track 46

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

A sexta-feira à noite se desenrolava com uma tranquilidade encantadora no apartamento de Gracie. Ela e Anna voltaram juntas da gravadora para escolherem a roupa perfeita para o encontro de Gracie. A música preenchia o ar, uma trilha sonora leve que misturava nostalgia e modernidade, enquanto as luzes amareladas criavam um ambiente acolhedor. As garrafas de vinho abertas na bancada já haviam servido a duas taças generosas, e Anna estava deitada de costas no sofá, os pés balançando no ar, observando Gracie tentar decidir o que vestir.

"Ok, esse está definitivamente fora," Anna disse, segurando um casaco que parecia mais adequado para uma expedição no Alasca. "Você está saindo com o Luke, não escalando o Monte Everest." 

Gracie, deitada no chão com um vestido enrolado nas mãos, soltou uma risada fraca.

"Eu só quero algo que diga 'sou irresistível', mas também 'estou completamente no controle da situação'." 

"Ah, então basicamente você quer parecer uma deusa," Anna brincou, tomando um longo gole de vinho. "Sem pressão." 

Gracie revirou os olhos, mas antes que pudesse rebater, Anna puxou algo da pilha de roupas: um vestido preto longo, elegante, com recortes laterais e um decote sutil, era clássico e Gracie sempre se sentia extremamente confiante quando vestia.

"E esse?" Anna perguntou, segurando o vestido com cuidado. 

Gracie ficou em silêncio por um momento, os olhos fixos na peça. Lentamente, ela se levantou e pegou o vestido das mãos de Anna.

"Esse era da minha mãe," disse baixinho, como se revelar isso fosse um segredo precioso. 

Anna franziu a testa, curiosa. "Sério? Parece tão moderno." 

"Ela usou quando conheceu meu pai," Gracie explicou, passando os dedos pela seda macia. "Ela sempre dizia que ele não conseguiu tirar os olhos dela naquela noite. E, bem, o resto é história." 

Anna sorriu, apoiando o queixo na mão. "É perfeito. Tem história, tem significado, e, acima de tudo, vai deixar o Luke completamente sem fôlego." 

Gracie experimentou o vestido, girando na frente do espelho enquanto Anna ajustava os detalhes. "Com a jaqueta de couro e as botas pretas, acho que funciona," disse Gracie, olhando para si mesma com um sorriso tímido. 

"Funciona?" Anna riu. "Gracie, você parece uma estrela de rock. Ele vai perder a cabeça." 

Antes que pudessem continuar, o celular de Gracie vibrou na mesa. Anna, sempre rápida, pegou o aparelho antes que Gracie pudesse protestar. "É o Luke!" 

"Anna, devolve!" Gracie exclamou, mas a amiga já tinha atendido. 

"Oi, Luke!" Anna cumprimentou, inclinando o celular para que ele pudesse ver as duas. 

Luke, do outro lado, estava sentado em um sofá, vestindo uma camisa de flanela que acentuava seus ombros largos. "Oi, Anna. E oi, Gracie," disse ele, o sorriso brincando em seus lábios. 

"Oi, Luke," Gracie respondeu, já sentindo o rosto corar. 

"Preciso de ajuda," ele começou, um tom provocativo na voz. "O que eu devo usar amanhã? Quero causar uma boa impressão." 

Anna riu, apoiando o celular contra uma almofada. "Por que não pergunta pra Gracie? Ela tem boas ideias." 

Luke inclinou a cabeça, o sorriso dele ficando mais malicioso. "Gracie, alguma sugestão?" 

Gracie cruzou os braços, tentando ignorar a forma como ele a fazia se sentir. "Algo casual, mas arrumado. Camiseta preta, talvez. E uma jaqueta. Não precisa de muito esforço." 

"Ah, mas quero me esforçar," ele respondeu, a voz mais grave. "Afinal, é um encontro importante." 

Gracie sentiu o coração acelerar, mas manteve a pose. "Bem, não complique. Você já tem o suficiente." 

"Você quer dizer charme natural?" ele perguntou, o sorriso agora completamente travesso. 

"Talvez," ela respondeu, tentando não rir. 

"Ok, crianças," Anna interrompeu, rindo. "Luke, só busque ela depois do almoço. E traga algo extra, caso decida não voltar pra casa." 

Luke arqueou as sobrancelhas, surpreso. "Algo extra, é?" 

"Boa noite, Luke!" Gracie disse rapidamente, encerrando a ligação enquanto Anna gargalhava. 

Quando o silêncio retornou ao apartamento, Gracie se jogou no sofá ao lado da amiga, ainda segurando o vestido. Anna a olhou, um sorriso suave nos lábios. 

