Entrega especial do Simon>08

Sem saber muito bem como agir naquela situação, Sunghoon e Lucas continuaram ali, estáticos, encarando o dono do circo a sorrir. Enquanto o chinês pensava em chamar por Heeseung, Sunghoon encarava o homem de volta, em uma tentativa falha de demonstrar ao homem que não tinha medo deste. Atitude esta que era completamente falsa, já que o Park sabia muito bem que estava apavorado.

Os meninos só saíram de suas posições quando Simon resolveu se mexer primeiro, tal ato motivou o chinês a finalmente executar a ideia de chamar o garoto mais velho para ajudar. Embora não quisesse aquilo, Sunghoon não impediu o amigo de destrancar a porta de seu quarto. Era bem óbvio para si que por mais que quisesse, não poderia enfrentar sozinho o sinistro homem do outro lado da rua.

- O que vocês acham que estão fazendo hein?! Voltem já lá pra baixo! - sem dar a Yukhei uma chance de se pronunciar, Heeseung exclamou furioso, indo em direção aos dois garotos, os quais só não se assustaram consigo, pois estavam ocupados demais com Simon e toda ameaça que este representava.

- Por favor Hee, ele tá lá embaixo...você precisa fazer alguma coisa! - Yukhei disso aquilo de maneira atrapalhada. Afinal de contas, Hee estava o arrastando, pela gola de sua camisa para fora do quarto do Park.

- Ele quem garoto?! Agora deram pra mentir?! - sem ser convencido pelas palavras do chinês, Heeseung procurou o irmão com os olhos, esperando que esse dissesse algo para confirmar a história do amigo, mas Sunghoon apenas tremia enquanto encarava o piso de madeira empoeirado do quarto dos garotos.

- O S-simon...ou Seungcheol sei lá...lá na rua...- confuso com a situação toda, Lucas acreditava que o suposto sequestrador de crianças e o dono do circo, eram na verdade a mesma pessoa.

- Seungcheol?! Choi Seungcheol você quer dizer?! - Heeseung largou o Wong no mesmo segundo ao ouvir o nome do homem que havia escutado sua mãe falar por tantas vezes, ignorando completamente o fato de que "Simon" que havia sido dito antes.

Lucas logo assentiu, achando que o Lee seria capaz de resolver a situação. No mesmo minuto, Heeseung dirigiu-se para frente da janela a fim de verificar se o homem realmente estava ali.

- Não tem nada aqui... - o mais velho entre eles proferiu com a cabeça pra fora da janela, após conferir toda a extensão da rua visível aos olhos. - Que tipo de brincadeira de mal gosto é essa garoto?

Yukhei franziu os cenhos confuso. Como assim não havia ninguém do outro lado da rua? Teria Simon finalmente ido embora? Sem acreditar nas palavras do Lee, Lucas voltou a se aproximar da janela para conferir se o homem realmente havia desparecido.

- Sunghoon, ele sumiu!

Novamente, após ter sido requisitado sua resposta, Sunghoon só fez tremer. De alguma forma, naquele ultimo contanto visual que havia tido com o dono do circo mais famoso da região, o Park havia sido profundamente afetado. Agora lembrava-se de ter tido apanhado até apagar, e ainda de quebra, sentia a energia negativa do homem percorrendo por todo seu corpo. Bastou um olhar para que Sunghoon sentisse exatamente a mesma sensação que Sunoo sentia ao ouvir o nome de Simon ser pronunciado.

- Sunghoon...? O que aconteceu? - a voz de Heeseung estava distante, mesmo que o garoto estivesse bem ali na frente de Sunghoon, chacoalhando os ombros do Park em busca de uma reação.

Se Heeseung não estivesse ali, perto de Sunghoon para agarrá-lo, o garoto provavelmente teria batido a cabeça na quina da escrivaninha que os irmãos compartilhavam. Sunghoon quase havia desmaiado, tamanho era o medo que sentia do homem do outro lado da rua.

