03 | O ar da liberdade
Naquela mesma noite, o nevoeiro estava forte na região, Taehyung ajeitava as coisas para dormir quando deu por falta de JungKook, o moreno já havia ido para o banho há um bom tempo e nem sinal de sua volta, achou esquisito, pois o garoto não era daquilo.
É quando escuta um barulho de bala e um grito desesperador vindo do andar de baixo, sem pensar nos riscos, ele correu em direção à porta do quarto dando visão da escada no fim do corredor. Com medo do que poderia ver, Taehyung desceu as escadas devagar ao que se deparou com a moça da recepção já morta no chão.
ㅡ Seu desgraçado! — gritou Taehyung ao ver o tio de JungKook acenando de forma assustadora para ele.
ㅡ Boa sorte! — responde alto, se referindo ao fogo que começava a se espalhar cada vez mais rápido pela pousada.
Alguns dos capangas se encarregaram do incêndio enquanto outros dois ficaram cuidando do moreno. Algemaram as mãos do menino e o colocaram sentado perto de um carroça, para que quando acordasse do golpe pudesse ver o palhaço ser queimado vivo. Aquela cena seria perturbadora demais para seu coração tão frágil suportar, somente assim Jeon nunca mais desobedecia as ordens do velho tirado.
O tio, por sua vez, cuspiu na porta do lugar e se dirigiu a um carro para observar a cena de perto, entediado com a demora daquela queima, e sem haver nenhum movimento brusco, concluiu precipitadamente que Taehyung já estava morto. Deu sinal ao seu criado para que levasse o moreno no local indicado por ele, tirou sua cartola da cabeça enquanto o motorista olhava pelo retrovisor. O homem começou a dirigir, indo embora da cena que era palco de mais um dos seus crimes bárbaros.
ㅡ Isso não vai ficar assim! — esbravejou. ㅡ Eu vou te buscar, JungKook! Eu prometo... — disse baixinho enquanto colocava seu antebraço tapando a respiração.
O fogo estava cada vez mais forte e não tinha saídas para Taehyung sumir dali, aos poucos, já inalava a fumaça que se espalhava ligeiramente. Subiu as escadas, vendo as chamas se alastrarem, nos corredores tinham várias pessoas aterrorizadas sem saber como reagir. Alguns dos hóspedes começaram a desmaiar por conta da fumaça, e foi quando Taehyung correu até uma janela enorme que existia no fim daquele imenso corredor. Quebrou-a usando um vaso, mas não tinha nada para amenizar a queda. JungKook acordou, com sua visão ainda turva, tentou mover as mãos que estavam presas, começou a se desesperar, pois o local já estava quase acabado em chamas.
ㅡ Vamos, JungKook — aproximou-se dele um dos comparsas do tio, grosseiramente puxou-o pelos cabelos o levantando brutalmente, foi quando o garoto apoiou seus joelhos no chão e abaixou a cabeça rindo, assim como Taehyung fazia. ㅡ Do que está rindo, seu imbecil!? — deu um tapa na cabeça do garoto que continuava a gargalhar.
ㅡ Você acha mesmo que depois de tantos anos sendo tratado como um capacho, eu não aprendi o truque mais simples que existe? — ria incansavelmente, observando o homem já irritado e confuso.
ㅡ Do que você está falando? — puxou o garoto pela gola da blusa.
ㅡ Estou falando de... — levantou as mãos. ㅡ Escapar das algemas — empurrou o homem no chão enquanto começou a dar vários socos nele. Já desacordado, Jeon viu o restante da gangue correr atrás dele.
JungKook correu em torno do lugar em chamas, foi quando ouviu um assobio, olhou para cima e viu que Taehyung estava pendurado na janela do andar mais baixo do prédio, pronto para saltar.
ㅡ Jeon... já me decidi, eu vou pular, não é tão alto assim. — Taehyung movimentou seu corpo para frente deixando seu peso quase o fazer cair.
