Capítulo 5 - " Logo os dois corriam pela areia debaixo das estrelas."
Nadja estava mexendo em várias ervas e amarrando em vários saquinhos em cores diferentes na sua mesa. O macaco foi pegar uma flor roxa e cuidadosamente a menina tomou ela e entregou uma outra que ele poderia comer.
Havia criado várias misturas que sabiam que poderiam ser úteis caso entrassem em combate ou precisassem envenenar alguém. Aquelas eram as únicas ferramentas mais mortais que seu avô deixava em suas mãos, mesmo que ele não tivesse ideia do que ela poderia fazer.
O macaco procurou na mão dela mais uma flor, tirando uma risada da menina. Ele subiu em seu braço e se enrosco nos cabelos dela. Os olhos dela se encontraram com o seu reflexo em uma bandeja de prata, Armim também tinha comentado sobre a mancha branca no olho dela. Realmente, ela achava atenção.
Ficou preocupada se aquilo poderia matá-la, mas não tanto quando a primeira apareceu na sua barriga e cobria completamente seu umbigo. Além de algumas em suas costas e uma pequena na mão. Jean comentou algumas vezes daquilo, mas nunca passava de perguntas e apontar que mais uma aparecia. Uma no rosto poderia ser um problema ou não.
Não sabia como seu avô ia reagir quando visse aquilo. Talvez ele mandasse assassinos para matá-la ou ia arrumar um jeito dela ser sequestrada mais uma vez. Ou talvez deixasse aquilo para ver se a mataria de uma vez por todas.
A primeira mancha tinha sido um mês depois do seu resgate. Percebeu depois de acordar suando frio e sem ar. Tirou a blusa no desespero e acabou vendo a mancha na barriga. Era tão pequena em comparação com agora.
Jogou a cabeça para trás e sentiu o peito doer diante todos os pensamentos que vieram de uma vez. Foi um ano sem ver a luz do Sol e como ela queria que esse ano tivesse sido apagado em sua mente completamente!
Um ano sufocante e que algo dentro dela tinha sido esmagado completamente. Jean tinha tirado algo dela daqueles dias e parecia continuar tirando todas as vezes que se encontravam.
Puxou a droga do bolso e começou a mastigar lentamente. Quem sabe assim conseguisse dormir.
🔪
- Está atrasada. - Armim disse assim que Nadja desceu para o beco onde eles terminavam de se prepara.
O Sol estava indo embora e o céu brilhava em uma tom vermelho bem forte.
- Queria criar uma distração... - ela apontou para o grande grupo de guardas ao lado da carga - Diminuir o perigo de sermos seguidos.
- Estou aqui para isso. - o rapaz insistiu mostrando as espadas nas mãos.
Nadja não olhou para ele, apenas acendeu um cigarro e olhou para os cavalos dourados e as cargas que tinham que carregar. Aqueles animais não eram fáceis de conseguir e sabia que seu avô tinha usado muito dinheiro para comprar dos últimos nômades que passaram na cidade.
- Eles vão de cavalo também?
- Não são de raça pura. - Khalil disse apontado para o grupo de estrangeiros - Os nossos vão ir mais rápido.
Nadja estendeu a mão para passar a mão no pelo dourado e brilhante do animal e tocou em seu nariz com muito cuidado. A moça sussurrou algo ao animal que ninguém deu muita atenção.
- Eles vão ter de ir na frente. - ela se afastou um pouco do animal.
- Não vai tentar graça nenhuma! - Armim falou de uma vez - Não vai ter nenhum reforço para você e...
- Eu sei. - ela jogou o cigarro no chão e pisou - Não vou arriscar o pescoço do príncipe e dos cavalos. Tenho noção de quando eles deve ser valiosos para meu avô.
- Não quis dizer isso. - Armim pegou no braço de Nadja com um rosto triste.
Nesse momento a bolsa de couro da menina foi aberta e o macaco pulou para fora, indo até o ombro dela.
- Vai levar o macaco? - Khalil se assustou.
- Vou. - ela apertou os lábios e segurou o animal o colocando na bolsa mais uma vez - Meu irmãos disse que não ia cuidar e provavelmente nosso avô ia dar um jeito de sumir com ele.
- Ele não pode trazer problemas? - Armim disse tenso.
Antes que Nadja pudesse responder o barulho dos homens saindo chamou a sua atenção. O Sol tinha terminado de sumir e as estrelas ocupavam todo o céu. Enquanto eles iam ganhando terreno na areia, a moça percebeu que Jean estava entre os homens e observava seus companheiros sumir.
Fazia um bom tempo que ela não o via durante uma missão e isso fez seu estômago revirar. Provavelmente, ele deve ter desconfiado da quantidade de perguntas dela ou então Nadja não tenha guardado os papéis tão bem quanto tinha pensado ou apenas ele estava ali porque tinha sido mandado. De qualquer forma, ela se sentiu boba por não ter pensado nessa possibilidade e, ainda assim, não pode conter a vontade de vomitar.
Um barulho ecoou por toda cidade e fez com que todos, menos, Nadja virarem seus rostos para um grande foco de fumaça que subia. Rapidamente mais um aconteceu e os homens estrangeiros começaram a se dispersar.
- Nadja, você fez isso? - Khalil disse sorrindo de canto de boca.
- Bomba de fumaça. - ela disse vendo Jean ir com os homens - O primo Haj está jogando elas pela cidade.
Armim estava com a mandíbula apertada, preocupado com o primo e, principalmente, com as pessoas as quais estavam expostas as armas experimentais da irmã. Quando aqueles dois estivessem no deserto, teria que correr por aí e verificar os estragos. Esperava que dessa vez essas bombas não tivesse gerado mortes, principalmente, morte entre os seus.
