track 10

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

Era uma tarde de pura agitação na gravadora. Com o showcase se aproximando, o tempo parecia correr mais rápido do que o normal. Gracie estava em sua mesa, cercada de anotações e planilhas, o telefone em uma mão e uma xícara de café na outra. Luke passava pela sala com aquele jeito confiante e descontraído de sempre, mas seus olhos carregavam um leve cansaço, algo que ela notou mesmo à distância.

"Ei, Gracie", ele chamou, encostando-se à lateral da porta do escritório. "Temos uma sessão com a Lily em uma hora. Você pode dar uma força?"

Ela ergueu os olhos do computador e assentiu. Trabalhar com Lily Roberts, uma das artistas mais promissoras da gravadora, sempre era um desafio e um privilégio. Luke e ela já tinham um bom histórico juntos, mas era a primeira vez que Gracie realmente colaboraria com ele no estúdio.

"Claro. Vou terminar aqui e já desço", respondeu, tentando esconder o nervosismo.

No estúdio, Lily estava sentada no sofá, mexendo distraidamente em seu celular enquanto ajustava a letra de uma música, Gracie a achava fabulosa, principalmente seus fios dourados que eram seu charme. Luke estava à frente da mesa de som, conferindo os últimos detalhes. Quando Gracie entrou, ele virou-se para ela com um sorriso que parecia mais cansado do que de costume.

"Pronta para salvar o dia, parceira?"

Gracie revirou os olhos, mas sorriu. "Acho que você está exagerando, mas vamos lá."

A sessão começou com Lily apresentando a ideia central de sua música, um pop intenso que tinha um clímax na bridge, Vicious era perfeita para fechar o showcase. Luke rapidamente entrou no papel de produtor, ajustando melodias, propondo mudanças nos acordes, enquanto Gracie trabalhava ao lado dele com sugestões para a letra e a estrutura da música.

"Essa ponte está muito longa", comentou Gracie, analisando a letra no papel. "E talvez o refrão precise de mais impacto, algo que fique na cabeça."

Luke concordou. "Sim, pensei a mesma coisa. E se a gente mudar o tempo no pré-refrão? Algo que surpreenda."

Gracie ficou ao lado dele enquanto ele tocava os primeiros acordes no teclado, testando variações. A sintonia entre os dois era evidente, como se estivessem em perfeita harmonia. Até Lily, que costumava ser exigente, parecia impressionada com os dois.

[...]

O estúdio estava mergulhado em uma espécie de calmaria depois que Lily saiu, como se as paredes absorvessem o peso do trabalho intenso que haviam feito. Gracie estava sentada no sofá, observando Luke terminar de salvar os arquivos no computador, seus dedos passando pelos botões e telas com uma facilidade que parecia quase musical. 

"Você trabalha rápido, sabia?" ela disse, meio para quebrar o silêncio. 

Luke sorriu, ainda de costas para ela. "Anos de prática. Quando você aprende a tocar guitarra, piano e bateria sozinho, acaba pegando o jeito de fazer tudo mais rápido. Ou, pelo menos, de parecer que sabe o que está fazendo." 

Ela riu, puxando os joelhos para perto do corpo, se aconchegando no sofá.

"Eu diria que você faz mais do que parecer. Acho que nunca vi alguém tão no controle de tudo no estúdio." 

Luke girou a cadeira para encará-la, inclinando-se para a frente com os cotovelos apoiados nos joelhos. "Isso é um elogio, Flowers? Eu deveria anotar no meu diário ou algo assim?" 

Ela sorriu, mas havia um certo calor na troca. Luke a encarava de um jeito que parecia atravessá-la, como se tentasse decifrar algo que não conseguia entender. 

"Foi um elogio", ela admitiu, sua voz mais baixa. "E não acontece sempre, então aproveite." 

Ele soltou um riso curto, mas logo o som morreu, dando lugar a um momento de silêncio entre eles. Gracie sabia que Luke era o tipo de pessoa que se escondia atrás de brincadeiras e charme, mas às vezes – nesses momentos mais tranquilos – era como se ele deixasse escapar um vislumbre de algo mais profundo. 

"E aí, está animada para o Natal? " Luke perguntou de repente, mudando de assunto. 

Gracie ergueu os ombros. "Bastante. Esse ano vai ser no meu apartamento, convidei meus pais e meu irmão mais velho. De bônus minha sobrinha vem." sorriu.

Luke assentiu, mas havia algo em sua expressão que parecia distante. Gracie já sabia que ele não voltaria para casa neste Natal; a rotina de trabalho e o plantão o manteriam preso em Nova York. Ele mencionara isso em tom casual dias atrás, mas agora ela via que o peso disso era maior do que ele deixava transparecer. 

"Você vai acabar compondo, né?" Ela arriscou, tentando aliviar a atmosfera. 

Ele sorriu de lado. "É o que eu faço. Natal costumava ser a época de compor sem parar."

Gracie não precisou perguntar para entender o que ele queria dizer. Ele já havia contado que a música tinha sido seu refúgio durante o divórcio dos pais, que acontecera quando ele ainda era adolescente. Na época, ele e a irmã mais nova, Louise, haviam ficado com a mãe, mas o vínculo com o pai nunca desapareceu completamente.

