14 | Renascer

Aquelas orbes castanhas se fixaram na escrita, o manuscrito que preenchia todas as linhas contidas nos papéis tinham pequenos borrões, tornando a leitura um mero desafio, mas nada disso o afetaria, sua curiosidade o consumia por completo.

Ler toda aquela papelada sozinho não seria problema algum, desde pequeno JungKook adquiriu o hábito da leitura e achava fascinante tudo que aquelas vastas palavras poderiam ofertar e como se fazia presente um universo repleto de informações, um leque infinito. Estava responsável por segurar em mãos o seu próprio destino.

Seu olhar escaneia cautelosamente todas aquelas letras enquanto seus dedos o acompanhavam no mesmo compasso, não era hora de parar, porém, seu corpo pedia redenção, implorava por descanso.

Todo aquele ar pesado infiltrado naquela grande sala fazia o temor e o nervosismo aflorem na pele, o medo de que más notícias viessem à tona os faziam sentir sensações esquisitas e um tanto quanto agonizantes. Era perturbador todo aquele silêncio que se fazia, e sem obter respostas válidas, o moreno continuou a ler sem cessar, enquanto uma parte implorava por uma pausa, e a outra por explicações.

Estava complexo achar o caminho certo, algo em seu interior falava loucamente que estava na hora de parar e deixar toda aquela fascinação de lado, mas JungKook fez um pacto consigo mesmo, queria libertar-se de vez de todo o mal que um dia lhe fizeram, ser afastando de toda a culpa que carregava e de tantos inocentes que por sua causa – por cruzarem seu caminho – acabaram tendo um final trágico, mortos injustamente.

O impacto causaria seu espanto e padecer – momentos antes de descobrir toda a verdade –, suas mãos tornarem-se trêmulas e suadas. Não tema, era o que pensava. Não há dor maior que o esquecimento, descobrir algo novo lhe causaria uma grande surpresa, um imenso estrago em sua vida, todavia, nada seria tão ruim ao ponto de ter sido abandonado na infância. Seu tio era um assassino e não há nada que o fizesse pensar ao contrário, mudar de ideia não era uma opção – todo o passado camuflado ao longo dos anos ainda se fazia presente.

Os olhos do garoto se encheram de água ao ler o documento em suas mãos, mal podia acreditar no que o tão esperado documento relatava. Não era possível, isso não poderia ser verdade, pensava o garoto enquanto relia o papel um milhão de vezes. Isso só poderia ser um engano.

— JungKook? — o coringa se abaixou ao lado do moreno o observando preocupado, sua face havia sido preenchida de lágrimas em menos de um minuto. O que poderia ser tão ruim assim? — O que houve, amor? Você o conhece? — questionou, querendo obter uma resposta rápida do garoto, era agoniante ver Jeon sofrendo daquela maneira sem poder fazer nada.

O jovem não o respondeu, apenas ficou ali parado, seus olhos marejados e a cabeça baixa deixavam todos ao seu redor preocupados.

— JungKook, o que está acontecendo? — perguntou Hoseok se ajoelhando ao seu lado. — Estamos preocupados, o que você descobriu? — repetiu, e JungKook só conseguia chorar e imaginar o quanto a sua vida havia sido uma tremenda mentira.

Um mar de lembranças invadiam a mente conturbada do garoto. Durante toda a sua vida foi criado por pais falsos, não conseguia entender o porquê de tanta mentira. Por que não lhe contaram toda verdade? Fora enganado por tanto tempo... Ele conhecia muito bem o seu primo, conhecia como ninguém e isso não o deixava nada satisfeito. Se levantou e entregou os documentos nas mãos de seu amado.

Taehyung leu depressa e logo entendeu a tamanha decepção. O observou com uma expressão surpresa enquanto todos os meninos tentavam entender o que de fato estava acontecendo ali.