JungKook olhou para o lado esquerdo vendo os capangas se aproximarem, cerrou os olhos em Taehyung, logo erguendo seus braços.
ㅡ Confie em mim, Taehyung — gritou, ao ver o garoto soltar suas mãos caindo da pousada em chamas, indo na sua direção.
JungKook, com dificuldades, conseguiu segurar o garoto nos braços. Por uma questão de segundos.
ㅡ Como você é pesado, Taehyung — o moreno colocou o palhaço no chão, sentindo dor.
ㅡ Isso é uma coisa muito boa de se ouvir quando estamos quase sendo mortos, Jungkook! — puxou o menino enquanto começaram a correr.
Desviando das latas de lixo e jogando de lado algumas caixas velhas, os garotos correram até o fim da rua onde existia um enorme muro. Taehyung cruzou os dedos enquanto JungKook colocou seu pé por cima das mãos do garoto, segurou em seu ombro para possuir apoio e subiu no muro, logo após, estendeu a mão para puxar o menino que estava na parte de baixo, e antes de fazer o mesmo, olhou para trás vendo algumas pessoas correrem atrás dos capangas. Eram fugitivos do circo, ex conhecidos. Sorriram os dois quando viram os tiranos levarem uma surra.
ㅡ Boa sorte, JungKook — o trapezista, estalando seus dedos, retomou o fôlego, ainda cansado da corrida.
ㅡ Muito obrigado pela ajuda — sorriu Jeon, em cima do muro, acenando para todos que estavam ali.
Trapezistas, dançarinos e domadores, todos ajudaram o ex colega de trabalho a fugir.
ㅡ Agora somos livres JungKook, seja também — o domador deu de ombros junto com os demais artistas.
Pularam de cima do muro e seguiram sem rumo algum, não tinham dinheiro e nem roupas para vestir. Teriam que recomeçar uma nova vida, já que o circo não era mais um problema para eles.
O tirano, já no local, esperou por horas os capangas chegarem com o sobrinho.
ㅡ Onde estão esses imprestáveis? — batia o cajado no chão, enfurecido com a demora.
ㅡ Eles f-fugiram, meu senhor — gaguejou um dos capangas, com medo da reação do velho tirano.
ㅡ Vocês são uns inúteis mesmo! — bufa, retirando seu chicote e acertando o capanga com certa brutalidade.
ㅡ Mas senhor... eles tiveram a ajuda dos funcionários do circo, alguns conseguiram escapar da polícia! — ele passa as mãos no local atingido.
ㅡ Isso não impor — calou-se. — O que você disse? — gritou, ainda mais furioso.
ㅡ Sim senhor... Ele e o Taehyung conseguiram fugir — com um tom de voz baixo e com medo do que poderia acontecer, o capanga deu pequenos passos para trás.
ㅡ Você é um inútil mesmo, são só garotos, que inferno! — bate o pé com força no chão, tremendo de raiva e rápido pegando a sua arma e apontando para o outro.
ㅡ Senhor, por favor, não me mate! — implorou o capanga ao velho.
ㅡ Tarde demais. — disse ríspido. — Você tem sido o mais inútil dos meus capangas, meu jovem, e ainda deixa JungKook escapar — falou com falso lamento. — Hum...acho que devo te matar sim, você não me dá opções — sorriu sarcástico.
ㅡ Não senhor, por favor, não faça isso... Eu prometo ir atrás deles, dou um jeito — falou desesperado. — Mas te prometo que trago o garoto vivo — disse, recebendo apenas um olhar tedioso.
ㅡ Até que é uma boa ideia... Você ainda pode ser muito útil. — sorri malicioso. ㅡ Mas fique sabendo, você está pondo em jogo a sua própria vida. Eu quero o garoto sem um único arranhão no corpo. — apontou a arma na garganta do rapaz. ㅡ O menino em troca da sua liberdade, e o outro em troca da sua vida. — empurrou-o no chão.