XXX

- Sunghoon, você vai ter que me contar o que está acontecendo! Desde quinta-feiira com esses seus segredinhos... Primeiro aparece todo machucado, depois diz que vai falar com Wonwoo que vai faltar na escola, mas vai mesmo assim, e hoje quase desmaia depois de supostamente ter visto alguém do outro lado da rua... O que tem de errado com você?

Naquela noite, quando Lucas já havia ido embora e a mãe dos meninos já havia chegado em casa, os dois irmãos, já deitados em suas camas para dormirem, tinham sua última conversa do dia.

- Lucas não quis me contar... Nem mesmo quando eu ameacei contar ao pai dele. Mas você, mesmo que esteja fazendo de tudo para manter silêncio, vai ter que abrir a boca! - Heeseung encarava o mais novo seriamente, enquanto este botava seus olhos no vazio, estando pensativo e receoso demais para iniciar um diálogo.

Agora, mais do que nunca, o Park não desejava falar. O quão vergonhoso poderia ser contar ao irmão que havia quase desmaiado de tanto medo? Por onde ele começaria e como faria para que seu próprio irmão não suspeitasse que este estava enlouquecendo?

- Olha... Se for o Seungcheol que está te perseguindo... Inclusive se foi ele que te machucou, você pode ter certeza que eu vou atrás dele e quebro todos os dentes dele! Você não precisa ter medo, eu vou te proteger Sunghoon e enquanto eu estiver com os meus olhos sob você ninguém vai ousar tocar em um fio de cabelo seu... Eu te prometo! - Heeseung reuniu toda confiança e poder de convencimento que havia dentro de si para proferir tal discurso, o qual, para sua felicidade, gerou certa reação no mais novo.

- Será que você pode ir comigo... Até a caixa de correio? - a frase de Sunghoon, acompanhada de um olhar mórbido, tomou a atenção do mais velho, que não pode segurar a reação de surpresa.

- Mas... É claro que podemos... - ignorando o fato de que aquilo que o mais baixo pedia era realmente estranho, Heeseung levantou-se da cama correndo para apanhar um casaco para o Park. - Está esperando uma carta de alguém? - tentando entender as intenções de Sunghoon, Heeseung decidiu perguntar, enquanto vestia a roupa no mais novo.

- Alguém deixou algo lá. - Sunghoon disse de maneira seca, saindo na frente do mais velho em direção à porta do quarto.

- E-está bem...

Heeseung foi atrás do Park, o qual já se encontrava nas escadas, descendo até o andar de baixo para em seguida dirigir-se ao jardim de entrada da casa. A mãe dos meninos, já trajada de seus pijamas, estranhou a aproximação de Sunghoon, mas nada fez graças a interferência de Heeseung, o qual preocupou-se em dizer que estava tudo bem.

Daquela forma, Sunghoon chegou rápido à caixa de correio, abriu-a e de lá tirou um pacote grande de cor escura, o qual impossibilitava que seu conteúdo fosse visto sem que este fosse aberto. Ato este que Sunghoon fez ali mesmo e com as próprias mãos, enquanto seu irmão observava a cena de longe, escorado na porta de entrada da casa.

Mesmo com apenas a iluminação da lua, o Park foi capaz de identificar o que havia ali dentro e assim sentiu o medo aliado ao desespero percorrer sua espinha por mais uma vez. O pacote acabou no chão, enquanto lágrimas quentes escorriam pelas bochechas do Park. Heeseung não demorou a se aproximar, vendo que havia algo de errado com o pacote que Sunghoon havia acabado de abrir, este até mesmo tentou questionar o Park, mas o menino estava tão alarmado que correu para dentro de casa embalado pelos latidos confusos de Bingo.

Heeseung arriscou pegar o pacote, mas sem que entendesse a reação do mais novo optou em ser cauteloso. Com a ponta dos dedos, o Lee afastou as bordas do pacote, finalmente entendendo o porquê da reação temerosa do mais novo.

Simon havia feito uma entrega especial para Park Sunghoon, um convite para a última noite de espetáculo de seu circo na cidade acompanhado de um pedaço de um material vermelho não identificado, mas que estranhamente estava embebido em sangue.

XXX

Na manhã seguinte, nem Sunghoon, e nem mesmo Heeseung, tocaram no assunto durante o café da manhã. A verdade é que os dois estavam chocados demais com a situação, e nem sequer haviam pregado os olhos durante a noite.

