track 37

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

A noite tinha caído com suavidade em Miami, derramando um calor ameno pelas ruas e cobrindo a casa de Luke com uma tranquilidade nostálgica. Ele estava em seu quarto, sentado na beirada da cama com o violão repousando sobre os joelhos. As palavras de uma nova música estavam espalhadas em um caderno aberto ao lado dele, mas sua mente parecia querer fugir.

Os dedos deslizavam pelas cordas, criando acordes que ecoavam como memórias, enquanto ele rabiscava fragmentos de versos. A melodia era carregada de saudade, cada nota trazendo à tona um instante perdido—o sorriso de Gracie, o som da risada dela, a lembrança da última vez que estiveram juntos, corpos entrelaçados após a festa, em um silêncio que dizia mais do que qualquer palavra.

A porta do quarto abriu devagar, e sua mãe entrou com o mesmo cuidado de sempre, como se soubesse que estava entrando em um território cheio de pensamentos delicados.

"Posso entrar?" Liz perguntou, a voz gentil.

Luke sorriu de canto e assentiu. "Claro."

Ela se sentou ao lado dele na cama, olhando para o violão em suas mãos. "Ainda compondo?"

"Algo assim." Ele deu de ombros.

Por um momento, nenhum dos dois falou, o som das cordas sendo tocadas distraidamente preenchendo o espaço. Até que ela quebrou o silêncio.

"Sabe, você sempre foi tão sensível," disse ela, olhando para ele com ternura. "Quando era pequeno, qualquer coisa podia te deixar emocionado. Filmes, músicas, até livros da escola. Era como se você sentisse tudo mais intensamente que os outros."

Luke soltou um riso baixo, sem levantar os olhos do violão. "É, e agora você tá dizendo que eu sou insensível?"

Liz balançou a cabeça, sorrindo. "Não, querido. Só que, em algum momento, você decidiu se fechar. Talvez tenha sido com a separação do seu pai e eu. Talvez tenha sido outra coisa. Mas sinto que você guarda tudo pra você agora, e nem sempre precisa ser assim."

Ele ficou em silêncio, os dedos parando nas cordas.

Ela continuou, a voz mais baixa. "Se você está apaixonado por ela, por que não diz? Às vezes, as pessoas precisam ouvir. Mesmo quando parece assustador. Especialmente quando parece assustador."

Ele soltou o ar pelos lábios, frustrado, mas mais consigo mesmo do que com as palavras dela. "Não é tão simples."

Rosie colocou uma mão sobre o ombro dele, apertando com leveza. "O amor nunca é simples, Luke. Mas é isso que faz valer a pena. Se ela sente o mesmo, ela vai voltar. Tenho certeza disso."

Antes que ele pudesse responder, a porta do quarto abriu novamente, dessa vez sem cerimônia. Louise entrou com a energia de um furacão.

"Luke! Vamos! Os meninos tão indo pro The Sunset, e você não vai escapar dessa vez," ela disse, cruzando os braços de forma teatral.

"Eu tô no meio de uma coisa," ele respondeu, apontando para o violão.

"Sem desculpas. Calum já tá lá. E, além disso, você precisa se divertir. Não é todo dia que a gente junta todo mundo assim."

A mãe dele levantou-se, sorrindo. "Vá, Luke. Você pode compor amanhã."

Ele bufou, mas acabou cedendo, levantando-se e deixando o violão sobre a cama.

[...]

O The Sunset Bar estava lotado, mas isso não parecia importar. Ashton, Calum e Mike já estavam em uma mesa perto do palco, rindo alto e relembrando histórias da época da escola.

"Você lembra daquele show de talentos?" Ash perguntou, apontando para Luke enquanto segurava uma cerveja. "Aquele em que você tentou cantar Wonderwall e esqueceu metade da letra?"

"Eu não esqueci nada," Luke retrucou, fingindo indignação. "Vocês que inventam essas coisas."

"Ah, claro," Calum provocou. "E aquela vez que você tropeçou no cabo da guitarra no meio de uma apresentação? Isso também é invenção nossa?"

"Eu ainda tô convencido que foi culpa do Mike," Luke disse, apontando para ele.

"Ei, eu sou só o guitarrista," Mike respondeu, erguendo as mãos em rendição. "Eu não mexo nos cabos."

As risadas continuaram, o som de velhas piadas e memórias compartilhadas preenchendo o espaço. A banda que estava tocando encerrou e uma voz anunciou que começaria um karaokê. Os amigos se animaram e se entreolharam.

"Vamos lá, Hemmings," Ash provocou. "Eu e você, vamos cantar alguma coisa.

Louise apontou para o catálogo de músicas. "Você tem que cantar algum pop! É a única opção aceitável."

Luke revirou os olhos, mas não conseguiu evitar o sorriso. "Vocês não vão me deixar em paz, né?"

"Não mesmo," Calum disse, levantando a mão como se fosse um juramento. "Você tem que se divertir!"

"Cante como se sua garota estivesse aqui." Mike piscou para ele.

No fim, Luke cedeu. Ele subiu ao palco com Ashton ao lado, e os primeiros acordes de No Control de One Direction, começaram. O público animado começou a cantar junto, e logo Luke e Ash estavam completamente envolvidos, trocando versos e improvisando coreografias bobas.

"Stained coffee cup, just a fingerprint of lipstick's not enough" Ashton começou e Luke acabou gargalhando.

