11 | Flashback
Era de manhã quando Taehyung, JungKook e Hoseok se levantaram. O sol ainda estava saindo das montanhas e o vento gélido da manhã faziam com que os pelos dos garotos eriçassem de frio, mas não tinham tempo a perder. Sentados na pequena mesa abandonada que havia nas proximidades do local, Jeon espalhava as folhas dos documentos para todos os lados. Tinham muitas cópias de documentos antigos, recortes de jornais velhos e uma manchete que lhe chamara bastante atenção.
— Mulher é morta a tiros pelo próprio marido. — repetia diversas vezes, aquilo tudo soava mais como uma pergunta que não obtinha respostas. — Meu tio matou a esposa? Ele a amava mais do que tudo neste mundo, ele sempre comentava dela, então por que disso tudo? — disse mais uma vez o jovem com os olhos arregalados, foi quando cerrou seu olhar em Hoseok que estendeu a mão para pegar os papéis.
— Deixe-me ver. — o ruivo, não mais intimidado com o moreno, saiu pegando os papéis com cuidado. — Bom, pelo que estou lendo aqui, houve um assassinato no tal circo que seu tio era dono e de acordo com os depoimentos e registros da polícia, quando eles chegaram ao local seu tio estava ao lado do corpo da esposa com um bebê e uma arma em mãos. — contou o ruivo e Taehyung passou as mãos de leve pelas costas do amado a seu lado.
— A grande questão em jogo é que nunca ouvimos falar desse bebê e nem de seu paradeiro. — estalou os dedos por conta do nervosismo que aflorava em sua pele.
— JungKook, você quer mesmo ler o resto da matéria? — indagou preocupado, olhando de canto para o quase namorado que apenas assentiu pegando os papéis novamente das mãos de Hoseok. — Há boatos de que na última terça-feira...
Décadas atrás
O passado escondido
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— Chefe, está tudo certo para invadirmos o circo. — um dos capangas ditou com o peito estufado e Chung-hee sorriu malicioso, o jovem mafioso não poderia estar mais empolgado. Mal podia esperar para ver aquele circo e aquela família destruída, eles já haviam os roubado o suficiente e estavam se sentindo os donos do mundo, mas naquela noite aquilo iria mudar.
Era madrugada de uma terça-feira e todos estavam prontos para agir, Chung-hee ia pela frente com uma pistola em mãos e uma faca presa a sua cintura. Já sabia o que fazer, o velho não iria negar um desafio, ainda mais depois do jeito que ele era orgulhoso, queria sempre ser o melhor em tudo e achava-se o único, aquilo o irritava mais do que tudo e o motivava para realizar o tal ato que planejava em sua mente.
— Saia daí, seu miserável! — gritou, parado em frente ao picadeiro, mas sem obter sucesso. A essa hora ele deveria estar dormindo, porém, aquilo não importava nem um pouco para Chung-hee. — Venha aqui fora, quero lhe propor uma coisa. — ergueu o tom de voz mais uma vez, logo apontando a pistola para o alto disparando três vezes, fazendo com que o jovem dono do circo aparecesse em frente a tenda com uma arma em mãos.
— O que você quer, Chung-hee? — indagou o jovem saindo de sua tenda. — Não se conformou ainda que enquanto estivermos nessa cidade você não conseguirá nada? — com certa precisão e debochando de sua visita, Chung-hee faz uma expressão de desgosto.
— Ah, você acha mesmo? — com um sorriso malicioso, riu das tolices do inimigo. — Que tal um duelo? Quem ganhar pode ficar na cidade e quem perder... tem que sair daqui para nunca mais voltar. — explicou e o jovem arqueou uma de suas sobrancelhas.
— Não quero saber, já que eu não vou perder. — encorajado a pôr um fim naquela briga medonha de anos, levantou sua arma e disparou em direção a Chung-hee, errando propositalmente. — Por que essa cara de assustado? — perguntou, dando uma gargalhada que ecoou por todo local, fazendo com que todos os capangas se afastassem e tivessem medo daquele riso medonho.
— Voltem, seus covardes! — ordenou Chung-hee, mas não obteve êxito.
