Meus 2 filhos>22
Sunghoon acordara atordoado. Os algodões que serviam para conter o sangue de seu nariz dificultavam sua respiração, de modo que, a primeira coisa que o Park decidiu fazer ao acordar foi se livrar daquilo.
Não sabia onde estava, mas sentia o perfume de Kun por perto. Estava confuso e com memórias embaralhadas em sua cabeça, entretanto, sentia-se mais consciente a respeito de si próprio, como se houvesse recebido um sinal de seu passado, este que, durante o tempo em que esteve no circo, fora completamente deixado de lado.
- Papai... - Sunghoon murmurou, pensando alto.
Kun virou-se para o mais novo com apreensão. Estaria mesmo Sunghoon falando sobre quem ele achava que estava?
- O que foi, Sunghoon? - o mágico se aproximou com cautela, acariciando o braço do menino acamado.
- Papai... PAPAI SOCORRO! PAI! EU ESTOU AQUI! - Sunghoon entrou em desespero, se debatendo. A perna ardia como se estivesse em chamas, o coração palpitava em desespero. Sua memória havia sido reativada, mas agora este acreditava ter voltado ao dia em que Simon havia o levado embora.
Kun não sabia o que fazer para acalma-lo. Se Sunghoon não estivesse fraco devido ao sangramento, com certeza já estaria lutando para fugir daquele local. A preocupação de Sunoo era mais do que genuína.
- Ele não está... Infelizmente seu pai não está, Hoonie... - com calma, Kun disse em voz firme, segurando o garoto de volta a cama. - Você precisa se acalmar...
O Park tremia dos pés à cabeça, encarando os olhos escuros do Qian. Queria sentir-se tranquilo, mas acreditava estar perdido dentro de si. As lágrimas lavavam o rosto, o medo manchava-o por dentro.
- Está tudo bem... Isso... - com os mãos deslizando sobre os fios do menor, Kun tentava traze-lo paz. - Você se lembrou certo? Lembrou-se de quem é...
Sunghoon fez que sim enquanto o mágico usava seu próprio lenço para secar suas lágrimas.
- Você se lembra do que aconteceu depois disso...? Se lembra do que fez depois que o Simon te manipulou? - Kun estava preocupado, sabendo que Sunoo estava envolvido sentimentalmente com as memórias que haviam construído, tinha certeza de que o Kim se sentiria afetado caso o Park se esquecesse do que viveram juntos.
Como uma facada em seu peito, Sunghoon prontamente balançou a cabeça negativamente. Kun não poderia sentir-se pior pelo garoto. Como ele poderia dizer a ele que já fazia um ano desde que Simon havia o sequestrado? Como ele se sentiria por ter perdido uma parte importante de sua vida longe de sua família?
O mágico não estava nem um pouco preparado para dar ao mais novo aquele tipo de informação, mas quando ele achou que não poderia ficar pior, Sunoo apareceu à porta, procurando pelo Park..
- V-você está bem, Hoonie...? - Sunoo proferiu apreensivo, os dedos se agitavam incontrolavelmente - Eu não sabia que você se machucava olhando pra janela, me desculpa eu não queria...
Inocentemente, Sunoo aproximava-se do outro, tentando demonstrar estar triste e arrependido. Não sabia porque, mas sentia vontade de toca-lo.
O Park não sabia do que o outro falava, mas sentia-se imensamente feliz por vê-lo desperto. Achava que Simon poderia tê-lo machucado naquele dia e sentia um alívio percorrendo seu corpo. Sentia que deveria abraça-lo e assim o fez.
Sunoo viveria nos abraços de Sunghoon, mas não fazia ideia do porque estava o recebendo quando havia errado consigo. Sunghoon já havia o perdoado? Não sabia, mas sentia-se imensamente feliz por tê-lo por perto. O amor crescia dentro de si, os chifres estavam cor de rosa.
Kun levou um susto, nunca havia presenciado tal acontecimento com os chifres do monstrinho. Poderia ficar preocupado, mas assistindo os dois garotos, não teve dúvidas de que a cor de rosa transmitia algo positivo e adorável.
Quando os dois garotos se separam, o mágico ainda sorria, pois tinha certeza que mesmo que Sunghoon não se lembrassem do que haviam vivido, lembrava-se de que Sunoo era quem puramente amava.
O momento poderia ser perfeito, mas logo a figura que todos detestavam se aproximaria. Simon havia ido longe, a ponto de até mesmo ter oportunidade de praguejar ameaças ao intruso. Esperava que o homem estivesse apenas atrás de Sunoo, caso o contrário, teria de realizar mais uma queima de arquivo.
Quando Kun o viu pela janela, rapidamente pediu aos garotos que se escondessem, sem antes esquecer de sussurrar ao ouvido do mais velho a seguinte orientação:
- Não o enfrente e diga sim a todos seus pedidos, ele não pode desconfiar de que você se lembrou...
XXX
Os Sims haviam fugido para bem longe, mas jamais imaginariam que aquilo que mais os atormentava iria os perseguir por tanto tempo.
No final das contas, escolher o Canadá como último destino acabou por não ser a melhor das escolhas. Em uma única semana no local acabaram por encontrar não só com aqueles que mais temiam, como também como o pai do garoto que juraram proteger.
O senhor Sim sentia-se estressado, rememorava o passado frequentemente, culpando-se por alguma vez ter acreditado que seria uma boa ideia confiar naquele homem de cartola. Se soubesse que as coisas afetariam seu próprio filho, jamais teria se arriscado com aquele tipo de contrato.
Naquela noite de 9 de julho, quando disparou contra uma figura humanoide com chifres, jamais imaginaria que esta traria consigo um bebê de exatos 3 dias. Não sabia a quem recorrer, não sabia com quem contar. A única pessoa que vinha a sua mente era o pai de Sunghoon.
Os homens discutiram sobre o futuro da criança durante uma semana. O senhor Park apontava que a criança merecia uma família, os chifres e a cauda sobressalente estavam ali, mas Sunoo ainda tinha um coração que batia como qualquer outro ser humano. A verdade é que na falta da presença do próprio filho com idade semelhante, trataria de bom grado do pequeno, caso não estivesse tão atarefado com serviços do exército. Mas o Sim tinha outros planos, e quando o Park já havia se afeiçoado à criança, a ponto de dar seu próprio sobrenome ao pequeno, Simon já estava lá, pronto para tira-lo de si a força.
O senhor Park nunca havia se esquecido de Sunoo por um momento que fosse, e foi por isso que ao receber aquela misteriosa carta endereçada a si, teve de ver com os próprios olhos para acreditar no que havia visto. Simon não havia roubado só um de seus filhos, como dois.
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