track 54
⋆。𖦹°⭒˚。⋆
Gracie estava sentada no banco de madeira no pequeno fumódromo do andar, onde o silêncio era quebrado apenas pelo som distante de vozes ecoando pelos corredores da gravadora. O ar tinha um frescor incomum para o espaço fechado, cortado pelo aroma de café vindo da copa próxima. Ela segurava o caderno no colo, as mãos brincando nervosamente com a borda das páginas, enquanto o olhar vagava entre as palavras rabiscadas e o vazio à frente.
A manhã havia começado pesada. A conversa com Joe ainda ecoava em sua mente, a empolgação inicial cedendo lugar a um turbilhão de incertezas.
Luke apareceu na porta do fumódromo, carregando um copo de café na mão. Ele parou por um momento, analisando a figura de Gracie ali, tão concentrada e vulnerável. O cabelo dela caía como uma cortina sobre o rosto, escondendo os olhos que ele sabia estarem cheios de dúvidas.
"Tá tudo bem aqui?" ele perguntou, com a voz baixa e suave, como se não quisesse assustá-la.
Ela ergueu os olhos devagar, um sorriso pequeno e cansado surgindo no rosto. "Oi. Só... pensando."
Ele se aproximou, sentando ao lado dela. O banco era estreito, e seus ombros quase se tocavam. Luke inclinou a cabeça, tentando captar o que se passava na mente dela sem pressioná-la a falar.
"Pensando em quê, bonitinha?" Ele pousou o copo ao lado, os braços descansando sobre as coxas enquanto a observava com atenção.
Gracie respirou fundo, fechando o caderno com cuidado. O som das folhas sendo comprimidas ecoou pelo pequeno espaço. "Hoje de manhã, o Joe falou comigo. Ele tá animado com a demo, quer que eu foque nisso, sabe? Mas ele pediu pra eu me afastar um pouco do projeto da Claire."
Luke franziu as sobrancelhas, surpreso. "Sério? O que você acha disso?"
Ela balançou a cabeça, desviando o olhar para as mãos, que agora descansavam sobre o caderno fechado.
"Eu não sei. Fazer a minha música parece certo, entende? Mas... eu gosto de estar na produção. Gosto de ajudar a construir algo maior. É difícil pensar em deixar isso pra trás, mesmo que por um tempo."
Luke inclinou-se ligeiramente para frente, aproximando-se dela. Sua mão encontrou o encosto do banco atrás dela, num gesto natural de apoio.
"Gracie, você não tá deixando nada pra trás. Você tá construindo algo novo. Algo seu. Isso não é abandonar, é evoluir."
Ela olhou para ele, os olhos brilhando com uma mistura de gratidão e hesitação. "E se eu falhar? E se não for bom o suficiente?"
Luke sorriu de leve, os cantos da boca subindo de um jeito que fazia parecer que ele sabia algo que ela não.
"Gracie, eu já ouvi você cantar. Já ouvi suas composições. E se tem algo que eu sei é que você não só é boa o suficiente, como é exatamente o que a música precisa agora. Mas, mais do que isso, o que você precisa agora."
As palavras dele pareciam pesar no ar, enchendo o espaço com uma gravidade que Gracie não conseguia ignorar. Ela mordeu o lábio, tentando conter a emoção que começava a crescer no peito.
"Você sempre sabe o que dizer, né?" ela murmurou, a voz quase quebrando.
Luke deu de ombros, um sorriso meio tímido surgindo. "Só tô sendo honesto."
Gracie se aproximou um pouco mais, virando o corpo em direção a ele. A conexão entre os dois parecia pulsar no espaço estreito.
"Eu não sei o que eu faria sem você."
Ele segurou o olhar dela por um momento, deixando o silêncio falar por eles. Finalmente, estendeu a mão e tocou de leve a dela, apertando seus dedos num gesto de conforto. "Você faria exatamente o que sempre faz: brilhar."
O toque dele era quente, firme, e Gracie sentiu como se uma parte do peso tivesse sido tirada de seus ombros. Ela respirou fundo, deixando as palavras dele se assentarem.
Depois de um momento, ela soltou uma risada suave, nervosa, mas sincera. "Eu acho que já estou decidida de algumas músicas"
Luke arqueou as sobrancelhas, surpreso e satisfeito. "Sério? Quais?"
"Te conto no estúdio," ela respondeu, levantando-se e oferecendo a mão para ele. "Vamos?"