O palhaço apenas sorriu e o olhou de soslaio, enquanto recarregava mais uma vez sua arma.
— Acho que somos só nós dois, vai encarar? Ou está com medo por não ter seus capangas para lhe proteger? — provocou. Chung-hee apenas fez um disparo, dessa vez em direção a tenda, fazendo com que a jovem mulher grávida saísse para ver o que estava acontecendo.
— O que está acontecendo amor? — ainda sonolenta e vestida com seu roupão, saiu da tenda com uma das mãos sobre a barriga, faltavam poucos dias para o bebê nascer.
— Não é nada, volte para dentro Min-ji. — mandou o velho e mais um disparo é feito, dessa vez em direção a gestante que se abaixou assustada com as mãos postas em seus ouvidos.
— Você está maluco?! — gritou o jovem palhaço ajudando sua esposa a se levantar. — Você pode me ferir o quanto quiser, mas não encoste em um fio de cabelo da minha mulher, está ouvindo? Agora você vai pagar! — disse disparando uma vez contra Chung-hee que colocou a mão sobre o ombro atingido.
— Ah, seu miserável — irritado com o ferimento, fez um disparo e Min-ji gritou fazendo com que seu marido se abaixasse ao seu lado para lhe ajudar.
— Meu Deus... Amor, você está bem? — falou desesperado e Min-ji apenas assentiu segurando sua barriga para tentar se levantar, mas uma coisa inesperada aconteceu, a bolsa havia acabado de estourar e o bebê estava prestes a nascer. — Amor, não se mexa! — gritou ao notar que a mulher havia sido ferida por um dos disparos.
— Querido, o nosso bebê... — com certa dificuldade, colocou mais uma vez as mãos sobre a barriga, ela gaguejou de dor ao começar a sentir as contrações. — Não deixe ele morrer. — suplicou baixo.
— Vocês irão ficar bem, amor, prometo. Você e o nosso filho irão ficar bem. — enquanto se levantava para atirar em seu inimigo, ele já havia ido embora.
Já havia feito tudo o que planejou, o tiro seria fatal, já que a mulher fraca iria logo dar a luz a um menino. A jovem iria morrer em breve e o extra era que Chung-hee havia chamado a polícia para que o velho fosse culpado pela morte de quem mais amava.
— Vai nascer! — Min-ji gritou e o jovem palhaço segurou suas mãos com força. — Amor, prometa que quando nosso filho nascer, você vai cuidar bem dele... — a fala saía falhada a cada contração e era de se perceber a dificuldade em sua voz. — Me perdoe amor, eu não vou suportar. — ela estalou um beijo na testa do marido que se comoveu a cada palavra.
— Min-ji, não se esforce tanto. — implorou com lágrimas nos olhos já sabendo o que iria acontecer com sua esposa. — Nós vamos cuidar muito bem dele amor, juntos. — respondeu, mas não foi respondido, só o que se escutava era o choro do menino que ecoou pelo local.
— Min-ji, o nosso filho, ele é lindo... — com lágrimas nos olhos, pegou o bebê que estava completamente sujo do sangue da mãe. — Amor, por favor, não me deixe sozinho, preciso de você, somos uma família... — clamou mais uma vez pelo nome de sua esposa sem obter resposta, foi quando a polícia chegou e tudo o que conseguia ouvir era o choro de seu filho e as sirenes das viaturas que ecoavam por todo local.
— Parado! — ordenou o policial apontando uma arma para o homem. — O senhor está preso!
— O senhor deve estar enganado, o meu filho acabou de nascer e a minha mulher está gravemente ferida, ajude a minha família! — gritou e o policial apenas observou a mulher caída ao seu lado. — Você precisa me ajudar, levem-os para um hospital, por favor, imploro por sua ajuda. — gritou de ódio, o homem com lágrimas nos olhos não costumava implorar nada a ninguém, mas aquilo era diferente. Era a sua mulher e o seu filho ali, ele faria qualquer coisa.
Para a surpresa do jovem palhaço, o policial se aproximou e pegou o bebê de seus braços ensanguentados que chorou ao sair do calor do pai, todavia, nem se preocupou com Min-ji caída no chão, o que fez com que o questionasse amargamente.
