Capítulo 4
Depois de quase três dias sentado na areia, ao lado do inexplicável buraco, Jeon Jeongguk já começava a indicar sinais de irritação e impaciência.
Claro, o capitão não imaginou que seria uma tarefa fácil capturar uma sereia, mas havia esperança de que ao menos veria algum sinal daqueles seres em algum lugar. Bom, ele nunca esteve tão terrivelmente enganado e decepcionado com a própria inocência.
Não importava o quanto olhasse, nenhum sinal de sereias era visto naquelas águas, fosse dia ou noite. Em algumas vezes, pensou até na possibilidade delas serem mitos, inverdades criadas pelos marinheiros cansados da maresia e da vida entediante que pode ser a viagem pelos mares.
Sentado na areia e olhando para as ondas do oceano, Jeongguk suspirou profundamente algumas vezes, tentando de alguma forma se acalmar pois a sua mente gritava que precisava retornar para o navio, esquecendo toda aquela história de tesouro perdido e amaldiçoado.
— Merda... — O pirata resmungou, irritado.
Balançando a cabeça em negativa, Jeongguk deitou o corpo na areia e passou a encarar o céu azul escuro, iluminado pela lua e brilhando por causa das estrelas. Ele estava a ponto de desistir, não somente por estar exausto daquela rotina entediante, mas também por ver a exaustão estampada nos rostos de seus companheiros que estavam na ilha.
Mas foi nesse momento que ele ouviu um som estranho vindo das águas profundas daquele buraco na areia. Curioso e esperançoso, Jeongguk se apoiou nos cotovelos e levantou o tronco, apenas o suficiente para olhar naquela direção.
Com olhos estreitos viu o que parecia um peixe, ou quem sabe, um tubarão nadando por aquelas águas, iluminadas com algumas algas especiais que brilhavam num belo tom esverdeado.
Ainda com o cenho franzido, Jeongguk se sentou e olhou na direção da moita ao lado da areia. Lá, o pirata conseguiu avistar o olhar atento, mas cansado de Hoseok no meio da folhagem. Com um aceno de cabeça, viu o tripulante piscar várias vezes.
— O que é isso? — O Jeon perguntou, tentando fingir estar confuso com a movimentação suspeita na água. Claro, poderia ser um tubarão, mas caso não fosse, teria que chamar atenção do que quer que estivesse ali.
Levantou-se completamente da areia e caminhou com passos hesitantes em direção do buraco. Tentando parecer estar assustado, o pirata continuou a encarar a água meio iluminada pela luz das algas marinhas.
Nesse momento, quando estava há apenas alguns passos de distância, Jeongguk viu uma cabeça surgir da água e encará-lo firmemente.
Ali estava ela. Uma sereia!
A moça tinha longos cabelos acinzentados, um rosto redondo e algumas escamas na pele branca e pouco rosada. Os olhos dela, iluminado pela luz do luar, pareciam estar brilhando num vermelho intenso.
Ainda focado na sereia, Jeongguk sentiu a respiração pesar e ele se sentiu nervoso. Aquele diante de si era um monstro terrível, responsável por afundar embarcações e de afogar marinheiros. Hesitante, o capitão pensou em se afastar da fera, mas logo recordou do plano e o motivo pelo qual estava ali.
Aquela era a sua chance perfeita. A primeira em três longos dias e ele não desistiria facilmente de tê-la.
A sereia, por outro lado, estava intrigada por ter visto um humano pela primeira vez. Curiosa, ela nadou para a borda da abertura ainda com o olhar focado no outro. Ela não esperava vê-lo ali, muito pelo contrário, antes a jovem estava interessada apenas em entender a razão pela quais os casais de sua aldeia frequentavam aquela ilha.
— Você é tão linda... — Jeongguk falou, mantendo o ritmo lento da caminhada. Ele não queria assustá-la, na verdade, precisa atraí-la para mais perto, perto o suficiente para segurá-la e os outros virem ajudá-lo.
O ser marinho o fitou em completa confusão, como se não estivesse entendo as palavras ouvidas.
— Aküery issas mointer? — A voz doce dela pode ser ouvida, num tom leve semelhante a um sussurro calmo, lento e sensual, enquanto perguntava "Quem é você, humano?".
— O quê? — O capitão do Indomável indagou, se agachando na areia branca — Não consigo entendê-la...
— Aküery issas mointer?! — "Quem é você, humano?" Ela insistiu na questão.
