso divertido curvando seus lábios. "Pra quê? Derrotar monstros imaginários e contar histórias de princesas?"
"Pra ser um pai incrível," ela respondeu sem hesitar, sentindo o peito aquecer ao dizer as palavras. "Você com Olivia... Foi tão natural, tão lindo de ver. Nem sei explicar direito, mas..." Ela deu de ombros, os olhos agora fixos nos dedos que brincavam com a barra do cobertor.
Luke inclinou a cabeça, observando cada detalhe do rosto dela enquanto um sorriso ainda maior aparecia em seus lábios. "Você tá imaginando nossos filhos, Gracie?"
As bochechas dela coraram imediatamente, e ela bateu de leve no peito dele, rindo nervosamente. "Luke!"
"O que foi?" ele perguntou, rindo. O tom provocador na voz dele era inconfundível, mas havia também uma nota de admiração ali. "Eu só tô tentando acompanhar o raciocínio. Você me elogiou, disse que eu nasci pra isso, e agora tá toda corada..." Ele deslizou a mão pela cintura dela, apertando-a de leve. "Se eu tô entendendo direito, você tá pensando na nossa família, esposa."
Ela tentou manter a compostura, mas os olhos dele tinham aquele brilho provocante, e o toque firme na cintura dela só piorava as coisas. "Eu só disse que você foi ótimo com Olivia," ela retrucou, mordendo o lábio para não sorrir ainda mais. "Não inventa."
"Ah, claro." Luke inclinou-se mais perto, a voz diminuindo para um tom quase conspiratório. "Mas, se você quiser começar a planejar, sabe, nomes de bebês ou algo assim, eu tô completamente disponível."
Gracie não conseguiu conter a risada dessa vez, escondendo o rosto contra o peito dele. "Você é impossível, sabia?"
"E você ama isso," ele murmurou, deslizando a mão até a base das costas dela. A proximidade fez com que o coração de Gracie disparasse, e ela se afastou apenas o suficiente para encontrar os olhos dele novamente.
"Talvez," ela admitiu, um sorriso desafiador brincando nos lábios.
Luke inclinou-se mais perto, até que suas testas se encostassem. "Não tem talvez," ele sussurrou antes de pressionar um beijo leve, mas cheio de intenções, nos lábios dela.
Gracie correspondeu, puxando-o ainda mais para perto pelo colarinho da camisa, mas não deixou que ele se aprofundasse no beijo tão rápido. "Você acha que é muito charmoso, né?" ela murmurou contra os lábios dele, os dedos brincando com a gola da camisa enquanto um sorriso travesso surgia em seu rosto.
"Eu sou muito charmoso," Luke respondeu com aquele tom confiante que só ele conseguia fazer soar adorável. Suas mãos agora estavam firmemente na cintura dela, e ele a puxou para que ela ficasse sentada em seu colo, com as pernas de cada lado do corpo dele.
Gracie sentiu um arrepio percorrer sua espinha com a mudança de posição, mas manteve a expressão desafiadora. "E muito convencido também," ela retrucou, mas sua voz falhou um pouco no final.
Luke riu baixo, o som grave ecoando entre eles. "Convencido ou realista?" Ele deslizou uma mão até a nuca dela, segurando-a com firmeza, mas sem pressa, enquanto a outra subia devagar pelas costas dela. "Porque, sinceramente, acho que você não consegue resistir a mim, esposa."
Gracie revirou os olhos, mas sabia que ele estava certo. "Talvez eu só esteja com pena de você," ela brincou, mas a voz dela soava mais rouca do que queria.
"Pena?" Luke sorriu contra os lábios dela. "Eu diria que é paixão, mas tudo bem, eu aceito o que vier."
Ele a beijou novamente, dessa vez com mais intensidade, como se quisesse provar seu ponto. As mãos de Gracie se enterraram nos cabelos dele, puxando levemente enquanto ela retribuía com a mesma vontade.
Quando eles finalmente se separaram, ambos estavam ofegantes, e Gracie abaixou a cabeça, pressionando a testa contra o ombro dele enquanto tentava recuperar o fôlego. "Você é insuportável," ela murmurou, mas o tom era carregado de carinho.
"E você ainda tá aqui," ele respondeu, beijando o topo da cabeça dela antes de apertá-la mais contra si.
Por um momento, o apartamento ficou em silêncio novamente, com apenas o som das respirações deles e a leve brisa da noite entrando pela janela aberta. Gracie se aninhou ainda mais nele, sentindo como se não houvesse outro lugar no mundo onde preferiria estar.
"Se for pra ter essa vida de casados," ela disse baixinho, um sorriso brincando em seus lábios. "Acho que não é tão ruim assim."
Luke apertou a cintura dela de leve, o sorriso nos lábios dele crescendo. "Eu sou um ótimo marido, afinal."