ㅡ Não vou decepcioná-lo, senhor. — disse, logo se levantando e sentindo as suas pernas bambearem.
ㅡ E o que está esperando? Não olhe para mim com essa sua cara feia, vá atrás deles! — ordenou, impaciente.
ㅡ Sim, senhor! — o capanga saiu correndo antes que levasse um tiro.
🎪
ㅡ O que vamos fazer, Taehyung? — desesperado, começa a perturbar o amigo mais uma vez. ㅡ Quero dizer... a gente não tem nada, nem roupas e muito menos dinheiro. Perdemos tudo o que tínhamos no incêndio... Taehyung! — gritou, em seguida se calou ao sentir o toque leve das mãos do outro sobre seu corpo.
ㅡ Jeon, não preocupe. Conseguiremos. — sorri doce. ㅡ Vamos dar um jeito, pequeno — seus olhos pararam na direção de um mercado.
ㅡ Você não está... — arriscou. — Taehyung, pensando em roubar, não é? — JungKook ficou amedrontado ao observar a expressão do mais novo, que sorriu abertamente pondo sua língua para fora.
ㅡ Siga-me — andou tranquilamente em direção ao mercado. ㅡ É roubar para viver Jungkook, não temos outra escolha. — empurrou o moreno contra a parede o deixando sem saída.
O moreno, prensado pelo corpo quente do garoto, concordou com tudo que Taehyung dizia. Após repassarem o plano, adentraram no mercado apenas com a intenção de roubar algo para jantar.
ㅡ Qual é a graça? — perguntou Taehyung a duas empregadas que estavam rindo no caixa.
ㅡ Taehyung — o outro envergonhado puxou o garoto pela blusa.
Ambos então foram atrás de algo para comer, mas o pequeno palhaço observava Jeon tremer, e era o que o deixava confuso. O mágico roubou a vida inteira, porém, por que justo naquele momento ele não queria fazer o furto?
ㅡ JungKook, o que tá acontecendo? — Taehyung chegou perto do seu ouvido e começou a cochichar.
ㅡ Antes eu roubava por pressão, mas agora eu não quero mais viver essa vida Tae, após muitas noites em claro, finalmente tomei essa decisão! — JungKook, segurando algo nas mãos, escondeu rapidamente o alimento assim como o palhaço a seu lado.
Taehyung puxou-o pelo braço o levando para fora do mercado, andaram pelas ruas calmas e escuras comendo o que tinham conseguido furtar.
ㅡ Você me ensinou a arte do circo, agora eu vou te ensinar o verdadeiro motivo para viver — gargalhou, para o espanto do moreno.
ㅡ Taehyung, por favor, você me deixa arrepiado fazendo isso. — confessou, novamente com medo da risada repentina do palhaço.
Ambos pararam em um beco escuro para descansar, sentaram em algumas caixas e contaram sobre seus passados sombrios. Uma forma de se conhecerem mais e também, para passarem o tempo e poderem dormir.
Taehyung sofria de problemas psicológicos depois de tantos traumas que viveu durante a infância, seu coração continuava sendo o de uma pessoa pura, mas seus pensamentos eram malignos. Taehyung adorava deixar Jeon assustado, aquilo lhe trazia boas sensações, e foi quando o palhaço, segurando firme em seu queixo, propôs um novo acordo.
Somente queria ser protegido por ele se o outro o prometesse que seguiria uma nova vida de roubos ao seu lado, seriam companheiros, e juntos, se tornariam os assaltantes mais procurados da história.
E foi naquela mesma madrugada que tiveram uma ideia, talvez a mais ousada que poderiam ter: roubar o banco mais famoso do país.
ㅡ JungKook, eu quero roubar algo que ninguém nunca ousaria roubar, que consiga fazer meu sangue ferver em minhas veias de tanta adrenalina. — aproximou-se do moreno. ㅡ Eu quero roubar alguma coisa que tenha um grande valor para mim. — sentou ao lado do menino que estava pensativo.