Perto o suficiente da borda, Jeongguk estava há apenas alguns centímetros de distância do monstro, mas ainda não podia se arriscar a capturá-la. Ele precisava trazer ela para mais perto da areia.
Levantando a mão, Jeongguk moveu a palma lentamente em direção a moça, porém o pirata parou a aproximação quando ouviu a criatura silvar, ou rosnar como um felino irritado e ameaçado, olhando-o com os olhos vermelhos estreitos em fendas.
— Desculpe... desculpe — O Jeon sussurrou, erguendo ambas as mãos para cima — Não quero te machucar.
— Aküery northes yintoien amientas! — "Não ouse me tocar, humano" Ela ameaçou, mostrando os dentes pontiagudos e brancos.
— Não consigo te entender! — Havia um pouco de irritação na voz do capitão.
Ouvindo aquilo, a sereia suspirou como se estivesse cansada de falar com uma pedra e revirou os olhos. Nadando para a borda e se aproximando do homem, ela colocou ambas as mãos na terra firme e ergueu o tronco para fora da água, dando uma visão de seu corpo meio humano.
Jeongguk sentiu-se boquiaberto. A pele branca brilhava muito, além das escamas esverdeadas que subiam por todo o corpo dela, até atingirem os seios firmes e pequenos, semelhantes aos das mulheres humanas. Seus cabelos cinzentos eram longos e enquanto ela se levantava, o capitão acreditou que os fios nunca teriam fim.
— Aküery noietas amoiestas. — "Responda-me, humano", a seria insistia, olhando-o com atenção. Aquele era um lugar sagrado e ele não deveria estar ali.
Após ter desistido de compreender as palavras desconhecidas e estranhas dela, Jeongguk somente fingiu compreensão e balançou a cabeça positivamente.
Então, quando notou que estava bem próximo dela, o Jeon olhou rapidamente para os companheiros segurando a rede atrás da grande rocha e piscou algumas vezes, sinalizando que daria início ao plano deles.
Obviamente, o pirata queria puxá-la pelo braço a fim de desequilibrar ela e derrubá-la no chão. Entretanto existiam muitas possibilidades nessa ideia. A maior parte do corpo da criatura estava dentro d'água e não fazia ideia do quão forte aquele corpo pequeno poderia ser.
Mas precisava tentar, não podia correr o risco de perdê-la. Por isso, Jeongguk olhou firme no fundo dos olhos vermelhos e sem que ela percebesse, moveu a mão direita para o braço esquerdo dela, o agarrou e puxou com toda a força que tinha, derrubando o tronco dela na areia.
— Agora! — Jeongguk gritou para os seus homens que aguardavam.
Rapidamente os tripulantes que estavam ali se moveram e logo uma rede foi lançada e caiu nas costas do monstro, enquanto os outros três homens na moita gritavam e corriam na direção dos dois.
O Jeon manteve as mãos firmemente agarradas ao braço escamoso e escorregadio dela, ao mesmo tempo que sentia a água molhar o seu corpo devido aos movimentos nervosos da cauda dela.
— Rápido, homens! — Exigiu.
Hoseok se jogou na areia e tentou segurar o outro braço, que naquele momento estava preso pela rede de pesca fortificada. Brien e Roosevelt também se juntaram e tentaram segurá-la de algum jeito, mas mesmo os quatro homens não eram páreos para a força descomunal e monstruosa daquela sereia.
A criatura tentava se soltar de seus captores de todas as formas. Tentava morder, arranhar e se debatia fortemente dentro da água.
E por um momento enquanto tentava tirá-la de dentro da água, os piratas quase gritaram cantando vitória antes da hora.
Jimin não esperava se deparar com aquela situação, quando seguiu sua irmã mais nova sem que ela percebesse.
Um pouco antes do acontecido, tinha aconselhado a jovem sereia a ficar longe da ilha mas não era pelo motivo de ter algum perigo, muito pelo contrário, aquele local era sagrado para a tribo e nada poderia machucar a jovem ali.
Aquelas terras eram importantes para o acasalamento de seu povo. Era ali que os casais iam para tentar conceber uma nova vida e, por ser um irmão mais velho protetor, Jimin não queria que sua doce irmã presenciasse o ato carnal em si. Ela era apenas uma criança, não tinha nem vinte anos, praticamente uma jovenzinha com um corpo desenvolvido.
