Capítulo 11 - "Três Desejos"

Nadja viu um homem de barba cinza e pele queimada pelo Sol constante, suas roupas estavam completamente sujas de areia, deixando o turbante branco de outra cor. A pele escura e os olhos escuros deixava uma coisa bem clara, ele era do deserto. O Viajante dos estrangeiros.

A moça olhou ao redor e viu Khalil dormindo. Claro que ele estava dormindo!

- Vai nos entregar? - ela disse pegando algumas frutas e colocando na boca e dando outras ao homem.

Talvez fosse melhor fingir controle. A fruta desceu arranhando a garganta de Nadja . 

- Princesa. - o homem disse aceitando a comida - Não gosto dos estrangeiros, mas preciso de dinheiro.

- Já te pagaram? - ela cruza os braços e olha para trás dele, temendo que tivesse outra pessoa.

- Metade. - ele deu de ombros - Se seus olhos não fossem dessa cor dificilmente acharia que você é quem é.

- Fala isso pelas roupas baratas ou o fato de está no meio do deserto sem guardas? - ela sorriu.

- Não sei. - ele riu - Se você puder cobrir os custos deles não vou me meter.

- Eles te contrataram para o que exatamente?

- Atravessar o deserto indo sempre no mesmo sentido. - ele deu de ombros - Proteção e ajuda na administração dos recursos.

Nadja jogou mais uma tâmara na boca e apertou os lábios. Aquilo deveria ter saído caro e seu avô não ia ficar feliz em pagar toda a conta.

- Eles já fizeram essa viagem, sabia? - ela não deixou o homem responder - Os Viajantes que os levaram na primeira vez sumiu.

A moça não sabia se isso era verdade, mas valia a pena jogar essa carta, pois possivelmente, os estrangeiros não ia deixar que alguém, a qual sabia sobre o reino solto por aí. Ela cruzou os braços e observou o rosto do homem mudando um pouco.

- Pago a metade e protejo vocês quando a hora chegar.

- Você, garota, me proteger?

- Você deve me conhecer. - ela deu de ombros - Ou pelo menos uma ou outra coisa que sou capaz de fazer.

O homem pareceu refletir um pouco na proposta, quando estava preste a dar uma resposta, a moça disse:

- Você vai garantir o seu dinheiro e sua vida. O que mais poderia querer?

- Mas você precisa da minha boca calada. - ele deu um sorriso malandro.

- Tenho fumo e bebida aqui. - ela disse tirando um pouco de fumo do bolso - Podemos colocar isso em negociação para sua boca ficar fechada até o destino deles.

- Só fumo?

Nadja torceu a boca e bufou mexendo em seus bolsos de novo mostrando algumas drogas. O rosto do homem se iluminou.

- E essas tâmaras? - ele apontou para as frutas.

- Elas estão de graça. - a moça apontou para a árvore.

- Não temos como pegar elas. - ele deu de ombros - Temos um acordo?

- Um bem generoso para você! - ela apertou a mão dele - Espero que mantenha a sua palavra em troca. Pois poderia ter matado você aqui e agora.

- Eu sei disso. 

- Será que pode me dizer se eles vão sair amanhã ou depois? 

- Como cortesia por essa boa negociação, amanhã a noite.

O homem riu e Nadja começou a arrumar tudo que ela havia entregado para ele. Bufou irritada ao perceber que seu estoque para sustentar seus vícios ficou consideravelmente menor, mas tinha que lidar com isso. Era melhor do que iniciar uma luta sem está no lugar, o qual eles estavam tentando chegar. 

Com tudo entregue a ele, a moça viu Khalil acordar confuso e vendo o homem entrar no meio das árvores e arbustos. O pânico no rosto dele aliviou apenas quando percebeu a calma, a qual Nadja agia a medida que ia em direção dele. 

- Sabe, você pode me acordar se sentir sono. - ela olhou as várias estrelas no céu - Pode parecer que estou tranquila, mas raramente durmo bem. Tirando quando estou completamente fora da realidade. 

- Não parece. - ele passou a mão no olho - Estamos com problemas? 

- Não, mas com menos tâmaras, drogas, fumo e bebida. - ela disse rindo - E vou ter de dá um jeito para meu avô pagar uma meia viagem de valor enorme. 

 - Essa foi por pouco. 

- Está sendo por pouco. Nada impede esse homem de nos dedurar tirando a honra dele. - ela comeu mais uma fruta - Sorte a nossa que eles gostam mais da gente do que dos estrangeiros. Eu acho isso, pelo menos. 