- Vamos... - Nadja disse vendo os três últimos soldados irem embora - Os rastros nunca ficam por muito tempo na areia.
- Vou trazer ela inteira. - Khalil disse se despedindo de Armim.
- Inteira eu tenho certeza que ela volta. - o principe disse rindo - Cuide de você e, por favor, se precisar fuja! Nadja...
- Eu prometo tomar cuidado. - ela o interrompeu subindo e fazendo o cavalo andar até a divisa da cidade e o deserto.
- Falando sério! - Armim se voltou ao príncipe - Ela vai se preocupar com si. Faça o mesmo.
O rapaz estranhou esse comportamento, mas preferiu não discutir muito. Logo os dois corriam pela areia debaixo das estrelas.
🔪
Após pouco tempo de calvagada a moça teve que diminuir a velocidade do cavalo para não ser vista pelos estrangeiros. Chegaram a ver a caravana no horizonte várias vezes e em todas a moça engolia seco e fazia os animais quase pararem.
- Nossos cavalos realmente são bem melhores. - ela bufou vendo a fumaca sair diante do seu rosto - Sabe para onde estávamos indo?
Os olhos de Khalil foram para as estrelas por alguns segundos. Seu nariz estava gelado e seu corpo tremia, a sensação de está sozinho e caminhando com seus pensamentos e desespero há alguns anos veio por alguns segundos.
- Continuamos indo para o noroeste desde o momento que saímos. - ele deu de ombros - Não me lembro muitas cidades para esse lado.
- Tem poucas... - ela concordou - São muito longe do mar ou qualquer rio. Acho que só tem nômades aqui.
- Acha que eles podem está negociando com nômades? - o príncipe estremeceu pegando mais um casaco.
- Eles são imprevisíveis, mas orgulhosos. Filhos de dragões... - ela riu - Não se misturar jamais e nem ir embora de seu lar.
- Alguns foram.
A memória do pai a carregando no colo e mostrando pela janela do palácio o deserto e depois as estrelas com várias histórias sendo contadas em cadeias fez seu coração apertar. O riso dele enquanto a sua mãe aparecia na porta do quarto a fez reconhecer a única constelação que havia aprendido.
- E nossos antepassados formaram nossas cidades e reinos. - ela deu de ombros - Enfim, não acho que esse orgulho iria permitir que eles negociarem com estrangeiros ao ponto de serem parceiros.
- Mas negociar...
- Eles não negam uma boa negociação. - Nadja estava com o nariz vermelho, quase brilhante - O que eles poderiam oferecer para que os estrangeiros?
- Armas antigas? Informações de localização e caminhada?
- Lendas antigas? - ela riu com deboche - Acho que não adianta ficarmos especulando muito.
A moça abriu a bolsa que ficava na sua frente e apertou os lábios, contendo o sorriso. Tirou um lenço e colocou ali dentro com uma mão cheia de uma delicadeza que Khalil não reconheceu.
- O macaco está bem?
- Sim.
- Não deu um nome para ele?
- Macaco... - ela deu de ombros fechando a bolsa.
- Você não pode dar um nome para o macaco de macaco. - Khalil riu - Vamos, não é difícil dar nome.
Seus pais mais uma vez veio como um flash dolorido em sua mente. Uma conversa sobre o Armim e como foi escolher o nome dele. "O mais forte".
Nomes tem poder, trazem consigo bênçãos e maldições. Seus pais queriam que seu filho homem, escolhido para ser o próximo a governar, tivesse mais força que todos os seus irmãos.
Já Nadja ganhou algo mais enigmático: mensageira ou esperança. Já tinha chego a conclusão que ela não traria mensagens de esperança e muito dificilmente iria conseguir trabalhar com a parte claramente positiva com o seu nome. Então, estava óbvio que um dia ela ia contar uma coisa importante para alguém. Pouco importava ela em si ou que fizesse.
Não se sentia muito no direito de amaldiçoar um animal com um nome. Não como ela um dia foi.
- Diga por você. - ela engoliu seco - Logo o dia vai raiar. Você acha que eles vão insistir nas primeiras horas da manhã ou vão parar?
- Os estrangeiros costumam ter horror do nosso Sol. Devem parar.
- A pele deles são delicadas demais. Ficam rosa... - ela riu - Chega ser hilários quando eles se queimam.
Khalil riu com o nariz e voltou seus olhos para o céu. Pensou na mãe, o ensinando sobre as constelações, dizia que sempre que se sentisse perdido ou sozinho olhasse para cima, encontraria companhia e direção. Doce e inocente, assim sua mãe é conhecia por todo o deserto e de fato ela era. Bem diferente da impressão que tinha agora de Nadja.
- O que você fez que deu aquele barulho? Bomba...
- Bomba de fumaça, eu disse. - ela mexeu em um bolso e tirou algo e colocou na boca para mastigar - Não é difícil fazer algo do gênero. Já disse várias vezes para adicionar esse tipo de coisa no arsenal de armas do Credo, mas meu avô odeia tudo o que eu faço.
- Trouxe mais coisas do tipo com você?
- Claro! - ela riu - Como eu disse é só misturar um pouco de tudo e pode se surpreender, parece muito com mágica.
- Talvez seja.
- Duvido, existe uma explicação lógica para o que eu faço. Só não tenho conhecimento disso ainda.
Um sorriso estava desenhado no rosto dela e seus olhos brilharam de empolgação, longe da cidade e distante o suficiente dos estrangeiros, Nadja estava leve. Assim, Khalil tomou coragem para dizer:
- Armim parecia muito preocupado. Sabe o motivo?
Ela parou de sorrir e apertou os lábios enquanto engolia seco.
- Melhor você parar de me perguntar certas coisas.
No silêncio da cavalgada, a mente de Nadja ia para o dia que tinha sido sequestrada.
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