— Eu mesmo sou a pessoa que procuro. — falou com dificuldade e todos fizeram expressões confusas, a não ser Taehyung, que já havia entendido o que estava acontecendo — Eu sou o mesmo que estamos procurando há dias, o meu tio na verdade é... — suas lágrimas e soluços o impediam de pronunciar tal nome. — O meu tio é o meu pai... — completou, e Taehyung correu imediatamente para consolar o amado.

O ambiente tornou-se palco de um verdadeiro show de horrores, aqueles olhares impactados com tamanha incredulidade faziam todos aqueles corpos pasmos, agora permanecerem em movimentos não mais fleumáticos.

Estavam inquietos e abismados com tamanha informação, absorver tudo aquilo seria uma tarefa bastante complicada, era o caos – todos assim pensavam. Como foram tolos por tanto tempo. A resposta de todos os problemas estavam à sua frente, como deixaram-se enganar com todo aquele espetáculo forçado, e o pior de tudo, não se passava de uma armação. O mal que interrogava ainda na cabeça do pobre ruivo era: como aquele problema teria se tornado uma magnitude tão grande e saíra do controle por todas essas décadas?

Seu espírito investigativo não saía de si, Jung Hoseok, o jovem gênio, estava com seus nervos à flor da pele. Como ousou ser tão tolo em uma emboscada tão patética? E o pior, algo que estava em sua frente o tempo inteiro. Uma trama reversível.

Após conviverem dias, semanas e até meses, os garotos criaram um elo duradouro e forte chamado amizade. O ruivo sentia-se pronto para cuidar de JungKook pelo tempo que precisasse e mesmo que não estivesse ao seu alcance, tentaria de tudo para encontrar uma saída, os empecilhos de todos eram problemas que não afetaram a um só, mas sim, a um bando. Estariam fortes e preparados para quaisquer circunstâncias que viriam, a jornada era mais longa do que pensavam, mas antes de tudo, era preciso estabilidade emocional e se conformar que dias de glória chegariam para aqueles que sempre ousaram um pouco mais de diversão.

O poder de suas escolhas estava em suas mãos, mesmo não vencendo todas as suas lutas, o moreno sabia que perderia todas as batalhas se deixasse de lutar por medo do que aconteceria. Não era hora de parar, ficar estático era tudo o que mesmo precisava, no entanto, se tudo ao seu redor não passou de uma mera enganação, não há problema, ser forte estava incluso em seus pensamentos e era isso que necessitava.

Um por um o abraçou calorosamente, até sentir seu calor passar de um abraço amigável para o outro. Era uma espécie de curto circuito que não ousava parar ou alguém iria se ferir. Seu corpo era um castelo de cartas, vulnerável ao vento e que poderia desabar por completo, mas assim como todos os reinos possuem seus aliados, JungKook também possuía os seus, as torres que o sustentavam, os cavalheiros que o protegiam e o mais precioso de todos, o seu rei.

🎪

— Meio dia em ponto — falou Jin impaciente, colocando o celular sobre a mesa. — Onde estão eles? Já estão atrasados. Será que não entendem o quão sério é este assunto?

— Se acalme, Jin, tenho certeza que logo eles irão chegar. — o pistoleiro se encostou na mesa onde o outro se encontrava. — Sabe como eles são. — sorriu ladino com os olhos pregados no relógio a sua frente. — Cheios de surpresas. — completou.

— Namjoon tem razão, eles devem estar perambulando por aí. — disse Jimin com os braços cruzados enquanto girava em uma cadeira qualquer do escritório.

O barulho das rodinhas chegava a ser irritante para Yoongi que no momento só se preocupava com a chegada do casal de "adolescentes", como costumava chamar Jeon e Taehyung.

Hoseok tentava o acalmar de todas as formas possíveis, mas era visto nos olhos do Min que sua irritação só aumentava ainda mais à medida em que o tempo passava.

— Vamos esperar por mais quanto tempo? — perguntou o ruivo e quase que de imediato a porta se abriu, revelando JungKook e Taehyung desesperadamente cansados. Era visível que haviam corrido às pressas até ali.

— Vocês estão atrasados. — o moreno falou se levantando. — Se esqueceram da reunião?