— E a minha mulher? Ajude-a por favor! — enraivecido com a incompetência do policial, segurou a mão da amada ainda em seu lado.
— Pare de se fingir de tonto, esse é mais um dos casos em que o marido finge não ter matado a sua esposa, suas vestes estão banhadas em sangue! — o policial cuspiu em sua cara fazendo o jovem palhaço fazer uma expressão confusa. — A sua mulher está morta e você está preso por assassinato. — deu o decreto de prisão, e foi quando o outro abriu a boca para protestar, mas foi interrompido por cinco policiais que se aproximaram para prendê-lo.
— Eu não matei a minha esposa, a amava e nunca faria isso, prometi a ela que cuidaria do nosso filho. Não abandone a minha mulher aqui, ela pode estar viva, dê uma chance a ela de poder viver! — em prantos, o homem tentava se soltar dos braços fortes dos policiais. — E meu filho, onde você vai levá-lo? — gritou mais alto, com a voz embargada pelo choro, a sua mulher havia acabado de falecer, seu filho não estava mais perto, se afastava nos braços do policial que o levou até a viatura.
— Eu vou te buscar, filho! — gritou pela última vez após não obter resposta do policial. — Eu prometo, em honra da nossa família. — chorou novamente, cada vez mais baixo, soluçava e clamava por justiça, e nada daquilo bastou, se sacudiu antes de ser colocado na viatura para ser de vez condenado.
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— O assassinato em frente a tenda naquela terça feira do mês provocou um enorme estrondo na vizinhança local, já que o ex casal era conhecido por todos. O picadeiro que antes era o mais conhecido da redondeza virou ponto de esquecimento e luto. Por aproximadamente um ano, os amantes dos espetáculos iam até a tenda todas as noites na hora marcada do show para distribuir flores na entrada do circo. O caso foi reportado anos depois, mas a tenda não estava mais lá, fazendo com que a morte fosse esquecida com o passar do tempo... — o ruivo terminou de ler o artigo quando foi interrompido pelo questionamento frequente do moreno que puxava os papéis das mãos dele.
— Mas e a criança, onde ela fica nesse artigo? — inclinou-se para frente à procura de respostas quando o garoto a seu lado se pronunciou.
— Aqui diz que a criança foi logo adotada por um casal alguns dias após ele ser levado para o orfanato da cidade... — ele ajeitou-se na cadeira chegando mais perto do moreno e colocando o jornal sobre a mesa para que todos ali pudessem examinar. — Aqui também afirma que a governanta do local declarou em público que o casal que adotou a criança pareciam ser parentes distantes ou próximos, pelo fato de saber do acontecido e ir tão rápido pedir especificamente aquele bebê. — inclinou-se apontando o dedo na fotografia da mulher. — Ela se aposentou alguns anos depois e hoje vive num asilo, depois da adoção da criança ninguém nunca mais ouviu falar do paradeiro deles. Sabe-se também que até o momento o bebê não tinha nome, isso faz com que tudo fique ainda mais estranho.
— Então o bebê dessa época, hoje já é um homem grande, talvez ele saiba muitas informações ou então nem sabe sua própria história. Isso é uma injustiça. — o ruivo cerrou seu olhar arregalado no moreno que se assustou de leve com seu olhar intimidador. — JungKook,você não enxerga isso? Se você conseguir encontrar essa criança, todas as perguntas poderão ser solucionadas.
— Ou então podem continuar sem respostas se o garoto não saber sobre o caso. — colocando suas mãos sobre a cabeça, Taehyung começou a ficar alterado, como já era de costume. — Tudo bem, então temos uma coisa a fazer no momento, encontrar esse menino e perguntar sobre absolutamente tudo que você tem dúvida. — encostou sua mão no ombro do garoto que o olhou surpreso pela mudança repentina de humor.
— Como por exemplo, por que o tirano mataria sua própria esposa, o motivo dele ter raiva de você ao ponto de ter te usado como escravo por tanto tempo, como se tornou tão rico e por qual motivo ele sempre estava fugindo de tantos crimes. — suspirou profundo após tantas informações pesadas sobre o passado do amigo, o ruivo levantou-se da mesa para observar se Yoongi já havia acordado para ajudá-los com aquele problema.
