track 18

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

Luke acordou tarde naquela dia, 23 de dezembro chegou com um misto de sentimentos. O Natal estava se aproximando, e ele estava empolgado, claro, por passar a data com Gracie. Ela o convidara para celebrar junto com ela, algo que parecia totalmente natural, mas ao mesmo tempo ele sentia um vazio no peito por não estar com sua família. A saudade da mãe e de sua irmã Louise estava pesando, especialmente porque ele já não passava tanto tempo com elas devido aos compromissos e à vida de adulto que estava construindo.

Quando tomou coragem de levantar da cama, ouviu seu celular tocar, o nome de sua mãe fez com que ele atendesse rapidamente.

"Oi, querido! Estava aqui pensando em você!" sua voz era animada e isso acalmou Luke.

"Oi, mãe! Que saudades." sorriu fraco, sentindo uma pontada no seu coração.

"Como estão os planos para o Natal? Fico pensando que já está ficando tarde e você ainda não contou o que comprou para nós!"

Ele sorriu, "Infelizmente o presente de vocês vai chegar uns dias depois do natal. Mas tenho certeza que você e Lou vão gostar." sua voz era descontraída e estava ansioso para o presente chegar em Miami.

"Ah, que amor! Não vejo a hora de ver." ela disse. "E a Gracie...Esse é o nome dela, não é?" riu meio tímida. "Vai passar o Natal com você?"

A pergunta fez o coração de Luke bater um pouco mais rápido, mas ele sorriu, tentando disfarçar o nervosismo.

"Sim, Gracie vai passar o Natal comigo. Estou animado. Aliás, estou pensando em tentar ir a Miami no Ano Novo, sabe... talvez leve a Gracie comigo, como forma de agradecer."

"Acho uma ótima ideia! Vai ser tão bom para você passar mais tempo com ela. E quem sabe até nos conhecemos melhor, né? E quem sabe ela não seja uma presença constante nas nossas vidas também?" a resposta da mãe veio com um tom entusiasmado, como se ela soubesse o quanto isso significava para ele, sem nem precisar dizer.

Luke sentiu um calor no peito ao ler aquilo. Sua mãe sempre foi a pessoa mais calorosa e generosa que ele conhecia. O fato dela aprovar a ideia de Gracie com tanto entusiasmo só reforçava a conexão crescente entre ele e ela.

Depois de uma conversa animada, ele desligou o celular. A saudade ainda estava ali, mas o pensamento em Gracie, de alguma forma, acalmava o aperto no peito. Ele olhou para o relógio e, sem pensar muito, decidiu ligar para ela.

Mas antes mesmo de ele apertar os botões do celular, a tela dele piscou e Gracie apareceu como notificação. Ele sorriu instantaneamente.

"Luke, você está livre para me salvar de um caos completo? Eu estou tentando decorar a casa sozinha e parece que estou criando mais uma bagunça do que qualquer coisa natalina. Eu não sei mais o que fazer!"

Ele não pôde evitar de sorrir ao ler a mensagem, imaginando o que ela estaria aprontando sozinha no apartamento. Talvez ela tivesse superestimado suas habilidades de decoração. E, se fosse o caso, ele estava mais do que disposto a ajudar.

"Não se preocupe, estou indo aí. E só para avisar: estou esperando algo épico. Se você diz que está criando caos, tenho certeza de que vai ser divertido."

Ela respondeu rapidamente, e imaginou a expressão dela enquanto lia as palavras.

"Deus, eu espero que você não ria de mim. Mas, se você fizer, pelo menos me faça rir também."

Luke deixou o celular de lado para se vestir, tomou um banho rápido e colocou suas típicas roupas, finalizando com sua jaqueta preta.

Ele saiu do apartamento dele e dirigiu para o dela. A ansiedade de vê-la novamente, em um momento em que estavam mais descontraídos, tomou conta dele. Quando chegou à porta do apartamento de Gracie e tocou a campainha, ele se preparou para o que quer que fosse. Só que, ao abrir a porta, o que ele encontrou foi mais do que ele imaginava.

