Capítulo 119 - A Deusa Esquecida.
Depois de um certo tempo, Aisha voltou para o quarto e em seguida tomou um banho. Quando deu a hora de jantarmos, nós saímos do quarto e seguimos em direção ao refeitório enquanto a ela me contava como tinha sido seu passeio com Leonard. Como eu estava sem apetite, resolvi comer pouco.
Ao voltarmos para o quarto o sono chegou bem rápido, então acabei dormindo. Mas ao fechar meus olhos eu me encontrei em um lugar totalmente diferente... outra vez.
- Ah, não! Já estou ficando cansada de ficar aparecendo em locais estranhos enquanto durmo... É pedir de mais um sonho normal?
Olhei ao meu redor e era como se eu estivesse sobre as nuvens, bem ao alto dava para se ver as estrelas transmitindo um brilho forte, e logo a minha frente havia um castelo, ou pelo menos eu achava que era. Parecia mais uma grande estrutura feita de diamante, mas era muito espeço para se ver o que havia dentro. Então resolvo ir em sua direção. Ao chegar perto da porta, ela automaticamente se abriu, como se estivesse me dando as boas vindas. Passei por ela e entrei no castelo de diamante. Dentro dele tudo era feito de diamante, as escadas, os lustres e o trono que se encontrava a minha frente, uma mulher estava sentada nele enquanto me olhava com atenção. Ela sorriu para mim e se levantou, seu vestido era preto e todo detalhado. Havia algumas rendas de uma tonalidade azul nele, e várias pedinhas brancas espalhadas por ele. Seus cabelos eram incrivelmente grandes e prateados, só que mais puxado para um azul bem claro. Seus olhos eram azuis mas se olhasse demasiadamente para eles, se tornavam verdes. Seu rosto era fino e delicado, sua pele era pálida e sua boca transmitia uma cor avermelhada bem claro.
- Bem vinda, criança - disse ela de uma forma gentil, fazendo sua voz ecoar pelo lugar. - Meu nome é Luannarys, mas você me conhece por um outro nome...
- Lua... - falo após reconhecer a sua voz.
- Isso mesmo, sua ancestral que me... apelidou assim - disse ela enquanto se aproximava. - Tenho algo para te contar, por isso a trouxe aqui. É a mesma coisa que eu disse a Alana enquanto era viva.
- Está bem - falo a observando admirada, ela era muito linda.
- Vamos começar do inicio... A muito tempo atrás, os humanos passavam por muitas dificuldades e medos, e para se consolarem, eles me criaram. Eles queriam tanto em acreditar em um Deus que eu acabei nascendo. Desse modo eles se sentiriam protegidos e teriam motivos para continuar em frente... Eu passei a protege-los e a ama-los. Então como uma forma de agradecimento por terem me dado a vida, eu resolvi fazer algo que não dava para ser desfeito...
- O que? - pergunto.
- Dar poder a eles... - Lua fala de uma forma triste e volta para seu trono. - Toda criança que nascer em dia de lua cheia, ganhará poderes.
- Você se arrepende? - pergunto após perceber sua expressão triste.
- Bem... sim - disse ela deixando um sorriso tímido sobressair. - Eu fiz de tudo para desfazer o que eu tinha feito, mas não consegui. Muitos humanos foram assassinados por causa disso, eram chamados de monstros, foi uma época horrível e sangrenta. Os humanos que possuíam poderes acabaram se escondendo em cavernas e não contavam para ninguém por medo de serem mortos. Mas aos poucos as pessoas acabaram esquecendo, e também se esqueceram de mim. Eu sobrevivia por adoração, mas como eu ainda tinha meus escolhidos, eu continuei sobrevivendo, mas quando eu percebi que os humanos já não eram mais os mesmos daquela época sangrenta, eu quis dar metade de meus poderes para um deles, mas só aconteceria quando a lua azul surgisse.
- Alana ganhou eles... - falo.
- Isso! Mas acabei me arrependendo outra vez... Dar metade dos poderes de um Deus, para um humano era proibido. Como castigo, uma criança seria amaldiçoada, e assim surgiu a lua vermelha, trazendo com sigo a maldição. Você já sabe a história...
- Sim... - falo me recordando de Ben.
- Alana... Ela tinha que seguir seu destino, mas não quis, ela amava tanto ser humana, que acabou virando uma.
- O... O que? Ela não era uma humana? - pergunto surpresa.