Gracie riu, mas não respondeu. Ela apenas fechou os olhos, permitindo-se aproveitar o momento ao máximo.
Gracie ergueu a cabeça do ombro dele, os olhos brilhando de diversão enquanto uma ideia lhe passava pela mente. Ela deu um sorriso travesso antes de falar, a voz carregada de falsa seriedade.
"Bom, acho que, já que estamos nesse ritmo, vamos precisar repensar o design da nossa casa na Itália," ela disse, cruzando os braços e apoiando-os no peito dele, como se estivesse ponderando algo importante.
Luke arqueou uma sobrancelha, claramente intrigado. "Ah, é? E por que exatamente?"
"Porque nossos filhos loirinhos vão precisar de quartos, oras," ela respondeu com um tom casual, mas o sorriso no rosto dela entregava tudo.
Luke riu alto, jogando a cabeça para trás por um momento antes de olhar para ela novamente. "Filhos loirinhos, é? E quantos quartos estamos falando, exatamente?"
Gracie fingiu pensar, batendo levemente os dedos contra o queixo. "Humm... três, pelo menos. Acho que quatro seria o ideal, porque nunca se sabe. Eles podem querer um cachorro também, então precisamos de espaço."
"Quatro quartos?!" Luke exclamou, os olhos arregalados em uma atuação exagerada. "Caramba, você tá planejando montar um time de futebol, Gracie?"
"Ah, não sei," ela retrucou, dando de ombros e tentando manter o tom sério. "Mas eu imagino que, com a sua genética, nossos filhos vão ser tão adoráveis que a gente vai acabar querendo vários."
Luke inclinou-se para mais perto dela, os olhos fixos nos dela, e o sorriso que surgiu em seus lábios era ao mesmo tempo charmoso e carregado de algo mais profundo. "Se eles forem metade de você, Gracie, eu já fico satisfeito."
Gracie sentiu o rosto esquentar, mas não perdeu a chance de revidar. "E você vai precisar de muito espaço para as fraldas, porque, sinceramente, acho que você vai ser o pai que vai mimar todos eles com brinquedos e roupas desnecessárias."
"Claro que vou," ele respondeu sem hesitar, apertando a cintura dela de leve. "E você vai ser a mãe que canta para eles toda noite e faz vozes para as histórias, igual você fez com a Olivia hoje."
A menção de como ele a observava mais cedo a fez desviar o olhar por um segundo, ainda um pouco tímida diante da intensidade com que ele parecia enxergá-la.
"Eu não sei se estou preparada pra essa vida toda de mãe," ela murmurou, mas o sorriso ainda dançava em seus lábios.
Luke inclinou-se e beijou a testa dela suavemente. "Tá mais preparada do que imagina, esposa. E, pra começar, vamos pensar nesses quartos na Itália. Você quer uma vista pro campo ou pro mar?"
Gracie riu alto, escondendo o rosto contra o peito dele. "Definitivamente pro mar," ela respondeu, a voz abafada. "E já que você tá todo comprometido com essa ideia, pode adicionar uma cozinha grande também, porque eu imagino que você vai ser o pai que vai estragar as crianças com panquecas e chocolate quente o tempo todo."
Luke riu, envolvendo-a ainda mais com os braços. "E você, Gracie, vai ser a mãe que briga comigo porque eu estraguei o jantar com sobremesas demais. Parece perfeito."
Ela levantou a cabeça, sorrindo para ele. "Parece mesmo," ela respondeu, e por um instante, os dois apenas se olharam, como se aquele pequeno jogo tivesse revelado algo muito maior do que ambos estavam prontos para admitir.
Gracie então se ajeitou no colo dele novamente, o sorriso se suavizando. "Bom, já que estamos planejando tudo, talvez você possa começar salvando as crianças loirinhas futuras de uma mãe congelada," ela brincou, apontando para a camiseta molhada que ainda estava grudada em seu corpo.
Luke riu, pegando o cobertor e envolvendo-a com ele. "Tá bom, tá bom. Mas só se você prometer que vai continuar fazendo piadas ruins sobre quartos de bebê e filhos loirinhos. Acho que tô começando a gostar."
Gracie sorriu, permitindo-se relaxar contra ele mais uma vez. "Prometo," ela respondeu baixinho, fechando os olhos enquanto sentia o calor do cobertor e o abraço dele.
Luke a puxou para mais perto, descansando o queixo no topo da cabeça dela enquanto murmurava, quase para si mesmo: "Casa na Itália, filhos loirinhos... Gracie, acho que a gente tá ficando bom nisso."
⋆。𖦹°⭒˚。⋆
eu estou tãooooo apaixonada por eles😭
o que estão achando?
Com amor,
Clara
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top