track 02

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

A garota saiu do prédio com o casaco apertado contra o corpo, enquanto o vento frio de dezembro soprava em rajadas cortantes, quase se arrependendo de ter topado a ideia doida de sair com Luke. Do outro lado da rua, Luke estava encostado no carro, o celular na mão, com a mesma postura relaxada que parecia acompanhá-lo em qualquer situação. Ele ergueu os olhos ao vê-la e sorriu, aquele sorriso fácil que parecia sempre dizer "Eu já sabia que você ia demorar".

"Você se arruma como se estivesse indo para o Grammy, e olha que nem penteou o cabelo direito," ele provocou. Olhando discretamente para o vestido preto de cetim que marcava seu corpo, era comprido e combinava perfeitamente com o estilo de Gracie.

Gracie apertou os olhos para ele, já acostumada com as piadas. "E você fica encostado aí como se fosse algum astro de rock. É só um bar, Luke."

"Mas um bar bom. Você vai me agradecer depois."

"Sei," ela murmurou, descendo os degraus enquanto ele abria a porta do passageiro como se fosse um cavalheiro exagerado.

"Para a senhorita."

"Idiota."

Ela entrou no carro, e ele deu a volta para o banco do motorista, ligando o rádio imediatamente. A música preenchia o espaço, um indie rock melancólico que parecia combinar com o clima da cidade àquela hora, era Selfless de The Strokes. Enquanto Luke dirigia pelas ruas movimentadas de Nova York, Gracie se acomodou no assento, olhando pela janela para as luzes piscando e as vitrines decoradas para o Natal, mesmo sendo final de novembro, a cidade já se preparava para o final do ano. Era uma cena bonita, mas que a deixava com aquela pontada de melancolia que vinha sentindo ultimamente. Ama o Natal e tinha planos com Ethan, até tinha colocado uma ideia de presente na sua sacola da Amazon.

Luke cantarolava a música, obviamente sem se preocupar em acertar a letra. Gracie sorriu, balançando a cabeça. Ele parecia não ter nenhuma preocupação no mundo, e isso, por mais que fosse irritante, também era tranquilizador.

"Então, qual é o plano de diversão de hoje?" ela perguntou, sem muita expectativa. Ainda estava desanimada.

"Primeiro, vamos beber. Depois, rir da sua incapacidade de jogar dardos. E, se tudo der certo, ainda vamos dançar."

"Dançar?" Ela arqueou a sobrancelha. "Eu não bebo tanto assim, Luke."

"É isso que você pensa agora. Espera só até ver minha escolha de drinks."

Gracie revirou os olhos, mas não pôde evitar sorrir. Era tão fácil estar com Luke. Apesar de tudo o que ela sabia sobre ele — e havia muito, desde histórias de ex-colegas de trabalho até rumores de sua fama de conquistador —, ele conseguia fazê-la se sentir confortável, como se o mundo fora daquela bolha não importasse.

Chegaram a um bar pequeno no Brooklyn, com luzes quentes penduradas no teto e música ao vivo que escapava pelas janelas. Gracie hesitou antes de entrar, olhando para a fachada com um certo ceticismo.

"Isso parece... hipster," ela comentou. "Meio millennial da sua parte." debochou.

"Hipster bom. Confia em mim, Gracie." Luke fez Gracie gargalhar. As vezes a diferença de idade era nítida.

"Essa frase nunca me tranquiliza. Até porque ninguém fala hipster." riu.

"Você que começou com essa de hipster!"

Mesmo assim, ela seguiu Luke para dentro. O lugar estava cheio, mas não lotado, o som de uma banda ao vivo preenchia o ambiente de maneira agradável, sem ser avassalador. Era o tipo de bar que ela não escolheria sozinha, mas que tinha um charme indiscutível. Normalmente não sai a noite, Gracie prefere guardá-las para dormir mais de oito horas e ter energias para aguentar o dia inteiro na Highline.

