track 61
⋆。𖦹°⭒˚。⋆
O ar noturno de Nova York parecia mais leve naquela hora, as ruas quase vazias, iluminadas pelos postes que lançavam um brilho dourado sobre o asfalto molhado. O carro de Luke cortava o silêncio tranquilo da cidade, e a música suave de The Downtown Lights, da banda The Blue Nile, preenchia o espaço entre eles.
Gracie, ainda sentindo o calor da bebida e da noite mágica, apoiou o braço na janela do carro e, com um movimento lento, girou o botão para abaixá-la. O vento frio entrou, bagunçando seus cabelos de forma desordenada e trazendo um arrepio que percorreu seu corpo. Ela fechou os olhos por um instante, sentindo o ar contra o rosto, os lábios formando um sorriso preguiçoso enquanto a melodia envolvente da música pulsava em seus ouvidos.
"Eu amo essa música," ela disse, quase em um sussurro, como se o momento fosse precioso demais para quebrar com algo mais alto. Ela abriu os olhos e virou o rosto para Luke, que a observava com atenção. "É como... sei lá, como se tudo na vida pudesse parar por uns minutos e ser só isso."
Luke não respondeu de imediato. Ele apenas continuou a dirigir, embora seu olhar o traísse sempre que se desviava brevemente da estrada para ela. A luz fraca dos letreiros piscava contra sua pele, pintando-a em tons de azul e dourado. O sorriso dela, o brilho no olhar, a forma como o vento movia os fios de cabelo... tudo nela parecia quase surreal.
Gracie ergueu uma mão para fora da janela, deixando os dedos dançarem contra o ar enquanto murmurava a letra da música. A voz dela era leve e solta, cheia de uma doçura descuidada que o fazia sorrir sem perceber.
"Acho que você gosta de cantar quando bebe," Luke provocou, a voz baixa, mas com um tom divertido.
Ela riu, inclinando a cabeça para trás, como se estivesse deixando o vento levar todo o peso de seus pensamentos. "Talvez eu goste, sim," ela admitiu, olhando para ele de lado. "Ou talvez você só me deixe mais solta, Luke."
O comentário pairou entre eles, carregado de algo que ambos podiam sentir, mas não tinham pressa de nomear. Gracie voltou a olhar para fora, cantando um pouco mais alto, os ombros balançando levemente no ritmo da música.
Para Luke, ela parecia intocável naquele momento, quase como uma cena saída de um filme. O reflexo das luzes da cidade iluminava o perfil dela, destacando o brilho nos olhos, o jeito como os lábios se moviam enquanto cantava. Ele não conseguia desviar o olhar por muito tempo, cada curva do rosto dela parecendo mais fascinante sob aquela luz.
Quando ela voltou a encará-lo, os cabelos ainda bagunçados pelo vento, ele sentiu o ar sair do peito por um instante.
"O que foi?" ela perguntou, com um sorriso inocente que fazia o coração dele apertar.
"Você," ele disse simplesmente, a voz mais rouca do que pretendia. "Você é..." Ele parou, balançando a cabeça e sorrindo, como se as palavras tivessem desaparecido. "Gracie, você é um espetáculo."
Ela riu, o som leve e cheio de calor. "Você deve estar mais bêbado do que eu."
"Talvez," ele respondeu, embora estivesse completamente sóbrio. "Ou talvez eu esteja apenas... vendo as coisas como elas são."
Gracie desviou o olhar, o rosto levemente corado — talvez pelo efeito da bebida, talvez pelas palavras dele. A música ainda tocava, cada nota parecendo empurrar o carro mais devagar pelas ruas tranquilas, como se o momento precisasse durar um pouco mais.
Ela apoiou o queixo na mão, ainda olhando para fora, mas seus olhos brilhavam de uma maneira diferente agora. "Essa cidade fica tão bonita à noite, não acha?"
