track 20

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

A porta se fechou com um clique suave, e Gracie recostou-se nela por um momento, soltando um suspiro. A casa agora estava silenciosa, exceto pelas músicas que ainda tocavam baixinho ao fundo.

"Finalmente silêncio," disse ela, rindo e olhando para Luke, que estava sentado no sofá, terminando o último gole de vinho.

"Eu gostei. Sua família é incrível," respondeu ele, sorrindo de um jeito tranquilo. "Mas, confesso, preciso de um segundo pra processar tudo. Então você é mesmo um desastre nos esportes."

Gracie fez uma careta, jogando uma almofada na direção dele. "Não me faça reviver esse trauma."

Luke segurou a almofada no ar e a colocou de lado. "É só que... eu gosto de te conhecer assim. Saber essas coisas sobre você. Os pedaços que você não conta."

Ela parou por um segundo, surpreendida pela honestidade dele. Sentiu o coração acelerar, mas disfarçou com um sorriso.

"Vamos testar um dos discos? Eu preciso de música depois desse interrogatório." Gracie sorriu. "Que tal The 1975?"

"Perfeito!" Luke sorriu animado e se levantou, pegou o disco e colocou na vitrola de Gracie. "Qual música do álbum?"

"Eu amo Oh Caroline." tirou suas sapatilhas e se esticou no sofá. "É a minha música de cantar no banho." riu, sentindo o efeito do vinho em seu corpo.

"É a sua cara!" Luke ajeitou a agulha com cuidado e colocou o disco para tocar a música.

Ele notou Gracie abrir um enorme sorriso, então ela deixou a garrafa de vinho de lado e começou a cantar junto com Matty Healy. Luke sorriu e se sentou ao lado dela, aproveitando aquele pequeno show da garota, o seu olhar era discreto mas o suficiente para as bochechas de Gracie tomarem aquele tom de vernelho adorável.

A música ia chegando ao fim, mas o silêncio entre eles parecia ainda mais denso, carregado de algo que ambos sentiam, mas ninguém ousava nomear. Luke estava mais próximo agora, os cotovelos apoiados nos joelhos, os olhos fixos em Gracie, como se ela fosse a única coisa na sala que fazia sentido.

Gracie tentou desviar o olhar, focar na vitrola, na árvore de Natal, em qualquer coisa que não fosse ele. Mas era como se o espaço ao redor deles tivesse encolhido, deixando apenas os dois naquele momento.

"Você tá muito quieta," Luke comentou, a voz baixa, mas cheia de uma leve provocação.

"Não tenho nada pra dizer," ela respondeu, tentando soar casual, mas sua voz falhou ligeiramente no final.

Ele inclinou a cabeça, estudando-a. "Isso é raro."

Ela revirou os olhos, mas não conseguiu conter um pequeno sorriso. "Talvez você esteja me deixando sem palavras."

Luke deu uma risada curta, mas seus olhos não desviaram. "Acho que esse é o maior elogio que você já me deu."

Gracie balançou a cabeça, tentando se concentrar na música que ainda tocava baixinho. Mas então, Luke se mexeu. Não muito, mas o suficiente para fazer o coração dela disparar. Ele estava mais perto agora, e ela podia sentir o calor dele, quase podia ouvir o som de sua respiração.

"Gracie," ele chamou, a voz tão suave que parecia uma brisa.

Ela olhou para ele, e foi um erro. Porque o jeito que ele a olhava – como se estivesse vendo algo raro e precioso – fez tudo ao redor desaparecer.

Ele se inclinou um pouco mais, devagar, como se estivesse esperando que ela recuasse. Mas Gracie não se moveu.

Seus olhos desceram para os lábios dela, e Gracie sentiu um arrepio subir pela espinha. O momento parecia infinito, como se o tempo tivesse desacelerado só para eles.

Mas então, algo quebrou o feitiço.

"Tá nevando muito lá fora," Luke disse de repente, a voz soando ligeiramente rouca.

Gracie piscou, demorando um segundo para entender o que ele havia dito. "O quê?"

Ele se afastou um pouco e apontou para a janela. "Olha só. Tá tudo branco."