JungKook não se acostumava com aquela ideia. Por que roubariam para serem felizes? Mas Taehyung queria roubar, não podia parar de fazer algo que estava o fazendo bem, se tornariam ricos e de bônus, famosos pelo mundo inteiro. Todavia, por que não furtar algo mais simples? Pensava inquieto. Não concordava com aquela ideia, entretanto, o que poderia fazer se já estava entregue nas mãos daquele palhaço?
Jeon só não imaginava que Taehyung roubaria algo que ele menos esperava: o seu coração.
Naquela mesma noite, Taehyung e JungKook encontraram um lugar para se abrigar. Não era um local muito bonito e muito menos confortável, mas com certeza daria para se esconderem ali por um tempo.
— Tem certeza que podemos ficar aqui, Taehyung? — JungKook, nervoso, indagou sobre. ㅡ Se os donos não gostarem da nossa presença? — se aproximou do coringa que lhe olhou risonho.
— Relaxa, JungKook. Ninguém vem aqui há tempos. — disse se referindo a velha fábrica na qual estavam se hospedando. — Eu ficava aqui desde que saí do abrigo e posso lhe garantir que nada me aconteceu. — apontou para si mesmo. ㅡ Ainda estou vivo e bem. — sorri divertido.
— Mas mesmo assim, eu... acho que estou com medo — confessou. — Nunca saí do circo antes. — disse, olhando para baixo.
– Hey, Jeon — levanta o rosto do amigo com delicadeza. — Não precisa ter medo. — acariciou sua bochecha com o polegar. — Eu estou aqui com você, e se quiser, posso esperar você dormir hoje. — sorriu gentil.
— Obrigado, Tae. — segurou a mão do amigo para que não a tirasse de sua face.
🎪
Ainda era cedo quando Taehyung se levantou para procurar algo para comer, queria fazer um ótimo café da manhã para JungKook, que ainda dormia feito anjo em seu colchonete. Havia prometido que não iria deixá-lo sozinho, mas só foram alguns minutos fora. No fim, tudo havia compensado, poucos minutos nas ruas e Taehyung já havia conseguido um café da manhã farto. Logo começou a preparar a comida com as coisas que conseguiu, queria que JungKook acordasse com o cheiro bom da merenda.
— Taehyung? O que está fazendo? — perguntou JungKook, sonolento, encarando o rapaz que levantava a manga de sua blusa.
– Ah, você acordou. — disse Taehyung, se aproximando do amigo. — Estou fazendo nosso café. — colocou uma cesta de pães em cima da pequena mesa que ali havia. ㅡ Sente-se. — ordenou a JungKook.
— Onde você conseguiu essas coisas? — perguntou, se referindo a toda aquela comida.
— Bom, eu...consegui em um mercadinho aqui perto. — disse, com medo da reação do moreno que provavelmente não seria boa.
JungKook, apesar de querer brigar com o garoto por ter roubado, não questionou o fato, Taehyung queria o ajudar e não seria correto ele reclamar, já se sentia muito grato por tudo que o coringa estava fazendo.
— Ah,Tae, eu... adorei. — sorriu para o garoto que ficou surpreso com sua reação.
Taehyung logo colocou as coisas em cima da mesinha, e rapidamente começaram a degustar tudo. Conversaram por longas horas para decidir o que fariam a partir dali, não conseguiriam ir muito longe, pois não tinham dinheiro para isso. Aquele galpão abandonado seria seu novo lar, apesar de ser peculiar. JungKook suspirava de alívio por não estar sofrendo nas mãos do tirano que o maltratou por longos anos, sentia medo do que poderia acontecer com eles caso fossem descobertos. Depois de perder tudo que era mais importante para si, a única coisa que lhe restava era o garoto que achou nas ruas da cidade.
— Taehyung, eu tenho medo. — seu olhar seguia o menino que andava de um lado para outro. Jeon decidiu se abrir, não era esse seu jeito de ser, mas se sentia seguro ao lado dele.