"Sweet, where you lay...Still a trace of innocence on the pillowcase..." Luke entrou no ritmo.

Enquanto cantava, Luke não pôde evitar pensar em Gracie novamente—no jeito que ela parecia sempre trazer cor aos dias mais cinzas, na voz suave dela cantando distraidamente no trabalho, na lembrança dela no estúdio, rindo e provocando Anna.

"Waking up! Beside you I'm a loaded gun!" os dois cantaram animados e riam entre a música vendo os amigos vibrando. "I can't contain this anymore, I'm all yours, I've got no control! No control!"

Quando a música terminou, o bar explodiu em aplausos e gritos. Luke e Ashton fizeram uma reverência exagerada antes de voltarem para a mesa.

Depois de descer do palco, ainda com o coração acelerado pela energia da música e das risadas, Luke se jogou no banco da mesa com os amigos. Ashton e Calum vieram logo atrás, ainda animados, batendo palmas exageradas como se estivessem em um show lotado. 

"Senhoras e senhores, Luke Hemmings, o príncipe do pop adolescente!" Ash anunciou, fazendo uma reverência exagerada. 

"Vai se ferrar," Luke riu, jogando um guardanapo nele. 

"Não dá pra negar, cara. Você ainda manda bem," Calum comentou, levantando o copo de cerveja num brinde improvisado. "É bom te ver cantando de novo." 

Luke deu de ombros, ainda sorrindo, mas havia algo sincero na observação de Calum que o fez parar para pensar. Fazia tempo desde que ele se permitira simplesmente curtir cantar, sem pressão, sem pretensão. 

Mike, que estava do outro lado da mesa, inclinou-se para frente com um olhar curioso. "Você ainda lembra da época de escola? A gente falando sobre ser famoso enquanto ensaiava naquele porão minúsculo?" 

"Como esquecer?" Luke respondeu, rindo. "Era o porão da sua casa, Mike. Acho que sua mãe odiava a gente." 

"Ela dizia que odiava, mas no fundo, acho que gostava de ver a gente levando aquilo a sério," Mike respondeu com um sorriso nostálgico. "Ela sempre deixava pizza pra gente no final das sessões, lembra?" 

"Ah, claro, como esquecer? A pizza sempre salvava depois de horas tocando as mesmas três músicas," Ash comentou, rindo. "E Luke ficava insistindo pra gente tentar escrever algo novo." 

"E vocês só queriam tocar covers," Luke retrucou, apontando para Ash. "Eu que carreguei aquele porão nas costas." 

"Carregou, é?" Calum arqueou a sobrancelha, brincando. "Eu me lembro de você tentando convencer a gente de que Last Nite ia ser a nossa grande estreia." 

Os outros riram alto, e Luke balançou a cabeça, se rendendo. "Ok, talvez eu tenha exagerado um pouco naquela época." 

"Um pouco?" Ash zombou. 

Louise, que tinha ficado quieta até então, finalmente entrou na conversa, cutucando o ombro de Luke. "Vocês eram um desastre no início, mas até que melhoraram depois de um tempo. Calum sempre falava que ia conquistar o mundo com vocês." 

"E agora?" Luke perguntou, virando-se para Calum com um sorriso malicioso. "Você conquistou o mundo?" 

"Conquistei algo melhor," Calum respondeu, abraçando Louise pelos ombros. Ela revirou os olhos, mas sorriu, e Luke balançou a cabeça, divertido. 

A conversa mudou para histórias de festas na escola, de como Calum uma vez tentou impressionar uma garota tocando violão no intervalo e acabou desafinando todas as cordas, ou da vez em que Ash caiu do palco improvisado na garagem de Mike. 

Luke riu tanto que sentiu lágrimas nos olhos, a sensação estranha e agridoce de se reconectar com essas memórias tomando conta dele. Era como se estivesse voltando no tempo, redescobrindo partes de si que havia deixado para trás. 

Quando os garçons começaram a fechar o bar, o grupo percebeu que a noite tinha passado mais rápido do que imaginavam. Caminhando juntos para fora, o ar noturno de Miami era fresco, com uma brisa suave trazendo consigo o cheiro do mar. 

Luke ficou um pouco para trás, observando os amigos conversarem animadamente à frente. Apesar das piadas e da descontração, algo dentro dele se aquietou naquela noite. Não era só sobre a nostalgia, mas sobre perceber que, mesmo com o tempo, certas coisas nunca mudavam. 

Ash olhou para trás e chamou: "Ei, Hemmings, tá filosofando aí? Vamos!" 

Luke sorriu, apressando o passo para alcançá-los. "Só pensando no quão sortudo vocês são de me ter por perto." 

"Ah, claro," Mike respondeu, rindo. "Não sei como sobreviveríamos sem o príncipe do pop adolescente." 

A caminhada continuou, com piadas e conversas atravessando o silêncio da noite. Mas, no fundo, Luke sabia que aquelas pequenas conexões eram o que realmente importava, o que o fazia se sentir inteiro. 

E, enquanto se despedia dos amigos e voltava para casa, com o cheiro da noite ainda impregnado em sua roupa e a lembrança do riso ainda ecoando, ele percebeu que, pela primeira vez em muito tempo, estava realmente presente no momento. "Um passo de cada vez", ele pensou. Um passo de cada vez.

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

oie!! como vocês estão?
estava ansiosa para acrescentar os meninos da 5sos na historia e achei esse capítulo a cara deles!

espero que estejam gostando de Close To You!

Com amor,
Clara

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