track 33
⋆。𖦹°⭒˚。⋆
Gracie acordou com um leve susto, o rosto amassado pelo travesseiro e a sensação de que, por mais que tentasse, não conseguiria escapar dos pensamentos que a assombravam. O dia anterior parecia ter passado como um turbilhão — e, agora, ela estava ali, de volta à casa dos pais, em um cenário familiar e acolhedor, mas com o coração apertado. Ela aproveitou para ter uma rotina matinal relaxante, como uma tentativa de colocar a cabeça no lugar, afinal, hoje teria que voltar à gravadora.
Sua mãe estava na cozinha quando Gracie desceu, ainda com os olhos meio inchados. Ela a olhou com uma expressão que era ao mesmo tempo de curiosidade e preocupação, como se soubesse que algo havia acontecido, mas estivesse esperando Gracie falar por si mesma.
"Você dormiu o dia inteiro ontem... aconteceu alguma coisa?" May perguntou, com um tom suave, sem pressa, permitindo que Gracie se abrisse no seu próprio tempo.
Gracie ficou em silêncio por um momento, mexendo nervosamente na alça da bolsa. Ela sabia que precisava contar, mas não conseguia encontrar as palavras certas. Por fim, respirou fundo e falou, tentando manter a calma.
"Foi a festa... o Ano Novo... eu... eu... acabei transando com o Luke." foi direto ao ponto.
O silêncio de sua mãe foi a resposta inicial. Mas, ao invés de questionar diretamente, May apenas a observou com atenção. Gracie sentiu os olhos dela penetrando fundo, como se tentasse entender o que realmente estava por trás do que ela havia dito.
"Mas isso não é o que está te deixando assim, não é?" May perguntou suavemente, com uma leve inclinação da cabeça.
Gracie sentiu um nó na garganta e se apoiou na bancada da cozinha, olhando para as mãos.
"Eu sabia algumas histórias de Luke, ele sempre teve uma fama de se relacionar da forma mais desapegada o possível, e sempre tinha algo em mim que me impedia de ficar com ele...Mas no final das contas, a gente estava se envolvendo e parecia diferente e mais genuíno." bateu seus dedos na bancada. "E na festa de ano novo, eu ouvi algumas histórias sobre ele e uns comentários sobre eu ser "apenas mais uma", e uma garota, que eu acredito que ele já ficou, foi falar com ele com uma intimidade estranha."
Antes que May pudesse responder, Gracie continuou. "Enfim, ele tentou me deixar mais segura, e eu me entreguei totalmente naquela noite e nos divertimos. Aí, acordei e sem querer peguei o celular dele, achando que era o meu e vi mensagem dessa garota...Me desesperei e fui embora..."
A expressão de May suavizou um pouco, mas ela ainda não sabia o que dizer. Ela sabia que Gracie era sensível, especialmente quando se tratava de relações, e entendia que sua filha estava se martirizando pela própria insegurança.
"Gracie... você não pode controlar as coisas que aparecem no caminho. Eu sei que você se magoou, e que a incerteza é difícil de lidar. Mas você precisa ouvir seu coração. O que você sente por ele é real?" Mat perguntou, os olhos carinhosos, esperando que a filha encontrasse algum conforto na própria verdade.
Gracie ficou quieta por um tempo, refletindo sobre a pergunta da mãe. Ela queria dizer que sim, que o que sentia por Luke era real, mas ao mesmo tempo, havia tantas dúvidas e medos. Ela pensava em tudo o que acontecera e em como se afastara dele sem sequer permitir uma explicação.
"Eu não sei... Eu não sei o que pensar... ele... ele parece tão distante agora." As palavras saíram fracas, como se ela mesma estivesse tentando se convencer de que havia feito a coisa certa.
"Eu entendo. Só não fique parada, esperando as coisas se resolverem sozinhas. Se você realmente gosta dele, tem que tomar uma atitude, mesmo que isso signifique enfrentar suas inseguranças", May disse, seu tom firme agora, mas ainda cheio de compreensão. "Vai ser difícil, mas você vai dar conta."
Gracie respirou fundo, tentando engolir o medo que tomava conta dela. "Eu sei... mas hoje eu vou ver ele, e não sei como vai ser. Eu fiz tanta coisa errada."