— O que me deixa mais inconformado é porque você nunca soube desse fato e como seu tio nunca tentou ao menos procurar pelo próprio filho. — disse incrédulo. — O jeito que te manipulou por tantos anos para você ser o herdeiro do circo e sem motivo nenhum, só porque você era o mais novo do lugar e também era mágico igual a ele... Estranho, não acha? — indagou pensativo ao que o outro ignorou. — JungKook?
— Tae, acho que precisamos ir no orfanato, não acha? Talvez tenham fichas de adoção daquela época. — cerrou o olhar no coringa que assentiu. — Ótimo, fico contente que concorde com isso, mas tenho receio de descobrir tudo. Aconteceu tão depressa e é algo que nunca imaginei que passaria...
— Esse é o momento que precisaremos da ajuda do Seok, ele tem suas manhas com isso já que ajuda o pistoleiro a vida inteira. Tenho certeza de que ele vai conseguir extrair alguma informação valiosa para nós, só espero que não seja nada tão cruel... — sorriu minimalista ao olhar o sorriso bobo do amado que se sentia seguro a cada palavra que o coringa citava. — Você sabe que estarei do seu lado para carregar essa dor, não se preocupe. — segurou na mão do moreno quando ouviu barulhos de passos do ruivo que retornava para a mesa.
— No que estão pensando? — Hoseok se sentou novamente.
— Precisamos ir até esse orfanato para descobrir mais sobre esse menino e pensei, por que não o Jin para ir atrás disso? — o coringa, já decidido de sua opinião, argumentou sua escolha para o amigo que apenas assentiu.
— É uma boa ideia, Jin é muito bom de papo e falo por experiência própria. — confirmando a teoria do companheiro de equipe, continuou sorrindo como se estivesse se lembrando de algo. — Uma vez ele me convenceu a apostar meu próprio carro em um jogo de cartas. — disse ainda rindo da cena, foi quando arregalou os olhos.
— Meu Deus, mas como ele faz isso? — impressionado com aquela barbaridade, o moreno ainda se sentia impressionado com tudo aquilo.
— Conversando. Por isso digo que Jin é muito bom de papo. — repetiu. — Vou lá dentro ver se acordo ele, temos que resolver isso logo. — levantou-se indo em direção aos fundos.
— E é por isso que ele é a pessoa certa. — afirmou novamente Taehyung com um sorrisinho satisfeito no rosto. — Jin com certeza vai obter muitas informações úteis, não se preocupe Jeon. — encostou sua mão nas costas do outro, o acariciando após perceber a expressão triste e desanimada do menino.
— Mas e se eu... descobrir algo ruim? Tipo algo que eu não queria saber? — perguntou receoso, quando de repente sentiu seu corpo ser aquecido com o abraço caloroso e reconfortante do amado.
— Vai ficar tudo bem, nunca prometo nada que não posso cumprir. — sussurrou. — Não tenha medo de descobrir algo ruim a respeito de seu tio, você não está sozinho, nunca vai estar se depender de mim. — sorriu aberto para expressar toda a sua confiança sabendo que aquela confusão incomodava o jovem mágico.
— Obrigado, amor. — sussurrou baixinho e Taehyung logo sorriu, ainda mais intenso que antes. — Tae, como você sempre sabe o que estou sentindo? — tímido, o garoto esperou ansioso pela resposta.
— Eu também não sei, acho que... estamos conectados. — deixou seus dentes brancos aparentes e continuou a recepcionar seu hóspede favorito em seus braços. — Eu te amo JungKook, vou sempre estar contigo. — declarou o jovem coringa feliz da vida, a presença do mágico o deixava assim, contente e cheio de esperança.
— Eu também te amo Tae, mais do que imaginava que chegaria a amar alguém.
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Hoseok de supetão se direcionou até o corpo adormecido do mais velho do bando, abaixou-se para sacudi-lo que dormia tranquilamente naquele chão duro e nada confortável, estava ao lado do pistoleiro, eram inseparáveis como todos podiam perceber. Seokjin acabou se assustando, já que o amigo não era de fazer aquilo.