A sala estava repleta de enfeites, mas em uma total desordem. A árvore estava torta, os presentes estavam espalhados de maneira desorganizada e havia fitas e laços por todos os lados. Gracie estava no meio daquela bagunça, com um sorriso constrangido, tentando prender um fio de pisca-pisca que teimava em se enrolar.

"Eu avisei, né?" ela disse, rindo nervosamente.

Luke ficou em silêncio por um momento, olhando para o cenário caótico ao redor dela. A visão de Gracie, com os cabelos bagunçados, um pouco cansada e tentando controlar a bagunça, fez com que ele sorrisse. Ela tinha esse jeito de ser tão autêntica, até mesmo em seus momentos de descontrole.

"Eu não estava esperando tanto caos, mas posso dizer que você realmente superou as expectativas." ele brincou, entrando com um sorriso no rosto.

Gracie revirou os olhos, mas a expressão dela estava claramente relaxada ao vê-lo ali. "Eu tentei. Realmente tentei. Mas você sabe como é. Decoração de Natal não é exatamente minha especialidade."

Luke se agachou para pegar um enfeite do chão e dar uma olhada. "Eu diria que isso é um trabalho para um exército, não apenas para uma pessoa. Mas vou te ajudar." Ele se levantou, olhando ao redor da sala. "Primeiro, vamos tentar colocar a árvore de pé. Você é boa com isso?"

Gracie fez uma careta. "Eu estava indo bem até a árvore começar a cair sozinha. Aparentemente, o pé dela não estava no seu melhor dia."

Luke olhou para ela com um sorriso travesso. "Parece que o Natal é o momento de deixar as coisas caírem e levantar as coisas de novo."

Ela riu, mas se sentou no chão para tentar rearranjar o restante da decoração. Eles começaram a conversar enquanto trabalhavam, e a conversa fluía de forma natural. Gracie falava sobre o que tinha planejado para o Natal, sobre os presentes que ela já havia comprado e até sobre o que ela achava de cada tradição. Luke gostava de ouvir ela falar sobre essas pequenas coisas, o que a fazia única. O modo como ela falava da decoração, das ideias para a noite de Natal, mostrava o quanto ela se importava em criar momentos especiais, mesmo que o caos fosse inevitável.

"Comprei mais presentes pra minha sobrinha, olha que coelho de pelúcia fofo." pegou o brinquedo e abraçou.

"Acho que você quer mais isso do que ela." brincou enquanto ajeitava os presentes já embrulhados embaixo da árvore. "Você gosta muito dela, não é?"

"Ela é meu xodó, Olivia é a coisa mais linda e preciosa do mundo." respondeu. "Sabia que o nome dela é por causa do One Direction?"

"Não me surpreende vindo de você." ele riu e observou ela.

"É o meu jeitinho." deu de ombros e colocou o último embrulho embaixo da árvore.

Conforme a noite avançava, eles terminaram de ajeitar a árvore. Luke não conseguia deixar de reparar nos detalhes do apartamento dela. Aquele pequeno espaço tinha algo tão acolhedor. Os livros na estante, as almofadas coloridas no sofá e, principalmente, a luz suave da janela que deixava o brilho da cidade refletir na sala. Gracie tinha uma maneira de decorar de um jeito pessoal, sem excessos, mas com muito significado. Ele sentiu que ela realmente colocava uma parte dela em cada canto do lugar.

Ao perceber a quietude da noite que se aproximava, Gracie olhou pela janela e, com um sorriso nostálgico, comentou:

"Agora sim, parece Natal. A luz da cidade, a árvore... tudo tem o seu encanto, mesmo que não tenha saído exatamente como eu imaginava." sorriu. "Isso tudo pede um vinho." ela sorriu, se direcionando até a cozinha, pegou a garrafa pela metade em sua geladeira e as duas taças que ela mesma costumizou.

"Agora sim, gracinha." Luke sorriu quando ela sentou ao lado dele no chão. "E essas florzinhas nas taças?"