Ele pegou a mão dela sem hesitar, levantando-se também. "Sempre."
Enquanto saíam juntos do fumódromo, Gracie sentiu que, pela primeira vez em muito tempo, talvez estivesse realmente no caminho certo. E com Luke ao lado, tudo parecia um pouco menos assustador.
O estúdio estava silencioso, exceto pelo leve zumbido dos equipamentos em standby. As luzes suaves deixavam o espaço aconchegante, quase íntimo, como se aquele momento fosse reservado apenas para eles. Gracie entrou primeiro, com o caderno debaixo do braço e um sorriso tranquilo no rosto. Luke a seguiu, observando-a com atenção. O jeito como ela andava, confiante e determinada, fazia algo apertar dentro dele.
Ela parou perto da mesa de mixagem, colocando o caderno sobre a superfície. Passou os dedos pelas páginas com cuidado, como se as palavras ali fossem preciosas. "Essas são as duas músicas que escolhi por enquanto," anunciou, apontando para as folhas.
Luke se aproximou, inclinando-se para ler por cima do ombro dela. "Hmm, Risk e...In Between! Nossa música." disse, apontando para uma letra que ela sabia ser sua favorita.
"Ela mesma," ela respondeu, rindo baixinho, empurrando-o de leve com o ombro. "Cada uma delas tem uma parte de mim, sabe? Acho que abrir com Risk é o ideal e pensei em In Between ser a última...Agora falta mais duas..."
"Eu acho que você devia começar com Risk mesmo," ele sugeriu, agora se acomodando na cadeira giratória ao lado dela. "Além de ser sobre mim...Ela cativa de primeira."
Gracie ponderou por um momento, os olhos fixos na letra rabiscada à mão. "Acho que sim, agora preciso pensar nas próximas...Tenho um caderno mais antigo em casa, vou revisitar algumas antigas."
"Eu quero saber depois...Mas aposto que são ótimas" Luke disse, apoiando o cotovelo na mesa e descansando o queixo na mão, observando-a. "Você coloca a alma em cada palavra. Quando as pessoas ouvirem, vão sentir isso."
Ela corou ligeiramente, desviando o olhar. "Você é suspeito. Sempre fala coisas que me fazem parecer melhor do que sou."
"Talvez porque eu veja você melhor do que você mesma," ele retrucou, um brilho brincalhão nos olhos.
Gracie soltou uma risada e sacudiu a cabeça. "Se eu não souber lidar com toda essa pressão, a culpa é sua."
Luke riu, inclinando-se na cadeira para girá-la em direção a ela. "Você vai lidar com tudo isso como sempre faz: com graça e talento."
Ela olhou para ele por um momento, sentindo o calor crescer no peito. Era como se os olhos de Luke fossem um lugar seguro, um espaço onde ela podia ser completamente ela mesma sem medo de julgamentos.
Depois de alguns segundos de silêncio confortável, ela quebrou o momento. "Ok, produtor. O que vamos fazer primeiro?"
Luke se levantou e foi até o teclado no canto do estúdio. "Vamos brincar um pouco. Quero ouvir você cantar ao vivo essas letras e ver como elas se conectam com os arranjos que você imaginou. Escolhe alguma aleatória de seu caderninho."
Gracie o seguiu, parando ao lado do teclado. Ela olhou para ele com um sorriso travesso. "Brincar, é? Não é você que vive dizendo que eu sou muito séria no trabalho?"
Ele riu enquanto ajustava os botões no teclado. "Hoje é a sua vez de me ensinar como se divertir. Vamos ver se você consegue."
Ela cruzou os braços, desafiadora. "Ah, eu consigo."
"Então vai lá," ele provocou, apontando para o microfone na cabine de gravação. "Me surpreenda."
Gracie revirou os olhos, mas não conseguiu conter o sorriso. Entrou na cabine e ajustou os fones. "Qual você quer que eu cante primeiro?" Gracie folheava as páginas intrigada, mesmo que a música não acabasse no produto final, não havia mal nenhum de cantar.
"A que você acha certa de canter agora," ele respondeu, piscando para ela pelo vidro.
Gracie suspirou, e parou em Labyrinth, outra música sobre Luke. Ela começou a cantar, a voz doce e cheia de emoção preenchendo o estúdio. Luke a observava atentamente, os olhos brilhando de admiração.