Luke encontrou uma mesa perto do palco com uma facilidade desconcertante, como se fosse dono do lugar, até mesmo cumprimentava alguns conhecidos durante o caminho até a mesa. Ele se jogou na cadeira com um sorriso satisfeito, enquanto Gracie sentava-se mais devagar, ainda avaliando o ambiente.

"Certo, o que você vai beber?" ele perguntou, pegando o cardápio.

"Algo simples. Uma cerveja." deu de ombros, folheando o cardápio, prestes a sugerir de pedirem uma porção de fritas com queijo.

"Cerveja?!" exclamou incrédulo.

"Então, qual é a sua recomendação de bebida, gênio?" Gracie perguntou.

"Você confia em mim para escolher?" Ele a encarou com um sorriso malicioso.

"Não."

Luke riu, pedindo para o bartender "algo especial" e deixando Gracie desconfortavelmente curiosa. Quando os drinks chegaram, ela arqueou uma sobrancelha para a mistura colorida que colocaram à sua frente.

"Isso parece perigoso." fez uma careta analisando o drink cor-de-rosa até demais.

"É o objetivo."

Ela tomou um gole hesitante, surpresa ao descobrir que era doce e refrescante, quase como uma promessa de algo mais leve que o peso que vinha carregando.

"Tem gosto decisão ruim," ela comentou, deixando o copo na mesa.

"Exatamente," Luke respondeu, erguendo o próprio copo em um brinde. "Às noites imprevisíveis e às más decisões."

Gracie revirou os olhos, mas brindou com ele. O gosto doce e cítrico surpreendeu-a, e ela deu outro gole sem perceber. Luke abriu um sorriso satisfeito.

"Eu sempre sei o que você vai gostar," ele afirmou.

"Só dessa vez," ela retrucou, ainda desconfiada. "Seja lá o que mais você tiver planejado, não vou cair tão fácil."

"Veremos."

A conversa fluiu fácil. Luke, como sempre, encheu os minutos com histórias absurdas — algumas reais, outras claramente inventadas —, enquanto Gracie tentava acompanhá-lo. Era inegável o encanto de Luke, Gracie entendia as garotas do trabalho que babavam nele, porém, estranhamente com ela, não colava tanto. Ele tinha um talento especial para transformar qualquer momento em algo engraçado, seja ao contar sobre um artista temperamental no estúdio ou sobre sua tentativa fracassada de cozinhar algo "sofisticado" na semana passada.

"E aí o alarme de incêndio disparou," ele concluiu, tomando um gole de seu drink.

"Você quase incendiou o apartamento por causa de risoto?" Gracie perguntou, incrédula.

"Tecnicamente, foi por causa de um avental pegando fogo. Detalhes." ele deu risada.

Gracie riu, sacudindo a cabeça. Era esse tipo de coisa que tornava Luke tão impossível de odiar. Ele era um caos ambulante, mas, de alguma forma, sempre parecia se safar de tudo.

"Tá vendo? Isso é o que me torna irresistível," ele brincou, como se lesse os pensamentos dela.

"Você acha mesmo que é irresistível, né?" fitou o loiro segurando a risada.

Luke ergueu uma sobrancelha e sorriu. "Você tá rindo, não tá?"

Gracie bufou, mas ele estava certo. Com Luke, era difícil não rir.

Depois de um tempo, Luke sugeriu: "Que tal uma rodada de dardos?"

"Não sei jogar," ela admitiu. "Sou tapada para qualquer tipo de coisa que demanda habilidades físicas."

"Ótimo. Assim eu ganho." sorriu feito uma criança.

Ele a arrastou até a área de jogos do bar, onde algumas pessoas já disputavam partidas, tinha sinuca, pebolim, alguns fliperamas e até mesmo ping-pong. Luke pegou os dardos com confiança e mirou no alvo, errando feio na primeira tentativa, fazendo Gracie gargalhar.

"Isso foi patético," Gracie comentou, cruzando os braços.

"Só um aquecimento," ele respondeu, lançando o próximo. Este acertou mais próximo do alvo, mas ainda longe de impressionar.

Quando foi a vez de Gracie, ela hesitou. Pegou o dardo com cuidado, observando Luke fazer gestos exagerados de incentivo ao fundo.