— Precisamos de você, meu caro charlatão. — sorriu tímido estendendo a mão para o amigo que ainda coçava seus olhos, sentou-se ao lado dele e começou a explicar sobre o plano. — Descobrimos coisas novas naqueles papéis antigos e achamos que todas as respostas estão em um orfanato por causa de um menino em questão.
— Um menino, calma Hoseok. O que você está falando? — ergueu seu corpo, o moreno mais alto do grupo sentou ao lado do colega ainda tentando entender sobre do que se tratava tudo aquilo, seus olhos estavam pesando de sono e sua mente não conseguia absorver nenhuma informação, já que ainda estava em estado de inconsciência. — Certo, já entendi onde vocês querem chegar com isso tudo, pretendem que minha pessoa vá até o orfanato e puxe a ficha inteira desse menino para que vocês me deixem descansar em paz? — indagou duvidoso sobre as ações repentinas do ruivo.
— Que bom que sua inteligência é admirável, então já sabe o que fazer. — estalou um beijo rápido na testa do garoto e tentou sair antes que Seok negasse o pedido. — Depois iremos te contar tudo, hoje o seu dia será emocionante, meu caro amigo.
— Jung Hoseok, e o que vocês pensam que vão fazer enquanto estarei naquele lugar seduzindo a recepcionista até ela me entregar toda a papelada? — puxou a manga da blusa do garoto que caiu novamente na posição inicial. — Vocês sabem que alguém precisa ir comigo, se eu não conseguir ter os documentos em mãos, terei tempo de distrair a moça enquanto alguém tenta roubar os papéis.
— É uma ótima observação, Namjoon irá com você, está decidido. — sorriu ao ver a expressão debochada do amigo. — Ele está dormindo, mas você consegue repassar todas as informações, tem potencial para isso e por essa razão trabalha com um dos maiores pistoleiros da Coreia, vocês são carne e unha mesmo. — se levantou limpando sua calça, mas foi interrompido mais uma vez pelo amigo que continuou a questionar a situação que estava se metendo de forma imparcial.
— Acho mais eficiente você ir comigo, se existir um sistema para burlar é o melhor em tecnologia de todos nós aqui, você sabe como mexer nesses equipamentos já que é especialista e trabalha com isso. Até mesmo as câmeras de seguranças, alguém precisa dar de hacker na segurança daquele lugar. — estalou os dedos já confiante na resposta do garoto que não poderia negar sua especialidade.
— É por isso que você é o melhor para ir naquele lugar, conseguiu me convencer e tenho certeza de que não irá precisar da minha ajuda a não ser com as câmeras caso precise conversar em segredo com a pessoa que trabalha lá. Outra informação que extrai e quase ia esquecendo esse detalhe, a antiga governanta saiu após a adoção, então acho que isso poderá facilitar tudo. — sorriu e logo saiu em direção aos meninos que estavam na mesa.
— Meus caros, depois de uma longa conversa e até mesmo uma ameaça não muito explícita e coesa, iremos ao orfanato e traremos a ficha que tanto querem. Mas tenho uma condição para isso tudo. — apoiou-se na mesa se erguendo para frente até alcançar o jornal. — Iremos atrás do histórico dessa criança que é filho dessa jovem, certo? — o ruivo retirou do bolso frontal da camisa social uma caneta e apontou para a mulher da foto, logo continuou a observar ambos a sua frente consentirem. — Então caso não tenha nenhuma informação válida sobre isso, é quase um adeus a toda essa curiosidade a não ser que temos mais uma alternativa que seria ir no asilo onde está a mulher que fez a adoção da criança, todavia, acho que não será muito válido já que se trata de uma idosa.
— Se não der certo isso, podemos enviar o pistoleiro e o senhor Min até lá, será nossa última escolha. — o moreno levantou espreguiçando seu corpo que estava cansado do recente acontecido.
— Por mim está tudo bem e acho que para o Jungkook também. — se levantou ainda dolorido do dia anterior, estava cansado e seu traseiro travado, o coringa se espreguiçou, ao longe observou o restante dos membros se levantarem e aos poucos se juntarem na pequena mesa de debate.