May a abraçou, oferecendo o tipo de aconchego que só uma mãe poderia dar. "Gracie, todo mundo comete erros. O que importa é como você aprende com eles."
Gracie sorriu, um pouco mais tranquila, mas ainda assim com o coração pesado. Ela sabia que precisava ir para o trabalho e enfrentar o que estivesse à frente. Não podia fugir mais.
Após o abraço, seu pai entrou na cozinha, já com a chave do carro na mão, pronto para levá-la até a gravadora. Ele não fez muitas perguntas, mas quando a viu, percebeu imediatamente a expressão pensativa dela.
"Vamos lá, filha. Está pronta?" perguntou ele, tentando aliviar um pouco a tensão do momento.
Gracie assentiu, com um sorriso fraco, e seguiu até o carro. A viagem até a gravadora foi silenciosa, mas, antes de sair do carro, seu pai falou, olhando para ela com um olhar profundo e acolhedor.
"Eu percebi o jeito que o Luke olhava para você no Natal", ele disse calmamente. "Ele parece gostar muito de você. Mas se você está insegura, tudo bem. Só não deixe o medo tomar o lugar do que você realmente quer."
Gracie olhou para ele, surpresa pela perspicácia do pai. "Você acha que ele gosta de mim?"
"Sim, acho que sim. Mas você precisa se perguntar o que você sente. Só isso vai te ajudar a saber o que fazer."
Gracie deu um meio sorriso, tentando se convencer de que tudo ficaria bem. "Obrigada, pai."
Gracie chegou cedo à gravadora, o coração mais pesado do que gostaria de admitir. O dia estava claro, mas, para ela, parecia carregado. Ao entrar no estúdio, se ocupou com qualquer tarefa que pudesse encontrar, evitando ao máximo cruzar o caminho de Luke. Mas isso durou pouco.
Ele apareceu no corredor, pegando um café. Seus olhos se encontraram por um instante, e Gracie percebeu que ele queria falar. Não havia como fugir dessa vez.
"Gracie, podemos conversar?" Luke perguntou, direto, mas com o tom calmo de quem já tinha ensaiado aquela frase algumas vezes.
Ela hesitou, mas sabia que não poderia evitar para sempre. Com um aceno, o seguiu até uma sala vazia. Ele fechou a porta, encostou-se na mesa e cruzou os braços, como se tentasse controlar a onda de emoções que o invadia.
"Você foi embora... sem dizer nada," Luke começou, a voz mais baixa, mas carregada de emoção. "Eu... acordei e você já não estava lá. Nem uma mensagem. Nada."
Gracie desviou o olhar, sentindo o peso da culpa. "Eu... achei que fosse o melhor. Não sabia o que dizer."
"Não sabia o que dizer?" ele repetiu, a incredulidade em seu tom evidente. "Gracie, você simplesmente desapareceu depois de... depois do que aconteceu entre a gente. E agora está aqui agindo como se nada tivesse acontecido."
Ela respirou fundo, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair. "Eu ouvi coisas naquela festa, Luke. Coisas sobre você, sobre nós. E quando vi aquela mensagem no seu celular..."
Luke franziu a testa, confuso. "Mensagem? Que mensagem?"
"Aquela garota," ela disse, a voz mais baixa. "A mesma que estava falando com você na festa. Ela te mandou uma mensagem, e... parecia íntima demais. Eu achei que..."
"Achou o quê?" ele interrompeu, a frustração começando a transparecer. "Que eu estava te enganando? Que você era 'só mais uma'? Gracie, eu achei que... que você me conhecia melhor do que isso."
Ela sentiu o peso das palavras dele, mas não sabia como responder. "Não é que eu não confie em você. É que... eu não sei se consigo confiar em mim mesma para lidar com isso. Com o que eu sinto."
Luke a observou por um momento, como se tentasse entender suas palavras. Então, suspirou, passando a mão pelos cabelos. "Eu não sou perfeito, Gracie. Nunca disse que era. Mas eu me importo com você. Muito mais do que você imagina. E, se você tivesse ficado, se tivesse falado comigo, eu teria explicado tudo. Mas você não me deu a chance."