Mas Moira era uma criança teimosa e espirituosa. É claro que ela viria aqui, apesar de todos os avisos, pensou consigo ao vê-la nadando até a borda do buraco.
O tritão pensou em nadar até a irmã, e ele estava focado em repreender sua atitude desobediente. Mas no fim, quem poderia ter imaginado que precisaria ir até ela para salvá-la?
Segurando a cauda dela que debatia fortemente, Jimin a puxou com força para baixo, batendo a sua própria cauda com toda a força, mas algo a prendia firmemente em terra firme. Respirando pesadamente, percebeu que precisava liberá-la por cima e enfrentar o que quer que tivesse ali.
Sua mente estava tão focada em trazê-la para a água e o desespero era tão palpável na voz dela, que o rapaz nem ao menos prestou atenção ao som das vozes humanas vindas da superfície.
Sua atenção estava completamente em Moira e sua segurança. Jimin amava aquela criança, era sua irmãzinha e nunca permitiria que algo de ruim acontecesse a ela. Ele daria sua vida pela dela, sem pestanejar.
Então, sem muita escolha, Jimin soltou a irmã e nadou para cima, pegando impulso com um nado forte de sua cauda. Lá, conseguiu ouvir em alto e bom tom, os choramingos e súplicas que a caçula gritava desesperadamente. Ela praticamente implorava pela vida, enquanto os humanos tentavam arrastá-la para fora d'água.
Irado por vê-los machucar sua única irmã, o tritão pulou para fora da água e usou a cauda forte e cinzenta igual aos seus cabelos para derrubar dois dos inimigos.
Surpresos por sua presença ali, ouviu-os gritar algo na língua deles, mas Jimin não tinha tempo para se preocupar em entendê-los. Focou sua atenção em Moira que havia sido capturada por uma pesada e grande rede de pesca. Ele havia conseguido derrubar dois dos homens, mas ainda restavam mais 2 segurando cada ponta da rede.
— Fuja! — Jimin gritou na língua deles, somente para que sua irmãzinha escutasse e entendesse.
Moira olhava em sua direção em completo desespero, enquanto tentava de toda forma, se soltar e voltar rapidamente para a água onde estaria em segurança. Seu coração se apertou, mas não tinha muito o que pudesse fazer.
O plano era não deixá-los tocar em único fio de cabelo dela, não importando se morreria no processo ou não. Ele estava disposto a dar sua vida pela dela, porque a amava demais. Era sua irmãzinha, afinal.
Moira viu seu irmão rolar pela areia, tentando desviar de um dos humanos que tentou bater nele com um tronco pequeno. Ela aproveitou essa distração e usou toda a sua força restante para se livrar da rede e afundar novamente na água.
Dentro do mar, a jovem sereia ouvia as vozes humanas falar algo apressadamente. Havia gritos, batidas, deixando-a cada vez mais assustada e desesperada. Ela conseguia ouvir a voz do irmão a todo momento e reunindo toda a coragem que tinha, gritou pelo nome dele o mais alto que conseguia.
Precisava dizer que estava bem, que Jimin precisava voltar para a água, antes que fosse tarde... antes que acontecesse...
Moira pensou que seria bom retornar para a superfície mas estava assustada demais, praticamente travada no lugar enquanto engolia a água salgada apressadamente, sentindo o coração bater ferozmente dentro do peito.
O tempo parecia correr devagar e então, tudo ficou quieto.
Ainda olhando para a superfície em meio ao buraco, Moira sentiu os olhos arderem pelas lágrimas que logo estariam se misturando com as águas salgadas do oceano. Já não conseguia ouvir as vozes dos humanos e nem de seu irmão. Aflita e receosa, a jovem sereia nadou lentamente até onde havia sido capturada momentos atrás e colocou apenas um pouco da cabeça para fora.
Seus olhos captaram a imagem dos quatro humanos arrastando seu irmão pela areia da praia molhada pelas pequenas ondinhas, preso na rede de pesca. Jimin também olhava na direção dela, ele estava machucado, conseguia ver o sangue azul dele escorrendo pelo rosto, braços e cauda. Moira chorou silenciosamente com aquela visão, enquanto assistia os demônios de duas caudas o levando para longe dela.
As lágrimas escorreram por seus olhos, enquanto lutava para respirar adequadamente, devido ao sentimento de culpa que a consumia naquele momento.