— Sim, sim, peço desculpas — o coringa falou se sentando ao lado de Jimin. — Tivemos imprevistos...

— O que importa é que estamos aqui. — completou JungKook. — Por favor, nos perdoem pelo atraso e por fazer vocês esperarem por tanto tempo.

— Até que enfim, pensei que iríamos esperar para sempre. — falou Yoongi, irônico. — Imagino o motivo de terem se atrasado, o tal "imprevisto". — sorriu malicioso e todos gritaram pelo seu nome como de costume. Aquilo deixava o Min completamente satisfeito, por mais que não demonstrasse era muito grato por ter a companhia de seus queridos amigos.

— Então, temos algumas coisas para discutir, na verdade muitas coisas. — Namjoon começou a andar pela sala, parando em frente a um armário. — Temos muita coisa para planejar e muito pouco tempo, e por isso eu pedi ao Jimin que separasse algumas armas para usarmos no dia do roubo — dito isso, abriu o enorme armário que continha uma enorme variedade de armas, muito bem conhecidas por Namjoon e Jimin.

— Meninos, por favor — Jimin pediu para que se aproximassem do armário. — Sei que a maioria de vocês conhece muito bem uma arma, mas mesmo assim terei de checar suas habilidades. Escolham suas armas! — ordenou com um enorme sorriso nos lábios.

Ao se lembrar de seu passado com armas, Taehyung se empalideceu. Ele não sabia ao certo se já havia perdido o seu medo de atirar, mas quando se lembrava do que sentiu há poucos meses atrás, seu coração batia tão forte que ameaçava sair pela boca. JungKook percebeu o nervosismo do Coringa e segurou sua mão em sinal de apoio.

— Lembre-se do que te disse amor, nenhum medo deve ser maior do que o de não tentar. — ao falar isso, o rosto do moreno se iluminou e em seus lábios se formou um lindo sorriso fazendo com que Taehyung fosse contagiado pela felicidade do jovem mágico.

Yoongi revirou os olhos, caminhou em direção ao enorme armário e escolheu uma arma qualquer com um sorriso imenso nos lábios. Com certeza aquela atividade já era monótona em sua vida, que logo tratou de colocar as balas para dar o seu primeiro tiro.

— O que podemos destruir por aqui, Jimin? — perguntou Yoongi, medindo com o olhar o que poderia ser feito no local. Os seus olhos queimavam só pelo risco. Jimin apenas revirou com os olhos com mais uma das piadinhas de Yoongi e o direcionou a uma sala de treinamento.

— Venham conosco — disse, adentrando a sala de treinamento e empurrando Yoongi pelos ombros.

Hoseok, Jin e Namjoon pegaram suas armas e foram para a sala de treinamento, restando apenas Taehyung e JungKook na sala.

— Vamos Tae, escolha uma — disse Jeon após pegar uma pistola. Taehyung foi em sua direção e fez o mesmo, ainda receoso.

Os cavaleiros ousaram adentrar a sala repleta de espelhos e de bonecos no ponto de serem atingidos. Era admirável o brilho dos olhos que Yoongi tinha ao ver que finalmente o show de horrores seria de magnitude mundial e que estaria prestes a se realizar, tamanha ganância para um grupo de jovens infratores, o que os deixavam ainda mais inquietos a cada dia que passava.

O grande dia chegaria e naquela noite, Seul jamais se esqueceria do dia em que sete jovens tramaram roubar o maior banco da Coreia.

O que o destino poderia oferecer? Isso era uma incógnita que nem mesmo Jung Hoseok, o mais sábio do bando, poderia desvendar, de todos os lados da moeda os riscos eram imensos e aquela ação poderia arruinar o restante de suas vidas. A indagação de que algo desse errado não poderia ser cogitada, afinal, não era permitido nenhum deslize ou algo que fosse fora do script. Qualquer erro por mínimo que fosse poderia dar a vitória ao adversário e naquele jogo não poderia haver perdedores a não ser o grupo inimigo, os policiais que fariam de tudo para incriminar os garotos.