Ela se virou, ainda tentando recuperar o fôlego, e viu que ele tinha razão. A neve caía em flocos grossos, cobrindo a rua e os telhados das casas vizinhas.

"Ah, não," ela murmurou, indo até a janela. "Eles falaram que podia nevar, mas eu não achei que ia ser tanto assim."

Luke levantou-se e ficou ao lado dela, observando a cena do outro lado do vidro. "Acho que isso significa que eu vou ter que ficar aqui."

Gracie olhou para ele, alarmada. "Eu ia falar isso agora, impossível você dirigir nessa neve."

Ele deu de ombros, divertido. "Você está duvidando das minhas habilidades, gracinha?"

"Não é isso, bobão " ela riu, revirando os olhos. "Vai dormir no sofá."

"Ah, claro," Luke disse, fingindo indignação. "Não esperava menos de você. Nenhuma gentileza natalina pra mim?"

"Está querendo dormir no meu quarto, loirinho?" imitou ele, que gargalhou

"Está me convidando?" deu um empurrãozinho nela que deu de ombros.

"Não fiz convite nenhum...Vai ter que se contentar com o sofá." sorriu vitoriosa.

Gracie foi até o escritório, lá tinha o armário com cobertores e travesseiros, pegou o que ele precisava e voltou pra sala, encontrando Luke ainda parado perto da janela, as mãos nos bolsos, parecendo completamente à vontade.

"Ei," ela chamou, jogando um travesseiro na direção dele. "Se eu tô te abrigando, você pode ao menos me ajudar."

Ele pegou o travesseiro no ar com facilidade, sorrindo. "Você é muito má, sabia?"

"Não tenho paciência pra príncipes mimados," ela respondeu, mas não conseguiu esconder o sorriso.

"Desculpa, minha rainha."

Eles arrumaram o sofá juntos, entre provocações e risadas. Luke insistia em dobrar os cobertores de um jeito errado só para irritá-la, e Gracie acabava rindo.
Quando finalmente terminaram, ele sentou-se no sofá, testando a maciez.

"É... confortável o suficiente. Mas você sabe, se eu tivesse uma cama de verdade, poderia até cozinhar pra você amanhã de manhã."

Gracie cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha. "A gente sabe que isso é mentira. Você não sabe nem fazer café."

Luke sorriu, e por um segundo, o ar entre eles ficou novamente carregado daquele algo que os perseguia a noite inteira.

"Ainda está afim de ouvir música?" Luke perguntou e Gracie abriu um sorrisinho.

"Sempre." sorriu cúmplice. "Só vou colocar meu pijama e pegar um para você."

"Perfeito. Te espero aqui."

Gracie foi para o quarto e antes de pegar seu pijama, escolheu um pra Luke, por sorte tinha uma blusa antiga que era grande o suficiente para caber em Luke, achou uma calça de George perdida nas suas coisas e parecia perfeita pra Luke. Antes de voltar, vestiu seu pijama, uma calça de cetim preta com detalhes de renda na barra e uma blusa de manga cumprida, justa o suficiente para definir seu corpo.

"Prontinho, Luke." voltou para a sala e sorriu. "Consegui um pijama para você, uma blusa do meu primeiro show da vida, no caso One Direction e essa calça de George que achei." deu risada.

"Não acredito! One Direction? É uma blusa vintage." brincou e pegou o pijama. "Obrigada, Gracie."

"Quero só ver como você vai ficar."

Luke riu e foi para o banheiro, enquanto ele se vestia, Gracie arrumava o sofá para ele. Colocou os travesseiros e ajeitou os cobertores, se sentia em uma festa do pijama. Ajeitou as coisas da sala, tirando o disco da vitrola cuidadosamente, apagando a luz e deixando que apenas as luzes da árvore de natal iluminasse ali.

"Se você falar que eu estou cafona, você não entende nada de moda." Luke disse, Gracie virou para ele e gargalhou.

Observou ele com um sorriso no rosto, Luke fora daquele estilo que usa todo dia como um típico "rockstar" era adorável.

"Tem seu charme..." segurou o riso e sentou no sofá. "Achei carismático."

"Aceita Gracie, estou estiloso." ele sentou do lado dela, a proximidade era nova.