Mas Moira não desistiria facilmente. Não, ela jurou naquele momento que iria atrás daqueles homens e mataria cada um deles, na primeira oportunidade que tivesse.
Com raiva e consumida pela sede de vingança, a jovem sereia afundou novamente no oceano, traçando mentalmente o seu plano, onde caçaria as suas presas até os confins do mundo.
Eles tinham conseguido assustá-la, mas nunca mais teriam esse prazer. Ela jurou, diante da memória do irmão.
Depois da pancada que havia recebido na cabeça, Jimin se sentia meio zonzo e completamente enfraquecido. Ele não era nenhum guerreiro em sua tribo, na verdade, ele era um estudioso e sua função era descobrir e entender mais os humanos, pois assim, seu povo poderiam evitá-los e se manter seguros, principalmente agora, que aqueles seres invadiam e eram responsáveis por poluir cada vez mais os oceanos.
Não era uma tarefa fácil compreendê-los, porque não conseguiam manter nenhum contato direto com eles, mas todo o conhecimento de Jimin vinha dos objetos perdidos em naufrágios.
Por isso, não imaginou que aqueles quatro poderiam ser tão fortes e traiçoeiros. Sem saída e preso, o tritão aceitou seu destino de cabeça erguida. Ele morreria, mas ao menos tinha salvo a irmã de um destino cruel e hediondo.
O jovem de cabelos cinza não sabia qual seria o fim da sua história, mas encarou as costas dos homens que lhe puxavam. Eles conversavam entre si e havia pouco que Jimin conhecia, no máximo, duas ou cinco palavras apesar de não compreender o real significado delas.
Desistir de entendê-los era o certo a se fazer e por isso, apenas se deixou ser puxado enquanto observava o céu estrelado. Entretanto, em dado momento, todo o grupo parou de arrastá-lo e se reuniram ao redor dele.
Jimin, é claro, manteve a guarda alta e estava disposto a lutar um pouco mais em troca de sua liberdade. Mas então, para sua surpresa, foi erguido pelos quatro homens e levado até o mar.
Vendo isso, um pensamento positivo irrompeu sua mente "Eles vão me libertar?", perguntou-se mentalmente. Mas toda a sua felicidade momentânea foi frustrada, quando avistou uma pequena embarcação com um objeto esquisito. O tritão conseguiu ver através dele e percebeu que estava cheio de água, confuso e com medo do desconhecido, tentou se debater e cair na no oceano de novo, mas foi firmemente agarrado, antes de ser jogado brutalmente dentro daquele "pequeno mar".
Jimin não teve tempo para pensar calmamente, naquela situação de captura. Tentou, pular para fora, mas logo foi trancado naquele objeto esquisito e apertado.
— Merda, parece que meus braços vão cair... porra — Jeongguk xingou, balançando os braços de um lado para o outro.
O capitão do Indomável não imaginava que um homem-sereia seria tão pesado, mas carregá-lo até o tanque tinha sido uma batalha quase impossível. Vendo aquele prêmio, o Jeon aproximou o rosto do vidro, ficando de frente para o rosto da criatura.
Aquele era parecido com a sereia de alguns momentos atrás, ele percebeu. Talvez fosse coincidência, talvez não... bem, ele nunca saberia, afinal. Mas, apesar da aparência dele, Jeongguk se sentiu intrigado quando a criatura arregalou os olhos e abriu a boca, quase como se estivesse chocado por vê-lo ali. Se fosse um pouco mais lunático, poderia jurar que aquela sereia parecia conhecê-lo, mesmo que não fosse possível.
Jimin, por outro lado, de fato estava surpreso em ver, bem diante de seus olhos, o humano que havia salvado há tantos anos atrás. Mas algo não fazia sentido...
Sabia que humanos não viviam muito tempo, então porque aquele homem estava bem diante de seus olhos, com a mesma aparência e igualmente jovem?
Hello!! Como estão? Espero que bem!
Primeiro eu gostaria de cumprimentar os novos leitores! Obrigada por estarem aqui e disponibilizarem um pouco do seu tempo lendo a minha humilde história.
Mas me digam... o que acharam do capítulo? Espero que esse final tenha intrigado vocês um pouquinhoooooo
Peço que deixem um votinho pra animar essa jovem senhora cansada 🌟
E aliás, eu amo comentários! Tento sempre responder tudo, por isso, não deixem de comentar algo, mesmo que seja um coração azul <3
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