- Por eu ter dado metade dos meus poderes, Alana se tornou uma guardiã. Ela era quase uma divindade, sua missão era proteger os meus escolhidos, as crianças que nasciam com dons. Ela amava muito aquele rapaz, queria construir uma vida ao lado dele. Ela perdeu sua imortalidade e deixou de ser uma guardiã. Mas no fim ele a traiu, para impedir que ele pegasse os poderes dados a mim a ela, selou-os na pedra do medalhão, fazendo isso, ela se partiu em duas partes e depois sumiram em direções opostas. Mas por ela ter feito isso, ela perdeu sua vida, os poderes eram sua vitalidade. Eu então lhe dei uma segunda chance, por causa do feto que se encontrava em seu ventre. Fiz com que ela sobrevivesse até que sua filha conseguisse se virar sozinha. Sua filha acabou nascendo normal, e foi assim até chegar em você.
- Espera... Então você quer dizer que eu sou...
- Uma guardiã? - completou ela. - Futuramente você será uma, quando você recuperar o medalhão.
- E se eu não quiser ser uma guardiã? - falo dando um passo para trás.
- Então a próxima descendente de Alana terá que se tornar, resumindo, a sua filha - disse ela enquanto me fitava.
- Mas... mas por que? - pergunto sem entender.
- É a unica maneira de acabar com a maldição, Diana. Consegui convencer os Deuses superiores a mim, eles disseram que se a próxima descendente de Alana aceitasse o seu legado, nenhuma criança nasceria com a maldição outra vez, mas os que ainda existiam, iria continuar com ela...
- Então, eu não tenho escolha...
- Você tem, mas sua filha terá que aceitar. Se você aceitar, você será imortal, os poderes selados no medalhão passará para seu corpo. Mas você não poderá se relacionar com ninguém, e é triste dizer isso mas... você verá seus amigos morrerem.
Só de pensar em me tornar um ser imortal, e ver meus amigos morrerem na minha frente, me fez querer chorar, mas nenhuma criança nasceria com a maldição outra vez. Mas se eu não aceitar, minha filha terá que aceitar... Por que as coisas tinham que complicar tanto?
- Isso tudo é culpa minha - Lua fala de repente com um olhar triste. - Alana... ela já chegou a me odiar por isso, vou entender se me odiar também, me desculpe, Diana... Esse foi o preço por eu amar tanto os humanos.
- Se eu tiver uma filha, ela será obrigada a virar uma guardiã?
- Bem... não exatamente, mas a maldição vai continuar existindo, e se demorar muito, a lua vermelha aparecerá com mais frequência. Um fenômeno que é considerado raro, vai acabar deixando de ser, então o mundo cairá em caos, e as sombras o consumirão - ela se aproxima de mim. - Eu sei que pode parecer injusto, e sei como deve ser difícil para você, esse meu erro... vai destruir o mundo. Eu realmente... sinto muito.
- Isso... isso está perto? Da lua vermelha aparecer com mais frequência?
- Por enquanto não...
- Quando chegar a hora, você vai saber? - falo olhando em seus olhos.
- Vou...
- Eu entendo você, sei que não fez por mal... Mas eu quero ter uma vida, não quero viver eternamente, e quando eu tiver uma filha, vou alerta-la sobre seu destino. Mas se não tiver chegado a hora, quero que ela também tenha uma vida e construa uma família. Talvez eu esteja sendo egoísta, mas essa será a minha escolha.
- Eu... Eu entendo - disse ela de cabeça baixa.
Senti tanta tristeza em sua voz que não consegui me conter e a abracei, ela era uma Deusa esquecida... Quando foi criada, ela não sabia das regras e as quebrou, ela amava muito os humanos e só queria os ajudar, mas acabou não dando certo.
- É difícil ter que ver um humano pagando pelo meu erro - disse ela após me soltar. - Mas vou tentar convencer os Deuses Superiores para mudar isso...
- Tudo bem... está... está tudo bem - falo.
Depois eu me despedi dela eu sai do castelo, comecei a caminhar sem rumo enquanto suas palavras ainda ecoavam na minha cabeça, ao me sentir fraca eu acabei desmaiando. Ao acordar, eu já não estava mais naquele local, eu estava de volta ao meu quarto.
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Notas da Autora: Olá leitores e escritores, gostou do capítulo? Se gostou deixe seu voto e comente o que você está achando da história. Beijos e até mais.
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