"Você já falou com a Louise?" Gracie perguntou suavemente, o nome da irmã escapando de seus lábios como uma memória distante que ela guardava dele. Ele sempre comentava algumas coisas da irmã.

Luke ergueu o olhar, surpreso. "Hoje de manhã. Ela quer saber se eu vou conseguir escapar no Ano Novo, pelo menos." 

"E você vai?" 

Ele balançou a cabeça, um movimento lento. "Não sei. Joe provavelmente vai querer que eu fique até o showcase acabar e provavelmente vai ter especial de ano novo."

Gracie não disse nada por um momento, deixando as palavras pairarem no ar. Ela sabia o quanto Louise significava para Luke. Ele sempre falava da irmã com um misto de orgulho e nostalgia, como se ela fosse a única parte de sua infância que permanecera intacta. 

"Louise vai entender", ela disse, finalmente.

"Vai, mas isso não significa que eu me sinto menos culpado." Luke soltou um suspiro, recostando-se na cadeira. "Ela é mais nova, sabe? Sempre foi mais sensível às coisas. Quando o divórcio aconteceu, eu meio que virei o irmão mais velho que precisava segurar as pontas. Mas, ao mesmo tempo, eu só queria fugir de tudo." 

"E a música foi sua fuga." 

Ele assentiu. "Sim. Era o único lugar onde eu sentia que tinha controle. Aprendi a tocar qualquer instrumento que aparecesse na escola, escrevia músicas que provavelmente eram horríveis, mas que me faziam sentir... inteiro." 

Gracie o escutava atentamente, como se cada palavra dele fosse uma nota que compunha uma melodia mais complexa. Ela entendia, mesmo com seu irmão sendo bem mais velho, sabia o que era sentir o peso das expectativas familiares. Sua mãe, que havia desistido da música por pressão dos próprios pais, sempre incentivara Gracie a explorar esse mundo, como se quisesse viver através dela. 

"É engraçado", ela disse, depois de um tempo. "A música foi o que me trouxe aqui também, de certa forma. Minha mãe sempre dizia que eu tinha que amar música o suficiente por nós duas." 

"E você ama?" 

"Mais do que qualquer coisa." 

Os olhos de Luke se suavizaram ao ouvi-la, e ele sorriu, aquele sorriso meio inclinado que era tão característico dele. "Acho que temos isso em comum." 

O silêncio entre eles foi interrompido pelo grunhido baixo do estômago de Luke, e ele soltou uma risada.

"Ok, acho que precisamos de comida. Estou com fome." 

"Faz sentido. Você trabalha como se não precisasse comer." ela riu.

"E você fica aqui me julgando? Vamos lá, Flowers. Uma pausa nunca matou ninguém." 

Enquanto saíam juntos do estúdio, o frio do lado de fora os envolveu. Era uma noite típica de dezembro em Nova York, com as ruas iluminadas pelas vitrines decoradas e as pessoas se apressando para escapar do vento gelado. 

"Quer pizza?" Luke perguntou, ajustando o casaco. 

"Pizza parece bom." 

Eles andaram em silêncio por algumas quadras até encontrarem uma pizzaria de esquina. Luke abriu a porta para ela, o gesto natural, sem pretensão. Sentaram-se em uma das mesas pequenas, dividindo um pedaço de pepperoni e um de queijo enquanto o calor do lugar derretia o frio de seus corpos. 

"Então, sobre o showcase..." Gracie começou, limpando as mãos com um guardanapo. "Acha que a Lily vai conseguir apresentar a música como planejamos?" 

"Com certeza", disse Luke. "Mas não é isso que me preocupa." 

"O que te preocupa, então?" 

"Joe." Ele fez uma careta. "Ele quer que tudo seja perfeito. E, bem... você já viu como ele fica quando algo dá errado." 

Gracie sorriu. "Eu já lidei com Joe o suficiente pra saber como desviar de um furacão." 

Luke riu. "Você é boa nisso." 

Quando terminaram de comer, o vento parecia ainda mais cortante do lado de fora, mas nenhum dos dois estava com pressa de voltar. Andaram pelas ruas iluminadas, conversando sobre coisas triviais, como se o peso do trabalho e as complicações da vida tivessem ficado para trás por um instante. 

"Você tem um jeito estranho de me deixar confortável, Gracie", disse Luke, finalmente. 

"Estranho como?" 

"Não sei." Ele enfiou as mãos nos bolsos. "É como se... você não esperasse nada de mim além do que eu já sou. Isso é raro." 

Ela olhou para ele, surpresa pela sinceridade. "Bom, talvez seja porque eu gosto de quem você já é." 

Luke parou por um momento, o rosto virado para ela, como se suas palavras tivessem tirado o fôlego dele.  Gracie apenas sorriu, um sorriso pequeno, mas genuíno, e os dois continuaram andando.

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

oii meus divos! tudo bem?
fiz essa maratona e publiquei vários cápitulos rs! esse foi o último de hoje...quem sabe amanha posto mais rs

espero que vocês estejam gostando!

Com amor,
Clara

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