— Do que você tem medo pequeno? — Taehyung, com seu tom de voz grosso, se aproximou do moreno que estava encolhido e chorando.
— Eu tenho medo de que ele machuque você assim como fez com os meus pais... — confessou. — Ah, Taehyung, eu não suporto mais viver assim. Todos se machucaram por minha causa, você sabe o quanto é difícil carregar essa culpa dentro de mim? — soluçou, o que fazia o coração do amigo doer. — Eu me sinto destruído, carrego marcas de feridas no corpo, mas nada se compara as que carrego dentro de mim. Isso é um peso que eu não sei quanto tempo mais irei suportar carregar.
JungKook não cessou o choro, olhava para Taehyung que estava paralisado depois de ouvir aquele desabafo, enquanto lágrimas caiam por seus olhos, o outro beijou sua testa. Esquentou seu corpo com o calor do seu e ambos permaneceram ali por longos minutos, juntos.
JungKook colocou sua cabeça no ombro de Taehyung, gaguejava e soluçava de tanto chorar, estava colocando todo aquele sofrimento para fora de si, e o palhaço por sua vez, não havia argumentos para aquilo. Não queria correr o risco de o deixar mais magoado, entrelaçou seus dedos nos cabelos longos e morenos do menor, segurando sua cabeça em seu aconchego. Com ele em seu colo, sentiu pela primeira vez o que era amar depois de longos anos solitário nas ruas escuras e vazias.
— Não importa aonde você vá, eu irei com você. — JungKook abraçou o amigo, e seu choro que parecia infinito, logo cessou.
Adormeceu no colo do menino que continuava a acariciar seus cabelos, Taehyung não suportava o ver chorar, aquilo tudo apertava o seu peito. Quem imaginava que o homem sedutor daquela noite era o mesmo que agora dormia tranquilamente em seus braços para não chorar mais? Ele era sensível.
Passando a ponta do dedo indicador no rosto do menino, limpou o rastro de suas lágrimas que ainda ficaram na face corada do menino. Não querendo o acordar, Taehyung não se levantou e nem fez movimentos bruscos, apenas ficou sentado, pensando milhões de coisas. O que iriam fazer se alguém os achasse? Como faria para proteger o menino? Quanto tempo conseguiriam se esconder do mundo? Existiam diversas interrogações na mente insana do palhaço, que por um instante, pensou em nunca mais fazer o mal. Era de sua natureza ser daquele jeito, nunca pensou que um simples alguém conseguiria mudar sua vida de uma forma tão repentina.
🎪
ㅡ Poderia me informar se viu esse jovem andar pelas ruas da cidade? — erguendo um cartaz de busca com a foto do procurado, o capanga se encarregou de perguntar em todos os estabelecimentos se havia pistas do paradeiro do mágico.
ㅡ Não, senhor — a frase foi repetida diversas vezes naquele dia.
Bufava de raiva a cada negação que recebia, suas veias saltavam de tanta agonia que sentia. Era impossível alguém ter ido tão longe em tão pouco tempo, se voltasse sem respostas do paradeiro do menino, estaria morto dentro de alguns instantes.
E em sua última visita, adentrou o mercado, e talvez, para a sua sua sorte, teria uma pista.
ㅡ Vocês viram esse moleque andando por essa região? — ergueu o cartaz que era analisado pelas empregadas.
ㅡ Sim senhor, esse jovem veio aqui ontem acompanhado de um outro menino. — respondeu uma das moças.
ㅡ Por acaso sabem em que direção eles foram? — com sangue nos olhos e fervor, conseguiu extrair todas as informações possíveis da mente da moça.
Saiu do estabelecimento indo na direção falada, avistou ao longe uma fábrica abandonada que existia há séculos na cidade. Era totalmente desabitada e seria o esconderijo ideal para quem planejava escapar do perigo. Adentrou o local e em poucas observadas, encontrou os meninos sentados no chão, Taehyung escutando os passos firmes de alguém, acordou o menino que estava em seu colo.