As suas habilidades únicas faziam aqueles jovens se tornarem gigantes, por mais raras que fossem suas personalidades, todos tinham algo em comum: o sentimento de que novos dias viriam para apagar as trevas de um passado sombrio e arruinado. O castelo iria se reerguer e a fênix finalmente sairia das cinzas para anunciar os dias de glória e prosperidade que iria se iniciar. Uma nova era iria incendiar Seul e aquele momento seria eternizado por milênios e cravados na história de uma cidade tão pacífica e acolhedora.

Todo o ritmo calmo da cidade estava precisando de um toque de diversão, o plano iria ser executado com a maior cautela que existisse, tudo no conforme dos garotos. Assim como as letras de uma música trabalha em sintonia com a melodia, eles iriam dar o melhor de si para que uma era de glória pairasse no ar e os fizessem acreditar de novo na vida.

— Coloque os braços para o alto e segure a arma como um objeto o qual não pode soltar em hipótese alguma, prenda seus braços e os deixe imóvel ao mirar — Namjoon arrumava a posição do ruivo. — Feche um dos olhos e fixe no alvo. — ele se soltou dos punhos do colega e deu sinal para que fizesse o disparo. — Atire. — completou.

Com precisão,Hoseok acertou o alvo, nada que fosse fora da sua realidade, já que ele aprendeu tudo que sabe com a ajuda de Yoongi. Os amigos de longa data sabiam o que era preciso fazer para que nada saísse dos conformes. Talvez o improviso fosse a palavra que reassumisse a noite mais esperada de suas vidas.

— Taehyung, é a sua vez. — disse o jovem Jung. — Se realmente quer que isso dê certo, você terá que sacrificar tudo que é mais importante pra você, até mesmo os seus medos. — ele sorriu de canto.

— Deve aprender a ignorar seus medos antes que eles te consumam por inteiro, é somente nessa hora que vai perceber que foi patético deixá-los te dizer o que realmente estava ou não ao seu alcance. — o pistoleiro pousou suas mãos grossas sobre o ombro do colega. — Tente, não tenha medo de errar. Você só vai se arrepender de suas escolhas quando não houver mais jeito de voltar atrás e fazer diferente. — ele ergueu os braços de Kim ao ponto de fazê-lo criar coragem.

— Todos têm que fazer autodefesa, é o mínimo que necessita e antes de tudo, precisam aprender a proteger uns aos outros para que todos consigam sair imunes e com vida, não se deve largar o seus companheiros no campo de batalha, é preciso coragem para lutar por você e por eles. — em passos pequenos e minuciosos, o loiro se aproximou do time que agora estava completo. — Se realmente quer ajudar seus amigos, você terá de ser menos egoísta e tentar pelo menos uma vez. — aquelas palavras encorajadoras fizeram Yoongi o envolver com seus braços.

E quando Taehyung menos esperou, estavam todos os sete reunidos e sorrindo para ele, naquele momento, ele sentiu algo único invadir seu peito. Aquilo simbolizava o real sentido da amizade, o que o fez enxergar aquele grupo não só como amigos, mas como uma família que se formou em um laço duradouro. Se aproximando uns dos outros e fazendo uma barreira calorosa, o restante do garotos se aconchegaram em um abraço acolhedor e esperançoso.

— Gostaria de ser jovem paraa sempre e fazer com que nada disso passasse, aconteça o que acontecer, vocês foram a melhor coisa que já me aconteceu. — o sorriso bobo de JungKook deixou os meninos sem jeito, envergonhados e tímidos eles se olharam sem cessar.

— Somos melhores quando estamos juntos — afirmou Seok, enquanto os cinco se envolviam em um abraço.

— Taehyung, sabe o que tem de fazer. — Namjoon se distanciou do amigo e seguiu na direção de seus companheiros.