Luke olhou para ela, não para as luzes ou para a cidade que ela mencionava. "Sim," ele respondeu, embora soubesse que não estava falando sobre Nova York.
[...]
Eles mal conseguiam manter as mãos afastadas enquanto subiam as escadas até o apartamento de Gracie. A respiração ofegante dela ecoava entre os degraus, misturando-se aos passos apressados e ao riso baixo que escapava dos dois a cada beijo roubado no caminho. A luz amarelada e fraca do corredor tremulava, mas eles não se importavam — o mundo parecia existir apenas na eletricidade que pulsava entre seus corpos.
Quando finalmente alcançaram a porta, Gracie tentou abrir com a chave, mas seus dedos tremiam tanto que acabou deixando cair no chão. Luke se abaixou para pegá-lo, os olhos azuis, intensos, enquanto a encarava de baixo para cima, como se ela fosse a única coisa que importava naquele instante.
"Calma, amor," ele murmurou, com um sorriso malicioso que a fez sentir o coração disparar.
O apelido escapou dele de forma tão natural, tão certa, que Gracie só conseguiu rir nervosa e puxá-lo pela gola do casaco para um beijo rápido, como se quisesse calá-lo e, ao mesmo tempo, prolongar o momento.
Quando a porta finalmente cedeu, eles entraram no apartamento quase tropeçando, rindo e se beijando com uma urgência que parecia não ter limites. As mãos dele deslizaram pela cintura dela, puxando-a mais para perto, enquanto os dedos dela se enterravam nos cabelos dele, como se precisasse de algo para se segurar.
As luzes da cidade entravam pelas janelas grandes da sala, projetando reflexos suaves nas paredes. Gracie puxou Luke até o centro do cômodo, o som dos saltos dela ecoando levemente no chão de madeira. Ela se afastou por um segundo, respirando fundo enquanto olhava para ele, os lábios inchados, as bochechas coradas.
"Isso é loucura," ela murmurou, mas havia um sorriso brincando em seus lábios, algo que dizia que ela adorava cada segundo daquilo.
Luke deu um passo à frente, segurando o rosto dela entre as mãos, os polegares traçando um caminho lento e delicado pelas maçãs do rosto dela. "Se for, então que seja," ele disse, a voz rouca e cheia de paixão.
Ela sorriu e puxou-o novamente, o beijo intenso, profundo, como se quisessem gravar cada pedaço um do outro na memória. A tensão entre eles era quase palpável, uma corrente que passava de um para o outro e parecia tomar conta do ambiente inteiro.
Gracie o empurrou levemente até o sofá, rindo quando ele caiu sentado e a puxou para o colo. As pernas dela envolveram os quadris dele, e ela segurou o rosto dele entre as mãos, como se quisesse estudar cada linha, cada detalhe.
"Você tem noção de como isso parece coisa de filme?" ela sussurrou, os olhos brilhando sob a luz fraca que vinha de fora.
Luke sorriu, aquele sorriso torto e irresistível que fazia o coração dela vacilar. "Eu só sei que não quero que acabe."
Ela inclinou a cabeça, os lábios pairando sobre os dele. "Então não deixa."
Os dois se perderam um no outro novamente, os beijos se tornando mais lentos, mas cheios de uma intensidade que beirava a devoção. Luke a segurava como se ela fosse algo precioso, enquanto Gracie explorava cada linha dos ombros e da nuca dele com os dedos, como se quisesse se lembrar daquele momento para sempre.
A paixão que os unia parecia tão absurda quanto natural, tão louca quanto inevitável. Eles eram como duas forças que, mesmo tentando resistir, haviam se encontrado no meio do caos e agora se recusavam a se soltar. E ali, naquela sala, com a cidade ao fundo como testemunha, era impossível dizer onde um terminava e o outro começava.
Gracie riu contra os lábios de Luke, um som abafado que fazia o peito dele vibrar. Quando ele se afastou para olhá-la, ofegante, ela o empurrou levemente pelos ombros, prendendo os cabelos atrás da orelha com um gesto desajeitado.
