Cervejas, Mamadeiras & Desemprego

O sol estava brilhando no céu de Los Angeles, era de fato um belo dia... Não, não! Essa expressão "belo dia" pode soar feminina demais e nossos protagonistas são muito machos! Refazendo a frase. Em um dia qualquer, Edward Powell, um jovem arquiteto de vinte e sete anos, conversava pelo telefone, com Scott Coleman, seu meio irmão caçula e ator desafortunado de vinte e quatro anos.

— Muito bem Coleman, e a que horas você pretende chegar aqui? — Edward perguntou, enquanto virava a última panqueca com graciosidade. Era um cozinheiro nato e não tinha sequer um de seus amigos que não sentisse inveja disso.

— Vou chegar hoje à tarde. — respondeu enquanto fechava sua mala. — Vê se não me esquece no aeroporto como da outra vez, seu desnaturado. — debochou amargurado, já fazia um ano e meio que não ia visitar Edward na Califórnia, estava com saudades do irmão e das festinhas que ele fazia. Deu um malicioso sorriso.

— Tentarei não esquecê-lo maninho. — Edward enfatizou. — Então até mais tarde!

— Até! — Coleman disse, antes de desligar.

Edward desligou o fogo e arrumou suas panquecas impecavelmente no prato. Ele era muito organizado e não gostava de bagunça. Nicholas aparece vestido com uma bermuda e secando os cabelos com a toalha.

— O café está pronto? — Nick perguntou sentindo o cheiro da panqueca.

— Quando você fizer, com certeza. — Edward ergueu a sobrancelha com vontade de rir. Nick fez um bico. — Brincadeira, eu fiz panquecas, mas não come tudo. — tirando o avental. — Vou tomar banho e já volto.

Nicholas assentiu e Edward foi tomar banho. O folgado olhou as panquecas de esguelha e pegou três, ligou o vídeo game e ficou ali, comendo e jogando. Edward terminou de se arrumar e saiu para tomar café, estava faminto, passou por Nick e foi para a cozinha, ficou vermelho ao ver que só tinha uma mísera panqueca, das cinco que ele fizera.

— Nick, quem mandou você comer todas as panquecas?! — Edward berrou com irritação da cozinha, ao ver seu pratinho quase vazio.

— Minha fome, ou talvez a minha solitária. — Nick respondeu tranquilamente da sala, enquanto jogava outra partida de vídeo game, Edward ainda o olhava aborrecido. — Tudo bem, tudo bem... Eu estava faminto, elas estavam aí e passei as quatro pra dentro mesmo, não enche.

— Que filho da puta que você é! — Edward continuava xingando. — Ninguém pode sequer tomar um banho, sem que venha um engraçadinho e roube o seu café, que inferno!

— Tá bom, eram apenas quatro malditas panquecas. — Nick se levantou, cheio de todo aquele drama. — Come cereal ou faz mais, simples.

— Fácil falar. — Edward despejou cereal na tigela. — Vir fazer que é bom, nada não é?

— Chega Edward, não seja boiola. — bufou, com o saco cheio do exagero do amigo. — Que horas Scott vai chegar? — Nick perguntou, já com saudades do outro.

Nicholas Foster era estudante de administração, desde que começou a faculdade, há três anos, morava com Edward. Era bastante folgado e muito bagunceiro, deixava Edward com os cabelos em pé.

— Por volta das onze. — Edward suspirou, sentando-se. — Achei ótimo ele vir, faz um bom tempo que ele não vem.

— Verdade e o que deu nele para querer vir assim? — Nick perguntou, já sabendo a resposta.

— O que você acha? — Edward negou com a cabeça. — Mulheres, Scott arruma mulheres e mais mulheres e não dá conta das gatas, elas se agridem entre si e sobra pra ele, parece que ele está querendo fugir das loucas.

— Que novidade... — Nick rolou os olhos.

A campainha tocou e Nicholas levantou-se para atender. Ao abrir, viu Melanie, sua vizinha, com cara de sono.

Melanie era uma bonequinha na opinião dele, seus cabelos eram escuros, tinha um narizinho arrebitado, a pele extremamente branca e com algumas sardinhas pelos seios, que por sinal eram bem grandes e chamativos. Não era magra e nem gorda demais, estava na medida certa. Mas ele a via apenas como uma amiga, não que fosse gay, longe disso, mas Melanie já se tornara íntima demais pra que tivessem algo além de amizade, ele odiava ser amigo de suas amantes. Achava estranho.

— Pois não Mel? — ele sorriu malicioso e Melanie rolou os olhos, mostrando uma xicarazinha.