Aquela cena logo tornou-se um cenário repleto de ansiedade e aflição, o jovem coringa estava posicionado no centro com a arma em mãos enquanto o restante sequer piscava à espera do momento. As luzes da sala se enfraqueceram enquanto Taehyung retornava o fôlego pela milésima vez, seu nervosismo aflorava em sua pele e nada jamais teria sido tão difícil em sua vida depois do episódio que vivenciou na infância. Aquilo o deu forças para suspirar pela última vez e fechar um dos olhos e finalmente mirar no seu objetivo.

As mãos do Coringa tremiam sem parar e sua respiração desregulada entregava o seu nervosismo e agitação. Respirou fundo mais uma vez e tornou a fechar seus olhos bem devagar. Desistir não era uma opção naquele momento, seus amigos estavam o observando e depositavam toda a sua fé nele. Quando teve certeza, Taehyung pressionou levemente o gatilho e um barulho foi feito na sala, o jovem abriu os olhos lentamente e um sorriso se formou em seu rosto ao ver que seu alvo havia sido atingido. Os meninos até então quietos correram até o amigo e o parabenizaram aos gritos e com muita empolgação.

— Viu amor, eu disse que você iria conseguir! — JungKook abraçou o namorado com um sorriso enorme no rosto. — Você superou o seu medo Tae, e eu não poderia estar mais feliz por isso.

Os meninos o abraçaram em conjunto festejando a mais nova conquista do garoto que se sentia amado e feliz. Taehyung respirou fundo, estava radiante por finalmente ter deixado aquele medo para trás e por ter deixado feliz o pequeno Tae que lá atrás havia presenciado a morte de sua querida mãe, sua maior inimiga até então, era a arma, agora não mais.

Agora sabia que não tinha mais medo e que poderia dormir feliz e tranquilo sabendo que finalmente superou. O seu dia não poderia ser mais feliz.

— Que tal sairmos para comer alguma coisa? — sugeriu o loiro de repente, e os meninos balançaram a cabeça em sinal de concordância. — Conheço um restaurante incrível em que posso levar vocês.

— Lá tem cerveja? — perguntou o Min colocando sua arma sobre o balcão. — Eu só vou se tiver.

— Mas é claro que sim Yoongi, acha mesmo que eu iria lhe levar para um local sem bebida? — Yoongi sorriu de lado, contente com a resposta do loiro.

— Se vocês querem beber, eu tenho um lugar para sugerir — Hoseok falou olhando diretamente para Yoongi que de imediato entendeu onde o ruivo iria os levar.

🎪

— Chegamos. — disse Hoseok, sorridente adentrando o local que estava completamente lotado. — Aqui é o melhor lugar para se beber em uma noite como essa.

— Eu tenho a sensação de que conheço esse lugar. — o moreno falou se sentando em uma das cadeiras ao lado de Taehyung que o olhou de soslaio.

— Tem certeza de que não se lembra daqui? — indagou Taehyung, encarando o ruivo que já sabia da resposta. JungKook apenas balançou a cabeça em sinal de negação. — Conhecemos Hoseok aqui! — o Coringa falou empolgado e uma nostalgia enorme invadiu a mente do mágico.

— Eu me lembro perfeitamente do dia em que vocês dois apareceram aqui — o ruivo fechou os olhos como se estivesse em outra época, talvez no tempo em que havia conhecido os amigos. — Eu estava sentado tranquilamente bebendo uma cerveja bem gelada, até que vocês dois apareceram de repente, me lembro de pensar que eram policiais disfarçados, desconfiados de tudo e de todos. — os meninos riram com a comparação de Hoseok. — Nunca pensei que aqueles meninos lá do passado seriam grandes amigos meus hoje em dia.

— Estou ficando emocionado, pode parar. — Yoongi falou irônico, simulando secar lágrimas em seu rosto. — Chega de sentimentalismo, vamos beber logo!

Os meninos se olharam entre si e abriram a boca para falar, mas logo foram interrompidos pelo mafioso.