"Vai, Gracie! Eu acredito em você!"

"Se você continuar falando, vou errar de propósito," ela ameaçou.

"Ou errar de verdade, o que é mais provável," ele provocou.

Ela lançou o dardo, e, para sua surpresa, acertou um ponto decente no alvo. Luke soltou um assobio dramático.

"Olha só! Flowers tá cheia de talentos escondidos."

"Você só é ruim mesmo," ela respondeu, rindo.

O jogo continuou com provocações de ambos os lados. Luke era um péssimo perdedor, exagerando cada derrota como se fosse um golpe pessoal, enquanto Gracie descobriu que tinha mais coordenação do que imaginava. Depois de algumas partidas — e mais alguns drinks —, Luke anunciou:

"Agora vamos dançar."

"Luke, não," Gracie disse, rindo. "Eu não danço"

"Gracie, sim." Ele pegou a mão dela e a puxou para a pista de dança improvisada, onde algumas pessoas já se movimentavam no ritmo da música ao vivo.

Era um rock antigo, Gracie demorou para reconhecer, mas logo cantarolava discretamente Just Like Heaven do The Cure.

"Eu não sei dançar," ela protestou, mas Luke já estava girando-a com um sorriso travesso.

"Eu também não. Esse é o ponto."

Ele começou a fazer movimentos ridículos, como se estivesse em uma festa de colegial. Gracie não conseguiu evitar rir, mesmo sentindo o calor subir em seu rosto. Ninguém estava olhando para eles, e Luke parecia não ter nenhuma preocupação em parecer bobo.

"Você é impossível," ela disse, ainda rindo.

"E você tá se divertindo, então para de reclamar."

A música começou a ecoar mais alto, e, por um momento, Gracie deixou-se levar. Não havia ex-namorados para pensar, nem trabalho para estressá-la. Havia apenas ela e Luke, e a sensação de que, naquela noite, o mundo lá fora podia esperar.

Mais tarde, quando saíram do bar, o frio os atingiu como uma onda, mas eles não se importaram. Luke colocou as mãos nos bolsos do casaco e olhou para Gracie com um sorriso satisfeito.

"Tá vendo? Eu disse que seria uma boa ideia."

"Foi... melhor do que eu esperava," ela admitiu, apertando o cachecol ao redor do pescoço.

"Isso é praticamente um elogio vindo de você."

Gracie deu de ombros, tentando esconder um sorriso. Eles caminharam juntos até o carro, as ruas quase desertas àquela hora. As luzes de Natal ainda piscavam nas vitrines, e o silêncio da cidade era pontuado pelo som distante de táxis e sirenes.

Antes de abrir a porta para ela, Luke hesitou. "Sabe, Gracie, você não precisa de ninguém te derrubando. Muito menos um ex babaca."

Ela olhou para ele, surpresa pela mudança de tom. "Eu sei."

"Só pra garantir." Ele deu um sorriso torto, e Gracie percebeu o quanto era fácil esquecer seus defeitos quando ele era tão genuíno.

No caminho de volta, ela pensou no que ele havia dito. Luke era complicado, isso era óbvio. Sua fama não era exatamente injusta, e Gracie sabia que ele não era o tipo de cara em quem se podia confiar para muito mais do que uma boa noite na cidade. Mas, ao mesmo tempo, havia algo nele que a fazia sentir-se segura.

Quando chegaram ao prédio dela, ele a esperou sair antes de falar: "Foi divertido, não foi?"

"Foi," ela admitiu, abrindo um sorriso. "Obrigada, Luke."

"Pra isso que os amigos servem," ele respondeu, piscando para ela.

Gracie entrou em casa sentindo-se mais leve do que nas últimas semanas. Talvez Luke fosse mesmo impossível, mas havia algo nele que fazia o mundo parecer um pouco menos complicado.

E, naquela noite, isso era o suficiente.

⋆。𖦹°⭒˚。⋆

eu já estou apaixonada por eles!
e aí, me conta o que está achando!

Com amor
Clara

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