A neve caía do lado de fora com suavidade, como se o mundo estivesse sussurrando. O vento gélido se chocava contra as janelas, mas a pequena sala de estar estava acolhedora, iluminada apenas pelas luzes piscantes da árvore de Natal e o brilho suave da lâmpada ao lado do sofá. Gracie e Luke estavam sentados um ao lado do outro, o espaço entre eles diminuindo de forma quase imperceptível a cada risada e olhar trocado. A conversa fluía naturalmente, mas algo mais parecia estar se formando entre eles, algo que estava sendo sentido mais do que dito.

Gracie estava confortável, com seu pijama simples e o cabelo bagunçado. Sentada ali com Luke, parecia que o tempo desacelerava, permitindo que eles se perdessem na companhia um do outro. Ele se sentia desconfortavelmente à vontade — a ponto de não poder evitar os olhares que lançava para ela. O jeito que Gracie estava, tão relaxada e ao mesmo tempo tão... encantadora, deixava Luke sem palavras.

Enquanto falavam sobre músicas e discos, a conversa começou a tomar um rumo mais pessoal. Luke, curioso, perguntou sobre a escolha de Gracie lhe dar o Folklore.

"Me conte, Gracie, o que tem de especial neste disco..."

Gracie riu suavemente, se ajeitando no sofá para ficar mais confortável.

"Eu sabia que você ia perguntar isso," ela disse com um sorriso maroto. "É o álbum mais introspectivo dela. Tem algo melancólico, mas também mágico. E ele fala sobre perder-se e se encontrar em meio ao caos. Eu adoro porque ele capta aquela sensação de estar em uma encruzilhada na vida, de ter dúvidas, mas também de sentir algo muito profundo que te leva a algum lugar novo. Ela conta histórias."

Luke ficou em silêncio por um momento, processando suas palavras. Não era a resposta que ele esperava, mas havia algo de misterioso e belo nela. "Parece meio profundo demais para mim, Gracie. Eu sou mais... simples." Ele deu um sorriso descontraído, mas os olhos fixaram-se nela por mais tempo do que ele pretendia. Ela estava tão à vontade, tão real, sem nada a esconder.

Gracie apenas sorriu de volta, sem desviar o olhar. "Às vezes, Luke, o simples também é profundo. Às vezes, as coisas mais simples são as que fazem mais sentido."

"Isso é poético," ele comentou, com um sorriso leve. "Você sempre foi assim, tão cheia de ideias."

"Eu não sou sempre assim," ela respondeu com uma risadinha. "Mas, com você, parece que é mais fácil falar sobre essas coisas. Me sinto mais à vontade." sorriu.

Luke sentiu um calor subir pela sua pele. Não era apenas sobre o que ela dizia, mas sobre como ela estava se mostrando para ele — sem as camadas de proteção que costumava usar com os outros. Ela estava ali, vulnerável e aberta, e ele não conseguia mais esconder o quanto estava atraído por ela.

"Eu gosto dessa versão sua," Luke disse, a voz agora mais suave. "Eu gosto de ver você assim. Natural."

Gracie, que não estava esperando um comentário tão sério, desconversou. "Ah, não se empolga, Luke. Você só está dizendo isso porque está confortável."

Ele riu, mas seu olhar ficou mais intenso. "Eu posso dizer isso de você também. Você está mais... tranquila, mais você mesma. Eu gosto de ver isso. Me faz pensar que talvez você seja mais do que eu imagino."

Os dois se olharam por um momento, e, por mais que tentassem manter a leveza da conversa, a tensão estava ali, pairando no ar entre eles. Luke sentia o desejo de estar mais perto, mas também a sensação de que, se fizesse um movimento, o mundo poderia mudar de repente.

"Eu vou colocar uma música, certo?" Gracie disse, quebrando o silêncio. "Acho que Folklore é perfeito para essa noite. Tem algo de aconchegante sobre isso."

Luke apenas assentiu, sem desviar os olhos dela. Gracie pegou o controle e, antes de escolher a música, olhou para ele com um sorriso. "Eu vou colocar August. Essa é uma das minhas favoritas. A música fala sobre um amor perdido, e eu... bem, acho que tem algo de especial nela. Talvez você entenda mais depois de ouvi-la."