— Bom dia! — ela sorriu abertamente, dava pra ver que seu sorriso era falso. — Lamento incomoda-los tão cedo, mas será que podem me emprestar um pouco de açúcar? — ela perguntou dessa vez com o sorriso amarelo. — Eu acordei muito tarde e tenho que fazer meu café e a mamadeira da Alex. — ergueu a sobrancelha. — Tenho uma entrevista de emprego dentro de... — olhou no relógio. — Duas horas e eu preciso chegar na hora.

— Sem problemas, entra aí. — ele riu e ela entrou.

— Olá Edward! — ela sorriu para o amigo, vendo que ele comia o cereal com um bico enorme. — Você me parece chateado. — ela indagou.

— Pergunte para o Nicholas, que comeu meu café. — ele disse olhando para Nicholas, com careta.

— Que maldade Nick. — Melanie negou com a cabeça, se fingindo de séria. — Mas não ligue Edward, prometo que depois venho fazer um bolo de chocolate pra você!

— Isso Mel! — Edward disse com os olhinhos brilhando. — Bate aqui! — estendeu a mão e Melanie sorriu chocando sua mão com a dele. — E a Alex? — perguntou.

— Ainda está dormindo. — Melanie estendeu a xícara para Nicholas. — Ontem ela foi dormir tarde. — olhou as unhas. — Minha filha nunca esteve tão danada, acreditam que ela já está querendo andar? — cruzou os braços.

— Sério? — os dois perguntaram em um uníssono.

— Sério. — Melanie riu. — Ela é muito precoce, não acham? A Brianna disse que a Susy, irmã dela, aprendeu a andar com um ano e três meses. — pegou a xícara que Nick lhe estendia. — E a Alex com nove meses já está fazendo tudo isso, eu fico um pouco surpresa.

— Realmente, mas todos nós sabemos que a Alex sempre foi esperta, tanto que ela aprendeu a falar "mamã" com sete meses, coisa de louco. — Nick gargalhou.

— Minha mãe falava que o Scott e eu sempre fomos muito precoces, Scott também aprendeu a andar com nove meses. — Edward disse pensativo.

Melanie deu um sorrisinho nervoso.

— Hm... Pois é né? — ela coçou a nuca. — Falando nele como ele está? Já faz um bom tempo que eu não o vejo. — ela disse meio gaga.

— Está bem e está chegando hoje. — Nick disse e Melanie tragou a saliva.

— Está chegando hoje? Aqui?

— Sim, aqui. — Nick riu.

— Ah, que bom... — Melanie disse um pouco nervosa. — Escutem, eu preciso ir... Eu deixei a Alex sozinha e se ela acordar não vai ser muito legal de eu não estar lá. — disse um pouco afobada. — Muito obrigado pela xícara, digo... Pelo açúcar. — agradeceu. Os dois se entreolharam estranhando e a garota saiu com rapidez.

— O que deu nela? — Nick indagou.

— Sei lá. — Edward voltou a tomar seu café. — Enfim, ela é uma mulher, mulheres são loucas. — disse com a boca cheia.

Nicholas riu e negou com a cabeça.

♦♦♦

Melanie entrou em seu apartamento amarela. Estava tudo em silêncio, com certeza Alex ainda estava dormindo, já que quando a pequena acordava ficava lhe chamando até que fosse busca-la no berço. Foi até a cozinha e tratou logo de botar a água pra ferver, estava atrasada para sua entrevista de emprego.

Melanie tinha vinte e dois anos e sempre fora apaixonada por Scott, era louca por ele, mas ele não lhe dava muita bola, chegaram a transar algumas vezes, uma vez em especial sem qualquer tipo de proteção, mas ele estava tão bêbado que ela duvidava se ele se lembrava de tal fato. Mas rolou e nesse descuido acabou ficando grávida dele.

Sua filha era loirinha e tinha os olhos bem azuis. No início ela não entendia muito bem o motivo de Alex ter nascido com os olhos daquela cor, afinal seus olhos eram castanhos e os de Scott também, mas sua dúvida acabou quando viu a foto de Alexandra na casa de Edward, Alexandra era a avó paterna de Alex, mãe de Scott e Edward. E a pequena era bem parecida com a avó, que também era loira e tinha olhos bem claros.

Scott não fazia ideia que Melanie tinha engravidado, até por que ele nunca mais quis saber dela. Scott nunca ligou e nem procurou saber como ela estava, sabia que não era importante para ele e também sabia que ele estava mais preocupado em curtir sua vida, se focar em sua carreira de ator e não teria tempo para cuidar de um bebê, então resolvera cuidar de Alexia sozinha.

— Mamã! — escutou a pequena e sorriu. Entrou no quarto e viu que ela estava sentada no berço. Assim que viu a mãe, ela estendeu os braços e Melanie a pegou no colo.

