Capítulo 25 - Admirável mundo velho
MELISSA NARRANDO
Estou saindo agora do hospital. Soube do que aconteceu em Catarina, enquanto eu estava fora. Não vou chegar a tempo do do enterro do Alejandro.
Não acreditei quando falaram que Taylor matou alguém. Agora ela está presa. E vai ficar na cadeia por muito tempo. Jacquie veio me buscar junto do meu pai e da minha mãe.
Sou só uma garota pobre e inteligente. Eu sei que no mundo contemporâneo, meu intelecto pode valer menos para as pessoas na visão da sociedade, mas se somente uma pessoa aceitar que meu cérebro vale mais que minha aparência, então estarei satisfeita.
E Jacquie é essa pessoa. Me sinto mais segura do que nunca. Estar ao lado dele era meu sonho, desde o momento em que passamos a andar lado a lado para irmos para casa. Esse sonho se tornou realidade.
JACQUIE NARRANDO
Estou nervoso. A viagem de carro parra Catarrina foi muito bem. Os pais de Melissa parrecem gostar de mim. Mas nada que é bom durra parra semprre. Tenho que ser sincerro com ela.
Acabamos de descer do carro, eu fui com ela até seu quarto.
- Jacquie? Está tudo bem? Sinto você muito distante no carro. Parecia estar com a cabeça em outro lugar. - Ela me diz.
- E estou... sabe... meu intercâmbio está parra acabar. Terrei que voltar parra a França em um mês.
- O QUÊ?! Mas... e a gente? Como fui burra? A gente não tinha como dar certo. Você ia embora, e eu sabia disso. - Ela se lamenta.
- Escute, não se lamente. O que tivemos foi algo de que não vou me esquecer. Eu te amo, Melissa. Mas tenho que voltar para França, tenho que me formar. - Falo parra ela com sincerridade. - Mas eu te prometo. Eu vou acabar os estudos de lá, e então vou voltar para cá. Dessa vez parra ficar. Eu vou voltar por você.
- Eu te amo, Jacquie.
- Eu te amo, Melissa.
E selamos a nossa promessa de amor com um beijo.
ALAN NARRANDO
Tristeza. Dor. Sofrimento. É tudo o que consigo sentir. Vivi anos sozinho. Eu era a única aberração da cidade. Nunca tive quem entendesse as mesmas dores que eu. Então veio o Alejandro. Eu namorei o Bad boy do Colégio. E fui feliz ao lado dele. Ele estava comigo quando recebeu o tiro. Ele morreu em meus braços. Eu não pude evitar.
Ver o corpo dele ser cremado foi difícil. As cinzas estão com o Bello. O Alejandro tinha uma meta de vida. Ir para San Francisco e pagar uma Universidade para o irmão. Então, Bello vai viajar a San Francisco comigo e Juan em alguns dias para jogarmos as cinzas no mar.
É estranho pensar nas coisas que aconteceram comigo esse ano. Eu me tornei viúvo aos 16 anos.
Eu não tenho mais vontade de comer, beber, sorrir, acordar... viver. Meu mundo caiu.
Mas me orgulho do homem que era Alejandro. Me orgulho do homem que amei.
EDWARD NARRANDO
Estou com medo. Há dias estou escondido como prisioneiro em uma cabana no meio da floresta. Apollo me alimenta bem. Ele cuidou de mim. Pensei que fosse morrer por causa da bala em minha perna. Mas ele faz questão de não tirá-la. Não me quer com a perna boa.
- Edward?
- Sim? O que é que você quer?
- Escute. Sabe por que cuidei de você nesse tempo? Porque quis te mostrar o quanto dinheiro é insignificante. Você está pobre, assim como eu. E está vivo. Está saudável, mesmo que a bala ainda esteja em você. - Ele me diz.
- E eu deveria lhe agradecer por você ter cuidado de mim? - Pergunto com deboche.
- Claro que não. Só que queria mostrar que de nada adiantou tudo o que fez por dinheiro. Queria que você percebesse como sua vida se resumia em papel.
- Pois é. No final, o dinheiro não me salvou. Eu entendi. Realmente entendi. Você vai me soltar? - Pergunto esperançoso. Realmente aprendi que de nada adianta fazer de tudo por dinheiro.
- Não. - Ele responde sério. - Você me humilhou como ninguém nunca fez antes. Eu só queria te mostrar os seus erros nesse tempo que te mantive aqui. Mas eu tenho um ódio tão profundo por você e por sua família. Eu vou te matar.
- Por quê? - Pergunto.