"Eu que fiz, um dia estava entediada." deu de ombros enquanto servia o vinho nas duas taças. "Precisamos brindar."

"Brindar o que?" Luke fitou ela.

"O nosso natal juntos." sorriu tímida e ele riu.

"Ao nosso primeiro natal!" levantou a taça e sorriu de forma descontraída, então, os dois brindaram.

[...]

A sala estava iluminada apenas pelas luzes da árvore de Natal e pela suavidade das luzes da cidade que, através da janela grande, se espalhavam pelo ambiente, criando um cenário acolhedor e íntimo. O vinho tinto, que havia sido aberto há algumas horas, agora aquecia o espírito dos dois. Entre risadas e palavras que se misturavam ao som suave da música, o tempo parecia desacelerar, como se os dois estivessem se permitindo, pela primeira vez, vivenciar uma noite sem pressa, sem os pesos das expectativas e da vida lá fora.

Gracie olhou para Luke com um sorriso travesso, pegando uma caixa com um laço já frouxo. "Já dei um spoiler sobre os meus presentes para você, mas posso te contar... vai ser uma surpresa, mesmo que você saiba que está vindo", disse, provocando-o de maneira suave, mas com uma pitada de mistério.

Luke sorriu, inclinando-se para pegar um pouco mais de vinho. "Você está me deixando curioso, Gracie. Espero que seja algo bom, então."

Ela riu, um riso espontâneo, cheio de conforto e cumplicidade.

"Eu sou boa nisso, sabe? Sou excelente em escolher presentes. E eu acho que você vai adorar esses vinis."

"Vinil?" Luke arqueou uma sobrancelha com humor. "Então você se tornou uma fã de disco, hein?"

"Eu gosto do jeito que o som sai de um vinil, não tem como negar", ela respondeu, e enquanto falava, seu tom de voz passou de brincadeira para um leve entusiasmo. "Aliás, tem um de um artista que você conhece bem, e acho que vai amar." seu tom era brincalhão.

Luke sorriu, curioso. "Agora estou morrendo de curiosidade. E por que será que você tem tanto prazer em me deixar assim?"

Gracie deu de ombros, com aquele olhar provocador. "Eu sou uma boa amiga, mas também adoro deixar as pessoas na dúvida."

Em meio a risadas e olhares trocados, Gracie se levantou e ligou sua caixa de som. Depois de alguns segundos, ela decidiu a música.

"Acho que você vai gostar disso." Ela colocou a música para tocar e, ao ouvir as primeiras notas suaves de Heartbreak Warfare de John Mayer, um sorriso se espalhou no rosto de Luke.

Ele reconheceu imediatamente a melodia, seu coração, que até então batia calmamente, agora palpitava de maneira mais rápida.

"Ah, John Mayer..." Luke comentou, olhando para Gracie. "Ele e suas músicas tristes."

"Eu sei, eu sei... mas essa música tem algo que me prende, mesmo sendo sobre um coração partido", Gracie respondeu com leveza. "Você também não acha isso?" Luke assentiu, mas, antes que pudesse falar mais, Gracie brincou: "Aliás, eu fico imaginando... como será que o John Mayer ficou com a Taylor Swift quando eles terminaram? Ele foi um péssimo namorado."

Luke riu. "Você e a Taylor..."

Gracie se ajeitou, se divertindo, mas não deixando de lançar um olhar brincalhão para ele. "Eu sei, sou boa nesse negócio de zoar um ex, mas não dá para negar: ele foi péssimo com ela."

Ele a olhou, um sorriso descontraído nos lábios. "É, você está certa. E a música continua boa, apesar disso tudo." Ele olhou-a de novo, dessa vez mais sério. "Mas o que é engraçado, Gracie, é como essa música parece capturar exatamente o que estamos vivendo agora. Algo meio perdido e, ao mesmo tempo, de algum jeito bonito."

