Jardim das Hespérides

O jardim que imaginava tão florido 
É nos meus versos algo do impossível.
Crescem nos caules conceitos desabridos,
Ao invés de botões de alvos lírios…

O zéfiro que sopra cada folha viridente
Logo é espírito que infla e lhe incandeia.
Como pudera tal jardim ser florescente,
Se tão-só a alma humana é centelha?

Quer ilusão a despeito do néctar adoçado,
Quer paixão ainda, não quer a rósea cor.
E mesmo se pudesse sentir o cheiro de um cravo,
Preferiria a constatação da imensa dor…

A fruir da tarde amena como um pássaro
Sem a sombra do pecado e do amor…

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