"Você tá me olhando desse jeito de novo," ela comentou, os olhos semicerrados e um sorriso malicioso brincando nos lábios.
Luke arqueou uma sobrancelha, inclinando a cabeça para o lado enquanto umedeceu os próprios lábios. "Que jeito?"
"Como se eu fosse... sei lá, uma obra de arte, ou algo assim." Ela deu um passo para trás, rindo enquanto pegava o casaco que tinha jogado no chão, claramente tentando disfarçar a tensão crescente.
Ele a observava em silêncio, os olhos escuros e intensos, e então deixou escapar um suspiro que parecia carregar o peso de todos os sentimentos que ele ainda não tinha verbalizado. "Talvez porque você seja," ele murmurou, baixo, mas alto o suficiente para ela ouvir.
Gracie parou no meio do movimento, o casaco ainda pendurado nos dedos. Ela piscou algumas vezes, como se processasse o que ele tinha dito, e depois balançou a cabeça, soltando uma risada nervosa. "Tá bom, poeta. O que você tá bebendo além do que a gente tomou no karaokê?"
Luke deu um sorriso torto, aquele sorriso que fazia algo no estômago dela virar de ponta-cabeça. "É sério, Gracie. Você não faz ideia..." Ele hesitou, buscando as palavras certas, enquanto ela o encarava com uma expressão que oscilava entre curiosidade e descrença. "De como você é bonita. De como você se torna... outra pessoa quando tá assim."
"Assim como?" Ela cruzou os braços, tentando manter o tom leve, mas sentindo as bochechas corarem — um misto de álcool e a intensidade do olhar dele.
"Assim, feliz. Solta. Você parece uma versão de você mesma que só eu conheço." Ele se aproximou de novo, segurando o casaco nos dedos dela e deixando-o cair no chão outra vez. "Como se você fosse minha, de um jeito que nem você percebe."
Gracie mordeu o lábio, a tensão entre eles tomando conta do ambiente. Ela levantou uma sobrancelha, tentando manter o tom divertido, mas a voz saiu quase sussurrada. "Você tá falando como se fosse um homem dos anos 40 em um romance de banca, sabia?"
Ele riu, aquele riso baixo que ela sentia vibrar nos ossos. "Talvez eu seja. Ou talvez o álcool tenha me deixado mais honesto."
Ela rolou os olhos, mas o sorriso nos lábios a entregava. "Honesto e cafona."
"Você ama, confessa." Ele passou a mão pela cintura dela, os dedos traçando um caminho lento pelas costas, enquanto a olhava de um jeito que fazia tudo ao redor desaparecer.
Gracie respirou fundo, mas o peito parecia pesado, como se o ar se recusasse a entrar por completo. "Acho que tô começando a gostar," ela murmurou, o tom brincalhão dando lugar a algo mais suave.
Luke segurou o rosto dela entre as mãos, os olhos varrendo cada detalhe de sua expressão, como se quisesse guardar aquilo para sempre. Ele a tinha visto tantas vezes, em tantos momentos, mas agora — com a luz suave da cidade entrando pelas janelas e o efeito do álcool deixando as barreiras dela mais baixas — era como se estivesse vendo uma nova versão dela. Angelical e vulnerável, mas ao mesmo tempo forte e única.
"Você é a coisa mais bonita que eu já vi, Gracie," ele disse, a voz rouca e cheia de um carinho quase palpável.
Ela revirou os olhos de novo, mas dessa vez não conseguiu conter a risada que escapou. "Para, eu não sou tudo isso."
Luke sorriu, aproximando-se ainda mais, até que suas testas se tocassem. "Você é muito mais. Só você não percebe."
