Capítulo 18 - Família

EDWARD NARRANDO
Novamente neste deposito fazendo o check list das cargas de heroína e cocaína para o Arizona, Nevada e Idaho. Ainda não comercializamos a arriba para fora de Catarina. Um alucinógeno tão forte tem que estar em pequenas áreas e em cidades pequenas. Não queremos que a concorrência descubra o segredo do nosso produto mais valioso.

Embora a arriba seja muito forte, sua duração é de pouco tempo e esgota a pessoa. Nesse momento, raptamos alguém. Não fazemos muito e só capturamos os usuários mais dependentes por serem mais vulneráveis.

- E aí, chefinho? - É ele denovo.

- Não me chame assim. Já te falaram como sua tatuagem é feia, Apollo? - Respondo a ele.

- Acho que você não deveria se importar comigo, e sim com a alta demanda de cocaína pra Nevada. - O cara me respondeu. Que abusado.

- Não seja tão abusado. Quer perder o emprego?

- Quer ganhar uma bala alojada no seu pescoço? Ou melhor... quer que eu solte o Milkovich? Trate melhor seus funcionários, pequeno Wolverstyle. Sua tia nunca foi tão desagradável como você. - Ele tem a audácia de me responder. Até parece que ele tem esse poder. - Aliás, é uma puta sacanagem traficar o filho da Milkovich. Ela tomou conta do Bordel por anos.

- Fale com a Taylor. É ela quem manda no Bordel e na festa do Solstício de inverno. Eu só cuido do tráfico e dos enlatados.

- Falar com sua irmã? Ela ia me mandar executar um plano malvado no momento em que me visse.

- Ela só pensa no bem da corporação. - Argumento com Apollo.

- Ela sequestra o ex namorado e ainda o manda para o tráfico humano, sendo que ele ainda é filho da mulher que serviu com total fidelidade a tia e o tio dela. Manda sequestrar LGBTs para experimentos de cura gay. Conhece mais alguém que faz tais coisas?

Ele tem razão em certo ponto. Mas tudo é por um bem maior. Dinheiro.

- Tenho uma coisa para você chefinho. - Apollo me mostra uma foto em seu celular. São Alejandro e Samuel me seguindo escondidos. - Tirei enquanto estava de tocaia para capturar Juan mais cedo. Tem gente prestando mais atenção em você do que na Taylor.

Meus deus. Essa foi inesperada. O mais sensato seria seguir Taylor. Preciso me cuidar.

SAMUEL NARRANDO
Estou voltando com Alejandro para sua casa. O dia foi produtivo. Seguimos Edward até um galpão da fábrica. Mas o lugar era desativado segundo Alejandro.

Assim que entramos, vejo um Bello esperando por nós. Ele não deveria estar aqui.

- ¿Por que no estás en el voley?

- Vocês dois estão fazendo algo juntos? Não é Alejandro? Você chantageia os outros. Você faz coisas escondido. Some durante horas e volta sem nem me olhar na cara. E agora está andando com o Samuel. Você não gosta dele. Estou cansado de não saber o que está acontecendo. - Ele fala com o rosto vermelho de raiva.

- Escuta...- Alejandro começou a falar, mas foi interrompido.

- Apollo está em Catarina. - Alejandro emudeceu do nada.

- Apollo? Tem certeza? - Alejandro está com uma cara meio apavorada, mas não por medo, é como se ele não acreditasse nas palavras de Bello.

- Você está se mentendo em algum assunto dos Wolverstyle, não é? Nada mais explica ver você com o Samuel, a chantagem que faz no Juan ou a aparição do Apollo. E aliás... hoje o Jacob apareceu aqui. Disse que precisava de um celular para ligar pra polícia. Perguntei o porquê. Juan foi sequestrado...

- Como assim? Foi esse tal de Apollo? - Essa foi minha vez de me intrometer.

- Um rapaz branco e com uma tatuagem de Ying Yang na cabeça coberta pelos cabelos morenos. É a perfeita definição do Apollo. - Bello fala.

- Gente. Quem é esse tal Apollo? - Pergunto a eles.

- Apollo é o filho de uma prostituta que morreu durante uma briga no Bordel. Assim como minha mãe. Ambos viramos prostitutos. Mas depois de um tempo ele começou a trabalhar de segurança particular. E com o tempo virou mercenário. Da última vez que o vi, trabalhava na segurança de cargas de enlatados para Las Vegas. - Alejandro me explicou.

- Então? - Bello insiste. - Está mexendo com os Wolverstyle?

- Eu preciso. Eles são assassinos. - Ele tenta se explicar.

- EU NÃO QUERO QUE BANQUE O HERÓI, ALEJANDRO. EU JÁ PERDI MEU PAI, PERDI MINHA MÃE. NOSSOS PARENTES MAIS PRÓXIMOS ESTÃO NO MÉXICO E EM NEVADA. EU NUNCA VI ELES. VOCÊ É MINHA FAMÍLIA. - Bello chorava enquanto gritava. - ELES SÃO ASSASSINOS. A MILKOVICH FOI LEAL A ELES UMA VIDA INTEIRA, E ELES SEQUESTARAM JUAN. NÃO TEM MEDO DE MORRER?

- Eu sei quem eles são. Mas eu tenho que fazer isso. Você não pensa na mamãe ou no seu pai? Não quer ver o fim dos responsáveis pelas mortes deles? - Alejandro chorava. Nunca havia visto ele desse jeito.

- Eu penso neles, e quero que os Wolverstyle tenham o que é deles. Mas e você? Você não pensa em mim? Não pensa que se você morrer, eu fico sozinho? Alejandro, eu já perdi todos que eram especiais para mim. Perdi quem mais amava, não quero perder você. Não me resta mais ninguém. Você é minha família. Você é tudo que eu tenho. - Bello abraçou Alejandro.

Saí dali e fui esperar na varanda. Era melhor deixá-los a sós. Ambos choravam. Era possível ver nesse abraço, todo o carinho e o amor que eles sentiam um pelo outro. E também via-se a tristeza em suas lágrimas. Bello parece ser o garoto perfeito e exemplo de todos, e Alejandro parece o típico Bad Boy mexicano. Mas eles são apenas dois irmãos que sofreram desde pequenos toda a maldade que o mundo tem a oferecer.

TAYLOR NARRANDO
Juan está fora do meu caminho. Ele tem um corpinho bem saudável. Vai render uma boa grana na festa do Solstício de inverno. Os traficados ficam presos em uma grande casa de campo. Cercas de 6 metros de altura, eletrificadas e muita segurança. Temos 5 dessas pelo país. Vão mandá-lo amanhã para a casa de Oregon. E em 1 mês e meio, ele será vendido em Idaho.

Mas agora preciso me livrar da mãe dele. Mesmo com toda essa lealdade, a Milkovich vai surtar e nos entregar se descobrir o que aconteceu com o filhinho dela.

Estou na escola, procurando por ela. Ela está em sua sala. Agora são 19:00. A escola já vai fechar. Até o zelador foi embora.

- Diretora Milkovich. Tenho que conversar com a senhora. - Digo a ela.

- Do que se trata? - Ela pergunta.

- Meu pai quer te ver. É urgente. Achamos que seu e-mail pode ter sido hackeado. Venha comigo. - Ela me acompanhou.

A sala dela é no segundo andar. E tem uma escada enorme. Assim que estamos ainda na parte alta da escada, empurro ela com força em direção ao chão. O estrondo é alto. E a queda é feia. Não há como ela sobreviver.

Vou até o armário do zelador e pego uma placa de piso molhado e boto no final da escada.

Um empecilho a menos em meu caminho.

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