— Já sei, "Yoongi pare com isso" ou "Yoongi fique quieto". — o garoto imitou seus amigos com uma voz extremamente fina e engraçada. — Até hoje não descobri o porquê de gostarem tanto de repetir o meu nome, é realmente um mistério para mim.

— Jura que não sabe? — Jin perguntou debochando. — Talvez seja porque você é extremamente adorável — todos riram a não ser Yoongi que mostrou a língua para ele de imediato.

— Vocês parecem crianças — Jimin chamou a atenção de ambos que se viraram para imitar o loiro que riu com a palhaçada deles.

— Dessa vez eu vou dizer que concordo com Yoongi — o pistoleiro falou de repente e todos o olharam com atenção, principalmente o mafioso que sorriu feito uma criança ao perceber que finalmente estava certo. — Já aconteceu tanta coisa ruim com a gente ultimamente, temos mais é que esquecer...E além do mais, faz tempo que eu não tomo uma boa bebida.

— As vezes penso no que faremos depois de tudo, se continuaremos juntos ou se cada um vai voltar ao que era. — Hoseok sentou-se em um dos bancos.

— É uma boa pergunta. — Taehyung o acompanhou se sentando a seu lado.

— É melhor não ficar pensando nessas baboseiras todas, vamos ao que interessa. — levantando a mão, Yoongi deu um assobio para o garçom. — Traga a melhor bebida que tiver aqui. — Ele sorriu de canto.

— É difícil admitir, mas Yoongi tem razão, não vamos estragar a graça do futuro. — o loiro se sentou ao lado dos companheiros e colocou suas mãos sobre o balcão.

Os garotos passaram horas naquele pequeno bar, não tinham sequer noção do tempo, apesar de que dias como aquele seriam difíceis de acontecer. Juntar sete pessoas tão comprometidas com seu trabalho seria uma tarefa mais complicada do que planejar o próprio roubo. O senhor Min deu toda a cortesia para os colegas e antes mesmo que nenhum deles estivesse mais sóbrio, decidiram voltar para o prédio.

— Eu nunca bebi tanto em toda a minha vida — Jimin falou ao se sentar no enorme sofá de couro do Min que o acompanhou se sentando ao seu lado.

— Realmente, Hoseok tem que nos levar lá mais vezes — afirmou JungKook, observando Taehyung que estava praticamente cochilando sentado, uma cena muito fofa para ele. — Hey Tae, acorde — cutucou levemente o amado que abriu os olhos meio assustado.

— Acho que é meio fraco para bebida, Tae — Seok falou enquanto observava a garrafa de vinho tinto em cima da mesa central.

— Ora, vocês já estão cansados? — perguntou o Min. — Ainda nem bebemos direito, quem topa beber um pouco de vinho? — falou, indo em direção ao frigobar para pegar algumas taças e bebidas, mas foi impedido por Hoseok.

— Yoon, nós já bebemos muito, não acha melhor fazermos outra coisa a não ser beber? — Yoongi franziu as sobrancelhas com a sugestão do ruivo, não parecia gostar nenhum pouco.

— Hoseok tem razão, já bebemos muito, e além disso, já está tarde — comentou o pistoleiro se sentando ao lado de Seok.

Na sala se fez silêncio total e tudo que se conseguia ouvir eram as respirações cansadas de todos os garotos que se encontravam exaustos jogados no sofá.

Até que o silêncio se quebrou por um pequeno barulho vindo do terraço do prédio do senhor Min. Taehyung despertou de repente e não demorou muito para perceber que JungKook não se encontrava em lugar nenhum do sofá da sala. Não tardou muito e decidiu procurar o moreno que se encontrava sentado no último andar do prédio, o mesmo parecia voar observando o céu. Demonstrava estar perdido em seus próprios pensamentos.

O jovem Coringa se aproximou lentamente para não assustar o garoto que o fitou calmamente. Taehyung não entendeu o que de fato JungKook estava fazendo ali, queria perguntar, mas preferiu ficar em silêncio.