— Ei meu amor? — deu um beijinho na bochecha dela, saindo do quarto. — Como você dormiu hein? — atravessou a sala com a pequena no colo e deixou a filha sentadinha no andador enquanto terminava o café.

Alex logo ficou entretida com os seus brinquedos. Melanie apenas sorria, vendo como ela era perfeita e fofa. Só ela sabia como era difícil criar um bebê sozinha, não tinha ninguém no mundo, nunca conhecera seus pais e cresceu em um orfanato. Foi adotada por uma velhinha quando tinha quinze anos, mas a velha safada só a usou mesmo para que cozinhasse e fizesse serviços domésticos, que com a idade avançada ela já não podia mais fazer.

Quando a velha empacotou não deixou nem um trocado que fosse para a pobre órfã, que ficou com uma mão na frente e outra atrás. Sem casa e com seu salário miserável, Melanie conseguira alugar esse apartamento cujo dono, que era seu amigo lhe cedeu por um preço bem abaixo do que ele valia. Quando Scott fez o favor de engravidá-la e sumir em seguida, Melanie levou um pé na bunda do chefe e mais uma vez ficou sem dinheiro, sendo sustentada apenas pelos bicos que fazia como babá.

Assim que Alex nasceu, Brianna lhe arranjou um emprego em uma lanchonete como garçonete, não era muita coisa, mas dava para pagar suas contas. Se não fosse o fora e o chute no saco que tinha dado no chefe gorducho que tentou assediá-la, estaria lá até hoje, mas não, não se permitira corromper por aquele sujeito asqueroso, foi para a rua com muita dignidade. Tomou café e tomou banho com Alex, se arrumou e arrumou a filha e por fim saíram de casa.

Melanie caminhou duas quadras com a pequena no colo e quase perde o ônibus, olhou no relógio e viu que estava atrasada, tinha que correr pra não se atrasar. Desceu bem em frente à creche de Alex.

— Prontinho, minha filha. — disse aliviada. — Chegamos. — viu a moça se aproximar e estender os braços para pegar a bebê, que se agarrou à mãe. — Vamos Alex, não faça dramas hoje, sim? — Melanie disse lhe entregando para a mulher.

— Nom, nom mamã... — a pequena negava com a cabeça e fazia um biquinho de choro. Era assim todos os dias e Melanie nunca se acostumaria com aquilo, lhe doía muito ver sua filha aos prantos, mas era preciso, ela precisava procurar trabalho. Melanie deu um beijinho na cabecinha dela.

— Comporte-se sim? — sorriu de leve e cumprimentou a professora com a cabeça, como se dissesse que já podia levá-la. Foi o bastante para Alex começar a chorar e se contorcer no colo da mulher que tentava acalma-la.

Melanie sentia o coração apertar, mas sabia que a pequena ficaria bem, então correu até o local onde estava marcada a entrevista, que ficava a três quadras dali. Assim que entrou viu uma senhora gordinha que cuidava do caixa. A mulher fez uma careta e voltou a fazer o que estava fazendo, aquilo parecia um mercado, mas estava bem vazio para a opinião de Melanie. Deixando suas ideias de lado, se aproximou da mulher.

— Olá, eu sou Melanie, tenho uma entrevista de emprego aqui com o senhor... Só um minuto. — pôs a mão na bolsa e tirou um jornal para ler o nome do homem. — Ronny. Ele já chegou?

— Agorinha... — a mulher sussurrou.

— Você pode me dizer onde ele está? — a gordinha assentiu. — Onde é?

— Por ali. — apontou. — Você dá duas batidinhas antes de entrar viu? — disse abrindo uma bala e a pondo na boca.

— Claro. — Melanie assentiu e se retirou, indo até a porta. Deu duas batidinhas. — Que Deus me ajude. — fez o sinal da cruz.

— Pode entrar. — ouviu a voz do tal de Ronny.

Ronny parecia ter uns quarenta anos, era magricelo e meio esquisito, usava uns óculos de sol em cima da cabeça e fumava um cigarro. Melanie franziu um pouco a sobrancelha, achando estranho.

— O senhor é o Ronny? — ela perguntou, com a cara na porta.

— Eu mesmo. — lançou um olhar sedutor ou assustador. Melanie não entendia qual a tentativa dele, se era seduzi-la ou botá-la pra correr. — Entre e feche a porta.

Melanie fez o que ele disse e se aproximou com as mãos pra trás.

— Bem, eu sou Melanie, eu vi seu anúncio no jornal, nos falamos ontem pelo telefone e o senhor marcou de me encontrar nesse endereço.

