Assunto: Recomeço

Querido Theo de 16 anos,

Quando o oitavo ano acabou a minha vida estava entrando na linha. No começo do nono ano meus pais desistiram de se divorciar. Meu inglês melhorou e eu perdi o risco de tomar bomba no curso. Já tinha parado de condenar minha Orientação sexual e minhas notas normalizaram.

O nono ano foi incrível. Comecei a fazer olimpíadas, meu espanhol melhorou e agora eu estou entre os nerds da sala.

Mas a melhor coisa do nono ano foi que a puberdade, a maravilhosa e impiedosa liberdade precoce que eu tive tinha acabado sua pior fase. Se você é menino, sabe que o nosso corpo resolvi nos infernizar.

Nascem pelos em tudo quanto é lugar. A voz muda conforme nosso pomo de adão cresce. E a testosterona um pouco em excesso ou desregulada faz a gente suar muito, mas diferente da infância, é um suor que fede. Isso ocorre com todo menino na faixa dos 14 e 15 anos e se bobiar dura até os 17. Mas como eu disse, passei por tudo isso muito cedo. Com 12 anos já estava passando por tudo isso. E com 14 as coisas já estavam acabando.

Minha voz estava parando de ter muitas oscilações e meu cheiro estava melhor. Além disso, um dia Abel e Ivan viram que eu levo desodorante na mochila, e parecem ter atinado que não havia mais motivos para falar de mim.

Então isso foi um recomeço para mim.

E sobre a questão dos nerds. Na sala haviam os seguintes nerds no oitavo ano:

Leta, Mikael, Ivan, Alexander, Bernardo, Solange, Manu, Maria, Larissa, Rosa e Triz.

Mas esse ano eles teriam um novo nerd, Theo Apollon veio para ficar.

Numa sala onde você era pouco reconhecido, como você se destaca?

Se dando bem em algo em que todos vão mal.

Como eu fiz isso?

Minhas redações começaram a ter notas sempre acima de 80%. Meu espanhol era alvo de elogios constantes da professora, pois eu era o aluno que chegou a tirar 0 em uma prova de espanhol e que hoje fala tão bem quanto a maioria. Uma melhora incrível e muito rápida.

E o principal. História e Química.

Desde o ano passado haviam vezes em que a nota geral da sala em história vinha tão baixa que uma nota com 80% já era uma enorme conquista, e o primeiro bimestre de 2017 foi assim. E enquanto muitas pessoas se abavam de estudar, eu respondia as perguntas do professor naturalmente e tirava 100% em quase todas as provas e eu consegui uma nota no bimestre de 98%. O que deixou muita gente na sala de boca aberta.

E teve a Química. Uma matéria difícil e muito cruel. É muito fácil pegar recuperação em Química, e é mais fácil ainda não recuperar a nota. Desde o início do ano eu tive as melhores notas de Química e era um dos únicos que conseguia acabar a prova toda.

Além disso teve a prova de português onde entre os 33 alunos, dois pegaram média. Leta com 78% e eu com 97%.

Fica difícil desprezar alguém quando essa pessoa está se dando melhor que você. Tem uma garota, Tainá, ela falava mal de mim e se fazia muito de amiga, hoje somos amigos sim. Eu pensava que naquela época de oitavo ano ele realmente gostasse de mim. Mas quando eu sobrei na separações de grupos, ela parece não ter gostado muito, não é de se esperar. Um aluno tão mal falado deveria ser burro não? O nosso grupo deveria fazer duas coisas, um blog e um desfile, sempre que eu perguntava sobre o blog, elas desconversavam e falavam que eu não precisava preocupar com o blog, era só pra eu me preparar pro desfile. Mal elas sabiam que eu era o melhor aluno em história naquele grupo, e futuramente o melhor da sala.

É claro que foi isso que me deu destaque. Nas outras matérias foi tudo normal. Então a maior média ainda não era minha. Era de Leta, Manu e Ivan.

Mas isso parece ter feito os outros me respeitarem mais. E o mais importante para mim foram as novas amizades que eu fiz. Catarina, Leta e Maria.

Elas me ajudaram a ser mais extrovertido, mais eu mesmo.

Se não fossem elas, eu estaria sozinho e sem companhia.

Mesmo com uma amizade forte com Rosa, a gente começou a ficar mais distante. Eu só conversava com as pessoas da escola dentro da escola. A gente foi separado no mapeamento. E ela tinha uma relação forte com Claudineide e Triz, além do repetente que chegou pra nossa turma, o Kleber.

E eles tinham uma amizade muito verdadeira. E se eu estava ali no meio, eu sobrava nas conversas, pois como sou tímido, não saio de casa, não sei o que se passa na vida dos outros para puxar assunto e não conheço praticamente ninguém, fica difícil render assunto. E vai por mim, não é legal ficar sobrando nas conversas.

E se Catarina, Maria e Leta não tivessem surgido, eu estaria sozinho,  pois não iria mais andar com os Macho Alpha.

Alegremente,

Theo de 14 anos

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