— Amor, enquanto isso podemos tratar dos nossos assuntos pendentes, não acha? — abaixando a visão até se fixar no corpo do companheiro, o moreno hasteou a sobrancelha enquanto o garoto retribuiu com um sorriso malicioso e provocante.
— Eu acho tão único quando você me chama de amor. — ogaroto sorriu bobo ao perceber as expressões envergonhadas do amado, deu uma leve piscada com o olho esquerdo disfarçando para os demais presentes.
— Não me digam que planejam transar na mata. Esse casal é um tanto quanto exótico demais para eu suportar. — ainda espreguiçando seu corpo que estava desgastado da corrida que tivera a pouco, o senhor Min riu ao observar todos o olharem com expressões nada convenientes, principalmente vindas do caçula que não escondia sua face começando a corar.
— Yoongi! — todos começaram a gritar em uníssono como já era de costume ao ouvir aqueles trocadilhos baixos vindos do mafioso.
— Vocês realmente precisam de um senso de humor mais adequado. Vamos Jeon, comece a falar sobre o roubo, o que planejaram e coisas desse tipo, não temos muito tempo, estou aqui para pôr esse roubo em prática assim como todos os outros que estão aqui, por esse motivo unicamente.
— Acho melhor fazermos uma coisa de cada vez e não atropelarmos tudo, precisamos fazer tudo direito e sei que todos estão exaustos ainda, principalmente você Yoongi, que veio dirigindo euforicamente, sua adrenalina ainda deve estar alta então não podemos arriscar fazer algo nesse momento. — o ruivo explicou enquanto os demais consentiram.
— O assunto que iria tratar com o Tae era sobre isso, mas você tem razão, precisamos nos concentrar unicamente em uma coisa de cada vez, se não tudo irá virar uma bagunça ainda maior. — sentindo a mão do garoto ao seu lado tocar a sua, ambos entrelaçaram os dedos enquanto esperavam todos se disporem na pequena mesa.
— E o que seria não atropelar os demais assuntos? Vocês por acaso tem alguma coisa pendente antes do roubo? — o pálido indagou confuso com toda aquela situação.
— Na verdade sim, estamos à procura de um recém nascido que foi adotado por um casal poucos dias após a prisão do pai por ser acusado de assassinato. O garoto era filho do velho, então seu parentesco seria ser o primo de JungKook... Bom, pelo tempo que trabalhei no circo como palhaço, nós nunca chegamos a ouvir sobre esse menino e nem ao menos o porquê do pai biológico nunca ter procurado por ele, achamos que ele possa saber de algo que ainda não sabemos. — terminando de fazer os gestos enquanto falava, o garoto continuou a argumentar a importância que tudo aquilo teria. — Tem várias coisas esquisitas nessa história e acho que o JungKook precisa de respostas depois de todos esses anos. — sorriu compreensivo.
— Consegui entender tudo, então é o melhor a se fazer. — completando o sorriso do seu amigo de roubos, o pálido sorriu, foi quando sentiu as mãos grossas de Seok tocarem seu ombro. — Que susto, como consegue ser tão frio assim?
— Acho que aprendi com você, mestre. — riu enquanto se acomodava perto dos garotos após dar leves tapas nas costas do outro. — Hoseok já me convenceu de tudo, iremos assim que possível ao orfanato e espero conseguirmos algo ali. Mas caso nada disso dê certo já adianto o meu... sinto muito.
— Palmas para o drama do ano. — levantando as mãos sobre a mesa, Yoongi bateu palmas para o hyung do grupo. — A sua comoção foi fantástica e sua positividade também.
— Menos branquelo, precisamos ser sérios agora, mesmo que para você seja difícil. — o pistoleiro surgiu atrás do corpo de Seok logo após a fala do homem elegante de terno preto, ergueu a manga da camisa social mostrando seu punho para ele que fazia expressões debochando de si.
— Vamos voltar a cidade. — o loiro surgiu logo em seguida para completarem todos os sete naquele local, colocou as mãos sobre os ombros do ruivo, foi quando se distraiu de relance, cerrou seu olhar calibre nas mãos do mais velho que retirou do bolso a chave do automóvel de Namjoon.
