O show do sétimo sentido>25

O pai de Renjun não conseguia entender o porque do garoto estar revirando a casa atrás de um jornal velho, e muito menos porque o Huang mais novo estava tremendo dos pés a cabeça quando voltara para casa.

A verdade é que o grito de felicidade que o garoto havia dado quando encontrou o tal jornal fez com que o pai se sentisse aliviado. Ao menos Renjun parecia animado depois de tantos meses passados com uma feição carrancuda.

Até mesmo os garotos se sentiram surpresos ao ver o chinês tão feliz. Niki, Jungwon e Jay desviaram os olhares das paredes da casa da árvore para analisarem a manchete em que o detetive havia saído, torcendo para que pudessem tirar dali alguma informação útil que os ajudassem a contata-lo.

- Aqui diz que ele era recém chegado na cidade... Como conseguiu tanta fama? - Jungwon questionou, encarando Renjun para que recebesse sua resposta.

- Ele era famoso em outras cidades. Resolveu muitos crimes que a polícia não conseguia em questão de dias... Dizem que ele tem uma espécie de sétimo sentido. - Renjun explicou empolgado, sem que tirasse os olhos do jornal.

- Não seria sexto? - Jungwon proferiu confuso, sem entender do que o garoto falava.

- Ele gosta de dizer sétimo. Aparentemente tem a ver com aquele boato do garoto que dizia ver coisas que ninguém mais via, segundo ele...eles tem o mesmo nome.

Jungwon continuava sem entender nada, mas preferiu ficar calado para não ser tachado como burro.

- Ele parece incrível, mas não parece ter deixado nenhum tipo de telefone... Como vamos encontra-lo? Esse escritório ainda está ativo? - Niki questionou após ter analisado a notícia por completo.

Renjun prontamente fez que não, talvez um pouco menos animado com aquele fato. Era óbvio que não chegariam em Doyoung com facilidade, e mesmo que chegassem, qual seria a probabilidade de que este os deixasse contribuir para o resgate de Sunghoon? O Huang realmente havia se precipitado.

- Não precisa tirar esse seu sorriso do rosto Injun, você fica bem melhor assim do que com aquela outra cara... É muito bom que tenhamos esse jornal e possamos ver que Sunghoon será resgatado por alguém capaz. - Niki deixou escapar, fazendo com que as bochechas do mais velho se avermelhassem. Ainda não era bom em receber elogios.

- Como assim, Niki ? Não acredito que logo você vai desistir assim tão rápido! - Jungwom se viu surpreso, caminhando em direção às paredes da casinha da árvore com a folha de jornal em mãos - Vocês estão cegos? Olhem pra isso! Eles são iguais!

Os garotos se viram extremamente surpresos quando Jungwon apontara para a foto de Simon. Kim Dongyoung e Kim Simon era a mesma pessoa?

- Isso não faz sentido algum... Aqui diz que quando o Circo do Simon estava na cidade o tal Doyoung estava em outra região... - Jay forçou os olhos para ler, extremamente confuso com a situação.

- Parece que o tal Simon tem dentes de ouro também... Dongyoung não. - observou Niki, também imerso à dúvida.

- Isso só pode significar uma coisa... - Renjun proferiu anestesiado - Ou Simon sabe muito bem como se disfarçar e assumir outras identidades...ou eles são irmãos...

- Gêmeos... - Niki proferiu alarmado, completado a frase do Huang. - Faz todo sentido... Faz todo sentido! Irmãos gêmeos...criaturas não humanas...como aquele garoto de chifres e o boneco estranho do ventriloquista.

Os outros garotos estavam surpresos com a reação do japonês que parecia ter chegado a algo que ninguém havia entendido.

- Taeil deixou escapar que Simon só tinha medo de uma pessoa... Ele disse "ele tem medo de alguém que é exatamente igual ele, porem mais poderoso"... Achava que era alguém ruim como Simon, mas acho que Taeil quis dizer que eles eram parecidos em aparência... Taeil nunca percebeu com quem estava lidando, ninguém nunca percebeu que esse homem já tinha um passado estranho.

Jungwon e Renjun se entreolharam ainda sem entender porque Niki estava empolgado com aquela informação.

- O show do sétimo sentido. - Jay proferiu. Havia entendido tudo.

- O que? - Jungwon não estava entendendo nada e sua expressão facial deixava isso muito mais do que claro. O que diabos era o show do sétimo sentido e o que isso tinha a ver com os dois supostos irmãos?

Renjun por outro lado estava chocado. Ele havia conectado as histórias certas? Doyoung então era "o tal garoto" de quem seu pai sempre falava? Doyoung havia deixado as coisas assim tão óbvias e mesmo assim este nunca havia notado?