Ela parou, pensativa, seu olhar se suavizando. O momento parecia ter ficado mais silencioso, mas a suavidade da música os envolvia, logo Gracie começou a cantarolar a música. "Ele estava certo," ela pensou. Era como se a melancolia daquela música tivesse se misturado com o que ela sentia agora. O que quer que fosse aquilo, ainda estava ali, persistindo entre eles. A presença um do outro, o caos da vida, as expectativas, tudo se misturando, mas com algo leve e cheio de possibilidades.

"Eu diria que você tem razão", ela respondeu, o tom mais suave, mas ainda com aquele sorriso travesso. "E quem sabe, na próxima vez que essa música tocar, você vai cantar mais alto do que eu."

Luke sorriu com a promessa não dita. Ele se levantou, sem pensar muito, e estendeu a mão para ela. "Vamos dançar, Gracie. Dessa vez não tem pista dança pra você ficar tímida"

Ela olhou para ele, por um momento, hesitando antes de dar a mão para ele. "E aquela vez foi divertida...Mas eu sigo não sendo a melhor dançarina"

Ele riu, puxando-a suavemente para perto. O ambiente estava agora carregado com a suavidade da música, e as luzes piscando ao redor apenas acentuavam o calor que crescia entre eles. Eles começaram a dançar, sem pressa, se movendo ao ritmo suave e melancólico da música, a dança se tornando uma extensão da conversa que estavam tendo sem palavras.

Gracie, surpreendentemente, começou a cantarolar a letra baixinho, se permitindo soltar ainda mais, enquanto Luke a observava, encantado com a espontaneidade dela.

"Eu juro que é como se toda a dor tivesse virado música..." ela começou, e, por um momento, a leveza da sua voz tornou o ar ainda mais quente, como se tudo estivesse se encaixando no lugar.

"Você está fazendo o John Mayer soar como um poeta apaixonado enquanto dançamos, sabe disso, né?" Luke comentou, se divertindo com a cena que criavam.

"Ah, sim, sou ótima nisso." Ela piscou para ele, ainda com o sorriso brincalhão, mas agora mais leve, mais à vontade. "Acho que finalmente achei uma música que combina comigo."

Ele puxou-a ainda mais para perto, a conexão entre eles ficando mais forte à medida que os minutos passavam. "Sabe, Gracie... depois de um dia como esse, até a música de dor fica mais interessante."

Ela olhou para ele, sentindo uma onda de calor a invadir, não apenas pela música, mas pela proximidade dele, pela maneira como ele estava ali, com ela, agora. "Você está me dizendo que esse é o meu novo estilo de dança?"

"Eu diria que sim." Ele a puxou mais uma vez, enquanto os dois se moviam ao ritmo da música, uma dança que falava mais sobre as palavras não ditas entre eles do que qualquer outra coisa.

Quando a música de John Mayer chegou ao fim, Luke ainda estava rindo, mas a risada de ambos foi se acalmando, como se o momento tivesse sido o suficiente para ambos. Eles pararam de dançar e, com os corações ainda agitados pela diversão, sentaram no chão da sala, a luz suave das luzes de Natal ao redor.

"Você gosta de dançar, não é?" Luke perguntou com um sorriso, olhando para ela com um brilho nos olhos.

Gracie deu um sorriso tímido. "Talvez... Quando a companhia é boa, sim." fitou seus olhos tão azuis.

"Eu diria que você ainda precisa de um pouco mais de treinamento para virar a próxima estrela da dança, mas..." Luke a olhou com um brilho nos olhos, "Você está bem. Não vou te julgar."

Ela riu, relaxando ainda mais ao perceber como o dia tinha se transformado de uma simples ajuda para decorar a casa em algo mais significativo. O vinho, a música e a dança tinham criado uma noite que nenhum deles imaginava. E ali, sentados no chão, com as luzes piscando e a cidade iluminando a cena, parecia que o Natal tinha finalmente chegado para ambos, com algo mais do que apenas presentes e expectativas. Algo mais profundo. Algo real.

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

👀👀👀 o que estão achando?
será que Gracie já esta se entregando?

Com amor,
Clara

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