Os garotos ficaram ali por alguns minutos observando as estrelas sem dizer uma palavra sequer. Estavam apenas aproveitando a companhia do outro e nada mais. Aquilo era necessário, não que estivessem brigados e por isso não poderiam se falar, mas era necessário aquele silêncio e toda aquela paz que os contemplavam.

Eles nunca tiveram um momento assim, um momento de tanta paz e felicidade para parar e observar um ao outro. Sempre era tudo tão corrido e sempre estavam fugindo de algo, ocupados demais para apreciar a companhia de cada um.

— O céu está lindo — Taehyung falou, quebrando o silêncio entre os dois. — É praticamente impossível observar todas as estrelas com as luzes da cidade, mas mesmo assim elas estão lindas.

JungKook sorriu se virando para olhar o namorado. Como ele amava o brilho de seus olhos, as estrelas, por mais únicas e intensas que fossem, não chegavam nem perto da intensa luz que aquelas orbes castanhas podiam transmitir. Era um poder que só Taehyung tinha, ele sentia que por mais perigosa fosse a missão, ele estaria seguro em seus braços reconfortantes. Era seu propósito: voltar para o seu novo lar, Kim.

"O meu lugar favorito no mundo é dentro de um abraço teu."

O garoto jamais imaginaria que por trás de um homem solitário e misterioso, estava a pessoa com o coração mais puro e generoso que já havia conhecido até então. Esteja onde estiver, enquanto viver no meu coração, você sempre terá uma casa para morar e um motivo para ficar, Taehyung tinha todas as qualidades que faziam Jeon ser um completo louco por ele e não há quem negasse isso.

O destino teria sido tão solidário ao ponto de entregar o mundo inteiro em suas mãos, assim como todas as palavras do mundo não conseguiam descrever todo aquele amor, nem todos os segundos eram suficientes para estar ao seu lado.

Tudo se encaixava agora, a peça que faltava para resolver toda a bagunça de seu coração estava ali esse tempo todo, ele amava quando um sorriso bobo escapava dos lábios do coringa, eram como se as flores tivessem desabrochando na primavera ou quando a lua se encontrava beijando o mar, aquela sensação não o abandonava desde o primeiro dia que se viram, era amor desde o primeiro olhar, desde o primeiro abraço e foi selado como eterno no primeiro eu te amo.

"Assim como as estrelas são do céu, o meu amor será para sempre seu".

Dois amantes felizes não têm fim nem morte, eles nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem e se reencontram além dos limites do horizonte, têm da natureza a eternidade, a juventude.

Passaram-se alguns minutos e os dois continuaram ali sozinhos e pensativos à luz do luar, eles estavam perdidos em seus pensamentos e distraídos de mais para perceber a presença de Yoongi, Hoseok, Namjoon, Jin e Jimin que se juntaram nessa ordem ao lado do casal.

— Porque estão aqui fora? — Jimin perguntou sonolento, passando a mão pelos olhos que insistiam em se fechar constantemente.

— Eu também queria entender — falou Yoongi franzindo o cenho confuso. — Hoseok acordou às pressas pensando que algo tinha acontecido com vocês. Agora que sabemos que eles estão bem, posso voltar a dormir?

— Yoongi sendo Yoongi — os meninos falaram em uníssono.

Apesar das reclamações de Yoongi e da dificuldade em manter o loiro acordado, ambos ficaram lá fora conversando e rindo até o amanhecer. Seria raro um momento como aquele e sabiam disso, depois do roubo suas vidas iriam mudar drasticamente, por isso aquilo seria guardado para sempre em suas memórias.

O maior roubo da história estava prestes a acontecer. E o que poderia dar errado? Eram infinitas possibilidades e vários riscos a serem corridos, e a alegria no coração dos jovens que amavam a adrenalina mais do que tudo só aumentava a cada dia mais. Esperavam ansiosamente pelo dia em que seus nomes seriam guardados e lembrados como lendas por cada cantinho da cidade de Seul. Esse dia só se aproximava cada vez mais. O eterno.

🎪 Participação especial; Senhorita_Yoon
🎪 Beta; RM_Oliveira

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