"Você tá nervosa, né?" 

Gracie suspirou, encostando a cabeça no encosto. "Muito. Mas é um nervoso bom. É como se... como se tudo estivesse começando a se encaixar." 

Anna segurou a mão dela, os olhos brilhando com empatia. "É bom ter isso, sabe? Sentir tudo tão intensamente." 

Gracie olhou para ela, os olhos cheios de ternura. "E você? E o Blake? Como estão as coisas?" 

Anna deu de ombros, mas o sorriso dela entregava tudo. "Tá... diferente. Ele me escuta, de verdade. E quando estou com ele, parece que o tempo desacelera." 

Gracie apertou a mão dela. "Você merece isso, Anna. Merece alguém que veja o mundo inteiro em você." 

Anna olhou para o teto, pensativa. "Acho que somos assim, sabe? Mulheres fáceis de amar. Não porque somos simples, mas porque entregamos tudo. O coração, a alma."

"Sim," Gracie concordou, com a voz suave. "E, às vezes, isso nos machuca. Mas, no final, acho que vale a pena. Porque, quando encontramos a pessoa certa, toda aquela intensidade faz sentido." 

Elas ficaram em silêncio por um momento, apenas ouvindo a música ao fundo. Então Anna ergueu sua taça de vinho. "Aos corações intensos e às histórias de amor inesquecíveis." 

Gracie ergueu a própria taça, um sorriso iluminando seu rosto. "E aos encontros que começam tudo isso."

[...]

Gracie fechou a porta com cuidado, o sorriso ainda brincando em seus lábios enquanto os ecos da noite com Anna flutuavam pelo apartamento. Ela se jogou no sofá por um momento, abraçando uma almofada enquanto a ansiedade vibrava em cada célula do corpo. Amanhã. Amanhã era o dia.

O banho quente pareceu dissolver parte da tensão, mas o pensamento de Luke persistia, como uma melodia que não saía da cabeça. Deitada na cama, já com sua camiseta velha de banda e shorts confortáveis, Gracie deixou os cabelos úmidos espalhados pelo travesseiro. Foi quando o celular vibrou no criado-mudo.

Ela pegou o aparelho rapidamente, e o nome de Luke na tela a fez sorrir antes mesmo de abrir a mensagem.

"Então... tô aqui pensando... qual é a pontuação mínima que eu preciso fazer nesse encontro pra ganhar um segundo?"

Gracie riu, sentindo o coração acelerar com a ousadia na pergunta. Ela digitou rapidamente:

"Depende. Você tá mirando em 'bom suficiente' ou 'inesquecível'?"

A resposta dele veio quase instantaneamente.

"Com você? 'Bom suficiente' nem entra no meu vocabulário. Tô pensando em cravar 'inesquecível'."

Gracie revirou os olhos com um sorriso e respondeu:

"Confiança é bom. Mas cuidado, Luke. O nível de exigência aqui é alto."

"Ah, eu sei. Você tem cara de quem dá trabalho. Mas é exatamente o tipo de desafio que eu gosto."

Ela apertou o celular contra o peito, tentando conter o sorriso bobo que ameaçava dominar todo o rosto. Antes que pudesse pensar em uma resposta, outra mensagem chegou.

"Agora, me conta: além da roupa que você já escolheu, como eu impressiono você amanhã? Presentes Perfume? Ou só levo meu charme natural?"

Gracie sentiu uma onda de calor no rosto.

"Definitivamente não confie só no charme. Isso pode acabar te deixando sem pontos."

"Ok, anotado. Então... acho melhor um terno, não é? Ou você é mais fã do estilo 'despojado, mas irresistível'?"

Antes que ela pudesse responder, o celular vibrou novamente. Dessa vez, era uma videochamada. Gracie hesitou por um segundo, acendeu seu abajur e aceitou, a tela se iluminou com o rosto de Luke.

"Tá rindo de mim, não tá?" Ele perguntou, um sorriso brincando nos lábios enquanto ajeitava o cabelo bagunçado.

"Talvez um pouco," ela respondeu, mordendo o canto da boca para esconder o riso.

"Ótimo, então você já tá achando graça. Isso é meio caminho andado, né?" Ele piscou, e ela sentiu o estômago dar um pequeno salto.

"Você está tentando ganhar pontos antes!" Gracie fingiu indignação."

Luke riu. "Eu só tô tentando garantir que não vou estragar tudo antes de começar. É crime?"

Gracie revirou os olhos. "Você nem precisa de ajuda, Luke. Qualquer coisa que você fizer vai ser... bom."