- Eu podia crescer e me tornar um adolescente normal. Ir a escola. Ter um emprego de atendente em um mercadinho. Viver minha vida em paz como filho de uma garçonete. Mas meu pai era um imigrante colombiano. Ele não é um drogado ou um traficante como você fala. Mas tinha dívidas de jogos. Dívidas com o Prefeito de Catarina. E chuta como ele pagou a dívida? - Ele tem um olhar tão triste.
- Você?
- Não. Na realidade ele deu minha mãe pra pagar a dívida e foi embora. Eu fiquei como filho de uma prostituta. - Ele continua. - Eu tinha muito orgulho da minha mãe ser uma mulher trabalhadora que deu tudo de si para cuidar do filho. E um dia, duas prostitutas morreram em uma confusão no Bordel. E as duas tinham filhos de 11 anos. E os dois meninos viraram prostitutos.
- Alejandro e você. - Era tudo tão claro agora. É por isso que Apollo está aqui. Ele também quer vingança. Não é só por eu ter lhe humilhado.
- A minha tatuagem é um ying yang. Mas em vez de preto e branco, é preto e amarelo. É o simbolo da tristeza de dois jovens. Eu, que tenho cabelos negros, e Alejandro, que é loiro. Então eu virei segurança por falta de pessoal. Então eu era tão bom na minha função, que virei mercenário. Essa é minha história. - Ele conclui.
- Eu sinto muito.
- Eu sei. Mas... agora se levanta. Vamos dar uma volta.
Eu me levanto de onde estou e o sigo, com dificuldades, já que minha perna dói por causa da bala. Ele me leva até uma clareira. Tem muitas flores aqui. É lindo. Mas tem um buraco recém aberto. E a terra ainda está do lado. É em formato retangular. Minha cova.
- Acabou. - Ele diz. - Entre aí. Se deite. Se quiser pode fechar os olhos. Vai ser rápido.
Eu estou machucado. Não tenho como fugir. Não vou prolongar meu sofrimento. Fiz o que ele pediu. E fechei os olhos. Estou aqui. E sinto algo entrar em meu peito.
E agora não sinto mais nada.
TAYLOR NARRANDO
Eu odeio a todos. Todos. Minha vida foi estragada. Perdi tudo. Eu só matei um. Deveria ter matado mais. Deveria ter matado Bello, Samuel, Jacob... todos aqueles imperfeitos.
- Eu sou rica, linda e perfeita. O que estou fazendo em uma prisão? - Eu falo baixo enquanto choro.
JUAN NARRANDO
San Francisco é tão bonita. O mar é lindo. Entendo porque Alejandro amava esse lugar. Ele sonhava em vir para cá. Queria que Bello estudasse aqui.
Nesse momento estamos eu, Alan e Bello em San Francisco. É três horas da manhã. Poucos carros passam pela ponte golden Gate nesse momento. Bello está com a caixa com as cinzas de Alejandro em mãos. Ele está estático olhando para o mar.
- Adeus, irmão.
E com essas palavras, ele derrama as cinzas de Alejandro no mar. O vento as carrega até a água da baía.
Agora é recomeço. Vou voltar para Catarina, arrumar um emprego. Seguir a vida.
Bello está quieto, não chorou pela morte do irmão. Ele raramente fala. Ele não come. Bebe pouca água. Ele não está tentendo viver a vida dele normalmente. Ele está sobrevivendo porque precisa. Ele quer honrar o sonho que o irmão dele tinha. Vê-lo feliz.
Alan está muito melhor. Ele chora o tempo todo. Está realmente triste. Mas ele não está apático como o Bello. Espero que eles sigam em frente.
KATY NARRANDO
Estou na prisão. Fui visitar Taylor. Tivemos uma amizade antes dela tentar vender Juan. Posso ser o que quer que seja, mas sou leal a meus amigos. Ela e Juan eram minha únicas amizades.
Juan está diferente. Não quis mais saber de mim. Estou com uma grande chance de vaga em uma Universidade no Colorado. Mas não sei mais se tudo o que eu fiz valeu a pena.
Um guarda traz Taylor para a sala de visitas.
- Katy? - Ela parecia feliz em me ver.
- Oi. Vim trazer uma notícia. Só isso. E vou embora. - Ela perdeu toda a alegria de seu rosto. - Apollo se entregou a polícia ontem, ele assumiu ter matado Edward. A polícia achou o corpo. Quando chegou a notícia, e como você não pode sair por crimes contra a humanidade, resolvi contar. Apollo enterrou ele em uma clareira na floresta. É um lugar lindo. Eu vi em uma foto.
Ela começou a chorar. Eu fui embora. Não tem mais nada para mim aqui.