- Vocês não se lembram? Não se lembram de um boato de que durante alguns dias uns cartazes malucos foram espalhados por várias cidades apresentando um show de ocultismo? E depois um circo que pegou fogo? Isso que Renjun disse...ele está praticamente nos dizendo de que ele é o garoto do boato! - proferiu Niki, alarmado com seu próprio pensamento.

- Não?! - Jungwon permanecia confuso. Era óbvio que não sabia de tal boato, nem ele e nem Taeyong tinham nascido quando o episódio havia ocorrido. Seus pais jamais os haviam contado sobre o acontecido.

- Meu pai sempre me disse coisas sobre isso...mas eu tinha certeza de que ele estava brincando... Doyoung invoca demônios. - Renjun proferiu com sinceridade, seu cérebro estava fritando.

- E Simon os aprisiona... - Jay completou.

XXX

Foi por questão de segundos. Doyoung estava a ponto de perde-los de vista novamente, mas finalmente, depois de tanto tempo de busca, o destino estava parecendo estar ao seu lado.

Sabia que em partes a loucura de seu irmão era sua culpa. Se nunca tivesse mexido com o que não devia, se nunca tivesse chamado por criaturas "perigosas", nada daquilo haveria de ter acontecido.

Era fato que já estava acostumado a ser ofuscado pela presença do irmão. Mesmo sendo gêmeos, Doyoung sempre fora considerado a ovelha negra da família por herdar características de seu avô paterno.

Assim como o homem, o garoto parecia enxergar coisas que não existiam, estando sempre convicto de que demônios estavam perambulando pelo circo da família. Além de esquisito Doyoung não lhes parecia tão talentoso quanto Simon, o qual sempre possuíra habilidades úteis para o circo da família.

Os pais dos garotos não sabiam ainda, mas as criaturas de que Doyoung falava estavam longe de ser imaginárias. Entretanto aquilo era um segredo, um segredo que Simon o obrigou a revelar, através de uma falsa confiança que havia passado ao mais novo.

Sempre fora o sonho do mais velho ser uma estrela, a riqueza e a fama enchiam os olhos de Simon e Doyoung era capaz de dar a ele tudo o que queria. Foi assim que saíram nas ruas ainda com a idade de 12 anos, Simon exibiria os "poderes" de Doyoung como sua primeira atração de circo. Mostraria a todos que seu irmãozinho era capaz não só de se comunicar com demônios, como também de invoca-los ao mundo humano.

Pela primeira vez, "a estranheza" de Doyoung fora enxergada de maneira positiva pelos pais. Tal como Simon, viam no garoto uma maneira de enriquecer. Cidades e mais cidades em breve ficariam repletas de boatos e cartazes a respeito do "show do sétimo sentido". Doyoung era sempre reconhecido por todos, e Simon passara a ser o gêmeo esquecido pela família.

A verdade é que Doyoung nunca chegara a se apresentar. Não é como se não quisesse, era jovem demais para perceber que aquilo poderia gerar consequências extremamente negativas, não se apresentara porque assim como imaginara, os demônios nem sempre eram dos mais amigáveis.

Doyoung era ingênuo o suficiente para se deixar levar pelo curioso Simon. E por mais que desejasse se precaver, acabara cedendo à lábia do outro garoto. Doyoung havia chamado pelo mal. E o mal havia trazido desgraça a sua família.

A ira de um demônio, o picadeiro em chamas, e a morte de diversas pessoas. Fora assim que o show de Doyoung acabara muito antes de começar, fora assim que ele havia descoberto o quão ruim seus poderes poderiam ser.

Simon havia se tornado um adulto ambicioso e inescrupuloso. Nada tiraria de sua cabeça de que a culpa daquilo tudo era de seu irmão e de suas criaturas idiotas, mesmo tendo sido ele a o pressionar.

Nada tiraria da sua cabeça o vermelho do sangue misturada ao fogaréu. Ele se vingaria, nem que tivesse de mover montanhas para tal.

Antes de formar um novo circo, Simon convocara Doyoung para trazer de volta as horripilante criaturas, com intuito de lucrar com aquilo que o feria. Mas obviamente o mais novo se recusou, lembrando das memórias mórbidas que seus poderes o haviam trazido.

E foi assim que o homem de cartola se revoltou. Preso a ideia frustrada de enriquecer, decidiu que criaria seus próprios monstros a partir do corpo de crianças inocentes e adultos com problemas de formação.