Ela começou a explicar o significado da letra, como se estivesse ensinando a ele algo que havia passado a vida inteira absorvendo. Luke ouvia atentamente, mas não conseguia desviar os olhos dela. Ele observava como o canto do seu lábio se curvava quando falava, como os olhos dela brilhavam ao descrever algo que amava tanto.

"Eu gosto da ideia de um amor perdido," ele disse, a voz suave e pensativa. "Eu também já vivi algo assim, mas... é engraçado, Gracie. Eu sinto que, mesmo nas coisas que perdemos, sempre tem uma parte de nós que fica, sabe? Aquelas memórias, os sentimentos... eles nunca vão embora completamente."

Ela parou e olhou para ele. O que ele acabara de dizer tocou algo dentro dela. Ele estava sendo mais aberto do que ela jamais imaginou que ele fosse.

"Sim, eu sei o que você quer dizer," ela respondeu, a voz mais baixa. "Às vezes, as memórias se tornam parte de nós. A gente não pode se livrar delas, nem mesmo se tentássemos."

Luke deu uma risada suave, quebrando a tensão, mas seu olhar ainda estava firme sobre ela. "Você está certa. Eu não vou tentar mais. Acho que não tem como não lembrar..."

A música começou a tocar, e o som suave de August preencheu o ambiente. As palavras de Gracie sobre a canção ficaram suspensas no ar, enquanto ambos estavam imersos na melodia. O som envolvente da música parecia intensificar o momento, e Luke sentiu como se a música, a conversa e a proximidade deles criassem uma linha invisível que os unia de uma forma que ele não conseguia mais ignorar.

Quando a música chegou ao final, houve um silêncio confortável entre eles. Luke não conseguiu resistir, a necessidade de estar mais perto de Gracie parecia ter se tornado irresistível. Ele se inclinou um pouco mais, seus olhos fixos nela, e então, de repente, ele tomou a iniciativa. De forma descontraída, mas cheia de um desejo reprimido, ele se aproximou e beijou Gracie suavemente. Não foi um beijo explosivo, mas foi algo cheio de intenção e significado. Algo que havia se formado entre eles, sem palavras, sem pressa, mas com a certeza de que aquilo era inevitável.

Suas mãos eram gentis no seu corpo, deslizando calmamente por suas costas e cintura, sem saber o impacto que aquilo causava nele. Havia algo novo e inesperado naquilo, Luke deixou selinhos demorados nos lábios mácios dela, descendo por alguns segundos para o seu pescoço, porém, voltou de forma necessitada para os lábios dela, que reagiu de forma positiva, puxando seus fios loiros com firmeza.

Eles se separaram, ofegantes, e Gracie olhou para ele com surpresa.

"O que foi isso?" ela perguntou, a voz cheia de um misto de curiosidade e algo mais. Ela sabia que algo estava mudando, mas não sabia ainda o que.

Luke deu um sorriso travesso, quase desafiador, e respondeu, com a voz suave: "Eu acho que foi um beijo, Gracie. Um beijo que aconteceu porque estava na hora de acontecer."

O coração de Gracie batia mais rápido, e ela não sabia se deveria rir ou se afastar. Mas, ao invés disso, ela disse, com um sorriso sem jeito: "Você está doido para dormir na minha cama, não é?" ela disse brincalhona.

Luke se ajeitou novamente no sofá, seu corpo ainda quente e sua mente girando. Disfaçou o impacto daquele rápido beijo em seu corpo e acariciou o cabelo dela calmamente.

Ele sorriu, deixando a provocação de lado por um momento. "Tenho minhas táticas..."

"Você é bobo..." sem vergonha, analisou seu rosto, prestando atenção no tom de azul dos seus olhos, tão claros e brilhantes. "Posso ficar por aqui com você. Até sentirmos sono."

"Para mim, isso já estava definido." Luke era cuidadoso para tocá-la.

"Luke, Luke..." sorriu e deitou a cabeça em seu ombro.

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

finalmente veio ai!!!!
adorei esse momento deles😭

Com amor,
Clara

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