"It only hurts this much right now...Was what I was thinking the whole time..." observou Luke pelo vidro da cabine. "Breathe in, breathe through, breathe deep, breathe out...I'll be getting over you my whole life..."
E como se a encorajasse, ele sorriu, de forma tão pura e tão lindo. Olhar para Luke fazia Gracie esquecer completamente de todas as suas amarras, como se todas as suas fitas a ligassem diretamente até ele e seus infinitos olhos azuis.
"Oh, oh, I'm falling in love...Oh no, I'm falling in love again...oh, I'm falling in love." seu sorriso transparecia em sua voz. "I thought the plane was going down, how'd you turn it right around?"
A voz dela era tão suave, mas atingia o coração de Luke como uma tempestade, de cara ele soube para quem era aquela música e seu coração acelerava cada vez mais com o jeito que ela o olhava. Luke estava pela primeira vez apaixonado e saber que estava na cabeça de Gracie ao ponto dela escrever mais de uma música sobre ele deixava aquela sensação ainda mais gostosa. E ela estava ali, diante dele, sorrindo e cantando só para ele.
Quando ela terminou, o silêncio se espalhou pelo estúdio por um momento antes de Luke se levantar com o maior sorriso estampado em seu rosto, os olhos brilhando. Gracie com seu típico rubor nas bochechas
saiu da cabine, um sorrisinho tímido que fez o coração dele derreter.
"O que achou?"
"Que você está apaixonada" ele brincou, puxando-a suavemente pela cintura, deslizando os dedos por dentro da blusa dela.
O toque foi breve, mas suficiente para que ambos sentissem o calor percorrer seus corpos. Gracie olhou para ele, e por um instante, parecia que o mundo inteiro havia se reduzido àquele pequeno estúdio. Ela estava em combustão.
"Acho que não sou a única" ela disse, a voz suave. "Você gostou?"
"Muito, eu amei, Gracie." Ele tocou de leve o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo. Os olhos dele caíram lentamente até os lábios dela.
Gracie sorriu, e dessa vez, foi ela quem tomou a iniciativa. Ficou na ponta dos pés e deu um beijo leve nos lábios dele, um gesto doce e cheio de significado.
"Fico feliz...É sobre você..." ela sussurrou.
Luke sorriu, puxando-a para um abraço. "Uma música linda como essa só poderia ser para alguém tão bonito quanto eu..."
Gracie riu contra o peito dele, sentindo-se mais conectada a ele do que nunca. O estúdio, com todas as suas luzes e equipamentos, parecia agora um espaço sagrado, onde sonhos começavam a se tornar realidade — juntos.
O estúdio estava envolto em uma tranquilidade quase mágica. As luzes baixas davam ao ambiente um tom aconchegante, e o som distante de passos no corredor parecia se perder no isolamento acústico. Gracie estava sentada no chão com as pernas cruzadas, o caderno de anotações aberto ao lado dela, enquanto Luke se espreguiçava no sofá, observando-a com aquele meio sorriso que ele fazia quando estava curioso.
"Ok, Luke," Gracie começou, enrolando uma mecha do cabelo distraidamente. "Eu estava pensando... a gente sempre se perde em conversas sobre trabalho e músicas, mas nunca jogamos algo pra realmente nos conhecermos. Sabe...os segredos mais obscuros..."
"Algo tipo... o quê? Verdade ou consequência? Porque eu já te aviso que sou péssimo em consequência," ele disse, inclinando a cabeça para o lado com um sorriso travesso. "Além disso, já temos intimidade...sabe, já vi você de outro jeito...."
"Luke!" ela respondeu, revirando os olhos, mas acabou rindo. "Perguntas e respostas. Cada um faz uma pergunta e o outro responde, sem fugir. Que tal?"
Luke fingiu pensar por um momento. "Parece justo. Mas você tem que ser honesta também."
"Eu não tenho nada a esconder."
"Veremos," ele respondeu, o olhar brincalhão.
Gracie mordeu o lábio, pensando na primeira pergunta. "Qual foi o momento mais embaraçoso da sua vida?"
Luke soltou uma risada curta. "Essa é fácil. Quando eu era adolescente, minha banda do colégio tinha um show no baile de formatura, detalhe, eu me achava o maior rockeiro do mundo, usava roupas escuras e o cabelo mais liso...Enfim eu tropecei no cabo do microfone na primeira música, quase caí de cara no chão e ainda desafinei na hora de cantar The Only Exception do Paramore, as pessoas perceberam e eu fiquei todo vermelho..."