Khalil não conseguiu pensar em nada para responder. 

- Você tem alguma história com Djinn? 

- Por que essa pergunta? - ela franziu a sobrancelha - Justo agora. Sabe? Estou ligeiramente irritada com você.

- Tem mais alguma ideia de como passar o tempo? - ele riu - Minha mãe falava que não gostava de história com eles. Sempre eram com o fim trágico. 

A moça riu, o que esperar de seres conhecidos por tirar vantagem da cobiça e desejos humanos, sempre provado que eram incapazes de desejar corretamente. Nadja não sabia se faziam aquilo para ensinar uma lição, por serem incapazes de controlar a sua magia ou por sentir raiva de terem que servir pessoas mais fracas do que eles. Ela refletiu o que ia querer pedir para um e disse sem ver. 

- Se tivesse um Djinn o que ia pedir? 

- Tem limites de pedido? 

- Um Djinn que concede 3 pedidos. 

- Mais pedidos? - ele disse rindo - Será que esse desejo poderia dar errado? 

- Sempre pode. Sem trapaças ou tentativas de ser engraçado, o que pediria? 

Khalil parou para pensar por um longo momento, apertou os lábios e olhou para as estrelas por longos momentos. 

- Queria viver uma das lembranças com a minha mãe, uma feliz, como um sonho. - ele disse fazendo um com os dedos - Ter um oásis, com uma casa e comida só para mim e a família sem a loucura da realeza ao meu redor, e, por último, passar o meu desejo para alguém que queira mais. 

- Bonitinho. - ela disse concordando com a cabeça - Mas ia dar errado! Primeiro esse oásis poderia transformar em uma prisão ou então ele mataria toda a loucura de realeza ao seu redor, ou seja, adeus sua avó, família, eu. Esse desejo para alguém que quer mais ia se transformar em um caos, poderia cair nas mão de um louco ou então para alguém inocente demais para fazer um pedido que acabe com a sua vida.

Ela pensou mais um pouco, então sorriu.

- O sonho com a mãe poderia de deixar em um sonho eterno, mas não seria ruim, afinal, você especificou uma lembrança boa. Talvez entediante ao longo do tempo.

Khalil riu, surpreso pela forma como ela tinha reagido a algo tão pessoal dele. Nadja fingiu que não percebeu isso e suspirou. 

- E os seus? 

- Eu ia guardar os meus desejos. - ela deu de ombros. 

- Como assim? 

- Três desejos. - ela disse fazendo o número com os dedos - Três armas que podem ser muito usadas para me defender ou me fazer crescer. Adoraria ter algo assim em mãos, mas não acho que consiga algo do tipo. 

- Não acredita em Djinn? 

Nadja parou um pouco para pensar naquilo. Não tinha certeza sobre o que acreditava ou não nas antigas lendas que seus pais gostavam tanto de contar. Desde pequena ela carregava essa incerteza, quando ouvia as palavras se transformar em algo maior do que elas e as imagens incríveis de grandes conquistas e terríveis quedas ganhavam vida, ela acreditava, mas assim que a história terminava parecia que a magia e o encanto sumia e, então, aquela certeza desaparecia. A resposta não deveria ser associada a acreditar ou não. 

- Espero que algo assim não exista. Já pensou o que poderia acontecer se algo assim caísse nas mãos erradas? - ela pensou no seu avô - Tem pessoas que fariam de tudo para o que desejam e se tem um preço para se pagar por eles, mesmo que seja algo terrível, vai ter alguém que não vai se importar.

Khalil olhou para os olhos âmbar da moça distante e refletindo as estrelas do céu e pensou no que poderia falar para manter aquela garota conversando com ele. Não sabia, exatamente o que nela era tão encantador, mas tinha isso. Queria entender. 

Ela espreguiçou e fez uma careta. 

- Só de pensar que amanhá vamos voltar ao calor e a areia dá até vontade de chorar. 

- Não temos muita esperança de encontrar coisas assim mais para frente. - ele apontou ao redor - Vamos ter que arrumar um jeito de fazer um estoque maior de água só por garantia. 

- Espero que nossos cavalos aguentem essa viagem. - ela disse olhando para eles adormecidos e amarrados próximo ao lago - Não me perdoaria se eles morressem.

Os dois ficaram em silêncio por um longo momento. Khalil tomou coragem para dizer:

- Se um dia souber de algo que queira pedir, você falaria para mim?

Nadja ainda olhando para as estrelas deu de ombros.


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