"Bom?" Ele arqueou uma sobrancelha. "É só isso? Bom?"

Gracie corou e tentou desviar o olhar. "Tá. Muito bom. Feliz agora?"

"Agora sim," ele respondeu, o sorriso crescendo. "Então, tá decidido. Te busco depois do almoço, não é?"

"Luke, sou eu que decido as regras desse encontro, mas sim, depois do almoço." ela provocou. "E mais uma coisa... leva umas roupas extras."

"Extras?" Ele estreitou os olhos, interessado. "Por quê? Planejando me sequestrar?"

"Planejando te deixar confortável, caso precise dormir no sofá," ela respondeu, a voz cheia de diversão.

"O sofá, né?" Ele balançou a cabeça, o olhar cheio de provocação. "Você é cruel, Gracie. Sabe que eu mereço estar na mesma cama que você."

"Vou pensar..." ela respondeu, piscando antes de encerrar a ligação.

Gracie deixou o celular de lado, o coração acelerado. A conversa com Luke era um misto de fogo e diversão, e ela sabia que aquela troca de mensagens e olhares seria o combustível perfeito para o dia seguinte. Ela se aconchegou debaixo das cobertas, o celular ainda aquecido pelo calor da conversa com Luke, repousando ao lado dela. Aquele sorriso bobo não deixava seus lábios, mas era mais do que isso. Era a sensação que ele deixava no ar, como um perfume que ficava mesmo depois de alguém ir embora. 

Ela fechou os olhos, mas o pensamento dele persistiu, teimoso. A maneira como ele olhava para ela, o sorriso preguiçoso nos lábios, a voz grave que parecia deslizar pela sua pele como uma melodia. 

Sem perceber, sua mente a levou de volta a momentos que ela havia guardado com carinho — e um pouco de vergonha — na memória. A primeira vez que ele a beijou, o calor inesperado daquele toque. Era uma noite fria, mas os dedos dele em seu rosto pareciam incendiá-la. 

E então veio o segundo beijo, mais confiante, mais desesperado, como se ele tivesse esperado muito tempo para chegar ali. E por fim, a noite do ano novo, a lembrança do corpo dele colado ao dela, a maneira como ele segurava sua cintura, como se quisesse moldá-la contra ele. O calor que subia pela pele dela era quase palpável, os olhos dele tão focados nela e intensos, cheios de desejo.

Gracie suspirou, a respiração ficando mais pesada enquanto os pensamentos se aprofundavam e sua mão descia aos poucos por seu corpo. Ela se lembrou de como era quando ele a tocava, os dedos traçando caminhos pela sua pele como se estivesse compondo uma música só para ela. Intenso e magnético, como se o mundo inteiro pudesse desaparecer e só restassem os dois.

E agora, sua mente começava a flutuar entre o real e o imaginado. A maneira como ele sussurrava o nome dela, a forma como os lábios dele encontravam os dela com uma precisão que fazia o tempo parar. Ela se pegou fantasiando, sentindo o peso da presença dele mesmo na ausência, como se Luke estivesse ali, ajoelhado ao lado dela, os dedos traçando linhas invisíveis pela sua pele arrepiada, escrevendo "minha" na parte interna da sua coxa.

Imaginou os lábios dele deslizando pelo seu pescoço, os dedos firmes na curva da sua cintura, as viradas de olho que ela dava a cada vez que ele se movia dentro dela. O coração dela disparou com a ideia de tê-lo tão perto, de novo. Era quase cruel o quanto ela o desejava, o quanto Luke conseguia dominá-la mesmo à distância, mesmo sem tentar. 

Gracie abriu os olhos, tentando respirar fundo e se recompor. Mas a chama já estava acesa, o calor já tinha tomado conta dela. Não era só desejo; era ele. A forma como Luke fazia cada momento parecer maior do que era, mais vivo. 

Ela olhou para o celular, o nome dele ainda brilhando na última mensagem. Um sorriso suave voltou a surgir enquanto ela passava os dedos pelo texto, como se quisesse tocá-lo de alguma forma. 

"Você não sai da minha cabeça, Luke," murmurou baixinho, para ninguém além de si mesma. 

Com o coração acelerado e os pensamentos ainda vagando entre memórias e sonhos, Gracie fechou os olhos de novo, deixando-se levar pela fantasia de como seria tê-lo mais uma vez.

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

oiie!!!! como estão?
o final desse capítulo foi inspiradissimo por guilty as sin? da Taylor Swift e eu amei!
Queria dedicar ele pra lastkissy que sempre surta com as referências da Taylor rsss

Com amor,
Clara

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