"Eu sei," ela disse, a voz falhando. "Eu sei que errei, Luke. Só que... eu entrei em pânico. Foi como se... tudo o que eu mais temesse estivesse acontecendo bem na minha frente."
Luke balançou a cabeça, parecendo cansado. "E agora? O que você quer, Gracie? Porque, honestamente, eu preciso de um tempo. Preciso pensar."
As palavras dele atingiram Gracie como um golpe. Ela não queria que ele se afastasse, mas, ao mesmo tempo, entendia que ele tinha o direito de se sentir assim.
"Eu não sei," ela admitiu, com lágrimas nos olhos. "Eu só sei que não quero perder você."
Luke a olhou por um momento, o rosto suavizando um pouco. "Eu também não quero te perder, Gracie. Mas eu preciso de espaço para entender como me sinto. E talvez você precise do mesmo."
Ela assentiu, mesmo que isso a machucasse mais do que gostaria de admitir.
"Tá bem," ela disse, a voz quase um sussurro. "Eu entendo."
Luke respirou fundo, tentando aliviar a tensão no peito. "A gente vai ficar bem. Só... me dá um tempo, ok?"
Gracie assentiu novamente, sabendo que não tinha outra escolha. Ele se aproximou dela, tocando levemente seu braço antes de sair da sala, deixando-a sozinha com seus pensamentos.
Enquanto a porta se fechava, Gracie sentiu as lágrimas finalmente escorrerem pelo rosto. Ela sabia que precisava lidar com seus medos e inseguranças antes de poder enfrentar tudo aquilo de novo. Mas, no fundo, temia que o tempo que Luke precisava o afastasse para sempre.
Quando tinha certeza que estava melhor, Gracie voltou a sua mesa, ajeitou suas coisas e tentou focar no trabalho. Pouco tempo depois, Anna sorriu, mas logo percebeu que algo estava errado. Ela olhou para Gracie, tentando entender o que havia acontecido.
"Oi, gata! Feliz ano novo! Como você está?", Anna perguntou, a voz doce e preocupada.
Gracie forçou um sorriso. "Oi, Anna, feliz ano novo. Estou... bem."
Mas Anna não foi facilmente enganada. "Você não parece bem. O que aconteceu? Está tudo certo?"
Gracie hesitou, os pensamentos confusos em sua cabeça. "Eu... só não estou me sentindo muito bem, sabe? Acho que é só um dia ruim."
Anna percebeu a relutância, mas decidiu não pressionar. "Tudo bem, se você precisar conversar, me avise. Eu estou aqui, tá?"
Gracie assentiu, sentindo-se grata pela compreensão de Anna, mas, ao mesmo tempo, ainda com um peso enorme no peito. Ela não sabia como lidar com as inseguranças que a estavam consumindo.
Quando ela se dirigiu para o estúdio, ela viu Luke pela segunda vez no dia. Ele estava no corredor, pegando um café, e seus olhos se cruzaram por um instante. Gracie sentiu um calafrio correr por seu corpo e, sem saber o que fazer, passou rapidamente por ele, tentando não mostrar o quão desconfortável estava, queria apenas respeitar seu espaço.
Luke a observou, com os olhos fixos nela por um momento, com pesar do que aconteceu. Ele percebeu a tensão, mas também sabia que ela estava agindo como se nada tivesse acontecido, mesmo imaginando que a cabeça dela deveria estar tão cheia como a dele.
A verdade é que ele não sabia mais o que pensar. Mesmo após a conversa, Luke sentia que ela havia se afastado dele sem lhe dar a chance de explicar, e aquilo o machucava.
Quando ela passou por ele, o peso da distância entre eles parecia crescer. Ele queria ir atrás dela, mas não sabia o que dizer. Só sabia que algo tinha mudado, e talvez as palavras não fossem suficientes para consertar o que estava quebrado.
[...]
Luke estava sentado à sua mesa, tentando focar no trabalho, mas a mente não lhe dava descanso. Seus dedos se moviam mecanicamente, mas sua atenção estava em outro lugar. Pensava em Gracie, as lágrimas surgindo em seus olhos, que estavam mais escuros, distantes, frios, cheios de arrependimento. Ele tentava entender o lado dela, mas ficava dificil, já que desde o começo ele sempre garantiu que era ela.