Gracie não respondeu. Em vez disso, inclinou-se para beijá-lo, o toque dos lábios como uma mistura de riso, paixão e algo mais profundo que nenhum dos dois ainda sabia nomear. A sala parecia girar ao redor deles, mas o que importava era o calor que emanava daquele momento, o tipo de conexão que parecia arrancar os pés do chão e jogar no ar.
Entre um beijo e outro, Gracie sussurrou com um sorriso brincando nos lábios: "Se você quer que eu me sinta especial, tá funcionando."
Luke riu, deslizando as mãos pela cintura dela para trazê-la ainda mais perto. "Essa é a ideia."
A intensidade entre eles se amplificava, como se o mundo ao redor fosse reduzido a um único ponto, onde só existiam Luke e Gracie. Os toques eram mais urgentes agora, mais descontrolados, como se a bebida e o desejo tivessem se tornado uma linguagem própria que eles sabiam falar sem palavras.
Gracie sentiu o calor de seu corpo irradiar enquanto ele a puxava para mais perto, os dedos de Luke passeando pela sua pele, desenhando caminhos que faziam seu coração acelerar. Cada movimento parecia ser uma promessa, algo mais profundo e visceral do que ela estava disposta a admitir. Ela inclinou a cabeça para trás quando ele a beijou de novo, os lábios quentes e desesperados, e tudo o que ela queria era mais, mais dele, mais daquela sensação avassaladora que deixava seu corpo em chamas.
Ela soltou um suspiro, algo entre uma risada e um gemido, ao sentir suas mãos viajarem por seu pescoço, e os lábios dele descerem para sua clavícula. "Luke..." O nome dela saiu quase num sussurro, mas ele o ouviu como se fosse um comando, algo que o fazia perder o controle ainda mais.
"Shh," ele murmurou contra sua pele, antes de subir novamente para seus lábios, com um fervor que a fazia se sentir como se estivesse em chamas. Os toques eram mais intensos agora, mais urgentes, os corpos deles se encaixando como se tivessem sido feitos para isso.
Gracie não conseguia mais pensar com clareza. O álcool havia deixado sua mente leve, mas o que mais a consumia era a presença de Luke, que parecia entender cada suspiro, cada tremor que ela dava. Cada toque dele fazia seu corpo se arrepiar, e ela se viu querendo mais, querendo todo ele. O desejo deles era como uma chama que queimava, algo que não podia ser apagado.
Com um movimento suave, mas decidido, puxou Luke para mais perto, seus corpos colados, e o olhar dele, selvagem, a fixava com uma intensidade que ela não sabia que poderia suportar. Ele a olhou de cima a baixo, quase como se estivesse absorvendo cada centímetro dela, a beleza daquilo, do jeito que ela parecia agora, descomplicada e perfeita, sem pressa de nada.
"Você... me deixa louco, Gracie," ele disse, a voz rouca, como se cada palavra fosse dita com esforço, uma luta interna para manter a calma.
Ela se aproximou, os lábios roçando os dele de forma suave, mas cheia de promessas. "Eu também, Luke," respondeu com um sorriso travesso, antes de beijá-lo de novo, o mundo desaparecendo ao redor deles.
Tudo o que importava era aquele momento, a troca de calor, de respiração, a maneira como os corpos se moviam juntos, como se o tempo fosse irrelevante. Ela queria sentir tudo. Queria ele, daquele jeito, sem reservas.
"Eu quero você," ela sussurrou, a voz quente e suave, cheia de desejo.
Luke a olhou nos olhos, o brilho em seu olhar revelando o mesmo sentimento. "Eu também quero você, Gracie." A resposta foi quase um rogo, um pedido silencioso. E, sem mais palavras, ele a puxou novamente para si, os corpos se entrelaçando em uma dança de paixão e entrega, onde tudo o que existia era a promessa de um desejo compartilhado e o delírio de serem apenas eles, no silêncio de uma noite tão cheia de vida, tão cheia de eles.
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oiee! como vocês estão? estão gostando?
Com amor,
Clara
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