— Sim, eu sei, sente-se Melanie. — disse analisando-a, gostando do que via. — Eu não vou enrolar muito, vou ser direto. Você tem experiência nesse tipo de trabalho? — perguntou sem delongas.

— Caixa de supermercado? Repositora? Eu não tenho experiência, mas posso aprender sem problemas senhor. — falava rápido e o homem riu.

— Eu não sou dono desse supermercado. — ele apagou o cigarro. — Eu acho que você não está entendendo. — ele a olhou estranhamente. — Mas vamos parar de brincadeira, tire a roupa. — ele disse levantando.

Melanie arregalou os olhos, levantando também.

— Mas... Como assim tirar a roupa, o senhor endoidou? — com os lábios entreabertos pelo susto.

— Eu preciso analisar seu corpo, tenho que ver se está nos padrões para o filme. — piscou.

— Mas que filme? — ela perguntou perplexa, abraçando sua bolsa.

— O filme pornô que eu estou produzindo. — ele disse. — Eu pensei que tinha entendido o anúncio quando eu pedi uma pessoa que fosse maior de idade, cabelos longos, com o corpo em forma... Ainda mais com meu nome, Ronny Evans, vai me dizer que não conhece?

— Mas eu pensei que... — ela pôs a mão na testa. — Esqueça senhor, eu não vou fazer filme nenhum, isso foi um engano!

— Espere aí... — ele a impediu de sair. — Você nunca ouviu falar de mim? — ele perguntou perplexo.

— Não senhor, eu nunca lhe vi mais magro. Adeus! — se soltou dele e saiu como um foguete. Ronny ficou perplexo e pegou o celular discando os números. Em seguida alguém atendeu.

— Gholias! — berrou com o homem. — Uma tal de Melanie não sabe quem eu sou! — esbravejou. — Você não está cuidando da minha imagem como deveria, eu quero que todo mundo saiba quem eu sou entendeu?! Incompetente! — desligou sem deixar o homem se explicar e voltou a sentar-se. Afinal ainda tinha mais algumas mulheres para entrevistar e tinha que estar gatão.

♦♦♦

— Merda! — Melanie xingou enquanto caminhava até o ponto de ônibus, mais uma entrevista que não serviu pra nada além de tomar seu tempo. Não estava mais aguentando aquela escassez de emprego, a Los Angeles era enorme, tinha que ter algum trabalho para ela, mas parecia que a sorte não estava ao seu lado. O pior que suas contas estavam atrasadas, já tinha dois meses que não pagava o aluguel e a dona do apartamento já estava impaciente, tirando que tinha uma filha para criar. — Vamos lá Melanie, você não pode desistir. — disse pra si mesma, aproveitaria que Alex estava na creche para distribuir alguns currículos.

♦♦♦

Scott desembarcou na cidade californiana com um sorriso de orelha a orelha, mal podia acreditar que estava respirando ares diferentes de Ingrid e Jenny. Aquelas duas malucas ainda lhe enlouqueceriam com tantas brigas. Elas se achavam as donas da vida dele quando não eram sequer namoradas e nem nada do tipo. Adorava comer aquelas malas, mas já estava começando a achar tudo aquilo caro demais, ele precisava de novos ares e novas mulheres. E Los Angeles, era o lugar ideal.

— Ei Scott! — ouviu seu nome e se virou. Sorriu ao ver seu irmão, Edward acenando e dando pinotes ao lado de Nicholas. Caminhou até lá e deu um abraço apertado no irmão e em seguida no amigo.

— E aí seus comedores?! — dando um abraço em Nicholas. — Quanto tempo! — deu leve murro no ombro de cada um.

— Cara, eu não pensei que te veria aqui agora. — Nick sorriu. — Sem você as festinhas não tem a mínima graça.

— Eu sei disso. — Coleman se gabou. — Mas não precisam mais chorar, eu já cheguei e hoje mesmo vamos pegar mulher, por que eu estou muito estressado... Preciso relaxar concordam?

— Concordo, mas eu não vou poder sair hoje, tenho faculdade amanhã. — fez um bico.

— Eu pensei que você já estivesse de férias porra. — Scott lhe encarou com careta.

— Amanhã é sexta, o último dia seu otário. — lhe deu um leve murro no braço.

— Chega! — Edward disse. — Hoje não saímos, mas amanhã... — fez uma carinha. Os outros dois assoviaram e deram gritos concordando, algumas pessoas olhavam o trio assustadas.

— Maninho, ainda bem que você não me esqueceu aqui de novo, imagina só trocar o irmão por sexo? — abraçou o irmão pelos ombros. — Que consideração.

— Ah e você não trocaria jamais, não é? — Edward ironizou.

— É claro que eu trocaria. — piscou e os três riram.

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