SOLANGE NARRANDO
Bello não está bem. Não chora. Não come. Não fala. Ele está detonado. Apatia é pior que tristeza.
Eu estou me concentrando em um novo projeto. Muitos LGBTs foram libertados depois de desembro. Estou coordenando um projeto para integra-los. Catarina é uma cidade preconceituosa, e eles chegaram do nada. Espero que eu consiga contribuir para algo.
JACOB NARRANDO
Estou contente pelo quê fiz. Lutar contra as drogas sempre foi uma meta de vida. Minha avó está tão feliz comigo. Mas acho que fui muito extremista. Me esqueci de aproveitar minha adolescência. Não fiz muita coisa de especial.
Mas ajudei muita gente. Sem as drogas, muitas pessoas estão deixando as ruas e voltando para casa. É claro que várias estão sofrendo de abstinência. Mas é um processo. Agora tem muitos voluntários de toda Califórnia em Catarina para ajudar com a desintoxicação dos viciados. Me sinto realizado.
BELLO NARRANDO
Estou com tudo na mala. Vendi algumas coisas e comprei a passagem de ônibus para San Francisco. Estou saindo de casa. Já combinei com um senhor de idade. Ele vai morar aqui depois. Vou alugar. Por enquanto vou me manter assim. A fábrica está sob gestão do estado até ir a leilão. Então os salários dos funcionários aumentaram. Quando saio de casa com minha mochila nas costas e minha mala, ouço a voz dele.
- Está indo embora?
- Não queria que essa despedida ocorresse, Samuel.
- Pra onde você vai? - Seu rosto está simples enquanto pergunta.
- San Francisco. Sou emancipado. Vou viver lá. Enviei meu histórico escolar e contei minha história e a de meu irmão. Ganhei uma bolsa de estudos em um Colégio interno. Sempre foi o sonho de Alejandro me ver estudar em um lugar com qualidade de ensino.
- Por que você não fica? - Ele parece realmente querer que eu fique.
- Olha, Samuel...
- Por favor! Eu quero fazer isso pelo Alejandro. Você morar com a gente. Eu quero fazer isso por ele. Eu deveria ter levado aquele tiro no lugar dele. Todas as noites, antes de dormir... eu me olho no espelho e choro porque eu sei que deveria ter sido eu. Eu sou um ladrão! Um ex viciado. Eu deixei um inocente morrer na cadeia por minha causa... - Ele começa a chorar.
- Não posso ficar. Eu não tenho mais ninguém. Eu estou sozinho. Alejandro me preparou para este momento. Ele sabia que podia morrer. Ele escolheu esse destino. E você pode ter seus erros, mas você salvou muita gente. E meu irmão não era santo para você dizer que deveria ter ido no lugar dele. Ele era um incendiário. Não se culpe tanto. Meu irmão dizia que até mesmo a liberdade tem um preço. Vocês libertaram dezenas de pessoas. Mas o preço foi ele.
- Então, você realmente vai?
- Vou. Preciso construir meu próprio destino. Não tem mais nada que me prenda a Catarina. É hora de dizer adeus. - Eu vou até Samuel e o abraço.
Depois eu me viro e sigo em frente. É hora de seguir meu próprio destino.
SAMUEL NARRANDO
Já é Setembro. O início de um novo ano letivo. Sinto uma certa nostalgia ao entrar pelos corredores dessa eacola de novo. Parece que foi ontem que Bello me recebia na secretaria.
Muita coisa mudou em mim nesses últimos oito meses. Em todos nós. Mas uma coisa não mudou. Quem nós somos.
Ando até a cantina e vejo Melissa e Alan me esperando. Me sinto em casa. Afinal, estou em Catarina.
Jackson. Eu honrei sua promessa.
Melissa e Jacquie estão esperando até que ele volte da França para ficarem juntos. Alan está muito melhor. Superou a morte de Alejandro e vai seguir em frente. Tem até um intercambista brasileiro chamado Kauê dando em cima dele. Acho que esse tem chance. Juan trabalha na escola como secretário. Solange está trabalhando como assistente social. Jacob foi para o Libano. É um voluntário para a Unicef, ele trabalha ajudando refugiados.
Todos estamos seguindo a vida. Pois temos que aproveitar enquanto podemos. Umas das únicas certezas que temos é a morte. Mas temos outra certeza, a vida é agora.
FIM
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Obrigado a todos que acompanharam Catarina. Fico feliz por ter sido capaz de desenvolver tal história. Tenho outras histórias publicadas aqui no Wattpad:
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Flatmates
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Sonhos de um jovem poeta
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Mais uma vez, obrigado!
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