XVI
A ordem era não se afastar dos portões, não devíamos os deixar entrarem e para isso a linha tinha que continuar firme.
- Desfira os golpes em partes que podem os fazer desmaiar, mas não mate-os ok? – foi o pedido que ela me fez quando a luta começou, concordei que seria sádico demais fazer isso e apenas desferia golpes onde os impossibilitava de agir novamente, uma tática que aprendi observando Mingi lutar (apesar dele ser uma idiota e chato, sabia inúmeros movimentos precisos e certeiros).
Tudo aparentava que estava indo bem, até então estávamos conseguindo controlar aqueles que estavam atacando, éramos seis contra inúmeros que não paravam de surgir com vontade de invadir, contudo eu tinha uma duvida sobre aquilo, por que eles queriam tanto invadir aquele local? O que havia ali que os fazia tentar várias e várias vezes sem medo de morrer? Por que eles não atacavam outros locais como insistiam nesse?
Alguns mantinham sorrisos sádicos nos lábios pelo que estavam fazendo e outros pareciam horrorizados por conta das coisas que estavam presenciando, eu não sabia como minha feição estava, porém eu me mantinha determinado.
Quando saiu do controle? Saiu do controle quando achamos que havíamos vencido, quando baixamos a guarde e quando dúzias e mais dúzias saíram para nos atacar. Ouvi um xingamento exasperado de minha parceira e tive que concorda que aquilo era pior do que imaginávamos. Saiu do controle quando eles conseguiram ferir um dos reais e assim abriram um buraco na proteção. E por fim, saiu do controle quando capturaram um dos nossos e simplesmente fugiram enquanto todos tentavam se concentrar em se defender e proteger os feridos, tudo foi um plano, um plano para capturar alguém e usa-lo para obter informações nossas.
Todos estavam se recuperando enquanto eu permanecia olhando para aquelas arvores onde as aberrações haviam sumido junto de um de meus novos amigos.
- Eles levaram Jinwoo, Solji, capturaram Jinwoo e Sanha. – soltei a espada que aos poucos tomou sua forma humano me encarando preocupada, eles haviam capturado aquele que chegou comigo naquele acampamento e havia me ajudado em quase tudo ali.
- O que iremos fazer Jeon? – Solji permanecia me olhando e tocou por fim meu ombro.
- Se eles não enviarem alguém, nós iremos! – fiquei com medo dela não concordar, mas quando virei à cabeça para encará-la a menina balançava a cabeça em concordância com minhas palavras.
- Estou com você, mas vamos entrar, ouvi-os dizerem que um ferido ficou e irão fechar os portões para saberem os planos deles.
Segui Solji até a leve aglomeração que havia, todos pareciam querer também saber o que os generais iriam falar e como arrancariam as palavras daquela coisa, chegando próximo da imagem amarrada puder ver que ele não era uma aberração como todos ditavam, sua única diferença era que suas mãos podiam se transformar em armas ou no que ele quisesse, porém sua real forma era humana como todos ali.
- Diga-nos, o que vocês querem? Por que nos atacam? – um dos novatos perguntou e outros acabaram repetindo aquilo.
- Vocês acham que a terra é de vocês por direito, só por vocês serem normais, mas vocês que são as verdadeiras aberrações usando outros a seu favor para lutar, roubando nossas terras e nos fazendo se esconder, os reais monstros não somos nós que podemos sofrer mutações e sim vocês que nos matam, usam e expulsam como fossemos nada.
- Você acha que é normal? – todos riram
- O que eu seria? Uma aberração por que posso me transformar? E o seu companheiro seria o que então? Ah Acho que uma aberração, sou como eles a diferença é que eles nasceram dentro da capital e nós somos expulsos – uma risada cínica se foi ouvida – há muita coisa que vocês não sabem e servem a eles lealmente sem saber que a qualquer momento podem se tornar como nós. As verdadeiras aberrações são vocês...
- Basta! – um dos generais ditou – levem-no antes que diga mais besteiras
- Há muita coisa... Muita coisa que vocês não sabem e não veem! – e depois dele ser levado um grande silêncio se instalou, duvidas pairavam e muitas se perguntavam o real sentido das palavras dele. O que não queríamos estava começando a acontecer o "e se..." começou a se instalar na cabeça de muitos. E ao meu lado não era diferente, olhando para Solji eu vi que as palavras daquele detido estavam sendo processadas na cabeça dela e que talvez ela poderia estar começando a ter duvidas sobre isso.
- Ei você não é o que ele disse. – segurei seus ombros – você é incrível!
- Mas e se ele tiver razão e se quando não somos uteis somos banidos e tratados como aberrações?
Não irei mentir que aquelas duvidas eram as mesmas que a minha, talvez até aquele local onde era o acampamento e em breve se tornasse um local maior fosse a casa daquelas pessoas e agora eles quisessem tomar de volta, e se nós estivéssemos lutando no lado errado?
- Não vamos pensar nisso ok? Temos que focar em achar Jinwoo primeiro...
Só que para nossa surpresa, nenhuma medida foi tomada, eles trataram o assunto como se não existisse, como se nenhum desfalque tivesse acontecido isso me deixou surpreso e totalmente assutado, como poderiam ser tão desumanos daquela forma? E quando decidi ir e conversar sobre o que eles fariam sobre isso, sua resposta me deixou cego de irritação:
- Jeongguk nós estamos resolvendo coisas mais sérias, no momento não podemos mandar uma equipe de busca para ir até ele, ele deixou sua guarda baixar a culpa é inteiramente dele!
- Desculpe senhor, mas estamos falando de uma vida, não podemos simplesmente abandonar um homem por conta de ter baixado a guarda, ele merece também ajuda!
- Como eu disse, temos coisas mais serias na frente e isso não será possível no momento.
Fingi entender para não prolongar aquela conversa, mas não me convenci nem um pouco do que ele havia dito, bufei assim que cheguei ao local onde ficava e comecei a preparar a mochila para sair dali quando a noite caísse plenamente.
- Autorizaram procurarmos ele? – Solji me assustou com sua voz.
- Não! – fui seco ao responde continuando a arrumar tudo.
- Então... Por quê...
- Partiremos hoje a noite, com ou sem o consentimento deles iremos achar Jinwoo e entender essa historia toda, você está comigo?
- Esta é a decisão certa. Então sim!
Daquela noite em diante poderíamos ser considerados aberrações, daquela noite em diante iriamos atrás da verdade!
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