— Enquanto vocês vão para a missão, iremos o restante para o meu prédio, que tal? — indagou novamente o senhor Min.
— Vou com os meninos, talvez precisem de minha ajuda. — afirmou o pistoleiro.
— Será de grande ajuda Namjoon, podemos ir então. — completou Hoseok para que logo os três se levantassem e se dirigissem até o carro estacionado nas proximidades da região em que estavam.
O resto da gangue se juntou e seguiram juntos até o carro de Yoongi que estava estacionado, ambos os automóveis seguiram o trajeto em alta velocidade se separando a poucos quilômetros dali. Cada um tomou um rumo diferente, mas em poucas horas iriam novamente se reunir para finalmente tramarem o maior roubo da história da Coreia, era o que eles realmente pensavam.
A coincidência nada mais é que uma falha no tempo, um buraco no destino que todos teriam que lidar dali em diante, um erro foi cometido e uma pessoa inocente teve a vida retirada de si pagando o preço com tudo de mais valioso que poderia ter. Um equívoco foi cometido e por todos esses anos a história acabou se distorcendo com o decorrer do tempo, a culpa de ser um infeliz percorria pelas veias do moreno que carregava a culpa de tantas mortes em uma vida tão curta.
Ser julgado todos esses anos pela sua própria mente o tornava prisioneiro daquele pesadelo que parecia nunca chegar ao fim, por mais que lutasse pelo seu próprio bem estar, aquelas cenas horríveis se repetiam todas as noites como um vislumbre, todos os gritos de pessoas inocentes morrendo ao seu redor e você se culpar, as marcas de sangue que um dia mancharam suas vestes limpas o faziam perceber que a vida era um sopro, cada lágrima escorrida por esses anos trouxeram forças ao menino que sequer sabia a dor que era se julgar constantemente por uma culpa que jamais foi sua.
Décadas atrás
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— Veja os olhos dele, como são lindos. — a moça tocava as mãos do bebê com o seu dedo indicador, o garoto sorria a cada toque recebido.
— Ele é um garoto forte desde que nasceu, suponho que fizeram uma boa escolha. — sorrindo ao entregar a papelada de adoção, a empregada entregou o tinteiro para o homem a sua frente. — Já tem ideias para o nome do menino? — questionou ao ouvir o soluçar da criança.
— Pensamos em um nome especial para ele, algo que tivesse um significado importante. — terminando de assinar os papéis, o homem prosseguiu com a conversa. — Pensamos em vários nomes, mas nos apaixonamos por um, queremos que nosso filho seja apaixonado pela nova vida e que se acostume fácil conosco. — ele entregou a ficha assinada do começo ao fim.
— Percebemos o afeto do menino com a nova mãe, isso é um passo e tanto. — sorrindo, a moça revisou todas as assinaturas em mãos percebendo que tudo estava perfeitamente preenchido.
— Isso é a realização de um sonho para mim, ser mãe é uma dádiva que não pude conceber. — balançando de leve a criança, a mulher sorriu para o bebê em seu colo que dava leves resmungos.
— Minha mulher é estéril, sofreu uma doença muito complicada no útero ainda jovem, com o passar dos anos descobrimos que a sua fertilidade era quase nula, a deficiência nos gametas acabou provocando a funcionalidade deles. — passando a mão pela cabeça do menino, o homem levantou a bolsa do chão contendo todo o enxoval do bebê.
— Nós do orfanato agradecemos a adoção e esperamos que consigam dar um lar para ele. — caminhou até a porta que dava passagem para a saída da sala e logo se dispôs a abri-la. — Aliás, ótima escolha para o nome, espero que sejam felizes. — disse observando a ficha em mãos.
— Nós que agradecemos por nos dar a chance de sermos pais de primeira viagem, espero que ele ame o mundo Viajamos bastante pois nosso trabalho depende disso, somos nômades, mas tenho certeza que a criança irá se adaptar a isso. — erguendo a pequena e simplória bolsa, acenou para a moça que logo retribuiu o sinal, ambos saíram daquele lugar contentes por terem finalmente um família.
🎪 Participação especial; Senhorita_Yoon
🎪 Beta; RM_Oliveira
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