ㅡ Taehyung, como é bom ver você. — com sua voz falhada, o homem se dirigiu para cima do palhaço.
ㅡ Você não quer a mim, você quer o JungKook e eu não vou deixar isso acontecer — arremessou para longe o corpo do velho que se levantou depressa, segurou nos pulsos de Taehyung e puxou com dificuldades uma pequena faca que estava escondida em seu bolso, feriu-o no braço e partiu em direção ao moreno.
JungKook, paralisado ao ver Taehyung sangrando no chão, sem ao menos pensar, socou a cara do velho. Agarrados no chão, JungKook conseguiu prender o corpo do capanga, o desarmou e o feriu no olho esquerdo com a faca. O homem, estendido no chão, cegou após o ato. Jeon rápido se levantou e tirou a blusa para estancar o sangue que escorria do braço do amigo.
ㅡ Vai doer um pouco, mas é para o seu bem. — olhou para trás, conferindo se o capanga ainda estava se contorcendo de dor, e voltou sua atenção a Taehyung, amarrando o pano no seu braço, ao que soltou alguns gemidos altos de dor.
ㅡ JungKook, não faça nada. — segurou o pulso do moreno, o impedindo de se levantar.
ㅡ Taehyung, me larga. — falou furioso. Estava fora de si por causa do que havia acontecido.
ㅡ JungKook, olha pra mim. — ergueu sua mão até o pescoço do menor, empurrou sua cabeça para perto de sua testa fazendo-o se acalmar.
Taehyung, com a ajuda de Jeon, se levantou e juntos retiraram o capanga para fora do local, que logo fugiu para encontrar o chefe. Os garotos saíram da fábrica sem deixar rastros, não podiam mais ficar naquele lugar ou seriam descobertos novamente.
O ferido foi de encontro ao tirano que riu de sua cara ao ver que estava cedo de um dos olhos.
ㅡ Você foi cego por um simples moleque de circo. — riu do homem que estancava seu sangue.
ㅡ Mestre, eles estão na fábrica abandonada. — disse, ao ver entrar na sala vários artistas de circo. ㅡ Quem são eles? — perturbado, achando que era chegada a hora de sua morte, espantou-se ao ver aquelas pessoas pararem ao lado da cadeira onde o tirano estava sentado.
ㅡ Esses são meus novos contratados. Vou os apresentar. — deu uma pausa. — A minha direita está o novo trapezista, o homem que conseguiu roubar diversos bancos sem ser pego nenhuma vez. Ao seu lado está a nova dançarina, mestre nos disfarces, fugiu da cadeia todas as vezes que foi detida. Atrás de mim está o palhaço, o atirador, esse homem não erra na hora do disparo. Ao meu lado esquerdo está o ilusionista, o homem assassino mais procurado atualmente. — falava orgulhoso. — E por fim, a nova domadora, consegue decifrar com facilidade inúmeros códigos para abrir qualquer cofre com dinheiro.
ㅡ O senhor vai... — espantado com o seu novo e renomado esquadrão, foi interrompido pelo velho tirano.
ㅡ O circo dos horrores vai reabrir novamente, e dessa vez, não iremos falhar com a missão — sorriu maligno ao observar o homem a sua frente tremer.
ㅡ Senhor, e os garotos? Como vamos capturar ? — indagou o capanga.
ㅡ Vai ser bem simples, estou motivado. — levantou-se da cadeira e em seguida segurou o pescoço do ajudante, o sufocando. ㅡ Eu quero ver a cabeça do Taehyung rolar sobre meu tapete, quero o ver manchado de sangue. Você me ouviu? — soltou o homem no chão, dando uma risada medonha. ㅡ Que comece o espetáculo. — riu maldoso.
O novo inferno havia começado.
🎪 Participação especial; Senhorita_Yoon
🎪 Beta; RM_Oliveira
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