Luke voltou a se concentrar nas tarefas da manhã, mas a sensação de estar perdendo algo importante o impelia a dar voltas no escritório. Olhava para o relógio com frequência, contando as horas para sua partida para Miami, mas, ao mesmo tempo, não conseguia evitar o peso da situação.
Foi quando Anna entrou no estúdio, interrompendo seus pensamentos. Ela parecia descontraída, como sempre, mas o olhar curioso não passou despercebido por Luke. Ela caminhou até sua mesa e se sentou, olhando-o de forma atenta.
"Ei, você está bem?" Anna perguntou, a voz suavemente preocupada. "Percebi que você estava meio... distante, desde que chegou hoje."
Luke olhou para ela, sem saber exatamente o que dizer. Ele pensou em responder, mas as palavras estavam presas na garganta. A verdade era que ele não queria falar sobre Gracie. Não ainda. Mas Anna, como sempre, parecia perceber mais do que ele queria esconder.
"Eu só... estou tentando processar algumas coisas", ele respondeu, tentando disfarçar o que realmente sentia.
Anna o observou em silêncio, como se soubesse que havia algo mais. Após alguns segundos, ela perguntou, com um tom mais suave: "E a Gracie? Como ela está? Eu notei que vocês não se falaram direito hoje..."
A pergunta parecia simples, mas para Luke, foi como uma faca afiada. Ele sentiu um nó na garganta, o peito apertado. Não queria falar sobre isso, não queria se abrir, mas sabia que Anna não desistiria. Ela era como um radar quando se tratava de sentimentos não expressos.
"Nós nos falamos...Mas sinceramente, preciso de um tempo", Luke disse, sua voz mais baixa agora. "Ela errou comigo e eu estou processando o que aconteceu."
Anna o olhou com empatia, como se estivesse tentando entender a profundidade das palavras dele. Ela não sabia o que exatamente havia acontecido entre eles, mas podia perceber que Luke estava confuso e magoado.
"Não acredito, Luke. Foi no ano novo?", ela respondeu suavemente. "Espero que as coisas se alinhem."
Luke suspirou, a frustração transparecendo em sua expressão. "Foi, eu acordei sem ela...E foi confuso, a nossa noite tinha sido muito boa"
Ele se afastou da mesa e olhou para a janela, como se o simples gesto pudesse aliviar o peso sobre seus ombros. "Eu acho que preciso de um tempo. Só... para respirar."
Anna percebeu a mudança no tom dele e, com um suspiro, começou a entender o que ele estava sentindo. "Você vai fazer o quê? Se afastar?"
Luke a olhou, um olhar cansado nos olhos. "Vou para Miami. Passar uns dias lá, sozinho. Só preciso... sair de tudo isso por um tempo. Focar em mim. Pensar no que realmente está acontecendo."
Anna o observou com um olhar compreensivo, mas também sabia que isso era algo que ele precisava fazer por si mesmo. "Eu entendo. Mas, se mudar de ideia, você pode conversar comigo."
Luke deu um sorriso fraco, agradecendo a Anna com um simples aceno de cabeça. "Obrigado, Anna. Sério."
Anna se levantou para sair, mas antes de ir, ela parou por um momento e olhou para ele com um sorriso leve. "Eu só espero que você encontre o que está procurando."
Quando ela se foi, Luke permaneceu parado, olhando pela janela do estúdio, tentando organizar seus pensamentos. Ele sabia que precisava de um tempo, mas o que realmente esperava encontrar em Miami? Seria a distância que ele precisava para clarear sua mente? Ou ele estava apenas tentando fugir da confusão de sentimentos que Gracie lhe causava?
O pensamento de estar longe dela por tanto tempo o deixou inquieto, mas ele não sabia o que mais poderia fazer. Estava perdido em suas próprias inseguranças, confuso sobre como reagir, mas sabia que precisava se afastar de tudo. Precisava de um pouco de espaço para respirar, se entender. Talvez, quem sabe, quando voltasse, tivesse uma ideia mais clara do que realmente queria.
⋆。𖦹°⭒˚。⋆
👀👀👀
oieee, meus divos, como vocês estão?
o que acharam desse capítulo? acham que eles vão se resolver?
Com amor,
Clara
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top