A mãe dos garotos estranhou a situação. Sabia que havia algo de errado com o filho mais novo, mas por que Heeseung também haveria de reproduzir o estranho comportamento quando este costumava ser tão falante à mesa?

- Tem algo de errado com as panquecas...? - a mãe perguntou, vendo que Heeseung apenas encarava a comida com a cabeça abaixada.

- Não mãe, estão ótimas! - o Lee forçou um sorriso, voltando-se para a mulher que buscava explicações em seus olhos.

- Maravilhosas... - Sunghoon reforçou, para certificar-se de que a mulher não desconfiasse de si.

Não muito contente com as respostas de seus filhos, a senhora estava pronta para interroga-los novamente, quando buzinas e gritos foram ouvidos por detrás da porta de entrada.

- Deve ser o Jeonghan, ele ia passar aqui para me entregar uma coisa que eu esqueci no trabalho ontem na presa de alcançar o Sunghoon na saída da escola... - Heeseung proferiu enquanto se levantava da mesa, sendo perseguido pelos olhos de Sunghoon.

Após abrir a porta e se deparar com uma dúzia de garotos a sua frente, Heeseung entendeu que não era ele quem estavam procurando.

- Chama o Sunghoon aqui na frente, por favor... - foi Jake a dar voz ao grupo enquanto carregava um envelope em uma de suas mãos.

Heeseung estreitou os olhos, suspeitando mais uma vez de toda situação. Em sua cabeça começava a surgir a ideia de que na verdade eram os pré-adolescentes os responsáveis por aterrorizar seu irmãozinho. Desde que este se lembrava, o garoto rico e Sunghoon haviam entrado em uma discussão antes deste aparecer machucado.

- Por favor, Heeseung... - Yukhei tentou por mais uma vez, vendo que o mais velho parecia desconfiado.

O Lee acabou cedendo, já que sabia que o garoto mais alto do grupo sempre vinha em defesa de Sunghoon quando ele mesmo não estava por perto para protegê-lo. Ainda da porta, Heeseung chamou pelo Park, o qual levantou-se da mesa e seguiu morosamente até a porta de entrada.

- Queremos falar a sós, por favor! - dessa vez foi Wonwoo a falar, tornando a situação ainda mais duvidosa para o Lee.

Sunghoon virou-se para o mais velho, entendendo que este não pretendia sair dali.

- Eu prometo que te chamo se precisar...

Ainda receoso, Heeseung se afastou, sem se esquecer de passar confiança ao mais novo ao apertar seu ombro antes de deixa-lo só.

- Nós recebemos isso ontem... - Jungwon começou, estendendo um convite para o Park.

Sunghoon concentrou-se em observar o objeto, percebendo rapidamente que aquele era o mesmo convite que havia recebido de Simon na noite anterior.

- Tinha também isso... - Niki, o qual estava escondido atrás dos outros garotos, colocou nas mãos de Sunghoon o estranho objeto vermelho escarlate.

Ainda muito assustado, o Park apertou o material enquanto chorava, alarmando os outros garotos.

- V-você sabe o que é, Sunghoon? - Jay proferiu, temeroso pelo mais velho estar chorando.

- E-eu acho que sim... P-por favor me deem as outras partes. - enquanto esfregava os olhos com a barra da camisa, Sunghoon pediu aos garotos o resto do material vermelho a fim de confirmar algo que desejava que fosse mentira.

Sem questionar, os seis meninos estenderam as mãos ao Park, entregando a este a parte que tinham do objeto não identificado.

- Acho que tinha um pouco de sangue...no meu, mas eu lavei para que a mamãe não achasse que voltaram a me incomodar. Sabia que era coisa dele assim que vi o pacote... Eu sinto muito, Sunghoon. - Niki comunicou apreensivo vendo o Park completamente desolado.

Já com as oito partes em mãos, Sunghoon pode confirmar aquilo que já suspeitava. O objeto vermelho escarlate, era nada mais, nada menos, do que o chifre repartido de Kim Sunoo.

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