Mas Simon não estava satisfeito. Não pareciam se impressionar o suficiente com adornos e maquiagem, e nem todas as crianças resistiam a seus experimentos, fazendo com que ficasse praticamente impossível esconder tantos corpos. Simon sabia que precisava de monstros de verdade, não só para satisfazer seus anseios de vingança, como também para atingir a glória que nunca havia alcançado e limpar a bagunça que estava causando.

Simon precisava trazer de volta a ira do vermelho escarlate para encobrir o sangue que manchava seu palitó, antes que Doyoung o encontrasse e mais uma vez roubasse a cena.

XXX

Lucas já não sabia mais como acalmar Jungwoo. O garoto estava em prantos assim que havia o revelado a história de seus amigo.

O chinês colocava-se no lugar do mais velho e percebia o quão perturbador tudo aquilo se parecia. Durante todo aquele tempo, Jungwoo estava se apresentando com o corpo morto de seu amigo.

- Eu nunca tive consciência do que estava fazendo...porque eu não tinha memórias sobre o meu passado... Simon o torturou até que ele se tornasse um corpo vazio. A alma de Sisi deixou esse mundo...pois Simon o fez acreditar que ele havia me matado.

- Está tudo bem agora, não é sua culpa... M-mas porque ele faria isso? Você não disse que o show de vocês estava dando dinheiro pra ele? - Lucas afagava os cabelos loiros do garoto enquanto Jungwoo esfregava os olhos com a barra do casaco que usava.

- Ele disse que já havia se divertido e lucrado o suficiente com Sicheng... E que agora finalmente poderia torna-lo um verdadeiro monstro já que havia encontrado a pessoa que fazia os chifres dele ficarem rosa. Só que Sisi era diferente, Sisi preferiria partir a ter de viver a sua vida carregando a culpa de ter me matado... Sisi nunca se tornou o monstro que Simon queria mostrar ao mundo, e por isso ele fez com que eu pagasse...

Yukhei estava muito assustado com aquele assunto. Estava bastante complicado de entender tudo do que o Kim falava, mas dava para ver em sua face o quanto havia sofrido nas mãos de Simon.

- Simon tem procurado a pessoa de Sunoo a muito tempo... Ele chegou a perder interesse pois achou que ele poderia dar outros tipos de benefício para ele...já que estranhamente o Sunoo parece mais humano do que demônio. Mas quando ele me encontrou ele disse que Sunghoon parecia ser essa pessoa, Yukhei... E eu não acho que tenhamos muito tempo para impedir o pior.

XXX

Mesmo muito doente, a mãe de Heeseung não poderia acreditar no que o filho estava preste a fazer. Heeseung gastaria o salário que havia guardado durante meses, somado a empréstimos dados pelo melhor amigo, com o propósito de viajar em plena madrugada até a base militar em que o pai de Sunghoon estava trabalhando. Suas desculpas era de que sentia saudades.

- Já deixei tudo combinado com o Taeyong e o Jaehyun, eles irão visita-la todos os dias e vão ajuda-la a conferir seus remédios. - Heeseung murmurava enquanto fechava as pregas da enorme mala a sua frente. - Sentirei muita falta da senhora, mas prometo voltar em breve com uma surpresa espetacular...

A senhora sorriu fraco, ainda sem entender o que havia dado em seu filho. Heeseung nunca fora afeiçoado ao padrasto, porque haveria de querer o visitar justamente quando esta estava tão adoecida?

- Tem certeza do que está fazendo, querido? Você tem estado tão estranho esses últimos meses... Só vive naquele escritório e agora vai viajar assim de repente naquela caixa da morte?

- Mamãe não se preocupe, meu chefe já andou num desses e disse que é plenamente seguro... Prometo voltar o mais rápido possível, vai valer a pena, tenha certeza.

A senhora respirou fundo enquanto o Lee se despedia, depositando um beijo estalado em sua bochecha.

Com a mão sobre o peito, a mulher acompanhou Heeseung com os olhos até a porta da sala. Tinha medo de perder mais um de seus filhos, mas não imaginava que Heeseung estava indo buscar aquele que nunca havia partido.

Ao abrir a porta, ainda muito atordoado com as informações que havia recebido pela manhã, Heeseunh se deparou com a figura de 4 garotos a sua porta. Os amigos de Sunghoon também nunca haviam esquecido de si.

- Hee, nós sabemos que o Sunghoon está vivo. - proferiu Jay confiante.

- E também sabemos que vai viajar pra ir atrás dele. - comunicou Jungwon antes que o Lee pudesse abrir a boca para reclamar dos garotos estarem em sua porta àquela hora da madrugada.

- Temos informações de ouro... - continuou Niki.

- Mas só vamos contar se nos deixar ir junto...

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