Gracie riu, imaginando a cena. "Você em uma banda? Meu sonho ver fotos suas dessa época! Agora estou tentando imaginar você de cabelo liso." ela gargalhou.
Ele apontou para ela, rindo. "Sua vez, engraçadinha. Qual foi o seu maior crush de infância?"
Gracie hesitou, cobrindo o rosto. "Ah, isso é constrangedor!"
"Mais ou menos o objetivo do jogo," Luke respondeu com um sorriso vitorioso.
"Ok, tudo bem. Era o Troy Bolton de High School Musical. Zac Efron foi meu primeiro amor. Eu costumava dançar Breaking Free no quarto sozinha e fingir que ele estava me esperando na varanda...George sempre me zoava que o Zac nunca ia querer namorar comigo..."
Luke gargalhou, quase se dobrando no sofá. "Isso explica tanto sobre você!"
"Ei, sem julgamentos!" Gracie protestou, rindo também. "E a sua crush de infância, quem foi?"
"Definitivamente a Monica Geller de Friends." sorriu e fitou Gracie. "Minha mãe assistia muito Friends e eu adorava, e a Monica...mexia comigo." deu de ombros. "Acho que por isso eu me apaixonei por você...me lembra ela"
"Então você está apaixonado por mim..." ela sorriu.
"Impossível não estar..." ele disse sorrindo, deixando um beijo rápido nos lábios dela "Mas agora é minha vez de perguntar algo profundo: qual é o seu maior arrependimento até agora?"
A risada dela diminuiu, e ela pensou por um momento, olhando para o chão. "Acho que meu maior arrependimento foi ter deixado o medo decidir por mim. Durante muito tempo, eu dizia não para coisas que poderiam ter mudado minha vida, só porque eu achava que não estava pronta. Mas acho que estou aprendendo a ser mais corajosa agora."
Luke assentiu, o olhar dele suavizando. "Você está sendo. Eu vejo isso em você todos os dias."
Gracie sorriu timidamente, sentindo o coração bater um pouco mais rápido. Ela balançou a cabeça, tentando mudar o clima. "Ok, mudando o clima. Qual foi o maior mico que você pagou em um encontro?"
Luke gargalhou antes mesmo de responder. "Ah, fácil. Teve uma vez que eu levei uma garota pra jantar em um restaurante bem chique, e eu estava tão nervoso que derramei uma taça inteira de vinho na roupa dela. Foi horrível."
Gracie colocou a mão na boca, rindo alto. "Luke! O que você fez depois?"
"Comprei a sobremesa mais cara pra tentar compensar. Não funcionou muito bem," ele disse, balançando a cabeça.
Ela sorriu, inclinando-se um pouco mais perto. "Você deve ter melhorado desde então."
"Talvez," ele respondeu com um sorriso significativo.
"Certo, sua vez de novo," ela disse, apoiando o queixo na mão.
"Ok, algo mais leve desta vez. Qual era sua música predileta quando era criança?"
Gracie riu antes mesmo de responder. "The Sweet Escape da Gwen Stefani, descobri ela quando George começou a namorar Lana, quando eu saía com eles, ela colocava e eu amava!"
"Meu Deus! Essa música é a sua cara!" Luke riu, imaginando a Gracie das fotos que ele viu no quarto dela dançando. "É uma boa música de karaokê."
"Muito! É a minha favorita para cantar em karaokê."
Os dois continuaram a rir e compartilhar histórias, as perguntas ficando cada vez mais pessoais e íntimas. Era como se, a cada troca, eles desvendassem mais camadas um do outro, criando uma conexão que ia além de palavras.
Quando as risadas diminuíram, Luke a observou por um momento, o olhar caloroso. "Sabe, Gracie, acho que esse foi um dos dias mais divertidos que eu tive em muito tempo."
Ela sorriu de volta, sentindo o coração apertar de uma forma que ela começava a reconhecer. "Eu também, Luke."
E, naquele estúdio silencioso, cercados por histórias e risos, os dois se conectaram de um jeito que parecia ser apenas o começo de algo ainda maior.
⋆。𖦹°⭒˚。⋆
oie!!! como vocês estão?
queria dedicar mais um capitulo a lastkissy que sempre surta com as músicas que eu coloco aqui rs
Com amor,
Clara
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